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O Brasil poderia facilmente ERRADICAR a MISÉRIA e a OLIGARQUIA, criando uma nação justa, pautada pela justiça social

O governo do Bozó quer que milhões morram sem emprego, em empregos precários, subempregados. Quer dar licença para a polícia, os ricos e os militares para matarem pobres e quer destruir o MEIO AMBIENTE, tal como DIZIMAR a Previdência e as estatais.

Eduardo Bolsonaro prega DESMATAMENTO e DESTRUIÇÃO AMBIENTAL, citando o livro asqueroso, “Psicose ambientalista”, de Dom Bertrand, da antiga horrorosa TPF.

O Ministério da Agricultura libera agrotóxicos a cada dia ou semana e a dezenas, para ampliar o envenenamento das pessoas. Já LIBEROU 161 agrotóxicos, só nestes 4 meses. Os agrotóxicos vão competir com o número de laranjas…

Um outro decreto, liberou até FUZIS para que as milícias possam ter ferramentas para suas operações, como a morte de Marielle…

Bilhões ou trilhões de abelhas são mortas, pelo sulfoxaflor, liberado pelo bozó, dizimando nossos apicultores, nossa agricultura. O doido nem sabe a densidade demográfica no Brasil em relação a Europa.

Os bozós são defendidos por pessoas horríveis, como Luciano Hang, Ratinho, Sílvio Santos, Datena, Luciana Gimenez, Renata Alves, Ana Hickmann, Rodrigo Faro e outros, que ganham milhões para defender a destruição da PREVIDÊNCIA SOCIAL.

O bozó aumentou e aumenta a gasolina, o álcool e o diesel, e quase todos os dias, tendo a gasolina em cerca de cinco reais. O gás de cozinha chega a uns 80 reais, em alguns lugares, 90 reais ou mais. E o bozó quer aumentar a energia elétrica em 50%, para matar o resto do povo. 

As pessoas de que gosto são gente como Marielle (morta, tudo indica, pelo vizinho de Bozó…), Haddad, Boulos, Marcelo Freixo, Manuela, Frei Anastácio, padre João de MG, padre Luiz Couto, Stédile, Frei Betto, Oliver Stone, Maria do Rosário, José Guimarães, Cynara Menezes, Luiz Nassif, Bob Fernandes, Marcelo Auler e outros.

Pesquisa Gallup diz, recentemente, que 40% das pessoas do EUA aceitam o socialismo democrático (“four in 10 Americans embrace socialism, Gallup poll says, ponto que colhi nos sites de apoio do excelente Sanders, nos EUA).

No Reino Unido, Jeremy Corbin é minha esperança maior.

No orçamento de 2019, no Brasil, mais de 40 % foi para os rentistas, cerca de CINCO MIL FAMÍLIAS ULTRA RICAS RENTISTAS, no total de R$ 1,065 trilhões de reais, 40,66%. A Bolsa Família só gasta uns 30 bilhões. Ou seja, um trilhão para cinco mil famílias ricas, ultra ricas, e 30 bilhões para 54 milhões de pessoas pobres. E tem ricos que chamam estes pobres de vagabundos e parasitas, o que é CINISMO PANTAGRUÉLICO. 

A Previdência que ajuda dezenas de milhões gasta apenas 24,48%.

Saúde, apenas 4%. Educação, apenas 3,6%.  Assistência Social, 3,2%. Já a Defesa Nacional, as 3 Forças, 2,57.

A Administração custa apenas 1,04%, quase nada. Do total das rendas da União, cerca de 10% voltam para os Estados membros e Municípios, 9,82%. 

Só na propaganda FALSA da “reforma” (destruição) da Previdência, foram gastos cerca de 250 mihões ou mais, de Temer ao Bozó. E este corta recursos para a educação, mas paga o Ratinho, a Globo, a Record, o SBT, Datena e outras pragas para fazer propaganda do Projeto de PEC GENOCIDA.

O Bozó insulta a religião, usando pastores milionários, tal como maculando o nome de Maria, Imaculada Conceição, coisas que são asquerosas, pois está usando do sentimento religioso das pessoas para manipular, e veicular leis e medidas iníquas. 

 

A Igreja luta por uma boa DEMOCRACIA POPULAR distributista, amplo Estado social, economia mista, sem miséria, sem reificação, sem exploração

O documento da CNBB, “Subsídios para uma política social” (“Estudos da CNBB, n. 24, São Paulo, Ed. Paulinas, 1979, p. 11), critica a horrenda pirâmide social brasileira, nossa iníqua estratificação social, que é a cristalização de inúmeros pecados sociais e pessoais:

O leque das remunerações [rendimentos] atinge, no Brasil, uma dispersão, que constitui, por si mesma, uma afronta aos pobres. Qual seria a reação do povo, se fossem publicadas as cifras [números] do que ganham os altos e médios escalões da administração pública e privada, da grande indústria, dos grandes latifundiários, do alto comércio, das altas finanças? Quantas dessas rendas, mesmo descontados os impostos, não correspondem a cem, duzentos, trezentos ou mais salários-mínimos?”.

Friso: a CNBB elencava as grandes fortunas: os grandes latifundiários, os grandes industriais, os grandes comerciantes, os grandes bancos da alta finança, os servidores dos altos escalões da Administração e os executivos das empresas privadas. Estes ricos votam em regra nos partidos neoliberais e da direita penal.

Há dezenove milhões de empresas no Brasil e uns onze milhões de empresas desativadas, totalizando uns 31 milhões de firmas (a maior parte empresas de micros empreendedores individuais MEIs).  É evidente que a maior parte é composta de produtores econômicos de micro e pequeno porte.

Boa parte das terras está concentrada em apenas alguns milhares de latifundiários (com milhares de hectares e milhares de cabeças de boi, cada um), em milhares de grandes empresários industriais e comerciais, uns dez banqueiros privados, e umas seis famílias que controlam a macro mídia comercial.

Jacques Maritain, no livro “Humanismo integral” (São Paulo, Editora Dominus, 1962, p. 150), obra escrita lá por 1936, tentou esboçar o que seria um “regime consecutivo (de superação] à liquidação do capitalismo”.

Este regime seria a transformação (erradicação, abolição) da democracia liberal numa “democracia personalista, com sufrágio e participação pessoal ativa de todos os interessados na base”, ou seja, na terminologia política atual, uma democracia popular, social, participativa e econômica.

Em outras palavras, um socialismo democrático, de economia mista e extenso Estado social, com muitas estatais, planejamento da produção, controles dos preços, sistema tributário redistributivo incidente sobre ricos, renda básica para todos etc.

Além disso, Maritain defendia a “regulação ‘endógena’ [dos trabalhadores] da vida econômica em ligação com as regulações mais universais, concernentes ao bem comum dos homens (considerados como cidadãos e não somente como produtores e como consumidores) asseguradas pelos órgãos superiores do corpo total da vida política”.

Enfim, Maritain defendeu regras e órgãos de autogestão e co-gestão dos trabalhadores combinada com amplo distributismo (inclusive com a criação de novos direitos sociais) e planejamento participativo.

As idéias de Maritain são, no fundo, as idéias de Mably, Morelly, Cobbett, Ozanam, Lacordaire, Buchez, Ketteler, Tocqueville, Acton, De Mun, Dupanloup, Péguy, Mounier, Alceu e outras estrelas do catolicismo.

Os trabalhadores devem controlar as fábricas, os campos, as empresas e todas as unidades de produção, enfim, todas as estruturas.

Cada unidade econômica deve ser uma “comunidade do trabalho” (cf. Péguy, Mounier, Chesterton, Alceu e outros).

A doutrina da Igreja é anticapitalista, anti-imperialista, anti-latifundiária, anti-ditadorial etc.

Por esta razão, a imagem do Diabo sempre foi a de um tirano, de um oligarca, que governa pela violência e pela mentira. Esta é também a descrição do anti-Cristo.

Estes textos mostram como a Igreja associou a tirania e a oligarquia à figura do Diabo. A imagem do dragão também simboliza o diabo. Dragão vem de “drákon”, uma palavra grega para significar uma serpente com asas, ou seja, um Anjo mau, decaído.

Os textos de Morus, Mably, Morelly, o Cura Vermelho, os bispos do Círculo Social, do bispo Gregório, de Cobbett, Buchez, Ozanam, Lacordaire, Marc Sangnier, Maritain e de Mounier foram a base da doutrina social da Igreja, na linha da Tradição dos Santos Padres.

Estes textos constituem o núcleo dos melhores textos de Alceu e da Ação Católica, no Brasil, demonstrando, claramente, uma linha doutrinária constante, que pode ser traçada até os Santos Padres e, destes, a Cristo, tal como à Tradição semita-hebraica e da Paidéia.

O ideal da democracia popular, personalista, social, participativa e econômica esteve sempre presente nos melhores textos de Alceu Amoroso Lima, da Ação Católica, especialmente nos documentos da JUC, da AP e da JOC.

Antes da formalização da Ação Católica, este ideal estava presente, de forma genérica, na “Liga Católica” (criada em 1844, em Liége); na “Ação Popular Cristã” de Leão XIII (cf. “Graves de Communi re”, 18.01.1901); no “Centro Católico” (com Felício dos Santos, Plácido de Mello, Bernardino Bormann, Francisco Bernardino e outros); na Liga da Boa Imprensa (Felício dos Santos) e em outras entidades.

O ideal de uma democracia verdadeira, autêntica, foi também exposto nos documentos da “Confederação Católica” do Rio de Janeiro, em 1923 (ver o jornal “A Cruz”, de 20.05.1923), que consideram exemplar (o ideal a ser seguido) o Partido Popular leigo fundado pelo padre Luigi Sturzo, na Itália.

O Partido Popular, ligado a Sturzo, era anti-fascista e defensor de uma democracia popular, sendo este ponto atestado inclusive por Gramsci, que fez elogios a Sturzo.

O Estado postulado pela ética cristã é, sem dúvida, um Estado de Direito social, democrático, popular, participativo, distributivista, do bem-estar. Trata-se de um Estado que ajuda o povo, como queriam Dickens e outros grandes cristãos do século XIX.

Conclusão: como destacou Maritain, no livro “Humanismo integral” (texto elogiado por Paulo VI), o “ideal histórico concreto” de nosso tempo é uma democracia popular, cooperativista, participativa (uma democracia política, econômica, social, cultural etc), regida pela concepção filosófica do “humanismo” (cf. Paulo VI e Maritain), com raízes hebraicas e na Paidéia (na cultura grega, egípcia, suméria, romana, persa, hindu etc).

Este foi o núcleo dos melhores textos de Alceu Amoroso Lima, da Ação Católica e da LEC.

Até hoje, este é o ideal da CELAM (expressas nos documentos de Medellín, Puebla, São Domingos e Aparecida), da CNBB, dos Religiosos e das entidades de leigos da Igreja.

Os melhores textos de Marx e Engels admitem economia mista

Engels, no livro “Anti-Duhring” (São Paulo, Ed. Boitempo, 2015, p. 314), tem textos que admitem, em termos comedidos, a economia mista.

Engels também mostra que já existiam estatais, muito antes de haver socialismo.

Engels cita como exemplos de empresas de “propriedade do Estado”, “as grandes instituições de intercâmbio [transporte]: Correios, Telégrafos, ferrovias”.

Menciona mesmo a “estatização do tabaco”, nos governos de “Napoleão e Metternich”, e também a estatização de “ferrovias” por Bismarck (para “poder aproveitá-las melhor em caso de guerra”) e obter “nova fonte de receita independemente das resoluções do Parlamento”.

Fala ainda das ferrovias estatais na Bélgica católica, e da “Real Companhia Marítima, a Real Manufatura de Porcelana” etc. Na página 178, e em vários outros textos, Engels e Marx falam do despotismo oriental, do modo de produção asiático, onde o Estado controla as terras e a irrigação, tal como todos os “interesses comuns” da sociedade, inclusive “obras” e “defesa contra ataques de fora”. Ou seja, o Estado tem controle de bens produtivos desde milênios.

No Brasil mesmo, Dom João VI criou o Banco do Brasil, como estatal, em 1808, tal como os Correios, e tentou mesmo criar a Siderurgia estatal. A CEF foi criada lá por 1860 ou 1870.

Na França, Colbert, lá por 1650, criou várias estatais, que existem até hoje, Manufaturas reais (estatais), do Estado. E no governo de Napoleão, havia amplo protecionismo, com teóricos mercantilistas (François Louis Auguste Ferrier, 1777-1861, e outros) que foram a base dos melhores textos de List e Carey.

Na página 261, Engels lembra de John Law, que era um mercantilista que acreditava no crédito para o desenvolvimento e que ajudou o rei da França, a criar, em 1718, um amplo Banco público, em Paris, tendo este Banco uma Companhia da Índias. O Estado emitia títulos da dívida pública, recolhia o dinheiro dos investidores (dos particulares) e fazia investimentos públicos. Da mesma forma, o Estado emitia dinheiro (notas bancárias), inflação, para os investimentos estatais, capital estatal, bens estatais produtivos. Em 1720, houve a ruína do Banco, mas era uma operação estatal, o que mostra que estatais e intervenção estatal não são ideias de Marx, e sim coisas milenares, tradicionais, mais tradicionais que a Sé de Braga…

A Companhia das Índias Orientais, na Inglaterra, também era uma estatal, que tinha como empregados ou mantidos, o velho Bentham, Adam Smith, James Mill e Stuart Mill. Ou seja, os expoentes do liberalismo trabalharam, durante quase toda a vida, no Estado, numa estatal, que rapinava a Índia.

Lembro também que no Brasil existem estatais desde perto de 1500. O próprio padre Vieira, lá por 1650, aconselha a criação de mais estatais, estancos, para assegurar o desenvolvimento de Portugal e do Brasil.

Antes da Independência, os principais bens, no Brasil, eram do Estado, como as terras, o ouro, os diamantes, tudo estancos, ou seja, bens do Estado, que arrendava ou colocava contratadores para o controle. O garimpo era proibido, para que a iniciativa privada não pegasse ouro o diamante, que era do Estado.

Em Diamantina, MG, toda a área de produção de diamantes era estatal, e o mesmo para todas as minas, todas estatais. Existiam controles públicos de preços, tabelamentos etc. O Estado tinha ampla intervenção econômica, bens produtivos etc. João Camilo de Oliveira Torres falava do “socialismo” manuelino, ou seja, socialismo bem antes de Marx, claro. 

O Marques de Pombal e Frederico II também criaram estatais, e os dois eram cristãos, embora anti-clericais, mas cristãos…

Na Rússia czarista, já existiam várias estatais, inclusive da vodca (a Sminorv foi criada com ajuda do Estado, e foi estatizada por anos). O próprio Lenin apontava a base estatal da indústria russa, de como o Estado tinha implantado o capitalismo na Rússia, Lenin fez a Revolução, tendo como exemplo o desenvolvimento da Alemanha, de 1830 em diante, com estatais, intervenção estatal, Bismarck, seguros sociais, legislação operária etc.

Em outro trecho do livro “Anti-Duhring” (p. 315), Engels diz que a “anarquia social” seria substituída pela “Regulação socialmente planejada da produção, de acordo com as carências [necessidades] tanto do conjunto como de cada indivíduo”.

Ocorre que é possível uma síntese com “regulação social planejada da produção” para atender às necessidades, com amplas liberdades, trabalhos independentes, pequenas firmas etc.

Tanto que, na p. 318, Engels lembra que uma sociedade com “regulação socialmente planejada da produção” teria como dever principal “assegurar a todos os membros da sociedade” “uma existência que não só seja plenamente suficiente do ponto de vista material e que dia após dia vá se tornando mais rica, mas que também lhes garanta a plenitude da livre formação e do livre emprego de suas faculdades físicas e intelectuais”.

Vou por em maísculas: uma sociedade “mais rica”, com “PLENITUDE DA LIVRE FORMAÇÃO E DO LIVRE EMPREGO DE SUAS FACULDADES FÍSICAS E INTELECTUAIS”.

Engels e Marx falam que o Estado iria absorvendo todos os bens produtivos, até o Estado se auto-extinguir, ir morrendo, até não ter Estado, ou seja, cada pessoa teria ampla liberdade.

Claro que a referência a extinção do Estado é apenas retórica, pois haveria “Comunidade” (termo escolhido por Marx e Engels para usar no lugar de Estado…), decisões coletivas, ou seja, um Estado democrático sem coerção, o que é também o ideal católico, com base principal na EDUCAÇÃO, como forma de regulação autônoma.

O mesmo ideal da Igreja, frise-se, de todo humanista. Estado sem coerção, com base principalmente na EDUCAÇÃO. Platão concordaria, e todos os Santos Padres da Igreja, e também Cristo. 

Na página 161, Engels explica uma passagem de “O capital” (vol. I, no final do livro), que trata da “negação da negação”. E ali diz que o texto de Marx, que fala que haveria a “restauração da propriedade individual” seria apenas de “objetos de consumo” (bens de consumo). Marx não fazia esta distinção.

Ora, o próprio Marx, em outros textos, mostra que há vários bens que são de uso ou de consumo, apenas com base na distinção do uso. Basta pensar na própria comida, em arroz, ou feijão, que podem ser bens de consumo ou insumos (meios de produção), ou na energia elétrica, ou na argila, no ouro, numa barra de ferro, uma galinha, uma vaca, a água etc.

Lembro ainda que, com o avançar da técnica (miniaturização, redes, fontes pequenas de grande energia etc), fica ainda mais claro que, tal como antes mesmo, a distinção entre bens produtivos e bens de consumo é apenas de uso, da forma como são usados. Por exemplo, um fogão industrial pode ser usado para fazer comida para a família, ou para fazer comida para vender. Ou um computador pessoal, de usos múltiplos.

Outro ponto é que Engels insiste que numa sociedade comunista, a jornada seria ínfima, e que cada pessoa faria o trabalho que quisesse, sendo cada trabalhador polivalente, podendo trabalhar hoje como médico, amanhã como varredor etc.

Ou seja, haveria liberdade na escolha de trabalhos e amplo tempo livre. Ampla liberdade para trabalhos próprios, artísticos, tal como empreendimentos.

Assim, fica claro que uma sociedade com amplo Estado econômico, com bens produtivos estatais, pode perfeitamente ter amplo setor privado, ter pessoas abrindo firmas, fazendo trabalhos variados autônomos, tendo bens como casas pessoais, terrenos etc.

Na URSS, o Programa do Partido Comunista da URSS, lá por 1987, antes do debacle de 1989 e 1991, tem como ideal assegurar a cada família uma casa ou apartamento pessoal, assegurar a moradia própria, e o direito de construção das pessoas, de melhoria de suas casas, de auto-construção da moradia etc.

Na página 316, Engels explica que o Estado é vital para assegurar “condições exteriores de produção”.Na p. 178, diz que o Estado não foi criado apenas para manter a classe dominante, mas também para a defesa e promoção de “interesses comuns”.

No fundo, até Adam Smith não era totalmente capitalista, pois admitia taxas alfandegárias de 15% (List queria de 25%), como admitia que o Estado fixasse taxas máximas de juros (5 ou 6% ao ano, menos de dez por cento ao ano). Adam Smith também admitia intervenção estatal para os transportes, aberturas de estradas, obras públicas, assistência social, educação, saúde etc.

Stuart Mill, em suas últimas obras, adere ao socialismo de economia mista, mostrando que o Estado poderia ter mais controles públicos, mais proteção ao trabalho, promover cooperativas etc. 

Conclusão: mesmo os textos de Engels e Marx admitem uma economia mista. No “Manifesto Comunista”, há cerca de dez medidas, que implantam uma República social, de economia mista, com estatização dos bancos, mas sem estatizar a agricultura, e nem a pequena produção e o pequeno comércio. A mesma fórmula de Babeuf, e até de Morelly e Mably.

O próprio Lenin implantou economia mista na Rússia, mesmo no “comunismo de guerra”, e aumentou isso, no NEP, no final da vida.

Hoje, todos os países socialistas admitem a economia mista, como fica claro em Cuba, na China, no Vietnam, na Coréia do Norte, na Rússia etc. 

Saint Simon e Fourier também adotavam a economia mista. Mesmo Owen fazia isso, na proposta de comunidades agrícolas cooperativadas e descentralizadas.

Lembro que os anarquistas, mesmo Bakunin, aceitavam os artesãos, camponeses e pequenos burgueses, micros e pequenos produtores. Vou postar vários textos neste sentido de Bakunin, Kropotkin e outros. 

 

 

Cândido Mendes e a defesa de um socialismo democrático, para o Brasil

Cândido Antônio Mendes de Almeida escreveu o livro “Memento dos Vivos/A Esquerda Católica no Brasil” (“Tempo Brasileiro”, Rio, 1966).

A família de Cândido é composta de defensores da Igreja, grandes católicos, descendentes do grande Senador Cândido Mendes, de 1870.

Neste livro, Cândido defende a superação do colonialismo (capitalismo dependente) para termos, no Brasil, uma economia mista, com o melhor da difusão da micro e pequena propriedade pessoal, com estatais, nacionalismo, trabalhismo etc.

Cândido cita etapas importantes do pensamento católico, no Brasil, como o movimento de “Economia e Humanismo” do grande Padre Lebret (que elogiava o socialismo democrático e dizia que o catolicismo estava mais a esquerda que o socialismo democrático); a Democracia-Cristã com “suas pompas e suas ambições” (p. 42); o solidarismo, o que ele classifica como “primeira ruptura”, representada pela “opção” da Ação Popular (p. 50), a cisão havida no Centro Dom Vital (os erros grotescos de Corção) etc.

O solidarismo do padre Fernando Bastos de Ávila é praticamente um socialismo democrático, de economia mista etc.

Cândido ataca o integrismo e a direita. Defendia o MEB, que foi prestigiado pelo melhor da Igreja, para conscientizar os trabalhadores.

Cândido escrevia: “Ficando ainda na proposição tradicional, do princípio de subsidiariedade, [a Encíclica “Pacem in Terris”] não obstante já se ordena ao seu desdobramento enunciando-o com a profundidade e a largueza suficientes para a compreensão de um eventual papel dominante do Estado nas economias em desenvolvimento, ou, mesmo nelas, da aceitação de um socialismo necessário” (p. 122).

Lembro também que houve outros católicos trabalhistas e socialistas, como Domingos Velasco e o maior teórico do trabalhismo, do PTB, Alberto Pasqualini, que elogiava, como Alceu, o socialismo trabalhista dos países escandinavos e da Inglaterra.

Cândido defendia, já em 1966, que o “Terceiro Mundo” deveria adotar tudo o que há de bom no “socialismo necessário” (pp. 134-135).

Pasqualini era católico e era o maior teórico do Partido Trabalhista, que teve, depois San Thiago Dantas, outro grande católico. Pois, Pasqualini, San Thiago Dantas, ou Pontes de Miranda, defendiam um tipo de socialismo democrático com distributismo, com ampla intervenção estatal na economia.

Cândido era o secretário da Comissão Justiça e Paz da CNBB e queria que o Estado assumisse papel dominante na economia (ver o capítulo “estatismo necessário”, p. 148).

Cândido defendia, nesta obra, que “O centro da investigação, pois, do presente trabalho, se desloca para o exame da possibilidade de, na perspectiva atual da doutrina social da Igreja, se adotarem novos modelos de socialismo como técnica de desenvolvimento, para a realização do bem comum concreto nos países do Terceiro Mundo. Poderemos falar mesmo para tais países, em modelos de um “socialismo necessário“, desde que a expressão não implique os conteúdos ideológicos e doutrinários que as próprias encíclicas procuraram afastar” (pp. 134-135).

A mesma tese de Alceu Amoroso Lima e de Dom Hélder Câmara.


O movimento da Democracia cristã sempre foi aliado do socialismo democrático

A democracia cristã floresceu principalmente depois da II Guerra. Conseguiu o poder, por eleições, na França, Itália e Alemanha, além de outros países europeus e governou, principalmente, em coligações com os socialistas democráticos. 

Na França, havia o MRP, que governou em coligações com os socialistas e os comunistas, inclusive com Maurice Thorez, fazendo estatizações, ampliando o Estado, fortalecendo a Previdência Social, a legislação trabalhista etc. O mesmo fez De Gaulle, principalmente no final da década de 60, quando queria transformar todas as grandes empresas privadas em cooperativas. Hoje, a maior parte dos católicos vota no Partido Socialista Francês.

Na Itália, o PDC fez uma reforma agrária e houve coligações com os socialistas e também com os comunistas. Aldo Moro teve o destaque, ao propor coligações com o PCF. Primeiro, houve coligações com os socialistas democráticos, depois com os socialistas de Nenni, liderados por Pietro Nenni (que ganhou o Prêmio Lenin, da Paz). Depois, com o PCI. Hoje, há o Partido Democrático (“Margarita”), que une católicos, socialistas e comunistas.

Na Inglaterra, na Austrália, nos países escandinavos, os católicos se inscreviam nos Partidos Trabalhistas, socialistas democráticos.

Nos EUA, na esquerda do Partido Democrático, participando principalmente do New Deal, um esboço de democracia popular, de socialismo democrático.

No Chile, o PDC de Eduardo Frei fez a chilenização do cobre, a estatização das minas de cobre. E depois, ajudou o Partido Socialista, de Salvador Allende. Hoje, a maior parte dos católicos vota no Partido Socialista, depois do banho de sangue de 1973, e da ditadura militar assassina de Pinochet.

No Brasil, a esquerda do PDC era aliada ao PTB, ao Trabalhismo, e ao PSB. No governo de João Goulart, houve estrelas católicas, com Paulo de Tarso. E o movimento estudantil era controlado pela Ação Popular católica, vitoriosa na UNE. 

Na Alemanha, o PDC conseguiu vinte anos de progresso econômico. E houve alianças com os socialistas. Esta aliança dos católicos com os socialistas é coisa antiga, sendo Alceu Amoroso Lima, no Brasil, um expoente disso.

Alceu apoiava o ideário trabalhista, tal como Dom Hélder Câmara. Por isso, houve a candidatura do General Lott, um grande católico trabalhista, e também o governo de João Goulart, onde Goulart vivia citando as encíclicas de João XXIII, em seus discursos.

 

O Brasil precisa de um Socialismo democrático, trabalhista, com ECONOMIA MISTA, milhões de MICRO e PEQUENOS PRODUTORES, com AJUDA ESTATAL

A Tradição da Igreja é pró amplo Estado com MUITAS ESTATAIS, e TAMBÉM com milhões de micros, pequenos e médios produtores familiares.

DESTACO que os MICROS, PEQUENOS E MÉDIOS PRODUTORES FAMILIARES não exploram o trabalho alheio, em geral são FUNDADOS EM TRABALHO PESSOAL, no suor do próximo rosto, comem o que produzem.

Muito Estado, controlado pelo povo organizado, com MUITO EMPREENDEDORISMO, com AMPLA AJUDA ESTATAL, em BOA SIMBIOSE COM AS ESTATAIS, AMPLO SISTEMA PÚBLICO ESTATAL DE BANCOS etc.

Uma República dos TRABALHADORES, com base no TRABALHO PESSOAL, com AMPLO COOPERATIVISMO (sinergias, clusters produtivos) e AMPLA AJUDA ESTATAL (Princípio da subsidiaridade).

Combinação ampla dos princípios da SOLIDARIEDADE e da SUBSIDIARIDADE, para REALIZAR O BEM COMUM. 

A Igreja sempre apreciou a Escola Institucionalista ligada a Veblen, tal como autores como Henry Carey, Schmoller, Keynes, Kaldor, Alexandre Hamilton, Friedrich List, a Escola Histórica de Economia, o Socialismo de cátedra e outras.

A Igreja sempre apreciou o Trabalhismo ingles, pelo apreço a economia mista, gradualismo, democracia etc. E sempre apreciou os possibilistas, os oportunistas, o Personalismo etc. Basta pensar em Alberto Pasqualini, no Brasil, o maior teórico trabalhista e grande católico. Ou mesmo os melhores textos de Getúlio e de João Goulart.

A Igreja sempre viu com bons olhos modelos de socialismo parcial, democrático, combinados com um amplo Estado social e econômico, que proteja e faça prosperar um amplo setor de ECONOMIA POPULAR, milhões e milhões de MICRO, PEQUENOS  e até Médios PRODUTORES FAMILIARES (camponeses, artesãos, pequena burguesia, todo tipo de produtores independentes com base no próprio trabalho e da família, amplo comércio pequenos etc), o máximo de EMPREENDEDORISMO POPULAR possível.

O modelo de socialismo apreciado pela Igreja tem o máximo de DISTRIBUTISMO (casas para cada família, renda básica para todos, apoio a economia familiar, renda familiar alta), tal como tem apreço por estatais, planejamento público, regras públicas, ampla tributação dos ricos (loas para Piketty) e amplo apoio ao empreendedorismo popular (micros, pequenos e médios produtores familiares, associados em cooperativas) etc.

Foi este o modelo delineado por Karl Polanyi (1886-1964). Idem, para Thorstein Veblen, James Steuart (1767) e até Hegel, que seguia os textos de Steuart, e também algo do Círculo Social, de Mably etc.

A doutrina da Igreja sempre criticou as escolas liberais, como Ricardo, a Escola de Manchester e, depois, a Escola Neoliberal.

A doutrina da Igreja apreciou os melhores textos do último John Stuart Mill, favorável a um socialismo cooperativista, com amplo campesinato, associado em cooperativas.

A Igreja apreciou Gunnar Myrdal, o Estado do bem estar social, os modelos da Noruega, Dinamarca, Suécia, Finlândia, algo do Francês, algo da Itália (especialmente a Lei de proteção as micros e pequenas empresas familiares, na Itália).

A Igreja elogiou o modelo de crescimento do Japão, com ampla presença estatal, e milhões de micros, pequenos e médios empresários familiares, o mesmo modelo aplicado,depois, na Coréia, e também em Singapura (a base da economia de Singapura é um amplo porto estatal, uma ampla infra-estrutura ESTATAL).

O apreço a um amplo Estado está na melhor Tradição colbertista, de Jean Baptiste Colbert (1619-1683), tal como nos melhores textos de Veit Ludwig von Seckendorff (1626-1692), o fundador da Escola Alemã de Economia.

O mesmo para São Tomás Morus, Antonio Serra, em 1613, tal como para Giovanni Botero , Campanella, Spinoza, e até textos de Hobbes. Depois, MABLY, MORELLY, o melhor de ROUSSEAU, o grande padre jesuíta RAYNAL, os bispos católicos do Círculo Social, Babeuf, Phillip Buonarrotti e outros.

O colbertismo e o cameralismo foram bem apreciados pela Igreja, pela ampla presença estatal, pelas criação de estatais e controles públicos da economia.

A mesma linha estava presente em Mathew  Carey (1820), seu filho Henry Carey, em Daniel Raymond (1820), Henry Clay (1887), e Alexandre Hamilton.Depois, Paul Cawes, Lucien Brocard, Erik S. Reinert e outros.

E esta mesma linha estava em SISMONDI, no socialismo pequeno burguês, pré marxista, ANTES de Marx. Buchez, Lamennais, Ketteler, Louis Blanc, o melhor dos textos de Lassalle, há um núcleo comum.

Esta linha foi desenvolvida por PESCH, TONIOLO, PIETRO PAVAN, MARITAIN, MOUNIER e outros.

Esta mesma linha está nos melhores textos de HANS SINGER, JAMES TOBIN, GALBRAITH, NAOMI KLEIN, RUSSEL LONG, HUEY P. LONG, Mc Govern, van Parijs, Duboin, Paine, Léon Bourgeois,  de JOÃO XXIII, Ignacy Sachs e outros. 

Foi esta a linha (fórmula, síntese) indicada pelo Professor Benayon, no Brasil.

Acredito que seja a base da linha de DOWBOR e PAUL SINGER, com a ECONOMIA SOLIDÁRIA, sempre defensora de FORTE COOPERATIVISMO.Idem para STIGLITZ, CHOMSKY, BELLUZZO, PORCHMANN e outros luminares.

É TAMBÉM a linha de Hans Singer,  André G. Frank, Amin, Theotonio dos Santos, Alceu Amoroso Lima, Barbosa Lima Sobrinho, Brizola, Álvaro Vieira Pinto, Darci Ribeiro, Claus Offe, O´Connor, Beveridge, tal como Buchez, Ketteler, De Mun, Liberatore E OUTROS.

Conclusão: é possível um socialismo com amplo mercado popular, com milhões de micro e pequenos proprietários, com milhões de MICROS, PEQUENOS e até MÉDIOS PRODUTORES FAMILIARES, com base no TRABALHO PESSOAL, e não na exploração do trabalho alheio.

Algumas boas ideias de Paul Lafargue sobre a religião

Paul Lafargue, o genro de Marx, escreveu o texto “Porque a burguesia crê em Deus” (publicado, no Brasil, na revista “Divulgação marxista”, n. 09, novembro de 1946, p. 7 a 9).

Vejamos um trecho deste texto de Lafargue: “… os homens de ciência, com raríssimas exceções, vivem sob o encanto desta crença” (em Deus), “todos os sábios reconhecem que Deus é mais ou menos necessário para o bom funcionamento da engrenagem social e para a moralidade das massas populares”.

Lafargue reconheceu que Robespierre e Napoleão viam a religião como necessária.

Constatou também que “Voltaire, Rousseau, Turgot e outros não chegaram jamais à negação de Deus”.

Se Lafargue tivesse lido Turgot mais atentamente, veria que este fez um excelente elogio do cristianismo como a principal fonte do progresso social.

Quanto ao número de cientistas católicos, basta citar alguns, dentre milhares: Pasteur, Pascal, Volta, Galvani, André Marie Ampère (1775-1836), Copérnico, Galileu, Mendel, Lavoisier, Descartes, Secchi (vide “A unidade das forças físicas”, 1865), Bartolomeu de Gusmão e outros.

O genro de Marx também lembrou que “Cabanis, Maine de Biran, de Gerando” e outros “retrataram-se publicamente de suas doutrinas ímpias”.

O velho Georges Cabanis (1757-1808), no final da vida, escreveu o livro “Carta sobre as causas primeiras” (1806), onde elogia a religião natural, a ética cristá e admite a existência independente da alma. Mesmo em seu livro “Relatório do físico e do moral do homem” (1802) não há uma declaração clara de ateísmo.

Cabanis interpretou o próprio pensamento nesta obra, publicada após sua morte, deixando claro suas diferenças e divergências com Holbach e Lamettrie.

Biran e Gerando permaneceram religiosos durante toda a vida.

Maine de Biran (1766-1824) redigiu obras genais como “A influência do hábito” (1802), “A decomposição do pensamento” (1805) ou “Relações entre o físico e o moral” (1814).

Lafargue reconheceu ainda o “deísmo dos homens de gênio como Cuvier, Goffroy, Saint Hillaire, Faraday e Darwin”. Por fim, Lafargue reconheceu que:

a leitura da Bíblia pelos assalariados contém perigos que Rockefeller soube apreciar e, a fim de remediá-los, o grande “Trustman” organizou um “trust” para a publicação das bíblias populares, expurgadas das queixas contra as iniqüidades dos ricos e dos protestos de cólera contra o escândalo de sua fortuna”.

Neste último ponto, Lafargue admitiu que a Bíblia tem textos contra os ricos, ou seja, contra a concentração de bens em mãos privadas, contra as opressões etc.

Ernest Belfort Bax (1854-1926) e Emile Vandervelde (1866-1938) censuraram Paul Lafargue, o genro de Marx, por este não entender a importância dos “princípios éticos”, que, para estes socialistas, eram conceitos universais e necessários e essenciais inclusive para a crítica do capitalismo.

Nisto, Bax e Vandervelde deixaram explícitas as bases éticas de suas idéias socialistas. O livro de Bax, “A ascensão e queda dos anabatistas” deixa explícita esta linha ética.

De fato, as correntes do socialismo democrático, lá por 1870, já estavam se reaproximando do catolicismo, defendendo reformas sociais graduais, democracia, possibilismo, “oportunismo”, gradualismo, trabalhismo, personalismo etc, isso na Inglaterra, na França, na Suiça e outros países.

A esta crítica, Paul Lafargue, o genro de Marx, respondeu:

Por Deus! Tal como os filósofos mais espirituais, eu não posso me evadir de meu meio social: é necessário sofrer as idéias correntes, cada um as corta a sua medida e toma seus conceitos individuais para criticar as idéias e as ações dos outros”.

A discordância de Lafargue era apenas que não considerava estes conceitos como os “axiomas da matemática”, pois achava que estes variavam nos lugares e épocas.

Conclusão: Lafargue não sabia, mas o jusnaturalismo adotado na doutrina da Igreja atende a seu pleito, pois admite claramente, na linha dos textos de Tomás de Aquino e de outros Doutores, a variabilidade, a flexibilidade do direito natural e, assim, da própria doutrina social.

O Babovismo foi um movimento cristão socialista, com forte religiosidade

O Babovismo foi o movimento de François Noel Babeuf (1760-1797), Gracchus Babeuf, foi um jornalista revolucionário, que, no final das contas, apenas seguia as ideias do padre Morelly, do padre Mably, de Campanella e de São Tomás Morus.

E isso foi reconhecido em textos do próprio Marx e Engels, textos que vou transcrever, em outras postagens, nesta “Categoria”. 

Toda a base teórica vem destes autores católicos, da ética cristã social. Com pitadas de platonismo, a mesma base de Santo Agostinho e outros luminares da Igreja.

Friso que Babeuf não queria estatizar todos os bens, deixava claro que os camponeses, artesãos, pequenos comerciantes (retalhistas) e pequenos burgueses, ou seja, OS MICRO E PEQUENOS PRODUTORES, não seriam atingidos.

Já postei textos de Babeuf, mostrando isso, e o farei novamente, com mais detalhes, em outros posts.

Apenas os grandes ricos seriam desapropriados, para realização do bem comum. 

Depois da morte de Babeuf, suas ideias foram mantidas por um grande católico, chamado Filippo Giuseppe Maria Ludovico Buonarroti, mais conhecido como Philippe Buonarroti (1761-1837), descendente da família do escultor católico Michelangelo Buonarroti.

Philippe Buonarroti era carbonário, a mesma corrente católica de Buchez, anos depois. Os Carbonários eram um tipo de maçonária, empapada de catolicismo, com amplo amor a Jesus Cristo.

Buonarrotti escreveu os livros “História das sociedades secretas do Exército” (1815), “Conspiração dos Iguais” (1828) e “Conspiração para a Igualdade, dita de Babeuf, seguido do processo ao qual ele foi julgado” (1828).

Estas obras foram traduzidas para o inglês, pelo irlandês James Bronterre O´Brien, “Conspiração de Babeuf pela Igualdade”, em 1836. Bronterre era católico. Outros discípulos foram Raspail, também com religiosidade, e outros. 

A Sociedade das Estações, na França, que atuou principalmente entre 1834 e 1836, tinha como líderes Philippe Buonarroti, Blanqui, Barbès e outras pessoas, inclusive ex padres.

Na época, todas estas lideranças eram católicas, inclusive Louis Auguste Blanqui. Barbès sempre manteve a fé católica.

Depois, Blanqui se torna ateu, mas, no final da vida, escreve um livro praticamente religioso, “A eternidade pelos astros”, editado pela Ed. Saraiva, no Brasil, com a ideia cristã e hebraica da renovação do universo, mas com base “científica”. 

Por um Brasil, SEM ARMAS, com POPULAÇÃO DESARMADA

Desde 22.12.2003, com a Lei do Estatuto do Desarmamento, somente a PF pode conceder o direito de ter uma arma, mas apenas no lar e no trabalho.

O porte de armas está proibido para civis, em geral.

Só podem portar (andar armado nas ruas) armas militares, policiais, vigilantes-seguranças privadas e pessoas da área rural, para subsistência. É crime andar armado, exceto nas exceções listadas, pena de dois a quatro anos, crime inafiançável. 

Mesmo o direito de ter uma arma, só foi concedido a umas 30.000 pessoas, de 2004 até 2018. As empresas podem contratar vigilantes-seguranças armados. As pessoas sem antecedentes penais podem ter uma arma em casa, para proteger a família, basta requerer a PF.

A lei do Estatuto do Desarmamento foi apoiada amplamente pela Igreja. 

Antes, o direito de porte era dado pelos Estados, o que gera amplos abusos. agora, apenas pela PF. Foi uma ótima decisão do Governo Lula.

Somente a Campanha pelo Desarmamento, levou cerca de 600.000 pessoas a ENTREGAREM AS ARMAS AO Estado, que as destruiu. 

Há também outra excrescência, o direito de ter armas para colecionadores, atiradores em Clubes e caçadores, que deveria ser bem restringido.

Dos cerca de 65.000 homicídios por ano, no Brasil, mais de 70% são por ARMAS DE FOGO, uns 45.000 assassinatos. E boa parte dos suicídios, também é praticado com armas de fogo. 

Por ano, há cerca de 600.000 mortes por ARMAS DE FOGO, no mundo. E quase todas as armas de fogo de pequeno porte, cerca de metade, estão nos EUA.

Comparando os números de mortes por armas de fogo nos EUA e na Europa, onde quase não há armas, fica claro que QUANTO MENOS ARMAS, melhor.

O melhor exemplo é o Japão, que tem 134.000 de pessoas e MENOS DE MIL ASSASSINADOS, por ano. O Japão é a melhor prova da importância da política de DESARMENTO. 

 

 

A grande Tradição do Socialismo cristão, especialmente católico, no Brasil

A Tradição socialista cristã é a mais antiga no Brasil. Está presente nos primeiros textos sobre socialismo, no Brasil, desde cerca de 1848. Vamos dar alguns exemplos desta tradição. 

Há vários marcos. Um dos maiores abolicionistas, Joaquim Nabuco, era católico e lutava pela REFORMA AGRÁRIA. Joaquim Nabuco obteve, do Vaticano, de Leão XIII, uma encíclica, condenando novamente a escravidão e a Lei Áurea, em 1888, teve o apoio do Vaticano. Leão XIII presenteou a princesa Isabel com uma “rosa de ouro”, apoiando a abolição.

Outro marco: a campanha presidencial de Rui Barbosa, em 1910. Rui Barbosa tinha como um de seus principais assessores, a grande figura de Evaristo de Moraes.

Depois, o mesmo Rui Barbosa, na campanha presidencial de 1919, esposa a “DEMOCRACIA SOCIAL”, que era o nome do socialismo democrático, da época. Rui Barbosa explica que sua Democracia Social, Socialismo democrático, era o da Igreja, de Leão XIII, de grandes Cardeais católicos ingleses e belgas, que defendiam os trabalhadores.

Rui Barbosa também cita texto essencial de Monteiro Lobato, divulgando o nome e a obra de Monteiro, mostrando que os camponeses, no Brasil, vivem mergulhados na miséria, sem esgoto, sem remédios, sem médicos, sem apoio estatal.

Outro marco é a obra de Getúlio Vargas, que adotou o Trabalhismo, a mesma corrente que os católicos ingleses adotavam. Getúlio Vargas tentou implantar uma síntese entre New Deal e trabalhismo e para isso criou o Partido Trabalhismo inglês, que era socialista economia mista, tendo como maior teórico, o grande Alberto Pasqualini, um trabalhista católico e socialista.

Outros marcos: Roberto Lyra e Roberto Lyra filho foram cristãos e socialistas e mereceriam figurar entre os precursores da teologia da libertação. Lembro que o jovem Alceu, nascido em 1893, apoiava a linha do Grupo Clarté, no Rio, que editava a revista “Clarté”. Neste grupo, militavam socialistas democráticos como Evaristo de Moraes, Nicanor Nascimento, Maurício Lacerda, Joaquim Pimenta, Everardo Dias e outros. Parte deste Grupo vai, mais tarde, trabalhar com Getúlio, na criação da CLT, o primeiro “Código do Trabalho”.

Evaristo de Moraes foi nomeado Consultor Jurídico do Ministério do Trabalho, criado por Getúlio, em janeiro de 1931. O primeiro Ministro do Trabalho, Lindolfo Collor (infelizmente, o pai de Fernando Collor…), era católico social. 

Roberto Lyra, pai, escreveu o livro “O socialismo para o Brasil: cristianismo, nacionalismo, democracia” (Editora Civilização Brasileira, Rio, 1962). O mesmo ocorre com o velho Barbosa Lima, que apoiava, no Congresso, o projeto do “Código do trabalho”. Barbosa Lima e seu filho Barbosa Lima Sobrinho, eram católicos, nacionalistas, pró socialismo democrático, trabalhistas. 

Estas idéias cristãs e socialistas eram compartilhadas com homens como Domingos Velasco (foi capitão do Exército, deputado, senador e participou da ANL), João Mangabeira e Francisco Mangabeira (secretário geral da ANL, uma Frente Ampla boa, na década de 30).

Francisco Mangabeira, socialista católico, o filho de João Mangabeira, escreveu o livro “João Mangabeira: República e socialismo no Brasil” (editado pela editora ligada a Igreja, a “Paz e Terra”, em homenagem a encíclica “Pacem in terris”, de João XXIII, Rio de Janeiro, 1979), com um excelente prefácio de Jorge Amado.

João Mangabeira criou o Partido Socialista Brasileiro, PSB, que existe até hoje, em 1947. Era SOCIALISTA CRISTÃO. No PSB, militavam outros socialistas democráticos, como Domingos Velasco, socialista católico, Osório Borba, Edgardo de Castro Rebelo, Hermes Lima e outros. 

João Mangabeira foi candidato da Presidente, em 1950 e, depois, Ministro da Justiça, de João Goulart, sucessor de Getúlio, um grande trabalhista católico, assassinado pela Ditadura Militar.

João Goulart chamou grandes católicos para seu Ministério (Paulo de Tarso, socialista católico, Ministro da Educação, e Plínio Arruda Sampaio), e chamou socialistas democráticos como Hermes Lima (Ministro das Relações Exteriores, Ministro do Trabalho e Chefe da Casa Civil), e Trabalhistas e lideranças comunistas. 

O mesmo sucede em outros países. Na Colômbia, o Movimento Bolivariano pela Nova Colômbia, resgata as idéias geniais de Bolívar (que sempre defendeu uma política ligada à religião e de mãos estendidas à Igreja e sempre foi católico, como prova seu “testamento”, de 10.12.1830). Em El Salvador, a FMLN. Na Venezuela, o movimento bolivariano, com Hugo Chávez. No Equador, o Pachakutik, que também congrega cristãos e marxistas.

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