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A Igreja quer ampla intervenção estatal redistribuidora, coadjuvante, de apoio aos trabalhadores, aos produtores

Engels, no final de 1843, escreveu o livrinho “Esboço de uma crítica da economia política”, onde explica que o grande capital e o latifúndio ficavam com a parte maior da produção, deixando o resto aos assalariados.

a “separação entre o capital e o trabalho e a culminação da divisão da humanidade em capitalistas e trabalhadores”, divisão que fica pior a cada dia e que “se intensificará mais”, até gerar a “supressão da propriedade privada”. 

Mesmo em suas últimas cartas, há a mesma ideia.

Isso ocorre pela anarquia da produção, a falta de intervenção estatal na economia. Mas, se houver intervenção, o processo pode ser revertido, como foi apontado por Stuart Mill, Sismondi ou Carey. 

Pode haver ampla intervenção estatal com ampla distribuição dos bens, extinguindo a miséria e a grande propriedade privada, implantando a mediania.

Este é o ideal da Igreja.

Os melhores textos de Marx e Engels admitem economia mista

Engels, no livro “Anti-Duhring” (São Paulo, Ed. Boitempo, 2015, p. 314), tem textos que admitem, em termos comedidos, a economia mista.

Engels também mostra que já existiam estatais, muito antes de haver socialismo.

Engels cita como exemplos de empresas de “propriedade do Estado”, “as grandes instituições de intercâmbio [transporte]: Correios, Telégrafos, ferrovias”.

Menciona mesmo a “estatização do tabaco”, nos governos de “Napoleão e Metternich”, e também a estatização de “ferrovias” por Bismarck (para “poder aproveitá-las melhor em caso de guerra”) e obter “nova fonte de receita independemente das resoluções do Parlamento”.

Fala ainda das ferrovias estatais na Bélgica católica, e da “Real Companhia Marítima, a Real Manufatura de Porcelana” etc. Na página 178, e em vários outros textos, Engels e Marx falam do despotismo oriental, do modo de produção asiático, onde o Estado controla as terras e a irrigação, tal como todos os “interesses comuns” da sociedade, inclusive “obras” e “defesa contra ataques de fora”. Ou seja, o Estado tem controle de bens produtivos desde milênios.

No Brasil mesmo, Dom João VI criou o Banco do Brasil, como estatal, em 1808, tal como os Correios, e tentou mesmo criar a Siderurgia estatal. A CEF foi criada lá por 1860 ou 1870.

Na França, Colbert, lá por 1650, criou várias estatais, que existem até hoje, Manufaturas reais (estatais), do Estado. E no governo de Napoleão, havia amplo protecionismo, com teóricos mercantilistas (François Louis Auguste Ferrier, 1777-1861, e outros) que foram a base dos melhores textos de List e Carey.

Na página 261, Engels lembra de John Law, que era um mercantilista que acreditava no crédito para o desenvolvimento e que ajudou o rei da França, a criar, em 1718, um amplo Banco público, em Paris, tendo este Banco uma Companhia da Índias. O Estado emitia títulos da dívida pública, recolhia o dinheiro dos investidores (dos particulares) e fazia investimentos públicos. Da mesma forma, o Estado emitia dinheiro (notas bancárias), inflação, para os investimentos estatais, capital estatal, bens estatais produtivos. Em 1720, houve a ruína do Banco, mas era uma operação estatal, o que mostra que estatais e intervenção estatal não são ideias de Marx, e sim coisas milenares, tradicionais, mais tradicionais que a Sé de Braga…

A Companhia das Índias Orientais, na Inglaterra, também era uma estatal, que tinha como empregados ou mantidos, o velho Bentham, Adam Smith, James Mill e Stuart Mill. Ou seja, os expoentes do liberalismo trabalharam, durante quase toda a vida, no Estado, numa estatal, que rapinava a Índia.

Lembro também que no Brasil existem estatais desde perto de 1500. O próprio padre Vieira, lá por 1650, aconselha a criação de mais estatais, estancos, para assegurar o desenvolvimento de Portugal e do Brasil.

Antes da Independência, os principais bens, no Brasil, eram do Estado, como as terras, o ouro, os diamantes, tudo estancos, ou seja, bens do Estado, que arrendava ou colocava contratadores para o controle. O garimpo era proibido, para que a iniciativa privada não pegasse ouro o diamante, que era do Estado.

Em Diamantina, MG, toda a área de produção de diamantes era estatal, e o mesmo para todas as minas, todas estatais. Existiam controles públicos de preços, tabelamentos etc. O Estado tinha ampla intervenção econômica, bens produtivos etc. João Camilo de Oliveira Torres falava do “socialismo” manuelino, ou seja, socialismo bem antes de Marx, claro. 

O Marques de Pombal e Frederico II também criaram estatais, e os dois eram cristãos, embora anti-clericais, mas cristãos…

Na Rússia czarista, já existiam várias estatais, inclusive da vodca (a Sminorv foi criada com ajuda do Estado, e foi estatizada por anos). O próprio Lenin apontava a base estatal da indústria russa, de como o Estado tinha implantado o capitalismo na Rússia, Lenin fez a Revolução, tendo como exemplo o desenvolvimento da Alemanha, de 1830 em diante, com estatais, intervenção estatal, Bismarck, seguros sociais, legislação operária etc.

Em outro trecho do livro “Anti-Duhring” (p. 315), Engels diz que a “anarquia social” seria substituída pela “Regulação socialmente planejada da produção, de acordo com as carências [necessidades] tanto do conjunto como de cada indivíduo”.

Ocorre que é possível uma síntese com “regulação social planejada da produção” para atender às necessidades, com amplas liberdades, trabalhos independentes, pequenas firmas etc.

Tanto que, na p. 318, Engels lembra que uma sociedade com “regulação socialmente planejada da produção” teria como dever principal “assegurar a todos os membros da sociedade” “uma existência que não só seja plenamente suficiente do ponto de vista material e que dia após dia vá se tornando mais rica, mas que também lhes garanta a plenitude da livre formação e do livre emprego de suas faculdades físicas e intelectuais”.

Vou por em maísculas: uma sociedade “mais rica”, com “PLENITUDE DA LIVRE FORMAÇÃO E DO LIVRE EMPREGO DE SUAS FACULDADES FÍSICAS E INTELECTUAIS”.

Engels e Marx falam que o Estado iria absorvendo todos os bens produtivos, até o Estado se auto-extinguir, ir morrendo, até não ter Estado, ou seja, cada pessoa teria ampla liberdade.

Claro que a referência a extinção do Estado é apenas retórica, pois haveria “Comunidade” (termo escolhido por Marx e Engels para usar no lugar de Estado…), decisões coletivas, ou seja, um Estado democrático sem coerção, o que é também o ideal católico, com base principal na EDUCAÇÃO, como forma de regulação autônoma.

O mesmo ideal da Igreja, frise-se, de todo humanista. Estado sem coerção, com base principalmente na EDUCAÇÃO. Platão concordaria, e todos os Santos Padres da Igreja, e também Cristo. 

Na página 161, Engels explica uma passagem de “O capital” (vol. I, no final do livro), que trata da “negação da negação”. E ali diz que o texto de Marx, que fala que haveria a “restauração da propriedade individual” seria apenas de “objetos de consumo” (bens de consumo). Marx não fazia esta distinção.

Ora, o próprio Marx, em outros textos, mostra que há vários bens que são de uso ou de consumo, apenas com base na distinção do uso. Basta pensar na própria comida, em arroz, ou feijão, que podem ser bens de consumo ou insumos (meios de produção), ou na energia elétrica, ou na argila, no ouro, numa barra de ferro, uma galinha, uma vaca, a água etc.

Lembro ainda que, com o avançar da técnica (miniaturização, redes, fontes pequenas de grande energia etc), fica ainda mais claro que, tal como antes mesmo, a distinção entre bens produtivos e bens de consumo é apenas de uso, da forma como são usados. Por exemplo, um fogão industrial pode ser usado para fazer comida para a família, ou para fazer comida para vender. Ou um computador pessoal, de usos múltiplos.

Outro ponto é que Engels insiste que numa sociedade comunista, a jornada seria ínfima, e que cada pessoa faria o trabalho que quisesse, sendo cada trabalhador polivalente, podendo trabalhar hoje como médico, amanhã como varredor etc.

Ou seja, haveria liberdade na escolha de trabalhos e amplo tempo livre. Ampla liberdade para trabalhos próprios, artísticos, tal como empreendimentos.

Assim, fica claro que uma sociedade com amplo Estado econômico, com bens produtivos estatais, pode perfeitamente ter amplo setor privado, ter pessoas abrindo firmas, fazendo trabalhos variados autônomos, tendo bens como casas pessoais, terrenos etc.

Na URSS, o Programa do Partido Comunista da URSS, lá por 1987, antes do debacle de 1989 e 1991, tem como ideal assegurar a cada família uma casa ou apartamento pessoal, assegurar a moradia própria, e o direito de construção das pessoas, de melhoria de suas casas, de auto-construção da moradia etc.

Na página 316, Engels explica que o Estado é vital para assegurar “condições exteriores de produção”.Na p. 178, diz que o Estado não foi criado apenas para manter a classe dominante, mas também para a defesa e promoção de “interesses comuns”.

No fundo, até Adam Smith não era totalmente capitalista, pois admitia taxas alfandegárias de 15% (List queria de 25%), como admitia que o Estado fixasse taxas máximas de juros (5 ou 6% ao ano, menos de dez por cento ao ano). Adam Smith também admitia intervenção estatal para os transportes, aberturas de estradas, obras públicas, assistência social, educação, saúde etc.

Stuart Mill, em suas últimas obras, adere ao socialismo de economia mista, mostrando que o Estado poderia ter mais controles públicos, mais proteção ao trabalho, promover cooperativas etc. 

Conclusão: mesmo os textos de Engels e Marx admitem uma economia mista. No “Manifesto Comunista”, há cerca de dez medidas, que implantam uma República social, de economia mista, com estatização dos bancos, mas sem estatizar a agricultura, e nem a pequena produção e o pequeno comércio. A mesma fórmula de Babeuf, e até de Morelly e Mably.

O próprio Lenin implantou economia mista na Rússia, mesmo no “comunismo de guerra”, e aumentou isso, no NEP, no final da vida.

Hoje, todos os países socialistas admitem a economia mista, como fica claro em Cuba, na China, no Vietnam, na Coréia do Norte, na Rússia etc. 

Saint Simon e Fourier também adotavam a economia mista. Mesmo Owen fazia isso, na proposta de comunidades agrícolas cooperativadas e descentralizadas.

Lembro que os anarquistas, mesmo Bakunin, aceitavam os artesãos, camponeses e pequenos burgueses, micros e pequenos produtores. Vou postar vários textos neste sentido de Bakunin, Kropotkin e outros. 

 

 

Frederico Engels, em vários livros e textos, elogiou o cristianismo

Frederico Engels, no texto “Estudo sobre o cristianismo primitivo” (de 1884), escreveu que as revoluções camponesas, na Idade Média, eram movidas pelo cristianismo primitivo, ou seja, a religião nem sempre é “ópio” do povo. Só é ópio quando o integrismo ou fundamentalismo (controle do grande capital sobre parte do Clero) tem ação.

Engels, no estudo “O livro do Apocalipse”, repetiu a frase de Renan que dizia que quem quisesse ter uma idéia das primeiras comunidades cristãs, bastaria ver as seções locais da Internacional. Engels comentou a frase de Renan: “isto é correto. O cristianismo apoderou-se das massas, tal como o faz o socialismo (….). O cristianismo, como todo movimento revolucionário, foi estabelecido pelas massas”. Notar a frase – “o cristianismo, como todo movimento revolucionário, foi estabelecido pelas massas”.

Lenin também reconheceu que o cristianismo primitivo era democrático e “revolucionário”. Idem para Rosa de Luxemburgo, em seu bom livro sobre a religião e o socialismo. 

O mesmo Frederico Engels, no pequeno livro “Sobre a história do cristianismo primitivo”, reconheceu que “a história do cristianismo primitivo tem notáveis semelhanças com o movimento moderno da classe operária”.

Ainda Engels, no livro “Bruno Bauer e o cristianismo primitivo” (de 1882), repetiu basicamente a mesma frase, pois considerou corretamente o cristianismo primitivo como “o primeiro protesto universal do homem contra a opressão universalizada”.

O mesmo Engels, numa carta escrita de Londres, escreve: “Podemos observar na Inglaterra que uma classe social se encontra tanto mais na ponta do progresso e com um futuro tanto maior, quanto mais baixa sua escala social, mais inculta no sentido corrente do termo. Essa é uma constante de qualquer época revolucionária, que se manifesta especialmente na revolução religiosa da qual o cristianismo foi produto: ‘bem-aventurados os pobres’, ‘a sabedoria deste mundo se fez loucura’”.

Engels, numa carta a Marx, após a publicação de “O Capital”, se refere a Cristo e diz “nosso velho amigo Jesus” dizia “sejam espertos como a serpente e bons como a pomba”. Com base nesta frase de Cristo, Engels publicou cartas de crítica ao livro “O capital”, para furar o bloqueio da mídia ao mesmo.

O maior parceiro de Marx, Engels, no livro “As guerras campesinas na Alemanha”, elogiou o cristianismo primitivo e disse que Thomas Münzer tinha uma “doutrina política” que “procede diretamente de seu pensamento religioso revolucionário”. Este capítulo (tal como vários textos de Engels transcritos neste blog) prova que Engels admitia que o pensamento religioso pode ser revolucionário, ou seja, que nem sempre a religião é um “ópio do povo”.

O ecumenismo e o pluralismo, no prisma religioso e no campo da esquerda, são as melhores pontes, que podem gerar um poder popular que garanta ao povo a efetiva soberania (e o domínio eminente) sobre os próprios movimentos, os recursos naturais etc.

O próprio Pio X escreveu: “a Igreja, (…), difundiu a civilização, (…) conservando e aperfeiçoando os bons elementos das antigas civilizações pagãs”, ou seja, com ecumenismo (catolicidade, universalismo), que deve ser adotado pelas e com as correntes socialistas.

Textos de Engels, elogiando o cristianismo e a ideia da igualdade social

Engels estava certo, quando escreveu que “a idéia de que a igualdade é a expressão da justiça, o princípio da ordem política ou social perfeita, surgiu por uma via totalmente histórica”, “seus primeiros inícios nasceram conseqüentemente com o cristianismo”.

Antes, no pensamento hebraico e na Paidéia há os germes destas idéias, expressas com mais ênfase por Cristo, numa síntese que abarcou tudo o que havia de bom até então e esta síntese está longe de ser compreendida em toda sua profundidade.

A especificidade da ética cristã não é baseada em dados supra-racionais, e sim no fato de ser multilateral, abarcando várias verdades fragmentárias já existentes antes e associadas numa síntese que é o cristianismo (unindo a Paidéia ao pensamento hebraico).

As raízes católicos irlandesas do cartismo, o “primeiro movimento real, amplo e politicamente claro” do proletariado, cf. Lenin

O cartismo era, de forma hegemônica, um movimento cristão e, mais ainda, católico, pelas raízes irlandesas.

Basta considerar que Feargus Edward O´Connor (1794-1855), principal dirigente do cartismo, foi o fundador e o redator do jornal “A estrela do norte” (“The Northern Star”), que era o órgão central do cartismo.Este jornal foi criado em 1837 e durou até 1852.

Engels escreveu artigos para este jornal, de setembro de 1845 a março de 1848.

Feargus era sobrinho de Daniel O´Connell (1775-1847), dirigente do movimento de libertação dos irlandeses, da “Repeal-Association” (de luta pela independência da Irlanda, dominada pelo imperialismo inglês).

Lênin elogiou o cartismo com as seguintes palavras: “a Inglaterra deu ao mundo o primeiro movimento real, amplo e politicamente claro, proletário e revolucionário de massas”.E este “primeiro movimento real, amplo e politicamente claro” era, em boa parte, católico, irlandês, de matriz católica.

Os irlandeses católicos foram precursores do movimento contra o imperialismo inglês, tal como os poloneses católicos foram precursores da luta contra o imperialismo czarista, moscovita. 

O elogio do cristianismo, por Feuerbach, Marx, Engels, Rosa de Luxemburgo, Lenin e outros

Ludwig Feuerbach (1804-1872), nos livros “A essência do cristianismo” e “Lições sobre a essência da religião”, também ensinou que o cristianismo tem, em si, o humanismo, especialmente a regra do primado do amor, do bem comum.

O cristianismo primitivo foi elogiado pelo próprio Marx, em carta a Domela, em 1881. Também foi elogiado por Engels, em várias obras, por Rosa de Luxemburgo e outros pensadores marxistas.

Lenin, no livro “O Estado e a revolução”, reconhece o “espírito democrático do cristianismo primitivo”.

Os “Cavaleiros do Trabalho”, primeira organização operária dos EUA, teve um líder católico

Nos EUA, os católicos militavam no movimento dos Cavaleiros do Trabalho, chegando à liderança deste movimento operário (elogiado por Lenin), com Powderly.

A Ordem dos cavaleiros foi fundada em 1869, na Filadélfia, por Uriah Stephens. No entanto, foi organizada em 1878. Chegou a ter quase dois milhões de membros, graças à direção do católico Powderly. Lenin e Engels elogiaram os Cavaleiros do Trabalho, considerando-a como a primeira organização operária dos EUA. A ordem tinha organização por assembleias locais, distritais e geral. Tinha o próprio jornal, o “Jornal dos Cavaleiros do Trabalho”. E foi liderada, no auge, por um católico, chamado Powderly. 

A religiosidade do jovem Frederich Engels, o amigo de Marx

O jovem Engels, quando era cristão (leitor de Krumacher, um Pastor escritor que viveu em Bremen), numa carta a Friedrich Graeber (em 15.06.1839), elogiava o amor de São Pedro pela razão, no trecho em que o líder dos Apóstolos falava do “leite racional” do Evangelho: “desejai afetuosamente, como meninos novamente nascidos, o leite racional, não falsificado, para que, por ele, vades crescendo, se é que já provastes que o Senhor é benigno”, bondoso, aspirando sempre ao bem comum (cf. 1 Pd 2,2-3).

Engels elogia, nesta carta, homens que “passaram a vida aspirando a união com Deus”, como “Borne, Spinoza ou Kant”, três grandes democratas com forte religiosidade. O jovem Engels, o sócio de Marx, termina a carta dizendo: “quanto daria por ver claro eu mesmo!”. Ludwig Borne foi inspirado por Lamennais, um grande católico. Kant foi inspirado por Rousseau e Montesquieu, dois católicos, ainda que Rousseau tenha morrido como protestante, mas foi católico quase toda a vida.

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