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A concepção geral da Igreja defende o PRIMADO DO TRABALHO, DO TRABALHADOR, nos processos produtivos

A concepção política e econômica cristã foi resumida nos documentos do Vaticano II, ratificando a linha democrática de Ozanam, Buchez, Lacordaire, Tocqueville, Ketteler, Dupanloup, do melhor da democracia cristã, de Maritain

A “Gaudium et Spes” resumiu bem a doutrina da Igreja, ratificando a grande do melhor da doutrina social da Igreja, a linha que perpassa por expoentes como Morus, Las Casas, Suarez, Miranda, Bellarmino, o abade de Saint-Pierre, Montesquieu, Mably, o bispo Gregorio, Ozanam, Buchez, Lacordaire, Tocqueville, Acton, Dupanloup, Ketteler, Lavigerie, Manning, Gibbons, Leão XIII, Péguy, Maritain, Mounier, João XXIII, Lercaro e outros grandes luminares da Igreja.

Nos parágrafos 12 a 17 da “Gaudium et Spes” há as linhas gerais, que preparam a conclusão presente nos parágrafos 74-75 e outros da “Gaudium”.

As proposições fundamentais estão nos parágrafos 74-75, que apenas resumem a linha já expressa por Bento XIV, Leão XIII, Pio XI, Pio XII (nas “Mensagens de Natal” e por João XXIII (na “Mater et Magistra” e na “Pacem in terris”).

Vejamos as proposições centrais dos parágrafos 74 e 75 da “Gaudium et Spes”:

É plenamente consentâneo [adequado, bom, conforme] com a natureza humana que se encontrem estruturas jurídico-políticas, que ofereçam sempre melhor e sem nenhuma discriminação a todos os cidadãos a possibilidade efetiva de participar livre e ativamente tanto no estabelecimento dos fundamentos jurídicos da comunidade política, como na gestão dos negócios públicos, na determinação do campo de ação e dos fins das várias instituições, como na eleição dos governantes”.

Estas proposições acima decorrem de uma série de proposições interligadas em cadeias de raciocínios, nos parágrafos 12 a 17 da “Gaudium”.

Vejamos um resumo desta síntese.

A “Gaudium” ensina que Deus criou o “homem” e a “mulher” (Gn 1,27), para uma vida em “comunhão” de “pessoas, em sociedades (domésticas, civis, eclesiais, políticas etc).

O ser humano é “um ser social”, que não pode viver “sem entrar em relação com os outros”. Somos seres “compostos de corpo e alma”, numa só substância. Nossa parte “corporal” “sintetiza em si mesma” “os elementos do mundo material” e estes “elementos do mundo” “atingem a sua máxima elevação” em nós.

A “vida corporal”, o corpo, é bom e digno de respeito. Temos nossa nossa “natureza espiritual”, nosa “interioridade”, nossa consciência (“coração”). Pela consciência, podemos atingir “a verdade profunda das coisas” (que são, no entanto, inexauríveis).

A consciência pode descobrir as idéias de Deus expressas na natureza, para o controle e cultivo da própria natureza em geral e de nossa natureza humana, em especial.

A razão humana “participa da luz da Inteligência divina”. A consciência “exercitando-se incansavelmente no decurso dos séculos” gerou “grandes progressos nas ciências empíricas, nas técnicas e nas ciências e artes humanas.

A “natureza espiritual” do ser humano “encontra” “sua perfeição na sabedoria, que suavemente atrai o espírito humano à busca e ao amor da verdade e do bem”. A mente humana opera “por meio das coisas visíveis” para chegar “até às invisíveis”.

A consciência descobre as leis naturais da natureza para controlá-la (cultivá-la) e, de forma natural, por induções e deduções, também formula regras éticas, “descobre” a lei moral, as regras e idéias para orientar a vida pessoal e social.

Esta “voz” interna é composta de idéias e percepções (moções, “faze isto, evita aquilo”) para a prática do “bem” e para evitar o mal. O bem é a perfeição da natureza, da criação, é a “ordem natural” das coisas (cf. Santo Agostinho). Por isso, fazer o bem é a proteger e melhorar a natureza humana e a natureza em geral.

O bem comum ou geral implica, assim, em bens materiais suficientes e úteis para uma vida plena e digna, tal como bens morais e intelectuais. Um regime político e um sistema econômico adequado à nossa natureza exige, assim, o primado do TRABALHO, da consciência, que a subjetividade humana seja preservada, para que cada pessoa atue (trabalhe) de forma não-reificada, de forma livre e participativa, usando a própria consciência.

A voz da consciência é a a “voz” de “Deus”, que “se faz ouvir na intimidade” de “nosso ser”, de “nossa consciência” “nosso “centro mais secreto”, nosso “sacrário”). Estas idéias naturais sobre o bem e o mal formam uma “lei natural”, que pode ser resumida na fórmula “amor a Deus e ao próximo” (ou “faça a teu próximo o que gostaria que este fizesse a ti”, a regra áurea de Cristo).

Pautar a vida por estas idéias éticas e jurídicas é o que evita a “arbitrariedade cega”. Estas idéias naturais e racionais exigidas pelo bem comum são “normas objetivas da moralidade”.

Assim, o principal é “seguir a própria consciência”. A consciência, em geral, descobre as idéias verdadeiras práticas para a vida. Mesmo quando a consciência erra, sendo um “erro invencível” (“ignorância” invencível), não se perde a “própria dignidade”, não há culpa.

A “consciência”, com “o hábito de pecar”, de agir contra as idéias da própria consciência, “vai progressivamente” ficando cega. A consciência torna-se clara na medida em que a ouvimos.

Deus nos deu a liberdade, o livre arbítrio (Deus quis “deixar o homem entregue à sua própria decisão”, cf. Ecl 15,14). Ser livre é agir de acordo com a própria consciência, adequando os atos da vontade e dos afetos às próprias idéias.

Fomos feitos para fazer isso, à imagem de Deus. Proceder “segundo a própria consciência e por livre decisão” exige, no entanto, não ser “movido e determinado pessoalmente, desde dentro” e exige ainda que não sejamos “levado por cegos impulsos interiores ou por mera coação externa”.

Por isso, é essencial o controle das paixões, que não caiamos na “escravidão das paixões”, que suprime a liberdade.

A graça é uma “ajuda” para fortalecer a consciência, iluminar a inteligência, fortalecer a vontade e ordenar os afetos, as paixões, as emoções. Cada pessoa dará “conta da própria vida perante o Tribunal de Deus” (que operará pela nossa consciência, na medida dela, pois o inferno é auto-exclusão, e não castigo de Deus) “segundo o bem ou o mal que tiver praticado”.

Conclusão: o Vaticano II ratificou as melhores proposições ensinadas pelos grandes expoentes a Igreja, ratificou a linha democrática e popular, que vem do melhor da cultura hebraica, da Paidéia, das idéias de Cristo, do Novo Testamento, dos Apologistas, dos Santos Padres e do movimento democrático mundial.

O Socialismo Católico é a principal fonte do Socialismo, na Alemanha, inclusive Lassalle e o partido de Marx

Buchez foi chamado, por Marx, de o chefe do partido socialista católico. Da mesma forma, Buchez é a fonte da fórmula do cooperativismo apoiado e coordenado pelo Estado, segundo Marx

Buchez (1796-1866) desenvolveu as idéias cristãs, católicas e socialistas de Saint-Simon.

Em 01.05.1821, Buchez, com Saint-Amand Bazard e Jacques-Thomas Flotard, criou, em Paris, a Carbonária, uma sociedade secreta ligada a Carbonária italiana.

Em 1832, Buchez criou as primeiras associações cooperativas de produção, como destacou Charles Gide.

Em 1838-1840, Buchez escreveu o livro “Ensaio de um tratado completo de filosofia do ponto de vista do catolicismo e do progresso”, que influenciou o general Abreu e Lima e Antônio Pedro de Figueiredo, no Brasil.

De maio de 1847 a julho de 1848, Buchez dirigiu, com Jules Bastide, “A Revista nacional”, representando a tendência cristã-democrata e socialista.

A linha que passa entre Santo Tomás Morus, Mably, o bispo Gregório, Buchez, Lamennais, Ketteler, Sangnier, Maritain, Mounier, João XXIII, Vaticano II, teologia política européia etc representa, a meu ver, a linha dourada que gerou a teologia da libertação e o socialismo participativo, que associa democracia política, econômica, social e cultural.

Marx citou Buchez desde suas primeiras obras.

Por exemplo, Marx menciona Buchez no livro “Sobre a questão judaica”, na “A sagrada família”, na “Ideologia Alemã”, nos capítulos 24 e 28 de “O Capital”.

Marx citou, nos primeiros escritos, especialmente o livro “História Parlamentar da Revolução Francesa”, em 40 volumes, editado em Paris, de 1834 a 1838, por Buchez e P. C. Roux-Lavergne.

Buchez representava as idéias dos socialistas cristãos da década de 30 do século XIX e redigiu um bom elogio dos jacobinos durante a Revolução Francesa.

Engels, numa carta de 16.09.1846 ao Comitê de correspondência dos comunistas, fala sobre a uma discussão na redação do jornal “Fraternidade”, entre socialistas materialistas e “espiritualistas”. Os “espiritualistas” eram editores ligados às idéias religiosas-socialistas de Pierre Leroux, do “socialismo cristão” de Philippe Buchez e Felicite Lamennais. Além destes, existiam Sismondi, Buret, Pecqueuer, Vidal, as canções de Beranger, as novelas de Georges Sand, o jornal “Democracia Pacífica” de Considerant,

Dois anos após a morte de Lassalle, em 1868, Marx, em carta (de 13.10.1868) a Johann B. Schweitzer, o sucessor de Lassale na direção do Partido Lassalista, diz que Buchez tinha sido o “líder do socialismo católico francês”:

“Depois de um sono de quinze anos [1868 menos 15, igual a 1843], o movimento operário foi tirado de seu torpor, na Alemanha, por Lassalle–e este é seu mérito imperecível. No entanto, ele cometeu grandes erros, pois ele se deixou dominar pelas circunstâncias do momento. Ele fez de um ponto de partida insignificante–sua oposição a um anão como Schulze-Delitzsch–o ponto central de sua agitação: a ajuda do Estado, em vez da ação autônoma do proletariado. Em resumo, ele [Lassalle] repetiu simplesmente a fórmula que Buchez, o chefe do socialismo católico francês, tinha lançado desde 1843 (…). Enfim, ele combinou a fórmula de Buchez–assistência do Estado às sociedades operárias–com a reivindicação cartista do sufrágio universal, sem perceber que as condições não eram as mesmas na Alemanha e na Inglaterra”.

Como fica claro, Marx, como Rosa de Luxemburgo, sabia que existiam várias correntes de socialismo.

E sabia que uma destas correntes, o SOCIALISMO CATÓLICO, já existia em 1843, quando Marx nem tinha ainda criado as bases do “socialismo marxista”, que são frágeis, pois o próprio Marx, em 1882, um ano antes de morrer, no último escrito econômico, sobre Wagner, diz que não existia um socialismo marxista, um projeto delineado de Estado ou sociedade socialistas. Marx cuidava principalmente da crítica ao capital.

Segundo Marx, o movimento operário na Alemanha dormitava desde 1843 e foi “acordado” por Lassalle, inspirado por Buchez.

Há a mesma conclusão no livro “Crítica ao Programa de Gotha”. E Engels escreveu no mesmo sentido, frise-se.

O que Ketteler via de bom em Lassalle era, assim, o núcleo de idéias oriundo de Buchez, também presente nos textos de Luís Blanc e de Lamennais.

Engels, numa carta de 18-28.03.1875, a Bebel diz que a fórmula de Lassale (formação de cooperativas de trabalhadores com apoio do Estado) foi roubada por Lassale de Buchez.

Ou seja, BUCHEZ, o Socialismo católico, é a origem direta do primeiro partido operário na Alemanha, em 1863, criado por Lassalle.

Engels combateu uma tese errada de Lassale, com base em velhos textos marxistas, onde este dizia que “frente à classe operária, todas as outras não formam mais que uma massa reacionária”.

Vejamos alguns trechos desta carta de Engels, com ciência de Marx:

“Esta tese só é exata em alguns casos excepcionais, por exemplo, em uma revolução do proletariado, como a Comuna, ou em um país onde não tenha sido a burguesia somente a criadora do Estado e da sociedade, feitos à sua imagem e semelhança, e si que depois dela tenha vindo a pequena burguesia democrática e haja levado até suas últimas conseqüências a mudança operada. Se, por exemplo, na Alemanha, a pequena burguesia pertencesse a esta massa reacionária, como poderia o Partido Operário Social-Democrata haver marchado ombro a ombro com ela, com o Partido Popular, durante vários anos? Como poderia o jornal “O Estado Popular” (“Volksstaat”) tomar a quase totalidade de seu conteúdo político da “Gazeta Renana” (“Frankfurter Zeitung”), jornal democrático pequeno-burguês? E como podem incluir neste mesmo programa sete reivindicações, pelo menos, que coincidem direta e literalmente com o programa do Partido Popular e da democracia pequeno burguesa? Refiro-me às sete reivindicações políticas, entre as quais não há uma só que não seja democrática-burguesa. (…)

Em quarto lugar, o programa coloca como única reivindicação social a ajuda estatal lassalleana, em sua forma mais descarada, tal como Lassalle a plagiou de Buchez.

CONCLUSÃO: o partido lassalista usou, assim, em seu programa, idéias do Partido Popular do sul da Alemanha, onde vários católicos também militavam e, como único ponto social, usou a fórmula de Buchez de formação de cooperativas e sociedades operárias com o apoio do Estado. A mesma fórmula usada por Louis Blanc também.

O partido lassalista fundiu-se com o partido de Marx, em 1875, e no “Programa de Gotha”, de 1875, usou a fórmula de Buchez.

A fórmula de Buchez, como será visto abaixo, também era praticamente o pilar do programa da 1ª Internacional.

No “Manifesto” da 1ª Internacional, há um elogio das cooperativas, que devem ser apoiadas pelo Estado, para que a produção cooperativa seja nacional.

Marx, no livro “A guerra civil na França” (1870), esboça as linhas gerais do modelo de socialismo: seria baseado em Comunas, no “regime comunal” (ou “Constituição comunal”) em cada pequena cidade ou vila. Estas elegeriam todos os cargos locais e enviariam deputados para a “delegação nacional”, em Paris, deputados com “mandat impératif” (mandado imperativo, como na Idade Média), podendo ser destituídos a qualquer momento. Dentro das comunas, haveria a “emancipação econômica do trabalho” com base em “sociedades cooperativas”, que “regulariam a produção nacional num plano comum”.

No Programa de Gotha há também o mesmo ponto.

Na “Crítica ao programa de Gotha”, de 1875, Marx reconhece que é a fórmula de Buchez que está na origem da tese de substituir o patronato por cooperativas de produção, com a ajuda do Estado. 

Em 1879, Matheus Basílio (Júlio) Guesde (n 1845), Gabriel Deville e outros lançam um programa socialista, onde escrevem:

“o solo e outros instrumentos de produção, isto é, o capital mobiliário e imobiliário, devem ser retomados pela sociedade e restar propriedade da nação, para serem postos à disposição dos grupos produtores”, “a revolução que queremos não atinge unicamente os desocupados, mas também a feudalidade territorial, industrial e comercial, que sucedeu a antiga feudalidade da nobreza e da espada”.

Se o termo “retomado” fosse substituído por controlado seria praticamente a fórmula de Buchez e também de Cabet e Luís Blanc.

Numa linha semelhante, Benoit-Malon, socialista com religiosidade, queria um socialismo baseado num “humanismo ético e social”, “síntese de todas as atividades progressivas da humanidade”.

Malon tinha religiosidade. Henri-Louis Tolain (1828-1897) também defendeu o cooperativismo e o campesinato.

Marc Sangnier, o principal líder do “Sillon” (Sulco, grupo de leigos católicos na França), em novembro de 1907, escreveu: “a transformação social que nós anelamos, camaradas, aspira ao progresso do indivíduo, não a sua absorção. Desejamos que as fábricas, as minas e as indústrias pertençam a grupos de trabalhadores”. No fundo, “desejamos…libertar aos proletários do patronato”.

Guesde e Marc Sangnier escreveram, em 1905, o livro “Cristianismo e socialismo”. Guesde, em 1903, protestou, no congresso operário de seu partido, em Reims (quando houve a fusão do grupo guesdista com o grupo blanquista e o comunista) contra as leis que cerceavam o direito de associação das associações religiosas.

Foi esta também a linha de Charles Gide, socialista cooperativista cristão.

O movimento “sindicalista”, na França, tinha o mesmo ideal, expresso no artigo segundo dos Estatutos da Confederação do Trabalho: “a desaparição do salariado e do patronato”. Era também o ideal do socialismo de guilda (que teve Bertrand Russell) e de Ketteler, La Tour du Pin, Albert de Mun, Buchez, Luis Blanc e outros.

O Brasil precisa de um Socialismo democrático, trabalhista, com ECONOMIA MISTA, milhões de MICRO e PEQUENOS PRODUTORES, com AJUDA ESTATAL

A Tradição da Igreja é pró amplo Estado com MUITAS ESTATAIS, e TAMBÉM com milhões de micros, pequenos e médios produtores familiares.

DESTACO que os MICROS, PEQUENOS E MÉDIOS PRODUTORES FAMILIARES não exploram o trabalho alheio, em geral são FUNDADOS EM TRABALHO PESSOAL, no suor do próximo rosto, comem o que produzem.

Muito Estado, controlado pelo povo organizado, com MUITO EMPREENDEDORISMO, com AMPLA AJUDA ESTATAL, em BOA SIMBIOSE COM AS ESTATAIS, AMPLO SISTEMA PÚBLICO ESTATAL DE BANCOS etc.

Uma República dos TRABALHADORES, com base no TRABALHO PESSOAL, com AMPLO COOPERATIVISMO (sinergias, clusters produtivos) e AMPLA AJUDA ESTATAL (Princípio da subsidiaridade).

Combinação ampla dos princípios da SOLIDARIEDADE e da SUBSIDIARIDADE, para REALIZAR O BEM COMUM. 

A Igreja sempre apreciou a Escola Institucionalista ligada a Veblen, tal como autores como Henry Carey, Schmoller, Keynes, Kaldor, Alexandre Hamilton, Friedrich List, a Escola Histórica de Economia, o Socialismo de cátedra e outras.

A Igreja sempre apreciou o Trabalhismo ingles, pelo apreço a economia mista, gradualismo, democracia etc. E sempre apreciou os possibilistas, os oportunistas, o Personalismo etc. Basta pensar em Alberto Pasqualini, no Brasil, o maior teórico trabalhista e grande católico. Ou mesmo os melhores textos de Getúlio e de João Goulart.

A Igreja sempre viu com bons olhos modelos de socialismo parcial, democrático, combinados com um amplo Estado social e econômico, que proteja e faça prosperar um amplo setor de ECONOMIA POPULAR, milhões e milhões de MICRO, PEQUENOS  e até Médios PRODUTORES FAMILIARES (camponeses, artesãos, pequena burguesia, todo tipo de produtores independentes com base no próprio trabalho e da família, amplo comércio pequenos etc), o máximo de EMPREENDEDORISMO POPULAR possível.

O modelo de socialismo apreciado pela Igreja tem o máximo de DISTRIBUTISMO (casas para cada família, renda básica para todos, apoio a economia familiar, renda familiar alta), tal como tem apreço por estatais, planejamento público, regras públicas, ampla tributação dos ricos (loas para Piketty) e amplo apoio ao empreendedorismo popular (micros, pequenos e médios produtores familiares, associados em cooperativas) etc.

Foi este o modelo delineado por Karl Polanyi (1886-1964). Idem, para Thorstein Veblen, James Steuart (1767) e até Hegel, que seguia os textos de Steuart, e também algo do Círculo Social, de Mably etc.

A doutrina da Igreja sempre criticou as escolas liberais, como Ricardo, a Escola de Manchester e, depois, a Escola Neoliberal.

A doutrina da Igreja apreciou os melhores textos do último John Stuart Mill, favorável a um socialismo cooperativista, com amplo campesinato, associado em cooperativas.

A Igreja apreciou Gunnar Myrdal, o Estado do bem estar social, os modelos da Noruega, Dinamarca, Suécia, Finlândia, algo do Francês, algo da Itália (especialmente a Lei de proteção as micros e pequenas empresas familiares, na Itália).

A Igreja elogiou o modelo de crescimento do Japão, com ampla presença estatal, e milhões de micros, pequenos e médios empresários familiares, o mesmo modelo aplicado,depois, na Coréia, e também em Singapura (a base da economia de Singapura é um amplo porto estatal, uma ampla infra-estrutura ESTATAL).

O apreço a um amplo Estado está na melhor Tradição colbertista, de Jean Baptiste Colbert (1619-1683), tal como nos melhores textos de Veit Ludwig von Seckendorff (1626-1692), o fundador da Escola Alemã de Economia.

O mesmo para São Tomás Morus, Antonio Serra, em 1613, tal como para Giovanni Botero , Campanella, Spinoza, e até textos de Hobbes. Depois, MABLY, MORELLY, o melhor de ROUSSEAU, o grande padre jesuíta RAYNAL, os bispos católicos do Círculo Social, Babeuf, Phillip Buonarrotti e outros.

O colbertismo e o cameralismo foram bem apreciados pela Igreja, pela ampla presença estatal, pelas criação de estatais e controles públicos da economia.

A mesma linha estava presente em Mathew  Carey (1820), seu filho Henry Carey, em Daniel Raymond (1820), Henry Clay (1887), e Alexandre Hamilton.Depois, Paul Cawes, Lucien Brocard, Erik S. Reinert e outros.

E esta mesma linha estava em SISMONDI, no socialismo pequeno burguês, pré marxista, ANTES de Marx. Buchez, Lamennais, Ketteler, Louis Blanc, o melhor dos textos de Lassalle, há um núcleo comum.

Esta linha foi desenvolvida por PESCH, TONIOLO, PIETRO PAVAN, MARITAIN, MOUNIER e outros.

Esta mesma linha está nos melhores textos de HANS SINGER, JAMES TOBIN, GALBRAITH, NAOMI KLEIN, RUSSEL LONG, HUEY P. LONG, Mc Govern, van Parijs, Duboin, Paine, Léon Bourgeois,  de JOÃO XXIII, Ignacy Sachs e outros. 

Foi esta a linha (fórmula, síntese) indicada pelo Professor Benayon, no Brasil.

Acredito que seja a base da linha de DOWBOR e PAUL SINGER, com a ECONOMIA SOLIDÁRIA, sempre defensora de FORTE COOPERATIVISMO.Idem para STIGLITZ, CHOMSKY, BELLUZZO, PORCHMANN e outros luminares.

É TAMBÉM a linha de Hans Singer,  André G. Frank, Amin, Theotonio dos Santos, Alceu Amoroso Lima, Barbosa Lima Sobrinho, Brizola, Álvaro Vieira Pinto, Darci Ribeiro, Claus Offe, O´Connor, Beveridge, tal como Buchez, Ketteler, De Mun, Liberatore E OUTROS.

Conclusão: é possível um socialismo com amplo mercado popular, com milhões de micro e pequenos proprietários, com milhões de MICROS, PEQUENOS e até MÉDIOS PRODUTORES FAMILIARES, com base no TRABALHO PESSOAL, e não na exploração do trabalho alheio.

As ideias cristãs fazem parte do NÚCLEO original das ideias socialistas, a parte do Trigo

“Mensagem dos bispos do Terceiro Mundo” (um documento firmado por Dom Hélder e outros bispos em 1968) é claríssima sobre o mal do capitalismo e a defesa de um modelo de socialismo democrático:

“… a Igreja, de um século para cá, tem tolerado o capitalismo com o empréstimo a juros legais e outros uso dele, pouco conformes com a moral dos Profetas e do Evangelho. Mas, ela não pode senão regozijar-se ao ver aparecer no meio dos homens outro sistema social menos distante desta moral. Caberá aos cristãos de amanhã, segundo a iniciativa de Paulo VI, reconduzir as suas verdadeiras fontes cristãs essas correntes de valores cristãos que são a solidariedade, a fraternidade (cf. “Ecclesiam Suam”). Os cristãos têm o dever de mostrar que “o verdadeiro socialismo é o cristianismo integralmente vivido, na justa repartiçaõ dos bens e a igualdade fundamental”.

“Longe de nós mostrar-nos contrários a ele; é, antes, necessário que adiramos com alegria, como a uma forma de vida melhor adaptada a nosso tempo e mais conforme com o Espírito do Evangelho” (“Cuadernos de Marcha, n. 9, janeiro de 1968. De Camilo Torres a Helder Câmara)”.

No núcleo mais profundo do movimento democrático e das correntes socialistas e comunistas há inúmeras sementes de verdade e idéias cristãs, como reconheceram Pio XI, Pio XII, João XXIII, Paulo VI e João Paulo II.

O principal é distinguir os bons elementos (os bons sinais, sementes do Verbo) e acolhendo-os, jogando fora os erros das partes más (a água suja que lavou o bebê).

Por exemplo, a Liga dos Justos nasceu cristã, inspirada nos textos cristãos de Lamennais, Sismondi, dos carbonários, de Philip Buonarotti (1761-1837), Giuzeppe Mazzini, Saint-Simon, Weitling, Ludwig Borne (1786-1837, cristão), Victor Considerant (1808-1893), Benjamin Buchez (1796-1865) e de Etienne Cabet.

A Liga defendia, antes de Marx, a “teoria da comunidade de bens”, com base no livro “Atos dos Apóstolos”, usando os textos de Santo Tomás Morus, Campanella, Mably, Morelly.

Os primeiros socialistas usavam textos do cristianismo primitivo, de São Basílio e Moisés. Esta comunidade de bens é o princípio da destinação universal dos bens e faz parte essencial da ética cristã e hebraica.

Os carbonários, por exemplo, lutavam pela democracia e também abonam a tese deste livro sobre a harmonia entre a religião e a democracia social.

A religiosidade dos carbonários fica mais do que evidente nos textos históricos da seita, nos seus ritos e na própria fórmula do juramento.

Esta religiosidade foi reconhecida inclusive no documento “Ecclesiam a Jesu Christo” (13.09.1821), onde Pio VII constata o apreço dos carbonários por Cristo, pelo cristianismo e pela Igreja.

Nos ritos e dogmas carbonários há o amor à paixão de Cristo e por outros “mistérios” religiosos. Em seus juramentos, a base é religiosa. Tinham erros teológicos, mas também bases verdadeiras.

Na França, os líderes iniciais da Carbonária foram homens religiosos como Buchez e mesmo Bazard.

Na Itália, um de seus líderes principais foi Giuseppe Mazzini, um italiano com grande religiosidade, defensor de uma democracia social e econômica, com fundamentação religiosa.

A religiosidade dos carbonários foi atestada pelo próprio Pio VII, na bula “Eccles. à Jesu-Christo”, em 1821: “eles afetam singular respeito e um zelo admirável pela religião e pela doutrina e pessoa de Jesus Cristo, a quem” chamam de “seu grão-mestre e o chefe da sua sociedade”. Usam “discursos que parecem mais suaves que o óleo”.

Neste documento, Pio VII condenou o juramento de segredo dos carbonários, com o mesmo argumento da proibição da maçonaria.

As sociedades secretas são anti-democráticas, pois fogem à luz pública do dia. Esta premissa foi adotada pelo Cardeal Salvatore Pappalardo, arcebispo de Palermo, no conflito contra a máfia, na Sicília.

O diálogo ecumênico (ecletismo racional) e aberto entre correntes de idéias contrapostas é essencial na ética cristã, como ressaltava Alceu.

Este diálogo auxilia no surgimento de uma democracia participativa. Em outros termos, auxilia no parto de uma forma boa de socialismo humanista e participativo.

Conclusão: a difusão do controle (do poder, dos bens), ou seja, a democratização (o poder do povo em todas as instâncias) da sociedade, é uma exigência cristã e natural.

A Democracia Participativa é o coração, o cérebro, a alma de um Socialismo participativo democrático e humanista

A organização da sociedade deve lembrar uma constelação ou galáxia, com milhões de estruturas participativas, para assegurar o controle pela base, O CONTROLE DO TRABALHADOR sobre os processos produtivos, os bens de produção.

A doutrina da Igreja defende o controle da sociedade organizada sobre o Estado, pois o Estado deve servir o povo, titular do bem comum.

Pio XII distinguiu entre povo e massa, destacando a importância da organização pela base (princípio da subsidiariedade, federativo, cf. os bons textos de Proudhon), para que o povo seja efetivamente sujeito da história, controlando-a.

O mecanismo mais importante para assegurar este controle democrático de base é estruturar a sociedade em milhões de estruturas intermediárias, de associações e entidades auto-geridas ou co-geridas, especialmente unidades produtivas autogeridas, pelos TRABALHADORES.

Este “plano” estava patente nos textos de Georges Renard e dos institucionalistas, que queriam transformar as grandes empresas em fundações operárias, inspirando-se nos grandes mosteiros da Igreja, como fizeram Santo Tomás Morus, Campanella, Morelly, Mably, Owen, Fourier e outros socialistas utópicos teístas.

Owen seguia o modelo de Bellers e as pegadas de grandes líderes cristãos como Johann Georg Rapp (1757-1847).

Johann Geog Rapp era cristão, apesar de alguns erros graves e foi o fundador da seita dos rappitas (“Harmony society”) e das colônias Harmonia e Nova Economia. Este autor influenciou Engels, como pode ser lido no ensaio “Descrição das colônias comunistas”, de 1845, onde Engels descreve uma série de colônias comunistas religiosas como prova da possibilidade prática do comunismo.

A religiosidade juvenil de Engels fica patente em suas cartas a Friedrich Graeber, lá por 1839, quando escrevia (em 15.06.1839):

“Comigo ocorre o mesmo que a Gutzkow: quando vejo que alguém desdenha de forma altiva o cristianismo positivo, saio em defesa desta doutrina, que responde à necessidade mais profundamente sentida da natureza humana, ao anelo de ver-nos redimidos do pecado pela graça divina; mas quando se trata de defender a liberdade da razão, protesto contra tudo o que seja coação”.

O jovem Engels já vislumbrava que a razão e a religião são complementares.Durante praticamente toda sua vida, nas cartas pessoais, inclusive a Marx, Engels às vezes faz referência a Deus e até a Cristo (“nosso amigo Cristo” que teria ensinado que devemos ser “bons como as pombas e espertos como a serpente”, ele lembra a Marx rs).

O mesmo ocorre nas cartas pessoais das filhas de Marx, até o final das vidas destas.

A religiosidade juvenil de Marx, Engels e Bakunin foi demonstrada em meu livro sobre a história do socialismo.

Estes autores, quando jovens, escreveram textos bem profundos no sentido teológico.

Os jovens Marx, Engels e Bakunin escreveram textos dignos de figurar na leitura diária das CEBs e nos textos de teologia da libertação.

Um dia, espero que uma boa editora publique uma coletânea dos textos religiosos e juvenis destes três autores, pois são textos teológicos de bom nível.

A concepção (cristã e natural, por ser racional) do controle popular sobre o Estado e sobre a economia (os bens produtivos, os processos produtivos, a organização geral da economia) é corolário (conseqüência) do princípio de subsidiariedade (tal como do bem comum, da solidariedade), que diz que a sociedade deve organizar-se de cima para baixo para que seja assegurado o bem comum.

Por isso, a DEMOCRACIA PARTICIPATIVA E POPULAR é o CORAÇÃO de um Socialismo participativo e humanista. 

A linha Democrática popular é a linha majoritária da Doutrina social da Igreja

A linha democrática-popular de Santo Tomás Morus, Mably, Buchez, Lamennais, Lacordaire, Ozanam, William Cobbett, Tocqueville, Ketteler, Acton, Toniolo e outros autores é o núcleo da doutrina social da Igreja.

Lamennais, no ensaio “As formas modernas de escravidão” (1839), ensinou: “o que o povo quer, o próprio Deus o quer também, porque o povo deseja a justiça”, por isso, “a causa do povo é, pois, a causa de Deus. Ela haverá de triunfar”.

Lamennais seguiu os passos de Descartes e de Leibnitz, dois grandes cristãos (Descartes, um grande católico; Leibnitz, um grande luterano ecumênico), destacando corretamente o critério do consenso, conexo com o do bem comum.

Lamennais também ressaltou bem as “causas segundas”, na forma de agir da Providência.

O amor ao povo e à liberdade foi sempre a linha central dos livros de Lamennais.

Seus livros mereceriam ser reeditados, para serem lidos nas CEBs, especialmente as obras “O livro do povo”, “Palavras de um crente” (dedicado “ao povo”), “Hino à Polônia”, “Do passado e do futuro do povo” e “Da escravidão moderna”.

A Igreja, com os Santos Padres, adotou o melhor do pensamento antigo, da Paidéia (cf. constatou Werner Jaeger).

A “recepção” do pensamento antigo foi chamada de “régio caminho traçado pela tradição e pelos santos padres”, como ensinou o papa Gregório XVI, no breve “Dum acerbissimas”, de 26.09.1835.

No neoclassicismo, no fim do século XVIII e no início do século XIX, houve como um novo renascimento, com o elogio da Paidéia. Este elogio fazia parte do método educacional dos jesuítas. No parnasianismo, no final do século XIX, houve outra exaltação da Paidéia, onde os leigos católicos exaltaram os textos da Paidéia, em boa consonância com os textos bíblicos e dos Santos Padres.

A linha de Lamennais era a linha de William Cobbett, um autor católico bem apreciado por Marx.

Cobbett redigiu uma “História da reforma protestante na Inglaterra e na Irlanda” bem simpática ao catolicismo.

Cobbett seguia a linha democrática e radical de Gerrard Winstanley, dos “Levellers” e “Diggers”.

O livro “As opiniões de William Cobbett”, do casal G.D.H. Cole e Beatrice Cole mostram a influência de Cobbett nos cartistas e no surgimento do Partido Trabalhista.

Buchez foi o primeiro que organizou uma teoria organizada sobre as cooperativas de produção para suprimir o patronato, o capitalismo, difundindo as cooperativas com o apoio do Estado.

Buchez escreveu o artigo “As cooperativas operárias de produção”, no “Jornal das ciências morais e políticas” (em 17.12.1831), ressaltando que o excedente das unidades seria distribuído aos sócios em função do trabalho destes e outra parte seria incorporada ao capital social, num fundo indivisível. A idéia do fundo indivisível vem dos mosteiros e conventos.

Buchez seguiu o exemplo dos mosteiros e da instituição dos morgados. O morgado era a instituição dos bens das famílias, na Idade Média. Eram bens inalienáveis e eram administrados em benefício do clã familiar, uma verdadeira pequena aldeia.

Buchez defendeu a indivisibilidade do patrimônio das empresas cooperativas. Ele não era apenas teórico, criou uma cooperativa de produção, com sócios operários.

As idéias de um Fábio Konder Comparato sobre a transformação das unidades produtivas em “cooperativas” (ou “fundações”, cf. Renard) são baseadas no primado do trabalho, combinando com formas de planejamento estatal participativo.

São idéias que têm estruturas comuns com as idéias de Buchez, tal como de Marc Sangnier, Mounier e Alceu Amoroso Lima.

A fórmula de Buchez e de Ketteler é, no fundo, “a propriedade social dos meios de produção”, também defendida por Dom Hélder, no documento “Ouvi os clamores do meu povo”, de 1973, um Manifesto dos Bispos do Nordeste, organizado por Dom Hélder.

Dom Hélder, nos livros “Revolução dentro da paz” (Rio de Janeiro, Ed. Sabiá, 1968, ligada a Rubem Braga e Fernando Sabino), “Terceiro mundo defraudado”, “Utopias peregrinas”, tal como nas “Meditações do padre José”, defendia a mesma tese, da superação do capitalismo, combinando distributismo, cooperativismo e intervenção e planificação do Estado.

Num parêntese, o discurso de Dom Hélder, no “Centro Católico de Intelectuais Franceses”, em 26.05.1970, em Paris, foi um dos marcos mundiais da denúncia de torturas no Brasil, sob o governo da Junta Militar e de Médici.

Dom Hélder teve o apoio do Cardeal Marty, de Paris, mostrando que a linha predominante na Igreja é pró-democracia participativa e social, coincidente com o que Marciano Vidal chama de socialismo participativo, democrático ou humanista.

Buchez, Ozanam, Tocqueville, Ketteler, Lacordaire ou um César Cantu (1804-1895) representam o núcleo mais importante do desenvolvimento da doutrina social da Igreja, no século XIX. O mesmo vale para os grandes textos de Lamennais.

Dom Hélder seguiu os passos do padre Cícero (que elogiava, com oitenta anos, o nacionalismo de Sandino) e de Alceu Amoroso Lima. Numa poesia (de 24.07.1966) com um elogio a Lebret.

Dom Hélder escreveu: “Karl Marx, levado ao céu pela crítica ao capital e pela defesa do trabalhador” (cf. a biografia de Dom Hélder, feita por Nelson Piletti e Walter Praxedes, “Dom Hélder Câmara”, São Paulo, Ed. Ática, 1997, p. 409).

Expoentes como Dom Hélder, Dom Luciano, o abade Pierre (na França), Barbosa Lima Sobrinho, Alceu Amoroso Lima, Frei Betto, Dom Moacir Grechi e outros são a cristalização das melhores idéias do povo, da boa linha evolutiva de nosso povo e da Igreja.

Resumindo, nas palavras de Dom Hélder: “o desenvolvimento recebido do alto, pré-fabricado, sem a participação do povo na criatividade e nas opções, pode ser tudo, menos desenvolvimento”. Neste ponto, Dom Hélder tinha a mesma concepção de Paulo Freire, no livro “Pedagogia do oprimido”.

A ligação de Dom Hélder com Roger Garaudy também é outro grande sinal dos tempos, a meu ver. A palestra feita por Dom Hélder, em outubro de 1974, na Universidade de Chicago, sobre a relação entre Santo Tomás e Karl Marx, também tem a mesma linha libertária e ecumênica, mostrando que o método de Santo Tomás era ecumênico, pois acolhia todas as verdades contidas na Paidéia, nos textos de Maimônides, Averróis e Avicena.

Este método deve adotado para as verdades contidas nos textos de Marx e outros autores, como recomendava Dom Hélder.

A VIA MÉDIA, de um socialismo democrático com milhões de micros e pequenos produtores e trabalhadores associados

Sempre existiu uma VIA MÉDIA entre liberalismo individualista capitalista e “coletivismo” estatal (estatização de tudo, num molde militar).

Esta via média, ECONOMIA MISTA, foi basicamente a linha da doutrina social da Igreja. 

Uma linha de uma sociedade com IGUALDADE SOCIAL, sem miséria e sem grandes fortunas privadas. Com um grande Estado social protetor dos trabalhadores, com intervenção para regular o uso dos bens, fazer planos a longo prazo de desenvolvimento, estatais, obras públicas, leis sociais, direitos sociais e trabalhistas etc.

Uma linha que erradicaria a miséria, difundindo bens entre o povo, para erradicar a miséria.

Um Estado que daria ampla proteção ao trabalhador braçal (ampla legislação trabalhista, transformando as unidades produtivas em cooperativas basicamente).

Ao mesmo tempo, daria proteção a todo micro e pequeno produtor (artesãos, escritores, cientistas, pequenos industriais, pequenos comerciantes, pequena burguesia, CAMPONESES etc).

Uma linha que não aceita o grande capital privado (trustes e cartéis, Oligopólios) e o latifúndio. Ou seja, uma linha que NÃO ACEITA A GRANDE PROPRIEDADE PRIVADA, o grande capital privado, a concentração de bens e poder (controle do Estado) em poucas mãos.

Os bens e o poder (a estrutura estatal) devem ser ESPALHADOS, para todos, DEMOCRACIA ECONÔMICA. 

Esta linha está clara mesmo nos textos anti-capitalistas e anti-livre cambismo de Adam Muller, autor que Marx leu, bem jovem. Está em Franz von Baader, depois reaparece na linha de economistas como W.G.F. Roscher (1817-1897), em vários livros muito importantes para a história da análise econômica, elogiados no livro “História da Análise econômica” (Editora Fundo de Cultura, Rio de Janeiro, 1964, Parte III, p. 184).

No fundo, é a linha dos socialistas pré-marxistas.

É a linha dos socialistas pequenos burgueses, como Sismondi.

Também é a linha dos socialistas pequenos burgueses ricardianos, que queriam cooperativas.

É a linha de Saint Simon, do sansimonismo. A linha de Fourier e do fourierismo. A linha dos textos cooperativistas de Owen. E estes três autores tinha religiosidade, ponto que vou mostrar em detalhes, em outras postagens. Em geral, queriam economia mista, também.

Lembro que mesmo Babeuf era favorável a economia mista, não queria mexer com os micros e pequenos produtores, ponto que também vou mostrar, e já até postei sobre isso.

Lenin, no NEP, no fundo, queria isso, como fórmula de transição e de uma Frente Ampla. Bukharin, mais ainda. 

Também lembro que a linha de Morus, Campanella, Spinoza, Mably, Morelli e, depois, Babeuf e Buonarrotti, queriam um Estado amplo, mas, em geral, com liberdades, micros e pequenos produtores.

Os melhores textos de Rousseau, especialmente seus projetos de Constituição para a Córsega e para a Polônia, seguem esta linha. 

A linha da economia mista é a linha de Alban de Villeneuve-Bargemont (1784-1850), no livro “Economia política cristã” (1834), obra que o jovem Marx leu. 

Também era a linha de K. H. Rau (1792-1870), economista que escreveu o livro “Tratado de economia política” (1826-1837), obra que Adolf Wagner, mais tarde, apenas ampliou.

O mesmo seja dito sobre Frederich List (com o livro “Sistema nacional de economia política”, 1841) e, mais ainda, Henry Carey, nos EUA. 

Na mesma linha há Buchez, Johann Karl Rodbertus (1805-1875), Adolf Wagner e mesmo Ferdinand Lassalle.  E o bispo Ketteler.

No fundo, era também a linha de Stuart Mill, de um socialismo democrático cooperativista, tal como a linha de Buchez, Luís Blanc e dos socialistas democráticos. 

A concepção de um Estado social, com amplo INTERVENÇÃO ESTATAL na economia, é uma IDEIA MUITO ANTIGA, que faz parte da Tradição católica e da história da humanidade

A ideia que o Estado deva ter AMPLA INGERÊNCIA, INTERVENÇÃO, na economia, como um Gerente Geral, Gestor, para a realização do bem comum, a DESTINAÇÃO UNIVERSAL DOS BENS, é uma IDEIA TRADICIONAL e INTRÍNSECA A ÉTICA CATÓLICA E NATURAL.

Faz parte da Tradição mais profunda da Igreja, do melhor da Tradição hebraica, dos Santos Padres, de toda a estrutura dos Monges e das Ordens Religiosas. 

Está no cerne dos primeiros tratados de economia, nos livros de Platão (“A República” e “Leis”), de Aristóteles (“Política” e “Economia”), de Xenofonte (“Sobre as minas do Estado”). 

Também está no esboço do Estado hebraico, na prática das Cidades-Estados da Mesopotâmia (berço da civilização), do Egito, das Cidades Fenícias, na estrutura estatal Hebraica, no Estado Persa, nas Cidades-Estados da Grécia e nas melhores estruturas do vasto Estado Romano.

Tem continuidade no melhor da estrutura dos Estados bárbaros cristãos e dos Estados cristãos ortodoxos do Leste Europeu. Também está na estrutura das Comunas medievais e nas aldeias indígenas de todos os povos.

Mais tarde, estas ideias reaparecem, nos melhores textos do Mercantilismo-Colbertismo, inclusive no livro de Antonio Serra. Também está no livro “Tratado de economia política” (1615), de Antoine Montchresthien (1575-1621), tal como, antes, em Jean Bodin (1530-1596), no livro “A República” (1576). Jean Bodin, um católico, é tido como o pai da Ciência Política.

Os grandes teólogos espanhóis ensinavam que o Estado deveria controlar os preços dos produtos mais importantes, baseado na “estimativa comum”, ou seja, na avaliação comum das coisas. Estes grandes teólogos justificavam, deste modo, o controle estatal sobre a economia, a proibição dos juros, ou a redução pelo Estado dos juros, a proibição da usura etc. 

Vou tentar demonstrar este ponto, em vários postagens, na categoria, deste blog, “Fórmula do Planejamento Público Participativo-Economia mista. 

O próprio Spinoza, no “Tratado Político”, 1677, sua obra socialista, diz que seu modelo era a República católica de Aragão, na Espanha. A família da Spinoza tinha origem em Portugal, perto de Aragão. 

Destaco que as ideias de Morus, em 1516, no livro “A Utopia”, tal como do monge Tommaso Campanella (1568-1639), no livro “A cidade do Sol” (1602), seguem a linha da INTERVENÇÃO ESTATAL MACIÇA, que era seguida na França, com Luis XI, Henrique IX, o Cardeal Mazarino, o Cardeal Richelieu e, depois, por Colbert.

Colbert criou várias estatais, que existem até hoje, na França. 

No fundo, era a linha de Hobbes, mesmo com os erros totalitários de Hobbes, bem criticados por Spinoza, no livro “Tratado Político”.

Hobbes viveu vários anos (cerca de 15 anos ou mais) na França de Richelieu.

Destaco que as ideias do padre Vieira, do Estado criar vários estancos (estatais) e bancos públicos, uma concepção socialista, tem origem neste mesmo núcleo tradicional da Igreja. 

Esta linha foi, depois, elogiada por Necker, Voltaire, Diderot, Mably, Morelli e por vários católicos economistas italianos, especialmente na crítica aos erros capitalistas dos fisiocratas.

Basta citar o padre Galiani, no livro genial “Diálogos sobre o comércio de cereais” e nas suas teorias sobre a moeda, de como a circulação monetária deve ser pautada pelo Estado e pelo povo, pelo Controle social do povo.

O melhor do pensamento econômico, sobre Napoleão, foi escrito por economistas protecionistas-mercantilistas, como Carnot, Ferrier, o irmão de Say e outros. Estes autores foram a base teórica de List, dos Carey, de Lincoln, dos escritores protecionistas dos EUA. 

Foi esta a linha que gerou Babeuf e Buonarotti, e foi este o veio principal das ideias socialistas, na França, a base mais antiga do socialismo, uma BASE DE FUNDO CRISTÃO (e do melhor da tradição hebraica, basta pensar em Moses Hess e outros). 

Cardeal de Lubac: o socialismo nasceu dos textos hebraicos e católicos

Segundo o cardeal de Lubac, o socialismo foi uma forma de secularização da esperança hebraica-cristã. 

A maioria dos socialistas da França tentou conciliar o socialismo com a liberdade e a religião.

A tendência é antiga, como prova o exame das idéias de Morelly, Rousseau, Mably, o Círculo Social dos Padres Fauchet e Boneville, Leclerc, Robespierre (o jacobinismo é claramente pró-socialista), o padre Jacques Roux, Babeuf e Buonarotti.

Na mesma corrente, há ainda o elo representado por Charles Péguy e Jaurès. Péguy, em 1897, escreve “Joana d`Arc”, sua primeira obra. Em 1910, Péguy converte-se ao catolicismo e escreve duas obras: “O Mistério da Caridade de Joana d`Arc” e “Nossa Juventude”, mostrando que o catolicismo é perfeitamente conforme com o socialismo e o republicanismo.

O amor a Joana d`Arc simboliza bem a luta contra o imperalismo, o capitalismo e o latifúndio.

O livro de Shaw sobre Joana d’Arc (tal como os de Mark Twain e Érico Veríssimo sobre esta santa) mostra o papel de Joaninha contra o imperalismo e o feudalismo (a centralização monárquica na França foi uma luta dos camponeses, dos artesãos e dos pequenos burgueses contra os senhores feudais, como apontou o próprio Marx, que também elogiou Joana d’Arc).

Péguy gostava de Jaurès (este teve um neto de Marx como aliado) e seguiu este até se desentenderem, devido a algumas leis anticlericais e por outras razões.

Péguy e Jaurès, no entanto, em um ponto, sempre estiveram juntos, souberam conciliar o socialismo com a democracia e a religião.

Bergson, Marc Sangnier, Péguy, Maritain, Mounier, o abade Pierre e outros também são estrelas da mesma constelação.

Nikolai Aleksandrovitch Berdiaev (1874-1948) foi um russo, nascido em Kiev, que defendeu idéias socialistas na juventude, sendo expulso da Universidade de Kiev, em 1898. Foi depois desterrado para uma província. Converteu-se e viveu sempre como cristão. Em 1922, saiu da Rússia e permaneceu quase toda a vida em Paris. Berdiaev reconheceu verdades contidas no marxismo, por exemplo, a crítica ao individualismo e à coisificação (reificação) das pessoas. Disse que o marxismo vive do que combate e ignora: basicamente do caráter existencial das pessoas (cf. consta no excelente “Dicionário de filosofia”, de J. Ferrater Mora, Edições Loyola, São Paulo, 2000, no verbete sobre Berdiaev).

Defendeu que o ser humano é naturalmente comunitário e, por isso, busca a comunhão com o próximo e com Deus e somente vive bem em formas comunitárias e cooperativas. Escreveu obras como “A verdade e a falsidade do comunismo”, onde reconheceu várias verdades contidas no marxismo.

Jacques Maritain (1882-1973), como Alceu (na juventude e na velhice), foi socialista quando era adolescente. Adotou uma forma de socialismo democrático, com abertura à religião, inspirado em Jaurès e Péguy.

Maritain escreveu, quando tinha apenas 16 anos, uma carta a um operário, Baton, esposo da cozinheira na casa de seus pais, onde diz: “serei socialista e viverei para a revolução”.

Em 1901, Maritain conheceu Raíssa Oumansoff, sua futura esposa, uma judia russa. O episódio que os uniu foi quererem escrever um artigo de protesto contra a perseguição dos socialistas na Rússia. Maritain atacou duramente o nazismo, o fascismo e a ditadura de Franco, na Espanha, redigindo manifestos a favor dos republicanos espanhóis. Depois, defendeu a Resistência Francesa e a colaboração entre católicos e comunistas contra os nazistas. Adotava uma forma de personalismo comunitário com base nos direitos humanos e queria que a sociedade se transformasse em uma “comunidade de homens livres”, de produtores (trabalhadores) livres, sem reificação.

Jean Lacroix (autor de “Marxismo, existencialismo, personalismo, presença da eternidade no tempo”, Paz e Terra, 1967) foi outro pensador católico de esquerda (1900-1986). Fazia parte desta grande corrente representada por Péguy, Maritain e Mounier (é co-fundador da revista Esprit). Adotava uma forma de personalismo comunitário socialista: “o coletivismo revolucionário deve acabar no personalismo socialista”, defendendo que “o progresso não constitui um mito e existe um sentido na história”. A idéia de “sentido” na história é a idéia de plano, um plano cooperativo e participativo, de Deus, que requer a liberdade humana. Foi um bom discípulo de Blondel, Renouvier, Carlos Secrétan (1815-1895, discípulo de Leibnitz, tendo escrito o livro “Os direitos da humanidade”, em 1890), Laberthonniere e Scheler, que eram ligados à Igreja.

Sobre Marc Sangnier, vale a pena ler o elogio que S. Pio X fez do movimento Sillon, em um documento de 1904. Sangnier permaneceu na Igreja e foi uma liderança católica importante na França. Alguns erros menores não prejudicam as grandes verdades expostas por Sangnier e pelo Sillon. São Pio X condenou alguns erros do Sillon, mas reconheceu a boa fé e as boas idéias de Sangnier.

A condenação de Pio X foi infeliz, pois possibilitou que os burgueses usassem a condenação contra a ala mais comprometida da Igreja.

Sangnier queria a democratização de todas as relações sociais. Tinha um programa belíssimo, pugnando pela democratização de todas as relações sociais, inclusive das relações de produção. Queria que as unidades produtivas tivessem estruturas cooperativas, comunitárias e democráticas.

Simone Weil (1909-1943) foi uma linda judia parisiense (parecida, em alguns pontos, com Edith Stein, que morreu nas câmaras de gás de Auschwitz). Simone lecionou filosofia desde 1931. Nos anos de 1934-1935, trabalhou como operária voluntária numa fábrica (é uma precursora dos padres operários franceses). Em 1936, uniu-se ao grupo republicano espanhol, ligado à CNT. De 1937 a 1939, após ir até Assis, a cidade de São Francisco, aproximou-se do cristianismo. Foi perseguida pelos nazistas por ser judia. Participou da Resistência Francesa, ao lado do Frei dominicano Perrin e morreu de tuberculose, em Ashford.

Simone foi discípula de Alain, o principal intelectual do radicalismo, que também tinha afinidades com a doutrina da Igreja na defesa da liberdade e da difusão dos bens (e na luta pela democracia).

Simone sempre foi anticapitalista, pois era personalista e lutou por uma sociedade personalista e comunitária. O ecumenismo desta militante, que morreu praticamente de fome, gerou textos de sínteses entre o melhor do pensamento grego, budista, radical, anarquista, socialista, personalista e o cristianismo.

Emmanuel Mounier (1905-1950), no artigo “Fidelité” (publicado na revista “Esprit”, de fevereiro de 1950), defendeu formas de luta conjunta, estratégica, entre os personalistas cristãos (que assimilavam o melhor do existencialismo) e os marxistas humanistas, uma aliança que surgiu nos anos de Resistência Francesa, contra o nazismo. Defendia também o surgimento de “um novo socialismo”:

O personalismo considera, com efeito, que as estruturas do capitalismo são um obstáculo ao movimento de libertação do homem e que devem ser destruídas e substituídas por uma organização socialista da produção e do consumo. Este socialismo não foi inventado por nós… e comporta, sob o ângulo humano, exigências capitais. Não deve substituir o imperialismo dos interesses privados pela tirania dos poderes coletivos; é preciso, pois, encontrar uma estrutura democrática, sem debilitar o rigor das medidas que devem ser tomadas para instalar e defender suas primeiras conquistas” (do livro “O que é o personalismo?”).

Mounier escreveu várias obras, como “O pensamento de Charles Péguy” (1931), “Da propriedade capitalista à propriedade humana”(1934), “Revolução personalista e comunitária” (1935), “Anarquia e personalismo”(1937), “Liberdade sob condições” (1946) e outras.

Na obra sobre a propriedade, Mounier criticou a propriedade capitalista e desenvolveu as grandes teses do cristianismo. Foi discípulo de Jacques Chevalier, Maritain, Berdiaev, Santo Agostinho, Bergson, Péguy e outros. Combateu o regime de Franco, na Espanha. Participou da Resistência Francesa, contra os nazistas. Queria refazer o Renascimento. Tinha ódio do capitalismo pela desordem estabelecida (injustiça institucionalizada) e pelo primado do dinheiro (do capital). Lutou pela paz, defendeu o anticolonialismo, a escola pública pluralista etc. Deixou discípulos, como Jean Marie Doménach, Marrou, Jean Hau, Albert Béguin e milhões de leitores gratos.

Para Mounier, tal como os Santos Padres, todas as pessoas têm um direito natural primário (ius naturae) aos bens necessários para uma vida digna. Este direito natural decorre do destino comum dos bens da terra para servir às necessidades, ao bem (cada necessidade tem como contrapartida bens) de todos, para que todos vivam dignamente.

Os bens supérfluos estão totalmente sujeitos à comunidade, ao uso comum.

A sociedade pode e deve ter controle sobre os bens supérfluos para atender a todos. Mesmo o Estado “não tem domínio sobre as coisas”, pois os bens pertencem à sociedade (domínio eminente da sociedade, que decorre da soberania da mesma, do povo).

O Estado pode apenas administrar estes bens e a melhor gestão dos mesmos ocorre por formas de autogestão (cooperativas sujeitas a planos estatais e/ou estatais sujeitas a co-gestão dos trabalhadores), de gestão (também formas de planificação dentro das unidades produtivas), com base no trabalho pessoal (primado do trabalho e do aspecto subjetivo do trabalho, cf. João Paulo II), sujeitas a formas de planificação participativas. Estas idéias foram acatadas principalmente por influência do frei dominicano Georg Renard, que escreveu obras socialistas e queria transformar todas as unidades produtivas em cooperativas e/ou fundações.

Emmanuel Mounier, que exerceu muitíssima influência no ideário político do Uruguai e de outros países, seguiu as idéias de Buchez. Mounier descreveu muito bem o domínio eminente da sociedade, como prova o texto abaixo. O personalismo comunitário de Mounier tem Buchez como precursor principal. Buchez, Marc Sangnier, Mounier, Maritain e Alceu Amoroso Lima são elos importantes entre a doutrina social da Igreja e a teologia da libertação.

Alino Lorenzon, no livro “Atualidade do pensamento de Emmanuel Mounier” (Editora Unijuí – Ihuí, RS, 1996, pp. 95, 119-120), traz algumas boas informações sobre Mounier:

Mounier aconselha àqueles que pretendem ultrapassar o marxismo sem conhecê-lo a fundo uma atitude independente e aberta.

“Um pensamento vivo somente é ultrapassado pela sua própria nascente (…).

Ajudemos antes o marxismo, através de nossos questionamentos, através de nossas elucidações, através de nossa contribuição a se ultrapassar a si mesmo, vale dizer, a lutar contra suas próprias cristalizações, a se desembaraçar das contaminações do momento, a descobrir ou a admitir (como toda hipótese científica) perspectivas que antes de mais nada não tinha visado, enfim a desenvolver a força inventiva de suas próprias descobertas”.(…)

Na tese de doutoramento em Sociologia do professor Luiz Alberto Gómez de Souza, intitulada “A JUC: os estudantes católicos e a políti­ca”, as referências a citações de textos de Mounier, fundamentando a reflexão e o engajamento dos jucistas, aparecem de maneira insistente, ao longo de boa parte da obra. Para ilustrar nossa afirmação, transcreve­mos apenas uma citação. “Se de um lado Maritain e seu Humanismo integral tinham inspirado os movimentos social-cristãos e os parti­dos democrata-cristãos (do Chile, da Venezuela) e mesmo da seção paulista do (PDC brasileiro), a ação dos militantes da JUC, sobretudo em Belo Horizonte e em São Paulo, se orientava mais pelo pensamento de Mounier, num compro­misso que pouco a pouco se ia explicitando como personalista e socialista”.

É que a influência do pensamento e do testemunho de Mounier já vinha inspirando na Europa toda uma série de discussões no campo teo­lógico e filosófico, muito importantes. Apenas duas citações ilustram a constatação.

“Mounier é considerado um dos precursores leigos do concílio Vaticano II. Entre as muitas pessoas que o afirmam, podemos lembrar o padre Chenu, o padre Ganne e o padre M. Vincent, que apresentou, em 1977, na Universidade Católica de Louvaina, uma tese de doutorado em Teologia tendo por título ‘As orientações personalistas da Gaudium et Spes’. O padre Chenu sublinha a importância de Mounier sobretudo para as relações com os não cristãos, a abertura da Igreja para o mundo, o acontecimento, como sinal dos tempos, e a laicidade, como presença atuante dos cristãos no mundo “.

O socialismo personalista e humanista de Mounier, combinado com o distributismo e outras correntes socializantes, auxilia na aplicação dos textos subversivos do Evangelho, para superar o capitalismo, o imperialismo e o latifúndio.

Bergson, no livro “As duas fontes da moral e da religião”, comparou a influência das doutrinas dos Antigos com a do Evangelho: “Foi preciso esperar até o cristianismo para que a idéia da fraternidade universal, que implica na igualdade de direitos e inviolabilidade das pessoas, se tornasse operante. Dir-se-á que a ação foi muita lenta: com efeito, dezoito séculos passaram… mas ela não deixou por isso de começar com o ensinamento do Evangelho para continuar indefinidamente. Outra coisa é um ideal simplesmente apresentado aos homens por sábios dignos de admiração, outra coisa o ideal lançado ao mundo através de uma mensagem carregada de amor e que pede o amor” (Paris, Alcan, p. 75).

A França foi o país berço do socialismo. Onde houve o maior esforço para conciliar o socialismo com a liberdade e a democracia. Basta considerar Vitor Hugo, Louis Blanc, Jaurès e mesmo Sartre. Vitor Hugo, Louis Blanc e outros sempre foram teístas e adoradores do Deus verdadeiro.

Jaurès esforçou-se por elaborar uma síntese, ligada a Benoit Malon, que conciliaria a religião, o socialismo e a democracia.

Jaurès foi panteísta, reconhecendo a imanência de Deus, somente faltando o reconhecimento da transcendência.

Sartre, na maior parte de sua vida, buscou a reconstituição da Frente Popular e a conciliação do socialismo com a liberdade, com a democracia.

François Mauriac, apesar de erros antropológicos em alguns de seus romances (pessimismo), sempre tentou se inspirar em Marc Sangnier, buscando uma política pró-socialista e pró-democracia, inspirada nas Sagradas Escrituras, principalmente no Sermão da Montanha.

Os católicos, na França, deram exemplos e idéias ao mundo todo. François Mitterrand, mesmo pertencendo a uma parte do Partido Socialista mais laica, apontou fontes variadas para o socialismo francês, destacando as fontes cristãs.

Karl Marx, numa carta a J. B. Schweitzer (o sucessor de Lassalle, que foi educado em escola jesuíta), de 24.01.1865, sobre a morte de Proudhon, escreveu que Proudhon distinguiu-se de outros socialistas. Os textos de Proudhon seriam distintos por: “…terem sido escritos na França numa época em que os socialistas franceses julgavam oportuno fazer constar que seus sentimentos religiosos os situavam acima do voltaireanismo burguês do século XVIII e do ateísmo alemão do século XIX”.

Marx viu corretamente, pois, afinal de contas, permaneceu de outubro de 1843 a 02 de fevereiro de 1845 em Paris. Os “socialistas franceses” tinham “sentimentos religiosos”. Vale a pena lembrar que, segundo Lênin, o marxismo tem três fontes: o socialismo francês, a economia política inglesa (na verdade, os socialistas ricardianos, que eram inspirados na religião) e a filosofia alemã (totalmente religiosa, basta pensar em Hegel, que Lênin e Marx chamavam de “idealista”).

Segundo Marx, os “socialistas franceses” pré-marxistas tinham “sentimentos religiosos”, exceto Proudhon. Na verdade, mesmo Proudhon tinha idéias e sentimentos religiosos, expressos em várias obras. Por exemplo, no livro mais importante de Proudhon, “O que é a propriedade?”, escrita em 1840, o mesmo, quase no fechamento do livro, tece um bom elogio a Deus. Vejamos:

Oh, Deus da liberdade! Deus da igualdade! Tu, que hás colocado em meu coração o sentimento da justiça antes que minha razão chegasse a compreende-la, ouve minha ardente súplica! Tu és quem me há inspirado quando acabo de escrever. Tu hás formado meu pensamento, dirigido meu estudo, privado meu coração de más paixões, a fim de que publique tua verdade ante o amo e o escravo. Tenho falado segundo a energia e a capacidade que tu me hás concedido; a Ti cabe acabar tua obra. Tu sabes, Deus da liberdade, se me guiei pelo interesse próprio ou por tua glória. Pereça meu nome e que a humanidade seja livre! Veja eu, desde um obscuro rincão, instruído ao povo, aconselhado por leais, protetores, conduzido por corações desinteressados! Acelera, se é possível, o tempo de nossa provação, afoga na igualdade o orgulho e a avareza; confunde esta idolatria da glória que nos retém na objeção, ensina a estes pobres filhos teus que no seio da liberdade não haverá heróis nem grandes homens.

“Inspira ao poderoso, ao rico, a aquele cujo nome jamais pronunciarão meus lábios em tua presença, sentimentos de horror a suas rapinas; sejam eles os que peçam que se lhes admita a restituição e absolva-lhes seu imediato arrependimento de todas suas culpas. Então, grandes e pequenos, sábios e ignorantes, ricos e pobres, se confundirão em inefável fraternidade, e todos juntos, entoando um hino novo, te erigirão o altar, oh Deus de liberdade e de igualdade!”.

Este texto mostra como Proudhon foi influenciado pela leitura dos Santos Padres, quando trabalhava numa gráfica, em sua juventude.

Proudhon teve aliados católicos, como Charles François Chevé (1813-1865), um socialista católico, que dirigiu o jornal Voix du Peuple (Voz do povo), com Proudhon.

Chevé foi inclusive citado por Marx, nos “Grundrisse”, o que mostra como exerceu influência em seu tempo e como algumas da idéias de Proudhon tinham afinidade com as da Igreja..

A teoria do domínio eminente da sociedade, TRADICIONAL NA IGREJA, a base da propriedade comunitária, foi também defendida por Proudhon. Este, no livro “Teoria da propriedade”, 1866, mostra que a “posse” (o uso, o controle dos bens pelas pessoas), que defendia nas primeiras obras, poderia ser obtida pela forma jurídica de uma pequena propriedade limitada, socializada, como função social, regulamentada pelo direito econômico.

Ou seja, para Proudhon, no fundo, o importante é que as formas jurídicas de uso (controle) dos bens garantam que os bens estejam a serviço, acessíveis a todos. Proudhon defendia a difusão dos bens, com pequenas propriedades e empresas com co-propriedade, agrupadas em federações industriais-agrícolas, que seriam uma mistura de cooperativas com sindicatos. Desta forma, não havendo assalariados, o resultado seria o planejamento geral e setorial, por ramos da produção, planejamento dos trabalhadores, com o trabalho associado e autogerido. Estas idéias eram perfeitamente adequadas e coerentes com o cristianismo, como foi apontado por Mounier e outros pensadores da Igreja.

Proudhon, em 1844, em seus “Cadernos de Notas”, escreveu: “Pregam, neste momento, não sei quantos novos Evangelhos: Evangelho segundo Buchez; Evangelho segundo Pedro Leroux; Evangelho segundo Lamennais, Considérant, Madame George Sand, Madame Flora Tristan, Evangelho segundo Pecqueur e outros muitos. Não tenho a ambição de aumentar o número destes loucos” (Carnets, Paris, Rivière, 1960, vol. I, p. XIV”.

Buchez, Pedro Leroux, Lamennais, Considérant, George Sand, Flora Tristan, Pecqueur e outros foram socialistas religiosos. Não tinham Evangelhos próprios e sim interpretações próprias do Evangelho.

Marx admitiu, nesta mesma carta que foi publicada no jornal de Schweitzer (o SocialDemokrat) que “os socialistas franceses”, em geral, tinham sentimentos religiosos de 1840 a 1865, mais ou menos.

Proudhon mudou suas opiniões religiosas. No início, era panteísta, especialmente quando era amigo de Marx e lia Feuerbach (discípulo de Spinoza, como Moses Hess). Depois, adotou um tipo de maniqueísmo estranho, parecido com a opinião dos frankistas. Tal como estes, considerava que o mundo estaria invertido. Que o Deus das religiões positivas era na verdade o Mal, era opressor. Esta opinião estava presente em algumas maçônicas. E também em Proudhon e nos frankistas. Há um fundo religioso nestas idéias (combate à idolatria) que deve ser sempre ressaltado.

No livro “Obras completas de Juan Donoso Cortés” (vol. II, editado pela BAC, em Madri, em 1970, na pág. 565), há, numa nota de rodapé, uma informação colhida em G.D.H. Cole, da obra “Historia del Pensamiento socialista” (Fondo, México,1957, t. I, p. 202), que merece ser referida. Segundo Cole, Proudhon nunca negou a existência do Deus verdadeiro e pensava que a esse Deus se deve dar um culto, ainda que subjetivo e pessoal.

A linha da TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO é a LINHA hegemônica na Igreja, basta ver os textos de Francisco I

A concepção política cristã foi resumida nos documentos do Vaticano II, ratificando a linha democrática de Ozanam, Buchez, Lacordaire, Tocqueville, Ketteler, Dupanloup, da democracia cristã, de Maritain

A “Gaudium et Spes” resumiu bem a doutrina da Igreja, ratificando a grande do melhor da doutrina social da Igreja, a linha que perpassa por expoentes como Morus, Las Casas, Suarez, Miranda, Bellarmino, o abade de Saint-Pierre, Montesquieu, Mably, o bispo Gregorio, Ozanam, Buchez, Lacordaire, Tocqueville, Acton, Dupanloup, Ketteler, Lavigerie, Manning, Gibbons, Leão XIII, Péguy, Maritain, Mounier, João XXIII, Lercaro e outros grandes luminares da Igreja.

Nos parágrafos 12 a 17 da “Gaudium et Spes” há as linhas gerais, que preparam a conclusão presente nos parágrafos 74-75 e outros da “Gaudium”.

As proposições fundamentais estão nos parágrafos 74-75, que apenas resumem a linha já expressa por Bento XIV, Leão XIII, Pio XI, Pio XII (nas “Mensagens de Natal” e por João XXIII (na “Mater et Magistra” e na “Pacem in terris”).

Vejamos as proposições centrais dos parágrafos 74 e 75 da “Gaudium et Spes”:

É plenamente consentâneo [adequado, bom, conforme] com a natureza humana que se encontrem estruturas jurídico-políticas, que ofereçam sempre melhor e sem nenhuma discriminação a todos os cidadãos a possibilidade efetiva de participar livre e ativamente tanto no estabelecimento dos fundamentos jurídicos da comunidade política, como na gestão dos negócios públicos, na determinação do campo de ação e dos fins das várias instituições, como na eleição dos governantes”.

Estas proposições acima decorrem de uma série de proposições interligadas em cadeias de raciocínios, nos parágrafos 12 a 17 da “Gaudium”. E VALEM TAMBÉM PARA A ORGANIZAÇÃO ECONÔMICA dos povos, uai. 

Vejamos um resumo desta síntese.

A “Gaudium” ensina que Deus criou o “homem” e a “mulher” (Gn 1,27), para uma vida em “comunhão” de “pessoas, em sociedades (domésticas, civis, eclesiais, políticas etc). O ser humano é “um ser social”, que não pode viver “sem entrar em relação com os outros”. Somos seres “compostos de corpo e alma”, numa só substância. Nossa parte “corporal” “sintetiza em si mesma” “os elementos do mundo material” e estes “elementos do mundo” “atingem a sua máxima elevação” em nós.

A “vida corporal”, o corpo, é bom e digno de respeito. Temos nossa nossa “natureza espiritual”, nosa “interioridade”, nossa consciência (“coração”).

Pela consciência, podemos atingir “a verdade profunda das coisas” (que são, no entanto, inexauríveis).

A consciência pode descobrir as idéias de Deus expressas na natureza, para o controle e cultivo da própria natureza em geral e de nossa natureza humana, em especial.

A razão humana “participa da luz da Inteligência divina”.

A consciência “exercitando-se incansavelmente no decurso dos séculos” gerou “grandes progressos nas ciências empíricas, nas técnicas e nas ciências e artes humanas.

A “natureza espiritual” do ser humano “encontra” “sua perfeição na sabedoria, que suavemente atrai o espírito humano à busca e ao amor da verdade e do bem”. A mente humana opera “por meio das coisas visíveis” para chegar “até às invisíveis”.

A consciência descobre as leis naturais da natureza para controlá-la (cultivá-la) e, de forma natural, por induções e deduções, também formula regras éticas, “descobre” a lei moral, as regras e idéias para orientar a vida pessoal e social.

Esta “voz” interna é composta de idéias e percepções (moções, “faze isto, evita aquilo”) para a prática do “bem”, DO BEM COMUM, e para evitar o mal. O bem é a perfeição da natureza, da criação, é a “ordem natural” das coisas (cf. Santo Agostinho). Por isso, fazer o bem é a proteger e melhorar a natureza humana e a natureza em geral.

O bem comum ou geral implica, assim, em bens materiais suficientes e úteis para uma vida plena e digna, mesmo abundante, tal como bens morais e intelectuais.

Um regime político e um sistema econômico adequado à nossa natureza exige, assim, o primado da consciência, DO TRABALHO, que a subjetividade humana seja preservada, para que cada pessoa atue de forma não-reificada, de forma livre e participativa, usando a própria consciência.

A voz da consciência é a a “voz” de “Deus”, que “se faz ouvir na intimidade” de “nosso ser”, de “nossa consciência” “nosso “centro mais secreto”, nosso “sacrário”).

Estas idéias naturais sobre o bem e o mal formam uma “lei natural”, que pode ser resumida na fórmula “amor a Deus e ao próximo” (ou “faça a teu próximo o que gostaria que este fizesse a ti”, a regra áurea de Cristo).

Pautar a vida por estas idéias éticas e jurídicas é o que evita a “arbitrariedade cega”. Estas idéias naturais e racionais exigidas pelo bem comum são “normas objetivas da moralidade”.

Assim, o principal é “seguir a própria consciência”. A consciência, em geral, descobre as idéias verdadeiras práticas para a vida.

Mesmo quando a consciência erra, sendo um “erro invencível” (“ignorância” invencível), não se perde a “própria dignidade”, não há culpa.

A “consciência”, com “o hábito de pecar”, de agir contra as idéias da própria consciência, “vai progressivamente” ficando cega. A consciência torna-se clara na medida em que a ouvimos.

Deus nos deu a liberdade, o livre arbítrio (Deus quis “deixar o homem entregue à sua própria decisão”, cf. Ecl 15,14). Ser livre é agir de acordo com a própria consciência, adequando os atos da vontade e dos afetos às próprias idéias.

Fomos feitos para fazer isso, à imagem de Deus. Proceder “segundo a própria consciência e por livre decisão” exige, no entanto, não ser “movido e determinado pessoalmente, desde dentro” e exige ainda que não sejamos “levado por cegos impulsos interiores ou por mera coação exeterna”.

Por isso, é essencial o controle das paixões, que não caiamos na “escravidão das paixões”, que suprime a liberdade.

A graça (QUE É A AÇÃO DE DEUS para se unir a nós, uma relação AMOROSA, basta ler o Cantico dos cânticos) é uma “ajuda” para fortalecer a consciência, iluminar a inteligência, fortalecer a vontade e ordenar os afetos, as paixões, as emoções.

Cada pessoa dará “conta da própria vida perante o Tribunal de Deus” (que operará pela nossa consciência, na medida dela) “segundo o bem ou o mal que tiver praticado”.FRISO que o julgamento de Deus é, no fundo, o julgamento de nossa consciência, é a pessoa que se perde ou se salva, pois Deus quer é salvar todos. 

Conclusão: o Vaticano II ratificou as melhores proposições ensinadas pelos grandes expoentes a Igreja, ratificou a linha democrática e popular, que vem do melhor da cultura hebraica, da Paidéia, das idéias de Cristo, do Novo Testamento, dos Apologistas, dos Santos Padres e do movimento democrático mundial.

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