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Sanders está CERTO em querer um novo NEW DEAL, mas acho que errou sobre a China e Rússia, que são ALIADOS dos BRICs E DOS PAÍSES EXPLORADOS. China e Rússia, mesmo com FALHAS, são CONTRAPESOS ESSENCIAIS ao imperialismo dos EUA e da Grã Bretanha

247 – “Político mais popular dos Estados Unidos, o senador Bernie Sanders, que assinou documento contra a prisão política de Lula, lançou neste sábado um dos mais importantes documentos políticos das últimas décadas: o manifesto que pede uma Internacional Progressista.

O objetivo é COMBATER movimentos autoritários, como o de Donald Trump, nos Estados Unidos, mas também de Jair Bolsonaro, no Brasil, que semeiam o ódio e cultivam uma agenda econômica que beneficia poucos bilionários, que já controlam mais da metade da riqueza global.

“É hora de os democratas de todo o mundo formarem uma Internacional Progressista no interesse da maioria das pessoas em todos os continentes, em todos os países”, diz ele.

Leia a íntegra do documento:

Por Bernie Sanders – “Está em curso uma luta global que tem enormes consequências. O que está em jogo é nada mais, nada menos que o futuro do planeta, economicamente, socialmente e ambientalmente.

Em um momento de enorme riqueza e desigualdade de renda, quando 1% do mundo agora tem mais riqueza do que os 99% restantes, estamos vendo o surgimento de um novo EIXO autoritário.

Embora esses regimes possam diferir em alguns aspectos, eles compartilham atributos-chave: hostilidade às normas democráticas, antagonismo em relação à liberdade de imprensa, intolerância em relação às minorias étnicas e religiosas e a crença de que o governo deve beneficiar a si próprio e a interesses financeiros egoístas.

Os líderes deste eixo autoritário também estão profundamente ligados a uma rede de oligarcas bilionários que vêem o mundo como seu brinquedo econômico.

Aqueles de nós que acreditam na democracia, que acreditam que um governo deve prestar contas ao seu povo, devem entender o alcance desse desafio, se quisermos enfrentá-lo de forma eficaz.

Deve ficar claro agora que Donald Trump e o movimento de direita que o apóia não são um fenômeno exclusivo dos Estados Unidos. Em todo o mundo, na Europa, na Rússia, no Oriente Médio, na Ásia e em outros lugares, estamos testemunhando movimentos liderados por demagogos que exploram medos, preconceitos e queixas das pessoas para alcançar e manter o poder.

Essa tendência certamente não começou com Trump, mas não há dúvida de que os líderes autoritários de todo o mundo se inspiraram no fato de que o mais antigo e mais poderoso líder democrata do mundo parece se deliciar com a destruição das normas democráticas.

Há três anos, quem teria imaginado que os Estados Unidos permaneceriam neutros entre o Canadá, nosso vizinho democrático e o segundo maior parceiro comercial, e a Arábia Saudita, um estado-cliente monárquico que trata as mulheres como cidadãos de terceira classe? Também é difícil imaginar que o governo de Netanyahu em Israel teria aprovado a recente “lei do estado-nação”, que basicamente codifica o status de segunda classe dos cidadãos não-judeus de Israel, se Benjamin Netanyahu não soubesse que Trump estaria do seu lado.

Tudo isso não é exatamente um segredo. Com os Estados Unidos afastando-se cada vez mais dos nossos aliados democráticos de longa data, o embaixador estadunidense na Alemanha tornou claro recentemente o apoio do governo Trump aos partidos extremistas de direita por toda a Europa.

Além de hostilidade de Trump às instituições democráticas, temos um presidente bilionário, de forma inédita, que tem descaradamente defendido seus próprios interesses econômicos e os de seus comparsas nas políticas governamentais.

Outros estados autoritários estão muito mais avançados ao longo deste processo cleptocrático. Na Rússia, é impossível dizer onde terminam as decisões do governo e os interesses de Vladimir Putin e seu círculo de oligarcas. Eles operam como uma unidade. Da mesma forma, na Arábia Saudita, não há debate sobre a separação, porque os recursos naturais do estado, avaliados em trilhões de dólares, pertencem à família real saudita.

Na Hungria, o líder autoritário de extrema-direita Viktor Orbán alia-se abertamente a Putin na Rússia. Na China, um círculo interno liderado por Xi Jinping consolidou o poder de forma constante, tomando medidas drásticas contra a liberdade política interna enquanto promoveu agressivamente uma versão do capitalismo autoritário no exterior.

Devemos entender que esses autoritários fazem parte de uma frente comum. Eles estão em estreito contato uns com os outros, compartilham táticas e, como no caso dos movimentos de direita europeus e norte-americanos, compartilham até mesmo alguns dos mesmos financiadores.

A família Mercer, por exemplo, os defensores da infame Cambridge Analytica, foram patrocinadores principais de Trump e do Breitbart News, que opera na Europa, Estados Unidos e Israel para promover a mesma agenda anti-imigrante e anti-muçulmanos.

O mega-doador republicano Sheldon Adelson atua tanto nos Estados Unidos quanto em Israel, promovendo uma agenda compartilhada de intolerância e nos dois países.

No entanto, a verdade é que, para efetivamente nos opormos ao autoritarismo da direita, não podemos simplesmente retornar ao status quo fracassado das últimas décadas.

Hoje, nos Estados Unidos e em muitas outras partes do mundo, as pessoas trabalham mais horas para estancar os salários e se preocupam com o fato de seus filhos terem um padrão de vida mais baixo do que o deles.

Nosso trabalho é lutar por um futuro no qual a nova tecnologia e a inovação funcionem para beneficiar todas as pessoas, não apenas algumas.

Não é aceitável que 1% da população mundial detenha metade da riqueza do planeta, enquanto 70% da população em idade ativa disponha de apenas 2,7% da riqueza mundial.

Juntos, os governos do mundo devem se unir para acabar com o absurdo de empresas ricas e multinacionais mantenham mais de US$ 21 bilhões [DEVE SER TRILHÕES] em contas bancárias offshore para evitar pagar sua parcela justa de impostos e exigir que seus respectivos governos imponham uma agenda de austeridade.

Não é aceitável que a indústria de combustíveis fósseis continue a gerar enormes lucros, enquanto suas emissões de carbono destroem o planeta para nossos filhos e netos.

Não é aceitável que um punhado de gigantes da mídia multinacional, de propriedade de um pequeno número de bilionários, controle o fluxo de informações no planeta em grande medida.

Não é aceitável que as políticas comerciais que beneficiam as grandes corporações multinacionais prejudiquem as pessoas que trabalham em todo o mundo.

Para combater eficazmente a ascensão do EIXO autoritário internacional, precisamos de um movimento internacional progressista que se mobilize por uma visão de prosperidade compartilhada, segurança e dignidade para todas as pessoas e que aborde a enorme desigualdade global que existe, não apenas em riqueza, mas também na riqueza do poder político.

Tal movimento deve estar disposto a pensar de forma criativa e ousada sobre o mundo que gostaríamos de ver. Enquanto o eixo autoritário se comprometeu a derrubar uma ordem mundial pós-Segunda Guerra Mundial que eles acreditam que limita seu acesso ao poder e à riqueza, não é suficiente simplesmente defendermos essa ordem como ela existe agora.

Devemos honestamente ver como essa ordem não cumpriu muitas de suas promessas e como os autoritários exploraram com habilidade essas falhas para gerar apoio à sua agenda.

Devemos aproveitar a oportunidade para conceituar uma ordem global genuinamente progressista baseada na solidariedade humana, uma ordem que reconheça que cada pessoa neste planeta compartilha uma humanidade comum, que todos queremos que nossos filhos cresçam saudáveis, tenham uma boa educação, tenham empregos decente, bebam água limpa, respirem ar puro e vivam em paz.

Nosso trabalho é alcançar pessoas de todos os cantos do mundo que compartilhem esses valores e lutem por um mundo melhor.

Em uma época de explosão de riqueza e tecnologia, temos o potencial de criar uma vida decente para todas as pessoas. Nosso trabalho é construir uma humanidade comum e fazer tudo o que pudermos para nos opor a todas as forças, poder governamental irresponsável ou poder corporativo irresponsável, que tentam nos dividir e confrontar uns aos outros. Sabemos que essas forças trabalham juntas através das fronteiras. Nós devemos fazer o mesmo.

Mais recentemente, os fanáticos de direita xenofóbicos também formaram sua própria Internacional Nacionalista, colocando pessoas orgulhosas contra outras para controlar sua riqueza e política.

É hora de os democratas de todo o mundo formarem uma Internacional Progressista no interesse da maioria das pessoas em todos os continentes, em todos os países.

Nossa Internacional Progressista deve liderar uma visão de prosperidade verde e compartilhada que a engenhosidade humana é capaz de fornecer, desde que a democracia tenha a oportunidade de torná-la possível.

Para isso, precisamos fazer mais de uma campanha juntos. Vamos formar um conselho comum que elabore um plano comum para um New Deal internacional, um Novo Bretton Woods (resoluções da conferência monetária e financeira das Nações Unidas), progressista.

(texto publicado neste sábado no The Guardian)

Nos EUA, os católicos lutaram por políticas praticamente socialistas, trabalhistas, economia mista

A luta dos católicos faz parte intrínseca e essencial do New Deal, também apoiado pelos comunistas, nos EUA.

Friso que até padres mais a direita, como o padre Hamilton Coughlin (1891-1977), também apoiaram o New Deal, em várias ocasiões, tal como ideias mestras do New Deal.

As ideias mestras ainda atuais do New Deal são as ideias de uma Democracia popular, economia mista, Estado social, estatais, controles estatais de preços, impostos altos para ricos, controles públicos da economia, democracia participativa etc.

No fundo, é isso que busca a esquerda do Partido Democrático, nos EUA, com estrelas ótimas como Sanders, e antes com George S. McGovern, a corrente institucionalista de GALBRAITH, os melhores Kennedy, Jimmy Carter e outros. 

Coughlin PECOU, mas teve coisas boas em sua vida. Foi ordenado padre em 1916. Era canadense e foi trabalhado subúrbio de Detroit, onde fundou uma paróquia. Combateu a Ku Klux Khan local, que hostilizava imigrantes e a maior parte dos imigrantes era de católicos. Atacou duramente o governo republicano de Herbert Hoover, que gerou a GRANDE CRISE de 1929.

Coughlin atacava os banqueiros privados e o neoliberalismo. Nestes pontos, Coughlin estava correto. Friso que ter atacado a Ku Klu Khan sempre é algo divino.

A Ku Klu Khan, desde suas origens em meados do século XIX até o século XX e XXI, odeia e continua a odiar CATÓLICOS, JUDEUS, COMUNISTAS e NEGROS.

O ódio da Khan a CATÓLICOS, JUDEUS, NEGROS E COMUNISTAS faz parte do PIOR do Tea Party, do pior da ala dos Republicanos nos EUA, da ala da Sociedade John Birch, dos nazistas dos EUA e de outras pragas.

Acredito que o VOTO DOS JUDEUS, nos EUA, quase SEMPRE nos Democratas, tem, como uma das causas, além da BOA ÉTICA JUDAICA PRO SOCIALISMO DEMOCRÁTICO, a briga contra as ideias da Ku Klu Khan dentro dos Republicanos, de gente como Trump e outras.

Lembro que as leis de cota e de integração, nos EUA, tal como a luta dos negros, especialmente a parte ligada ao santo Martin Luther King, foram lutas do Partido Democrático, dos católicos, dos judeus, dos comunistas e, principalmente, dos NEGROS.

Lembro também a grande figura de Malcolm X, a meu ver, no mesmo plano de Luther King.

Martim Luther King, Malcolm X, John Kennedy, Robert Kennedy foram assassinados pela DIREITA REPUBLICANA nos EUA, com a ajuda da Máfia, da CIA, do FBI etc. 

Nas eleições de 1932, Coughlin apoiou a primeira eleição de Franklin Delano Roosevelt, o New Deal.

Com a ajuda do voto católico maciço, tal como do voto judaico maciço e do voto comunista e socialista maciço, friso o voto do CLERO CATÓLICO NOS EUA, Roosevelt venceu.

Coughlin, como todos os católicos, atacava o capitalismo liberal e defendia o “capitalismo de Estado”, ou seja, a estatização de PARTE dos bens produtivos, dos GRANDES meios de produção. 

O capitalismo de Estado, economia de transição, foi também adotado por Lenin, que defendeu a Nova economia, o NEP, que teve Nicolau Bukharin como dos maiores defensores. Se o NEP, na Rússia, tivesse continuado, a Federação Russa, a URSS, hoje, seria a MAIOR DAS POTENCIAS ECONÔMICAS, pois era a ECONOMIA MISTA, ponto correto, a meu ver, adotado pelos chineses, hoje, na ECONOMIA DE MERCADO SOCIALISTA.

Os chineses (e o Vietnam, e Cuba, e até a Coréia do Norte, hoje) adotam economia MISTA, parte estatal e parte privada (deveria ser apenas de MICROS, PEQUENOS E MÉDIOS, sem BILIONÁRIOS, claro, é um erro da China ter bilionários…e outros erros sobre trabalho infantil etc).

Como fica claro, há pontos comuns entre católicos, socialistas e comunistas. Pontos essenciais como substituir o Big Business, o GRANDE CAPITAL, por ESTATAIS, pelo ESTADO. FRISO QUE ESTA IDEIA FOI ESPOSADA por Pio XI, na Quadragesimo anno, em 1931, antes do New Deal.

Nos termos de Pio XI, os bens produtivos que atribuem grande poder devem ser do Estado ou de grandes cooperativas produtivas, sob controle estatal. Este ponto TAMBÉM destacado por Pio XII (brandamente) e, PRINCIPALMENTE, por JOÃO XXIII e Paulo VI, tal como por FRANCISCO I, hoje. 

A linha dos católicos, nos EUA e no mundo, era próxima do movimento Free Silver, do populismo dos EUA, irmão do populismo russo. 

Os católicos eram protecionistas e queriam ampla emissão de papel moeda do Estado para obras públicas, AMPLA INTERVENÇÃO ESTATAL NA ECONOMIA, a mesma ideia de Keynes e dos bimetalistas e dos populistas de esquerda, a parte mais a esquerda do Partido Democrático. A mesma ideia básica do melhor da CEPAL, nos textos de estrelas como Hans Singer. 

Outro ponto correto foi a dobradinha entre católicos (inclusive Coughlin) e Henry Wallace. Católicos e o grande Henry Wallace tinham vários pontos em comum e faziam parcerias, a favor dos camponeses familiares. 

Boa parte da política campesina e agrícola dos EUA, que tem pontos bons, vem de Roosevelt e de Wallace, apoiada por católicos, por Coughlin e pelos comunistas e socialistas dos EUA.

Henry Wallace foi várias vezes Secretário da Agricultura (Ministro da Agricultura, e tinha inclusive Alger Hiss, comunista, dentro do Ministério) e chegou a ir na URSS, tentar ajudar a agricultura soviética.

Mais tarde, Henry Wallace foi vice-presidente de Rooselvet e foi indicado para candidato a Presidente, em 1948, pelo Partido Progressista, com apoio dos comunistas nos EUA.

Em vários pontos, Coughlin fazia coro e dobradinha com a LINHA SOCIALIZANTE da Igreja, do Clero, a linha exposta pelo grande padre John Ryan, responsável por inúmeros pontos sociais do New Deal. Ryan era bem melhor, claro. A linha de Alceu, no Brasil, é a linha de John Ryan, nos EUA, a linha da DEMOCRACIA POPULAR, DO NEW DEAL.

Nos últimos meses de 1934, Coughlin achou que Roosevelt ia devagar demais e passa a atacar Roosevelt. Neste ponto, Coughlin estava TOTALMENTE ERRADO.

Graças a Deus, a maior parte do Clero católico ficou corretamente com Roosevelt. Lembro que Franklin Roosevelt veio DUAS VEZES ao Brasil, durante o governo de Getúlio, levando Getúlio a declarar a guerra contra os nazistas. O Brasil foi o único país latino americano a enviar tropas contra os nazistas, a FEB, e isso foi correto, pois os planos de HITLER eram mesmo DIABÓLICOS e GENOCIDAS. 

Friso também que, na plataforma de Coughlin, tinha PONTOS CORRETOS, pontos da LINHA DE RYAN, como a ESTATIZAÇÃO DOS GRANDES MEIOS PRODUTIVOS, das FERROVIAS, a luta por AMPLA LEGISLAÇÃO TRABALHISTA e por AMPLA INTERVENÇÃO ESTATAL NA ECONOMIA, usando EMISSÃO DE PAPEL MOEDA, CONTROLES PÚBLICOS DE PREÇOS, ALTOS TRIBUTOS, COMPRAS PÚBLICAS etc. Esta parte era o TRIGO.

O Antissemitismo e os ataques a Roosevelt eram o JOIO, o VENENO, a parte do DIABO, tal como conversas suspeitas de Coughlin com a Embaixada Alemanha. 

Roosevelt apela ao Vaticano, que, em 1939, cala Coughlin. O Vaticano apoiava a linha de Roosevelt, que também tinha o apoio dos comunistas, frise-se.

DESTACO que um dos ERROS E INJUSTIÇAS ENORMES de Coughlin foi ter PECADO POR ANTISSEMITISMO, e ter se aproximado dos malditos nazistas.

Por isso, o VATICANO agiu CORRETAMENTE e com MUITA JUSTIÇA, ao CALAR Coughlin, fazendo-o deixar os programas de rádio.

Se Coughlin tivesse desobedecido ao Vaticano, Roosevelt teria prendido Coughlin, e COM MUITA RAZÃO.

Friso que o Vaticano, o Núncio nos EUA, os Bispos, todos eles fizeram Coughlin se calar, em 1939. Ele continuou como padre até 1966 e morreu com 88 anos. Seus programas de rádio terminaram em 1939, pois o Vaticano apoiou as reeleições de Roosevelt, que também foram apoiadas pelos Comunistas, nos EUA. 

Os padres de esquerda, mesmo com alguns erros (pois errar faz parte da vida), defendiam pontos essenciais E ATUAIS como: renda básica estatal para todos os trabalhadores (no início, quando estivessem desempregados); estatização de vários bens produtivos; ampla legislação trabalhista; apoio do Estado à sindicalização maciça dos trabalhadores; controles públicos de preços essenciais; ampla tributação sobre os ricos; apoio do Estado à produção local de alimentos, roupas, moradia, remédios, livros etc, para nada disso ser importado ou transportado de longe; 

 

A linha correta Trabalhista de Getúlio Vargas é a linha precursora do socialismo democrático moreno do Brasil

No Brasil, os PIORES economistas foram Eugênio Gudin, Octávio Gouvea de Bulhões, Roberto Campos e Mário Henrique Simonsen, escritores vendidos ao grande capital, apologistas de ricos, entreguistas, cipaios, adoradores de ricos.

Claro que há outras PRAGAS, mas estes três são marcos teóricos do capitalismo, do liberalismo econômico. O que eles atacavam, em geral, eram boas ideias. Seus textos são úteis, pois o que eles defendem é errado, e o que atacam, em geral é o correto. 

Por exemplo, Gudin escreveu, na controvérsia contra o grande Roberto Cochrane Simonsen (que não é parente de Mário Henrique Simonsen), ataques contra a política de Getúlio Vargas, que deu ao Estado do Brasil bens produtivos:

o Estado já tem, no Brasil, o controle da maioria da rede ferroviária e de quase toda a navegação mercante. Com a encampação da Brazil Railway, ficou o Estado, além das estradas de ferro e portos dessa empresa, com indústrias de papel, de pinho, de jornais, revistas e rádios, de fazendas de gado, de frigoríficos. Com a incorporação da Organização Lage, o governo chamou a si navios, portos, estaleiros etc”.

Gudin atacava, assim, o Estado industrial criado por Getúlio Vargas, o Estado trabalhista, que Getúlio dizia ser precursor do socialismo cristão e brasileiro, ideal de Getúlio, na linha do Trabalhismo inglês (por isso, criou o PTB, a linha Trabalhista, dos Partidos de Trabalhadores). 

 

O apoio estatal a agricultura familiar deve ser permanente e universal, subsídios em cada país

José Bové, líder camponês francês, tem as mesmas ideias da Via Campesina, que é a organização internacional dos camponeses, ligada a igreja.

O MST, no Brasil, é apenas a Via Campesina, aqui, uma sucursal da Via. 

A Via defende o apoio estatal aos camponeses (planificação participativa), cooperativismo etc. Defende toda forma de apoio estatal (subsídios, protecionismo) à agricultura, para assegurar a “segurança alimentar permanente e universal”, cf. expressão de João Paulo II.

Na Europa há estes subsídios. Devem ser aperfeiçoados, para ficarem restritos aos pequenos e médios produtores rurais.

E devem ser criados no Brasil.

No fundo, esta é a mesma linha do padre Mably e de autores como Necker, em suas críticas contra os liberais, os fisiocratas e os livres cambistas (ideólogos do imperialismo econômico).

Estado deve, com recursos públicos, formar cooperativas de trabalhadores, educar trabalhadores, aumentando as forças produtivas e a renda dos trabalhadores

Numa das muitas leituras que fiz de “O Capital”, vi que Marx descreveu um programa estatal, na Inglaterra, lá por 1860. Um programa de obras públicas. O Estado contratava pessoas desempregadas, para vários trabalhos públicos, de varreção de ruas, limpeza de ruas e becos, limpeza de valas, dutos, pavimentação de ruas, abertura de ruas vicinais etc.

Este programa estatal é anterior ao marxismo. Precede ao marxismo, sendo um programa criado por ideias cristãs para ajudar os trabalhadores.

É uma forma de intervenção do Estado na economia. Pode ser usado para atenuar a miséria, amparar os trabalhadores e, mais importante ainda, ORGANIZAR O TRABALHO na forma de cooperativas.

O DNOCS, no Brasil, chegou a contratar quase dois milhões de pessoas, para obras contra a seca, abertura de poços, de cisternas etc. No RJ, há uma fila de cem mil pessoas inscritas para trabalharem na retirada de lixo das ruas. Claro que eu defendo a carreira estatal de garis, com concursos públicos etc, mas há vários trabalhos públicos que podem ser feitos pelos trabalhadores, especialmente pela contratação estatal de verdadeiras cooperativas de trabalhadores. 

Da mesma forma, Keynes (e Barbosa Lima Sobrinho, no Brasil), sempre defenderam a criação de um programa de emprego baseado em gastos estatais. 

O velho Keynes estava corretíssimo na ênfase na ação estatal contra o desemprego. Até contratar pessoas para abrir buracos e depois fecharem é melhor que deixar os trabalhadores sem trabalhos e rendas.

Há trabalhos úteis e que ao serem feitos, geram aprendizagem, conhecimentos técnicos e laborais, que são absorvidos pelos trabalhadores, aumentando as forças produtivas da sociedade. 

Sempre foi parte dos programas da esquerda a formação de Frentes de Trabalho Urbana e Rural para reduzir o desemprego. Isso pode ser feito junto com o Bolsa Família. O Bolsa Família paga uns duzentos reais. A pessoa inscrita poderia ter mais renda, além destes duzentos, recebendo mil reais, com trabalhos públicos, participando de cursos alfabetizantes, cursos técnicos etc. 

Como Frei Betto explica, em seus livros, o Bolsa Família deveria pagar mais aos inscritos para estes fazerem cursos práticos, profissionalizantes, para estágios, trabalhos de aprendizes, para dar conhecimentos práticos, e também experiência laboral, em trabalhos úteis à sociedade. Mitiga a miséria. Expande o poder de compra dos trabalhadores, sendo boas medidas, num conjunto de mudanças, para superar o capitalismo.

A melhor solução é juntar Bolsa Família, cursos, trabalhos públicos, contratos públicos e cooperativismo. O Estado deve ajudar na formação de cooperativas de trabalhadores, de fábricas cooperativas, de lojas e empresas, organizadas como cooperativas. 

O melhor é inscrever os trabalhadores em cooperativas corretas de trabalhos, fazendo o Estado contratos com estas cooperativas, expandindo o número de cooperativas, de fábricas cooperativas, de postos de trabalho cooperativos. 

Juros do CREDIÁRIO deveriam ser de 13% ao ano, e nunca de 141% ao ano

Ladislau Dowbor, no livro “A era do capitalismo improdutivo”, mostra que o CREDIÁRIO, no Brasil, tem juros de 141%. 

O correto seriam juros de 13% ao ano, e nunca juros de 141%:

“uma grande rede semelhante de eletrodomésticos na Europa, Midiamarkt, trabalha com juros de 13,3% (equivalentes a 1,05 ao mês) e tem belos lucros. Permite que as pessoas comprem, mas não trava o desenvolvimento”.

Para pior, os juros do CREDIÁRIO são pequenos em comparação com os outros. Ladislau acrescenta: “os intermediários financeiros [BANCOS] cobram 453,74% no cartão de crédito, 314,51% no cheque especial, 31,68% na compra de automóveis. Os empréstimos pessoais custam na média 71,15 % nos bancos e 160,05% nas financeiras”.

E há ainda o roubo das maquinhas, que é repassado ao consumidor, pois as máquinas de débito e crédito, tipo da CIELO, cobram taxas extorsivas – “É importante lembrar que mesmo sem entrar no crédito do cartão, tipicamente uma loja tem de pagar cerca de 5% do valor das compras à vista ao banco, além do aluguel da máquina. Estes 5% podem ser menores para grandes lojas com capacidade de negociação com o sistema financeiro, mas de toda forma trata-se de um gigantesco imposto privado sobre o consumo, que reduz drasticamente a capacidade de compra do consumidor, porque o comércio incorpora o custo no preço”.

Resultado: “Naturalmente, não espanta a espantosa cifra de 58,3 milhões de adultos no Brasil entrarem em 2017 com o nome sujo, segundo o SPC (Serviço de Proteção ao Crédito, 10/01/2017)”. Hoje, há mais de 60 milhões com “nome sujo”, nos cadastros de inadimplentes. 

Dowbor: “O crediário cobra, por exemplo, 141,12% para “Artigos do Lar” comprados a prazo (ver tabela na página 202). Quem se enforca com este nível de juros e recorre ao cheque especial (mais de 300%) apenas se afunda na dívida acumulada, e se entra no rotativo do cartão, da ordem de 450%, acaba de amarrar o nó no pescoço”.

Note-se que os juros sobre o cheque especial e o rotativo no cartão não ultrapassam 20% ao ano nos países desenvolvidos”.

Temos neste caso grande parte da capacidade de compra dos novos consumidores drenada para intermediários financeiros, esterilizando a dinamização da economia pelo lado da demanda.

“No caso da pessoa buscar o crédito no banco, o juro para pessoa física, em que pese o crédito consignado, que na faixa de 25% a 30% ainda é escorchante, mas utilizado em menos de um quarto dos créditos, é da ordem de 71,15%, segundo a Anefac. Na França, os custos correspondentes se situam na faixa de 3,5% ao ano”.

Agricultura CAMPESINA familiar, sem latifúndios, com ampla proteção estatal, e controles públicos. Soberania alimentar

O livro “O comércio da fome” (Petropólis, Ed. Vozes, 2003), de John Madeley, traz a boa linha de como deveria ser a política agrícola estatal no Brasil e no mundo.

Madeley foi editor de “International Agricultural Development”, de 1983 a 1998, participando de ONGs como a Christian Aid (Ajuda Cristã), Instituto Panos, a Agência Católica para o Desenvolvimento Externo (Cafod) e o Instituto Católico de Relações Internacionais.

Madeley defende basicamente as mesmas ideias da Via Campesina, organização internacional dos Camponeses, ligada a Igreja Católica, cuja sucursal, no Brasil, é o MST.

Este autor é radicalmente contra o patenteamento de processos naturais, biológicos e microbiológicos. Os direitos de propriedade intelectual devem ser resguardados, com outras formas, que não patentes. A biopirataria deve ser combatida.

Também é totalmente contra o livre cambismo, buscando reduzir a OMC a um papel bem menor, priorizando mecanismos internacionais de democracia, uma organização PÚBLICA do comércio internacional, com ênfase em ACORDOS REGIONAIS entre países.

A OMC não deve se meter com a agricultura, pois a OMC, o Banco Mundial e o maldito FMI são apenas biombos dos interesses das multinacionais e do imperialismo. 

Luta pela causa protecionista (Manoilesco iria gostar), com o direito de proibir importações, para preservar a produção interna agrícola e exigindo planos de reforma agrária, erradicando o latifúndios, aumentando a agricultura campesina, com pequenos e médios produtores rurais, com amplo acesso à terra, com amplos controles públicos, e amplos apoios públicos.

Madeley é defensor da agricultura limpa (orgânica e outras formas), da agricultura indígena, de povos tradicionais, da defesa das sementes crioulas etc. 

CNTE e Internacional da Educação apoiam Lula, ótimo sinal

247 – “Na próxima quarta-feira (10), a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) organiza em Curitiba um ato de solidariedade internacional ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que contará com a presença de David Edwards, secretário-geral da Internacional da Educação; “Os poderosos podem matar uma, duas ou três rosas, mas nunca poderão deter a primavera! Eu sou Lula” .

Brasil tem milhões de professores.

A CNTE representa cerca de 4,5 milhões de trabalhadores nas escolas públicas (professores e área técnica etc). Os pleitos da CNTE são essenciais para a reforma do Estado, para que criemos um vasto Estado social e econômico, no Brasil.  

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