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Getúlio Vargas é elogiado, hoje, por quase todos os partidos de esquerda

O PCdoB tem pilhas de textos elogiando Getúlio Vargas. A esquerda do PMDB, especialmente com Requião, sempre elogia Getúlio. Setores do PT, idem. O MR-8 (hoje, Partido da Pátria Livre), então, chegou a fazer um livro elogiando Getúlio. O PDT tem o culto de Vargas. No PSB, a esquerda aprecia Vargas.

O Partido da Pátria Livre, em boa parte o MR-8, é todo feito de textos de Getúlio Vargas, basta ler seu Programa. 

O getulismo significa o trabalhismo, o nacionalismo anti-imperialista, a linha nacional-desenvolvimentista, o socialismo democrático, o populismo. Por isso, os grandes getulistas foram João Goulart, Brizola, Darcy Ribeiro e outros. Getúlio queria, e disse isso, uma forma de socialismo trabalhista, morena, nacional, popular, economia mista, criada por nós. 

A linha Cárdenas-Perón e Vargas foi a linha latino-americana. Peron e Vargas queriam fazer uma Aliança ABC (Argentina, Brasil e Chile), que foi combatida pelos cãezinhos amestrados do imperialismo, especialmente por Carlos Lacerda e a UDN. 

Getúlio Vargas planejou Brasília, deixando planos detalhados, feito pelo Marechal Pessoa. Getúlio tinha como seu candidato preferido Juscelino. A última viagem de Getúlio Vargas foi a Belo Horizonte, visitar o então Governador Juscelino, sendo recebido com milhares de pessoas, pouco antes de seu suicídio.

Com Getúlio, o Brasil era um dos país com maior intervenção direta do Estado,  “criando empresas públicas nos setores estratégicos da infra-estrutura produtiva” como o Banco do Nordeste, a Carteira Agrícola e industrial do Banco do Brasil, uma política cambial protecionista e dirigista, controlada pelo Estado, a Companhia Siderúrgica Nacional (1941), a Companhia Vale do Rio Doce (1942), a Fábrica Nacional de Motores (1942); a Companhia Nacional de Álcalis (1943), a Companhia Hidrelétrica do São Francisco (1945); o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (1952); a Petrobrás (1953); o envio ao Congresso do projeto para a criação da Eletrobrás (1954). E houve outras.

Getúlio Vargas criou o DASP, criou os primeiros Estatuto dos Servidores Públicos (1938 e 1952), a Lei do Mandado de Segurança, os melhores Códigos de Processo Civil e Penal, a primeira lei contra o racismo, reconheceu a capoeira como luta do povo e proibiu sua criminalização, desenvolveu até os esportes (o próprio Maracanã e o Brasil como potência no futebol) etc. 

Outras realizações de Getúlio, do Trabalhismo: Voto secreto, justiça eleitoral, direito de voto para as mulheres, liberdade sindical, salário mínimo, carteira de trabalho, jornada de 8 horas, férias, licença maternidade, legislação trabalhista, previdência social, justiça do trabalho, ensino público, escola técnica, universidade pública, saúde pública, comunicação pública (Rádio Nacional), políticas públicas de valorização da cultura brasileira são criações daquele período. 

Outro mérito- Getúlio estatizou o jornal “Estado de São Paulo” é mérito, tal como ter, depois, ajudado a criar o grupo “Última Hora”, de Samuel Wainer, um Grupo de jornalismo popular, de esquerda, nacionalista. Uma imprensa popular. 

 

 

 

A Tradição socializante da Igreja, dos católicos, no Brasil e no mundo

A doutrina social da Igreja é formada pela confluência entre o melhor da civilização grega-romana (e fenícia, egípcia, persa, suméria, babilônica, hindu, bantu etc) e o melhor da Tradição hebraica. Esta confluência ou síntese forma, no prisma humano, o cristianismo. Depois, há a Tradição dos Santos Padres, a Escolástica, São Tomás Morus, o abade Saint Pierre, os grandes santos, Mably, Morelly, o bispo Gregório, o bispo Faucher e outros, indo para os precursores da doutrina social (no sentido estrito) e os grandes Papas.

Todas estas fontes confluem em vários movimentos, especialmente a Ação Católica, dirigida principalmente por Alceu e Dom Hélder, no Brasil. Outro marco foi a A.P (Ação Popular, que surgiu da JUC), que defendia idéias de socialismo participativo, com liberdade. Os textos dos irmãos Betinho e Henfil trazem a mesma concepção, relacionando socialismo e democratização radical da sociedade. Esta concepção faz parte das entranhas do PT.

Dom Ivo Lorscheiter, que foi presidente da CNBB, propôs, em 1983, um modelo social cooperativista para o Brasil. Teve, ainda, uma militância na ação comunitária e cooperativista, na região de Santa Maria/RS. Seu irmão, Dom Aloisio Lorscheiter, em Fortaleza, defendia idéias semelhantes.

Outros bispos, como Dom José Gomes, Dom Hélder, Dom Casaldáliga, Dom Paulo E. Arns, Dom Tomás Balbuíno e muitos outros, defenderam idéias socializantes e democráticas (e muitos usaram o termo “socialista”). Vários bispos usaram corretamente a expressão socialismo com liberdade, ou socialismo personalista, ou socialismo participativo. Os marcos são Alceu e Dom Hélder. Na mesma linha, autores como Barbosa Lima Sobrinho, Getúlio, João Goulart, Brizola, San Thiago Dantas e centenas de outros. 

A CNBB, numa Mensagem da Comissão Central, na Páscoa de 1963, defendeu várias reformas de base essenciais, propostas por João Goulart, citando João XXIII e Getúlio Vargas, especialmente a reforma agrária (anti-latifundiária), a empresarial (formas de co-gestão e de participação na propriedade e nos lucros que visavam abolir o regime salarial), tributária (preferência pelos tributos diretos e progressivos, como forma de obter a justiça social, o bem comum), administrativa (democratizando o Estado), eleitoral e do sistema educacional.

Estas idéias eram defendidas, antes, por pensadores cristãos como Loewenstein, Vogelsang e Breda, que queriam a superação do regime assalariado, o mesmo fim almejado pela Liga Democrática belga e aprovada num Congresso de pensadores cristãos, em Roma, em 1894.

O Pe. Luigi Sturzo, na Itália, seguiu idéias semelhantes, que ecoaram na opção de Aldo Moro de aceitar amplas coligações com os socialistas e comunistas. Os governos de coalizão entre democratas cristãos e socialistas, na Itália, desde 1946, ficando mais forte em 1962, demonstram a mesma posição doutrinária. Na Itália, o PDC tinha várias correntes. Alcide Gasperi controlou o PDC após a segunda guerra e colaborou para melhorar a Itália, promulgando uma Constituição, com muitos pontos positivos e aceitava coligações com os socialistas. 

Depois, Amintore Fanfani passou a controlar parte do partido, graças a seguidores na Universidade de Católica de Milão. Aldo Moro, nascido em 21.09.1916, controlava um segmento mais à esquerda. Aldo Moro foi Ministro da Justiça e Ministro da Educação e várias vezes deputado federal. Aldo guiou o PDC na aliança com os socialistas, com o apoio da Igreja. A aliança não foi condenada, pois as idéias socialistas já tinham sido objeto de discernimento e depuração, estando adequadas à doutrina da Igreja. Além disso, muitas idéias socialistas tinham origens bíblicas, ou seja, no próprio Deus. Aldo Moro também admitia coligação com os comunistas. Este movimento foi que gerou o atual Partido Democrático, na Itália, com católicos sociais, socialistas e comunistas italianos eurocomunistas do antigo PCI. 

Fanfani, na década de 30, escreveu bons textos anticapitalistas. Na década de 60, defendeu a coligação com os socialistas. Depois, infelizmente, foi se tornando complacente com o capitalismo, até ser afastado da direção do PDC. Aldo Moro reforçou a ligação com os socialistas e tentou uma aliança com os comunistas, até ser assassinado. Há historiadores que apontam o dedo da CIA, pois a morte de Moro favoreceu as multinacionais.

As atividades da CIA mostram a face cruel e imperialista dos governantes dos EUA, representantes das multinacionais. O livro recente de Lincoln Gordon, que foi Embaixador dos EUA no Brasil, no período do golpe militar de 1964, confessa o que foi apurado na CPI do IBAD: que a CIA, tal como as multinacionais, financia e dá dinheiro (compra as consciências, forma traidores) para candidaturas de parlamentares e governantes, que defendem políticas da preferência do FMI e das multinacionais. Mais claramente, a CIA organiza a atuação das multinacionais, do latifúndio e do grande capital nacional (oligarquia), para o controle do Estado brasileiro. A esquerda combate isso, lutando por um Estado popular, de todo o povo. 

O Grande Projeto social da Igreja, pluralista, mas com linhas claras a favor do povo

A 2ª. Semana Social, em 1993, como pode ser visto na revista SEDOC (n. 239, de julho/agosto de 1993, p. 95), expõe claramente o ideal histórico da Igreja, no documento “Para uma democracia”, anticapitalista, com participação e difusão de “bens, serviços e poder”.

A cada sete de setembro, a CNBB repisa a mesma mensagem, também repisada nas Campanhas da Fraternidade.

Junte todos os documentos da CNBB, todos os artigos dos bispos católicos, e há o esboço de uma Democracia popular participativa, um vasto Estado social e econômico, trabalhista, economia mista, nacionalista, populista, campesino, cooperativista, operário, artesão, pequeno burguês etc. 

Há a mesma concepção e o mesmo ideal de uma democracia popular real, na linha editorial das principais revistas, jornais e editoras católicas. 

Há a mesma linha em revistas francesas, como “Lumiére et Vie”, ligadas a homens como Christian Duquoc e outros.

Esta é, no fundo, a mesma linha do MST, dos Fóruns Sociais, da Assembléia Popular e de outras organizações ligadas à Igreja.

Também era este, grosso modo, o ideal de homens como Darcy Ribeiro, Brizola, Severo Gomes, Monteiro Lobato, Cândido Portinari (1903-1962), José Carlos de Assis, Ariano Suassuna, Henfil, Betinho, Frei Betto, Leonardo Boff, Clodovis Boff e outros.

O melhor da Tradição política do Brasil defende um extenso Estado social, economia mista, democracia participativa popular, difusão de bens e poderes, etc

Uma democracia popular e social, um grande Estado social, um socialismo com economia mista e liberdades, era também o sonho de homens como Rui Barbosa, Olavo Bilac, Joaquim Nabuco, José do Patrocínio, Antônio Pereira Rebouças, André Rebouças, João Mangabeira, Maurício Lacerda (teísta, adepto de um socialismo democrático), San Tiago Dantas, o general Lott, Adalgisa Nery, Gabriel de Resende Passos, Domingos Velasco, Franco Montoro, Brizola, Barbosa Lima Sobrinho, Hélio Silva, Tancredo Neves, Juscelino e Arthur Bernardes (destaque para sua luta anti-imperialista nos anos 40 e 60).

Getúlio Vargas, filiado ao PTB, apesar de erros castilhistas (há também a parte boa do legado de Júlio de Castilhos), defendeu um socialismo cristão e um trabalhismo nacionalista que seriam a ante-sala de um socialismo brasileiro.

Getúlio criou a Petrobrás, a Fábrica Nacional de Motores (para enfrentar a multinacional GM e outras), a siderurgia estatal, consolidou e ampliou a legislação trabalhista e de seguridade social, etc.

A importância de Getúlio foi reconhecida pelo PCdoB, pelo PDT, PTB, PT, Hora do Povo e outras correntes.

Os textos de homens como Prestes, Humberto Bastos, Nélson Werneck Sodré, Brizola, Tancredo Neves, Juscelino, Rômulo Almeida ou Enrique Dussel reconhecem seus méritos.

A linha getuliana (1930-45 e, especialmente, 51-54) é, grosso modo, a linha de Cárdenas (1934-1940), Perón (1945-55 e 1973-74), tal como era a de Hipólito Irigoyen (1918-1930) ou de José Battles y Ordonez (1856-1929), no Uruguai. Neste sentido, até homens como Gustavo Capanema puseram suas pedras na construção de um Estado mais ligado ao povo.

Há também a meta de uma democracia social e popular nos textos de católicos como: José Américo, Ulisses Guimarães, Miguel Arraes, Plínio de Arruda Sampaio, Paulo de Tarso Santos, Teotônio Villela (vide o livro “Projeto emergência”, Rio, Codecri, 1983), Oswaldo Lima, Sérgio Buarque de Holanda, Antônio Cândido, Henfil, Osvaldo Aranha (1894-1960, do Partido Trabalhista), Flores da Cunha, Osvaldo Bandeira de Melo, Marcos Freire, padre Nobre (antigo PTB e MDB-MG), padre Godinho (errou na UDN, mas foi para o MDB e teve a honra de ser cassado) e milhares de outros políticos e escritores brasileiros, alguns com atuação só em suas pequenas cidades.

O ideal sagrado de um extenso Estado social, de ajuda aos trabalhadores

O ideal de um extenso Estado social, planificador, com estatais, regulamentador, dirigista, redistributivista, que difunda os bens é o ideal de uma verdadeira democracia popular, social e econômica.

Foi esta a diretriz (linha principal, linha geral) de Alceu Amoroso Lima, Plínio de Arruda Sampaio, Frei Betto, Frei Jean Cardonnel (na França), Frei Josaphat Pinto de Oliveira (o principal teórico do jornal “Brasil, Urgente”), Barbosa Lima Sobrinho, Ruy Cirne Lima, Edgar de Godói da Mata Machado, Oswaldo Lima Filho, Franco Montoro, Pinto Ferreira, San Tiago Dantas, Jorge de Lima, Rui Barbosa, João Mangabeira, Domingos Velasco, Paulo de Tarso Santos, Francisco Mangabeira, o general Lott, Getúlio Vargas, João Goulart, Brizola, Arraes, Dom Hélder, Lebret, Lercaro e dos teólogos da libertação (Gutierrez, Dussel, Assmann, os Boff, Moltmann, James Cone, Harvey Cox e outros).

Também é o ideal de milhares de grandes teólogos da libertação na África, na Ásia, na Oceania, nos EUA e na Europa.

Rui Barbosa e a Tradição da Igreja, em busca do ideal concreto histórico de um grande Estado social

Rui Barbosa, um dos maiores católicos do Brasil, foi candidato a Presidente do Brasil, em 1919. Pois bem, na plataforma de 1919, Rui atacou a “concepção individualista dos direitos humanos” e se declarou democrata social (nome, na época, para socialista democrático) católico.

O individualismo capitalista, núcleo do liberalismo econômico, foi criticado por autores como Adam Müller (1779-1829), Buchez, Ketteler, Ozanam, Comte, Duguit e outros grandes autores.

Rui Barbosa destacava a importância da “transformação incomensurável nas noções jurídicas”, com a expansão dos “direitos sociais”, onde “a esfera do individuo tem por limites inevitáveis, de todos os lados, a coletividade”. Esta tendência representava, para Rui, o fato que “o direito vai cedendo à moral, o indivíduo à associação, o egoísmo à solidariedade humana. Estou, senhores, com a democracia social”, a democracia social da Igreja, do Cardeal Mercier e de outros.

Rui disse, então: “aplaudo no socialismo o que ele tem de são, de benévolo, de confraternal, de pacificador”.

Disse também que o socialismo, quando busca distribuir os bens e “obstar a que se concentrem, nas mãos de poucos, somas tão enormes de capitais” “tem razão” (cf. vol. XLVI, tomo I, das “obras completas”, “Campanha presidencial” de 1919, Rio de Janeiro, Ed. MEC, 1956, p. 81).

No mesmo sentido de Rui, há os textos de Clóvis Bevílaqua (filho de um padre, padre errado, mas padre…), sobre o primado da ética sobre o direito e a importância do direito ser ético e social. O conceito de Bevílaqua sobre o direito é um conceito cristão. Em frases como “o direito” é “um processo de adaptação das ações humanas à ordem pública”, Bevílaqua adota o conceito de ordem em Santo Agostinho, a ordem é a organização da sociedade para o bem comum.

A luta por uma democracia social e popular avançada, um extenso Estado social, economia mista, democracia popular participativa, é o ideal histórico dos principais católicos e cristãos militantes, como mostram os textos de grandes estrelas do catolicismo. 

Estrelas como: Alceu, Barbosa Lima Sobrinho (dando continuidade á linha católica de Barbosa Lima, de Getúlio Vargas e outros grandes católicos), Miguel Arrais, Ariano Suassuna, Frei Betto, Betinho, Henfil, Plínio de Arruda Sampaio, Paulo Freire, Paulo de Tarso Santos, Marcos Arruda, Leonardo Boff, Márcia Miranda, Clodovis Boff, Paulo Fernando C. Andrade, Paulo Bonavides (por exemplo, “Do Estado liberal ao Estado social”), padre Aloísio Guerra (“A Igreja está com o povo”, Rio de Janeiro, Ed. Civilização Brasileira, 1963), João e Francisco Mangabeira, Cândido Portinari (um pouco católico, pois é nosso maior pintor de arte sacra e dos oprimidos), San Tiago Dantas, Brizola (católico no início, depois metodista, sendo que o metodismo é bem próximo do catolicismo), nossos grandes bispos e arcebispos, especialmente Dom Hélder Câmara (ver sua entrevista na revista “Veja”, em 1978, com o elogio de um “socialismo humano”).

Há a mesma linha nos melhores textos da CNBB, em Medellin, Puebla e também nos melhores textos papais, como será demonstrado neste blog, em milhares de postagens. 

O elogio de Nélson Werneck Sodré a Getúlio Vargas

Sodré elogiou Getúlio Vargas, em inúmeros artigos, de 1930 a 1995. Um dos melhores elogios está numa entrevista, dada por Sodré, ao jornal “Movimento” (n. 18, 03.11.1975), com o título “O essencial não mudou”. Sodré responde a várias perguntas sobre Vargas. Elogia a criação da Justiça trabalhista, das leis trabalhistas, da Previdência, da Petrobrás, tal como do voto feminino etc. No final, conclui que Vargas passará para a História, como o “homem que defendeu os interesses brasileiros e que, por isso, pagou com a vida”.

Concordo.

Darcy Ribeiro e Brizola tinham a mesma opinião. Idem para Tancredo Neves e Juscelino, getulistas históricos. 

Alguns dos grandes expoentes da Democracia Popular no Brasil, estrelas, faróis

Dom Hélder Câmara, Alceu Amoroso Lima, Frei Betto, Dom Luciano Mendes de Almeida, Cândido Mendes de Almeida, Sérgio Buarque de Holanda, o melhor do ISEB, Betinho (Herbert José de Souza), Henfil, Dalmo de Abreu Dallari, José Oscar Beozzo, Fábio Konder Comparato, Antônio Cândido de Mello e Souza, Maria Victoria de Mesquita Benevides, Frei Clodovis Boff, Leonardo Boff, Francisco Whitaker Ferreira, Alberto Torres, Barbosa Lima Sobrinho, Eduardo Suplicy, Goffredo da Silva Telles Jr, Emir Sader, Plínio de Arruda Sampaio, Alberto Pasqualini, Otto Maria Carpeaux, Pontes de Miranda, Osny Duarte Pereira, Sérgio Magalhães, Domingos Velasco, Francisco Mangabeira, João Goulart, General Horta Barbosa, Patrus Ananias, Paulo Freire e outros. 

Manoel Bonfim, Celso Furtado, Theotônio dos Santos, Paul Israel Singer, Azis Nacib Ab´Saber, Alfredo Bosi, José Luís Fiori, Michael Lowy, Juarez Guimarães, Marilena de Souza Chaui, Maria da Conceição Tavares, Brizola, Darcy Ribeiro, Roberto Cochrane Simonsen, Aloizio Mercadante e outros.  

Socialismo trabalhista e economia mista, ótima mistura

Um socialismo (socialização) parcial, com economia mista, democracia popular, Estado social, sistema tributário redistributivo etc.

Esta é a melhor solução para sairmos do capitalismo. Isso foi ensinado pro Theotônio dos Santos, Neiva Moreira, Brizola, Dom Hélder, João Goulart, Getúlio Vargas, os trabalhistas, Saturnino Braga, Santhiago Dantas, Alceu, Celso Furtado e até por Azevedo Amaral, Darcy Ribeiro, Adalgisa Néri, Oswaldo de Andrade, Pagu, Jorge Amado e outros. 

Hoje, é o caminho defendido pelos maiores partidos de esquerda no Brasil, como o PT, o PSOl, o PCdoB, o PDT, o PSB e outros. 

Era o caminho do New Deal, de Roosevelt, Duguit, Harold Laski. 

Também era a fórmula de Buret, que inspirou Frederico Engels. Era o caminho de Stuart Mill, Hobson, de Zola, Jaures, dos possibilistas, de Bernstein, Nasser, Getúlio, Peron, Tito, Mandela, do NEP de Lenin e Bukharin, da Democracia Popular, dos Socialistas democráticos, das Frentes Populares, dos PDCs, de Cárdenas, Battle, Luís Blanc, Victor Hugo, do ISEB, de Domingos Velasco, Francisco Mangabeira, de Pio XI, do trabalhismo escandinavo (Suécia, Noruega, Dinamarca, Islândia, Finlândia), da Irlanda católica, do IRA, dos melhores quadros do Partido Democrático dos EUA, do Partido do Congresso trabalhista na Índia, dos trabalhistas da Austrália e da Nova Zelândia e dos melhores expoentes da Doutrina social da Igreja. 

Razões para uma boa economia mista

Economia mista foi o modelo delineado por Pio XI, na “Quadragesimo anno” (1931), modelo elogiado pelo grande jurista nacionalista, Osny Duarte Pereira.

Hoje, o socialismo de mercado ou economia socialista de mercado, adotado pela China, é basicamente economia mista, ainda que mereça críticas pela complacência com bilionários. Mas adota um modelo de economia mista.

Economia mista é também adotado pelo Vietnam, Cuba, a própria Coréia do Norte, África do Sul nos moldes de Mandela, Japão, pela Índia, Federação Russa, países escandinavos, países da Oceania, países africanos e nos melhores modelos latino-americanos. 

Economia mista foi defendida por Bernstein, Jaures, os fabianos, H.G.Wells, Chesterton, os socialistas democráticos, os peronistas, Cárdenas, Nasser, Tito, Bukharin e mesmo pela NEP, na URSS.

A NEP foi criada por Lenin e durou até 1928/1929, sendo um modelo de economia mista. A tese da convergência entre socialismo e capitalismo, defendida sob o mote da coexistência, por Kruschev, no fundo, defendia economia mista e atenuou bastante os erros de Stalin.

Os trabalhistas ingleses (e escandinavos, israelistas, da Oceania), também defendiam economia mista. Idem para Irã, os grandes nacionalistas da Guatemala e da Indonésia. E o mesmo para o modelo de democracia popular e para as Frentes populares.

Todo o movimento nacionalista, em geral, adota economia mista. No Brasil, foi este o modelo de Getúlio Vargas, de Domingos Velasco, Barbosa Lima Sobrinho, Brizola, Neiva Moreira, pelo PSB de João Mangabeira, Sérgio Buarque de Holanda, Roberto Lyra, Darcy Ribeiro, Alceu, João Goulart, até de Juscelino, Sérgio Magalhães, General Lott, sendo retomado, depois, por Lula e Dilma. 

Mandela defendia o mesmo modelo de Pio XI. Estatais para grandes meios de produção, Estado, economia mista, planificação participativa, amplo amparo do Estado aos trabalhadores, doentes, educação pública, saúde pública etc.  

Malcolm X e os muçulmanos negros dos EUA também defendem economia mista. Os Panteras Negros, idem. A Frente Ampla, no Uruguai, defende o mesmo. O socialismo africano, idem. 

Na Europa, o movimento da Democracia cristã defendia economia mista. E, por isso, fez extensas alianças com os Partidos socialistas democráticos. Isso ocorreu na França com De Gaulle, na Itália (basta pensar em Aldo Moro, querendo estender a aliança mesmo com os eurocomunistas).

Na Itália, as alianças da Democracia Cristã com o Partido Socialista foram apoiadas pelos Papas João XXIII e Paulo VI.

Na Inglaterra, os católicos votam em peso nos Trabalhistas, que defendem economia mista. Nos EUA, votam no Partido Democrático, que leva a bandeira do New Deal, de Franklin Delano Roosevelt, defendendo economia mista, Estado social, sistema tributário redistributivo (elogiado por Piketty).

No Canadá, os católicos votam em partidos em prol da cooperatização, das estatais, do Estado social. Idem para a Irlanda, com um dos IDHs maiores do mundo, baseado em Estado social, democracia popular, economia mista (e isso inclusive no Sinn Fein e no IRA). 

Economia mista é formada por difusão de bens para cada pessoa, cada família, milhões de micro, pequenas e médias empresas em geral familiares, mais cooperativas, estatais e planejamento participativo (regulamentações, controles estatais). E altos tributos para ricos e subsídios para pessoas de baixa renda, que as complementem. Renda universal, sistema tributário redistributivo. Estado social amplo. É isso que chamo de modelo de economia mista ou democracia popular. 

Economia mista foi defendida por Buchez, Ketteler, De Mun, Heinrich Pesch, Toniolo, Oswald von Nell-Breuning, Maritain, Gustav Gundlach, Mounier, Dom Hélder, Hans Kung e pelos grandes teólogos da libertação. Idem para os melhores escritores da doutrina social da Igreja, incluindo Alceu, padre Fernando Bastos de Ávila e milhares de outros. 

Na Alemanha, a esquerda do CDU coincidia com o SPD, na defesa da economia mista. Os melhores textos de Ludwig Erhard eram pela “economia social de mercado”, um modelo atenuado e aguado de economia mista. Ludwig Erhard (1897-1977) seguia as ideias da Igreja e de grandes escritores como Franz Oppenheimer (1864-1943). Os melhores keynesianos do mundo todo também são pró economia mista, basta pensar em Galbraith.

 

 

 

— Updated: 15/10/2018 — Total visits: 38,180 — Last 24 hours: 113 — On-line: 0
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