Arquivos para : A “Fórmula” para diálogo cristãos e marxistas. Marxistas que elogiaram o cristianismo como fator democrático e socialista

Uma boa lição de August Bebel sobre a origem humana do cristianismo, pois Deus atua por mediação humana

August Bebel, no livro “Cristianismo e a emancipação da mulher”, escreveu que o cristianismo “é uma mescla de judaísmo e de filosofia grega, que, por sua vez, tinham as raízes nas antigas civilizações do Egito, da Babilônia e da Índia”.

Bebel também reconheceu que a situação da mulher melhorou no “mundo cristão”, embora atribua a melhora ao progresso da civilização, mostrando preconceito ao não reconhecer o papel positivo dos hebreus e do cristianismo primitivo.

As origens religiosas do socialismo. A parte melhor do socialismo nasce da ética judaica-cristã, em boa síntese com o melhor da ética clássica

Engels, no livro “Do socialismo utópico ao socialismo científico”, destacou os precursores do socialismo ou da democracia popular-social (defensores do “postulado da igualdade”):

“… os anabatistas [e, antes, o cristianismo primitivo, como ele apontou em outras obras] e Thomas Munzer, os levellers na grande Revolução inglesa e Babeuf na grande Revolução Francesa. Ao lado destas manifestações revolucionárias de uma classe ainda imatura nós encontramos, nos séculos XVI e XVII, os correspondentes relatos utópicos de sociedades ideais [a “Utopia”, de Santo Tomás Morus, em 1516; e “A cidade do sol”, de Campanella, em 1623] e no século XVIII aparecem já teorias diretamente comunistas (Morelly, Mably). O postulado da igualdade não se limitava já aos direitos políticos, e sim fazia-se extensivo à situação social dos indivíduos; (…). A primeira forma de manifestar-se a nova doutrina foi, portanto, um comunismo ascético, inimigo de todos os gozos da vida, que recordava aos espartanos. Vieram lago os três grandes utopistas: Saint-Simon, …, Fourier e Owen”.

Como demonstrei no livro “Socialismo, uma utopia cristã”, de quase 1.200 páginas, todas estas fontes tinham, principalmente, bases bíblicas, hebraicas e cristãs, tendo também suporte em idéias racionais e na Paidéia.

São Tomás Morus é o padroeiro dos políticos, escolhido pelo Vaticano, para este posto. Campanella, Mably e Morelly eram Sacerdotes católicos. Babeuf e Buonarroti eram homens religiosos.

Saint Simon era católico. Fourier e Owen eram homens religiosos, amigos da religião. 

Dois elogios de Krupskaia, esposa de Lenin, a Igreja Católica

Nadiejda Konstantinovna Krupskaia (1869-1939) fez, pelo menos, dois bons elogios a Igreja Católica. Os textos constam no livro “A revolução das mulheres”, coletânea de textos organizada por Graziela Schneider, Editora Boitempo, 2017, pp. 99 e 105. 

Num artigo com o título “A trabalhadora e a religião” (publicado em 1922, na revista “A Comunista”), Krupskaia escreveu: “eu estudei em uma escola noturna cristã”. Depois, diz: “A Igreja Católica considera, de maneira excelente, a influência das formas da ação divina sobre o sentimento: todos os paroquianos cantam; a igreja é decorada com flores e estátuas; há uma penumbra misteriosa, entre outras coisas: tudo isso age sobre os sentidos”. Mais adiante, acrescenta: “a ação divina da Igreja satisfaz a necessidade de uma vida em comum, oferece uma série de experiências coletivas”. Diz também: “a pessoa procura apoio, esperança, e, como não encontra, acaba voltando-se para Deus: quanto maior a dificuldade, mais fervorosa é a oração”.

Em outro artigo, “A religião e a mulher” (publicado em 1927, cinco anos depois), Krupskaia volta a elogiar a Igreja Católica. Diz: “a arte tem um papel especial. Disso, mais uma vez observo, a Igreja Católica, por exemplo, sabe perfeitamente: belos cânticos, estátuas, flores, encenações, tudo isso encanta os católicos e, em particular, as católicas. No que se refere à influência sobre a massa, com auxílio da arte, os padres são grandes mestres. A arte religiosa é uma arte de massas”. Diz ainda: “não é preciso pagar para entrar na Igreja Católica. A nossa Igreja [a Ortodoxa] copiou muito do catolicismo. As igrejas são enfeitadas com ícones, os cânticos atraem de maneira especial”. Krupskaia tinha 58 anos, quando escreveu este texto. Na juventude, foi discípula cristã de Tolstoi. 

Também escreve, neste artigo de 1927, que as igrejas católicas são exemplos para os comunistas, pois “é preciso aprender a associar com inteligência trabalho prático e propaganda das próprias ideias”, já que os católicos, “ao organizarem círculos agrícolas, as freiras e os padres associaram o trabalho à propaganda religiosa e à agitação. É preciso que nós também associemos nosso trabalho prático (círculos agrícolas, cooperativas, círculos técnicos etc) à nossa visão de mundo”. “Será que sabemos fazer isso? Muito mal. Precisamos estudar esse assunto com afinco”. Diz também: “escrevi sobre um círculo agronômico, chefiado por um pequeno produtor que foi organizado por um padre”.

Bom depoimento prático da esposa de Lenin, praticamente elogiando a Igreja Católica, a organização das paróquias católicas. 

A religiosidade do jovem Frederich Engels, o amigo de Marx

O jovem Engels, quando era cristão (leitor de Krumacher, um Pastor escritor que viveu em Bremen), numa carta a Friedrich Graeber (em 15.06.1839), elogiava o amor de São Pedro pela razão, no trecho em que o líder dos Apóstolos falava do “leite racional” do Evangelho: “desejai afetuosamente, como meninos novamente nascidos, o leite racional, não falsificado, para que, por ele, vades crescendo, se é que já provastes que o Senhor é benigno”, bondoso, aspirando sempre ao bem comum (cf. 1 Pd 2,2-3).

Engels elogia, nesta carta, homens que “passaram a vida aspirando a união com Deus”, como “Borne, Spinoza ou Kant”, três grandes democratas com forte religiosidade. O jovem Engels, o sócio de Marx, termina a carta dizendo: “quanto daria por ver claro eu mesmo!”. Ludwig Borne foi inspirado por Lamennais, um grande católico. Kant foi inspirado por Rousseau e Montesquieu, dois católicos, ainda que Rousseau tenha morrido como protestante, mas foi católico quase toda a vida.

A principal causa da perseguição à Igreja é a Doutrina social da Igreja, que busca o bem comum

A principal razão da perseguição a Cristo e aos cristãos é a doutrina social do cristianismo, defensora da teoria do primado do bem comum, da destinação universal dos bens, da titularidade do povo do poder político e do poder econômico.

Afinal, o cristianismo ensina que o povo é o titular natural do poder político e tem também o domínio eminente sobre os bens materais, sendo, assim, o titular e o destinatário natural dos bens da criação. A destinação universal dos bens inclui a destinação universal do poder, pois o poder público, em si mesmo, é um bem, é algo natural. A sociedade foi feita por Deus para ter uma organização pública, uma organização baseada no diálogo, pois o Diálogo é a forma natural do movimento do próprio Deus e do Céu.

Marx, Engels, Lenin, Rosa de Luxemburgo, Karl Kautsky (1854-1938) e outros expoentes do marxismo reconheceram que o cristianismo primitivo busca tornar comuns (universais, disponíveis a todos) os bens e que era democrático (cf. Lenin, no livro “O Estado e a revolução”), ou seja, queria um poder popular e bem comum, mediania, distribuição dos bens para todos, por economia mista e sob controle social. Há o mesmo ensinamento em Weitling, em Pedro Leroux, em Victor Considerant, em Victor Hugo, em Renan, em Saint-Simon e nos sansimonistas.

Como até Trotsky reconheceu que o jusnaturalismo cristão é essencialmente democrático

Hugo Assmann e Reyes Mate organizaram o livro “Sobre la religion” (Salamanca-Espanha, Ediciones Sígueme, 1975, vol. II), com uma coletânea de textos marxistas sobre a religião.

Vejamos, transcrito da obra acima citada de Assmann, um bom texto de Trotsky, colhido de seu livro “Terrorismo y comunismo ou anti-Kautsky” (México, Elditora Juan Pablos, 1972, p. 53), sobre o jusnaturalismo, que é inerente ao cristianismo e à razão natural e como este jusnaturalismo foi a principal fonte teórica da democracia:

A doutrina da democracia formal não foi criada pelo socialismo, e sim pelo direito natural. A essência do direito natural consiste no reconhecimento de normas jurídicas eternas e invariáveis que encontram, nas diversas épocas e nos distintos povos, expressões restringidas e deformes.

O direito natural da história moderna, tal como o produziu a Idade Média, significava, antes de tudo, um protesto contra os privilégios das castas, contra os abusos sancionados pela legislação do despotismo e contra outros produtos “artificiais do direito positivo” feudal.

A ideologia do Terceiro estado, débil ainda, expressava seu interesse próprio por meio de algumas normas ideais que haviam de ser mais tarde o ensinamento da democracia e adquirir ao mesmo tempo um caráter individualista. A personalidade é um fim em si; todos os homens têm o direito de expressar suas idéias pela palavra e pela pena; todo homem goza de um direito de sufrágio igual ao dos demais.

As reivindicações da democracia – emblemas de combate contra o feudalismo – marcavam um progresso. Mas, quanto mais a seguimos, mais fica manifesto o aspecto reacionário da metafísica do direito natural (teoria da democracia formal), que consiste no controle de uma norma ideal sobre as exigências reais das massas operárias e dos partidos revolucionários.

Verificando a sucessão histórica das filosofias, a teoria do direito aparece como uma transposição do espiritualismo cristão desembaraçado de seu misticismo grosseiro. O evangelho anunciou ao escravo que tinha uma alma semelhante a de seu dono, e instituiu assim a igualdade de todos os homens ante o tribunal celeste”.

O texto acima tem vários pontos verdadeiros e alguns poucos erros. O ponto mais importante é constatar que a teoria dos direitos naturais, o jusnaturalismo, desenvolvido na Idade Média e na Renascença, foi uma das bases e fontes fundamentais da democracia. Claro que o jusnaturalismo é bem mais antigo, pois estava embutido na religião natural, racional e tradicional e ao melhor da filosofia antiga, especialmente a grega. No Renascimento, o jusnaturalismo tomista é desenvolvido especialmente, na 2ª escolástica de Vitória, Suárez, Bellarmino e outros. Na verdade, o jusnaturalismo nasceu na Suméria, no berço do civilização, sendo parte da religião antiga, de origem semita. E, nós, cristãos, somos espiritualmente semitas, como explicou Pio XI. 

O socialismo foi chamado, inicialmente, de “democracia social” (cf. Luis Blanc, Victor Hugo, Buchez, Lamennais, Flora Tristan, Georg Sand e outros). Isso se explica por conta de sua boa fundamentação no socialismo cristão pré-marxista, tal como na Revolução Francesa. No fundo, o socialismo democrático é um desenvolvimento da democracia, uma superação da democracia burguesa, para a instauração de uma democracia real, autêntica, popular. Trotsky também admitiu que o jusnaturalismo, que já destacava a igualdade, foi, efetivamente, uma das fontes da democracia e do socialismo. A meu ver, o jusnaturalismo cristão e hebraico (correlato ao jusnaturalismo clássico, da Paidéia) foi a principal fonte teórica, sendo esta a tese deste blog. 

O erro principal do texto de Trotski foi ter dito que “as exigências reais das massas operárias e dos partidos revolucionários” estão em contradição com as normas abstratas, oriundas da aplicação da inteligência (razão prática, cf. Santo Tomás e Kant) sobre os fatos.

Não existe esta contradição, pois o jusnaturalismo tem como ponto central exatamente a exigência de viver socialmente de acordo com o bem comum, com nossa natureza racional e social. Em outras palavras, o jusnaturalismo preceitua que a vida seja pautada pela inteligência discursiva (o diálogo interno e com o próximo), com base na elaboração de idéias abstratas corretas, oriundas da incidência da consciência das pessoas sobre os fatos (o processo histórico, as circunstâncias históricas e sociais) e também da comunicação entre as consciências, como ensinavam Aristóteles, Hegel (um filósofo cristão e que ensinava que a sociedade tem a primazia sobre o Estado), Paulo Freire e mesmo Marx.

O texto transcrito acima, de Trotski, é uma boa prova testemunhal (de um perito), um reconhecimento da influência histórica do jusnaturalismo na construção de um pensamento democrático e social.

O marxismo é formado por dezenas de ideias cristãs e algumas ideias erradas….

Harold Laski elogiou como precursores de Marx os seguintes autores: Mably, Morelly, Sismondi, Coleridge (1772-1834, anglicano ecumênico), Thomas Carlyle, Southey, Linguet e especialmente Antonio Eugênio Buret (1811-1842). Buret era discípulo de Sismondi e foi um dos principais socialistas pequeno-burgueses, cristão e precursor direto de Engels. Marx elogiou Buret, nos “Manuscritos”, de 1844. Laski também considerou Phillipe-Joseph Buchez (1796-1865) como outro dos precursores diretos de Marx. Buchez foi um socialista católico, citado por Marx desde suas primeiras obras, como, por exemplo, no ensaio “sobre a questão judaica”.

Ocorre que todos estes autores eram bons cristãos, em geral católicos ou anglicanos. Carlyle (1795-1881), por exemplo, foi extremamente lido pelo jovem Engels e criticou as mazelas do capitalismo, tendo escrito boas obras como “A Revolução francesa” (1837), “Os heróis” (1841) e “Sartor resartus” (1834), sendo esta última um bom elogio aos artesãos. Carlyle ensinava que o poder de Deus fica patente (explícito) no heroísmo, na prática das virtudes, sendo esta a principal forma de atuação divina no mundo. Heroísmo não significa apenas morrer pela pátria ou para salvar outra pessoa, mas agir corretamente, com bondade (visando sempre o bem comum), durante a vida.

Marx foi um codificador, elaborando sínteses com bases em fontes pré-marxistas, praticamente todas inspiradas no cristianismo ou no pensamento hebraico (por exemplo, Moses Hess). Babeuf e Buonarotti eram teístas, seguindo a linha teórica cristã de Santo Tomás Morus, Campanella, Morelly e de Mably (também de Rousseau). Da mesma forma, o Círculo Social, Robespierre, Marat, Saint-Just, os curas vermelhos, Jacques Roux, Petit-Jean, Croissy, Carion, Cournand ou Pierre Dolivier. O próprio Marx, tal como Engels, reconheceram que estes autores foram seus precursores. Este ponto fica patente no “Manifesto” e também no livro “Anti-Dühring”, a síntese de Engels.

A Liga dos Justos, que Marx encontrou atuante desde 1844 (embora existissse desde o início da década de 30 do século XIX), seguia uma linha teísta. Esta linha é clara como um sol nos textos seguidos pela Liga, os textos de Sismondi, Saint-Simon, Lamennais, Buonarrotti e Weitling, Buchez, Cabet e outros. Foram estes os textos que cativaram Marx. A mesma base jusnaturalista e religiosa está presente em Fourier, Owen e Saint-Simon (basta ver o título da obra-testamento deste último: “O novo cristianismo”).

Os textos de Weitling, Pierre Leroux, Thomas Hughes, Rodbertus ou de um Cabet deveriam ser reeditados, pois são textos recheados de boas verdades, na mesma linha das CEBs (comunidades eclesiais de base). Por exemplo, Leroux (1797-1871) escreveu: “Do cristianismo e de suas origens” (1848), esboçando um socialismo religioso, democrata e cristão, com pitadas de pitagorismo e budismo (de ecumenismo, que também caracterizam os textos de vários Santos Padres, apreciadores dos textos pitagóricos, presentes também no platonismo, porque muito do platonismo vem dos pitagóricos). Etienne Cabet (1788-1856) também trouxe grandes pontos positivos, tendo deixado obras como “O verdadeiro cristianismo” (1848).

O socialismo difundiu-se na França e na Europa graças às verdades cristãs e hebraicas, presentes nos primeiros socialistas, inclusive Marx. Outro autor que desenvolveu as linhas gerais de um socialismo democrático e cristão foi Louis Blanc. Na Rússia, basta ver os textos católicos de Petr Jakovlevic Chaadaev (1794-1856) e os de Tolstoi (anarquista cristão, tendo influenciado Gandhi).

Conclusão: como Lênin constatou, há um “espírito [fundo, núcleo de idéias] democrático revolucionário” no “cristianismo”. Este núcleo é a base da doutrina social e da teologia da libertação. Sobre a identidade, em linhas gerais, tal como a complementariedade, entre a doutrina social da Igreja e a teologia da libertação, vale à pena ler o livro de Francisco Ivern S.J. e Maria Clara Bingemer, “Doutrina social da Igreja e teologia da libertação” (São Paulo, Ed. Loyola, 1994).

Um bom elogio do cristianismo, por Fidel Castro

Há um bom texto de Fidel Castro, colhido do livro de Enrique Dussel, “De Medellín a Puebla” (São Paulo, Ed. Loyola, 1981, p. 86), sobre os pontos comuns entre o cristianismo e o marxismo:

“… um grande ponto de encontro entre os objetivos preconizados pelo cristianismo e os objetivos que os comunistas buscam, entre a pregação cristã da humildade, da austeridade, o espírito de sacrifício, o amor ao próximo e tudo o que se pode chamar conteúdo da vida e da conduta de um revolucionário. Creio que chegamos a uma época em que a religião pode entrar no terreno político com relação ao homem e suas necessidades materiais. Poderíamos subscrever quase todos os preceitos do catecismo: não matarás [non occides], não roubarás…”.

O ponto central da concepção política cristã é o primado do bem comum, do povo, da plenitude da vida de cada pessoa. O Estado e os agentes públicos, tal como a Igreja, existem para um mesmo fim: assegurar a todos uma vida plena e feliz. O Estado nada tem de sobrenatural.

O Estado deve ser apenas uma ferramenta (mediação) benigna do povo, deve ser controlado pelas pessoas para atender às necessidades vitais e cotidianas de todos, criando condições para que todos tenham uma vida plena e digna.

Regis Debray – o socialismo nasceu cristão. Marx aprendeu com o socialismo cristão pré-marxista

Régis Debray teve o mérito de militar ao lado de Che Guevara e, por isso, passou vários anos encarcerado. Anos depois, Debray escreveu o livro “Deus, um itinerário” (São Paulo, Companhia das Letras – Editora Schwarcz LTDA, p. 328), onde constatou a identificação de Cristo com os pobres e os trabalhadores:

“Todo humilhado pode identificar-se com ele, desempregado, poeta maldito, Jean Valjean ou o conde de Monte-Cristo. O socialismo, que foi cristão antes de ser marxista, valeu-se dele. A Revolução de 1848, que pôs a fraternidade no pináculo, colocou-se sob a égide de Jesus, que diretamente inspirou a república universal, democrática e social, por ele abençoada nas ilustrações da época, escoltado por seus anjos”.

Debray constatou que o “socialismo” “foi cristão antes de ser marxista” e que o cristianismo inspirou as idéias de “república universal, democrática e social”, na “Revolução de 1848”. O mesmo fato foi registrado nos textos de João XXIII, Alceu, Dom Hélder e Frei Betto.

Os católicos tiveram ampla e boa participação na Revolução de 1848, nos países onde esta ocorreu inclusive no Brasil. A Revolução Praieira teve cores socialistas, as cores do socialismo cristão, como provam os textos de Antônio Pedro de Figueiredo, no Brasil. Foi um movimento de superação da democracia liberal, em prol de uma democracia social, participativa e popular.

Conclusão: a idéia de uma república popular, social, universal descentralizada é profundamente cristã. Estas raízes cristãs estão presentes inclusive nos melhores textos da maçonaria, com base em suas fontes cristãs e religiosas. Afinal, as verdades salvíficas e naturais, nascidas da razão e ampliadas pela fé, são a base do diálogo e do progresso social e ético, das pessoas e dos povos.

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