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O lema “Deus e o povo” foi consagrado pelo padre Ronge, sendo plagiado por Mazzini e Garibaldi

O lema (“leitmotiv”, mantra, marca) “Deus e o povo” foi consagrado (divulgado e marcado) pelo padre Ronge, pelo movimento dos católicos da Renânia, na década de 1830 e 1840, elogiado até por Bakunin.

Este movimento inspirou o próprio Marx, que lembrava do padre Ronge, autor do lema “Deus e o povo”, lema plagiado por Mazzini e por Garibaldi.

Da mesma forma, em Treves, Marx estudou no Ginásio local que era administrado pela Igreja Católica, sendo Treves uma cidade católica, onde os protestantes e judeus eram ínfima minoria. Neste Ginásio, os colegas de aula de Marx eram em boa parte seminaristas, inclusive o futuro Bispo de Treves.

Depois, Marx teve um grande amigo que era teólogo, Bruno Bauer, um teólogo cristão, professor de teologia na universidade, acho que de Bonn, como o maior amigo. 

A boa lição democrática popular, de Cícero e de Santo Agostinho

Cícero ensinava que o Estado perfeito deve ter forma Republicana, sendo um Estado controlado pelo “do povo”, “para o povo” e pelo povo. O texto é retirado do livro “Da República” (Rio de Janeiro, Editora Tecnoprint Ltda, p. 93), texto elogiado e citado por Santo Agostinho, no livro “A Cidade de Deus”. Vejamos texto de Cícero:

“XXI. Quem podia chamar República – continuou Cipião – ao Estado em que todos estavam oprimidos pela crueldade de um? Não havia vínculos de direito, nem consentimento na sociedade, que é o que constituía o povo. O mesmo aconteceu em Siracusa. Aquela cidade precária, que Timeu dizia ser a maior das gregas, e por sua formosura a todas preferível, não chegou a ser uma República sob a dominação de Dionísio, apesar das suas muralhas, dos seus templos e dos seus pórticos. Nada de tudo isso era do povo nem para o povo. Posto que, onde está o tirano, não só é viciosa a organização, como ontem eu disse, como também pode se afirmar que não existe espécie alguma de República”.

Para Cícero, um tribuno romano, que morreu defendendo a República, uma República (um bom governo, um Estado bem ordenado e justo) exige o “consentimento na sociedade”, “vínculos de Direito”, de consenso amigável, e é isto que “constituía o povo”. O povo deve ter o controle sobre o Estado, sendo o Estado (a coisa pública) uma coisa do povo e para o povo, algo posto sobre o controle do povo organizado em comícios e em assembléias. Esta doutrina foi adotada por Santo Agostinho, pelos Santos Padres e por São Tomás, sendo a lição tradicional da Igreja, pro democracia popular. 

Regis Debray – o socialismo nasceu cristão. Marx aprendeu com o socialismo cristão pré-marxista

Régis Debray teve o mérito de militar ao lado de Che Guevara e, por isso, passou vários anos encarcerado. Anos depois, Debray escreveu o livro “Deus, um itinerário” (São Paulo, Companhia das Letras – Editora Schwarcz LTDA, p. 328), onde constatou a identificação de Cristo com os pobres e os trabalhadores:

“Todo humilhado pode identificar-se com ele, desempregado, poeta maldito, Jean Valjean ou o conde de Monte-Cristo. O socialismo, que foi cristão antes de ser marxista, valeu-se dele. A Revolução de 1848, que pôs a fraternidade no pináculo, colocou-se sob a égide de Jesus, que diretamente inspirou a república universal, democrática e social, por ele abençoada nas ilustrações da época, escoltado por seus anjos”.

Debray constatou que o “socialismo” “foi cristão antes de ser marxista” e que o cristianismo inspirou as idéias de “república universal, democrática e social”, na “Revolução de 1848”. O mesmo fato foi registrado nos textos de João XXIII, Alceu, Dom Hélder e Frei Betto.

Os católicos tiveram ampla e boa participação na Revolução de 1848, nos países onde esta ocorreu inclusive no Brasil. A Revolução Praieira teve cores socialistas, as cores do socialismo cristão, como provam os textos de Antônio Pedro de Figueiredo, no Brasil. Foi um movimento de superação da democracia liberal, em prol de uma democracia social, participativa e popular.

Conclusão: a idéia de uma república popular, social, universal descentralizada é profundamente cristã. Estas raízes cristãs estão presentes inclusive nos melhores textos da maçonaria, com base em suas fontes cristãs e religiosas. Afinal, as verdades salvíficas e naturais, nascidas da razão e ampliadas pela fé, são a base do diálogo e do progresso social e ético, das pessoas e dos povos.

O ideal dos leigos católicos – uma grande República popular, prefiguração da República Divina

O ideal que milhões de católicos buscam é uma comunidade e um Estado pautados pelas aspirações, idéias, interesses, sentimentos, planos, projetos dos oprimidos. Enfim, as linhas gerais do que entendo que seria uma República Popular, Participativa e Social, no prisma cristão e racional. Uma República que prefigure a Grande República Participativa, que é a “Cidade de Deus”, o Céu, a Eternidade, a Plenitude de Deus em tudo, aberta a todos, pautada pelo ideal de participação no Poder de todos. Deus é um Deus de libertação, é um Deus democrático, popular e social.

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