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Renda básica universal, ideia cristã e excelente para erradicar a miséria

A ideia da Renda Básica Universal é uma ideia maravilhosa, que realiza a destinação universal de bens. O Estado deve dar a cada pessoa, acima de 16 anos, uma renda básica, sem contrapartidas, no máximo com incentivos à educação, vacinação etc. 

Esta ideia é defendida por vários políticos e economistas. É defendida por John McDonell e Bernie Sanders, políticos de esquerda. E também por ricos como Mark Zuckerberg e Elon Musk. 

Na prática, há esboços da Renda Básica na Itália, nos países escandinavos (Finlândia, Suécia..), nos EUA (imposto de renda negativo), na França etc. 

Renda Básica não leva ninguém a evitar o trabalho, e sim amplia a capacidade de trabalho. Os pequenos produtores trabalham com mais ânimo e paz. 

A proteção contra a miséria cria uma rede de segurança, de autoestima, de incentivo a projetos. Trata os miseráveis como pessoas boas. 

 

 

 

 

 

 

 

Eduardo Prado, no livro “A ilusão americana” (1893), elogia o socialismo cristão, ataca o imperialismo, o capitalismo, os milionários e bilionários americanos do Partido Republicano

Eduardo Prado (1860-1901) foi um grande erudito católico. Era amigo de Afonso Arinos (1868-1916), autor de obras excelentes como “Pelo Sertão” (1898), “Os jagunços” (1898), “Pela unidade da pátria” (póstumo, 1916).

Alceu elogiava o velho Afonso Arinos (não confundir com o udenista Afonso Arinos), Eduardo Prado e outros grandes expoentes da Igreja, no Brasil (nossa boa tradição católica social). 

Eduardo Prado foi elogiado por Eça de Queiroz, no livro “A Cidade e as serras” (Eduardo Prado é o “Jacinto”, personagem literário, hiper culto). Caio Prado Júnior foi um dos descendentes de Eduardo Prado. A família Prado também esteve presente na organização do Partido Democrático, em São Paulo, uma das forças que gerou a Revolução de 1930, o surgimento do Estado social no Brasil. 

No livro “Fastos da ditadura militar no Brasil” (1900), Eduardo Prado combate a ditadura militar, exigindo um governo civil, eleito, para o Brasil. No livro “A ilusão americana” (1893), Eduardo Prado redigiu a primeira grande obra contra o imperialismo dos EUA. Prado também denuncia o capitalismo, a burguesia, elogia o “socialismo cristão” etc.

Vejamos um trecho de seu livro: “A Igreja patrocina o socialismo cristão, e não o faz somente por palavras”. Cita a participação da Igreja Católica no movimento operário inglês (elogia o Cardeal Manning), na Austrália, nos EUA (“Cardeal Gibbons” e “Monsenhor Ireland”), na Alemanha (onde a Igreja apoiou as leis sociais de Bismarck, assegurando proteção estatal a “velhice e a invalidez do trabalhador”). 

Outros trechos: “Hoje, os opressores são os burgueses que confiscaram em seu proveito todas as chamadas conquistas da Revolução de 1789”. E “na vida moderna, o capital cresce por si mesmo, cada vez mais se avoluma, e é fora de dúvida que a fatalidade faz com os ricos fiquem cada mais ricos e os pobres cada vez mais pobres”.

Eduardo Prato atacou os “milionários e bilionários americanos” (p. 106), que contratam detetives (“Agência Pinkerton”) para espionarem os trabalhadores, “um verdadeiro exército de detetives, armados de revólveres e de carabinas, destinados a reprimir os operários revoltados”, “capangas, como diríamos no Brasil”.

Prado critica o fato dos “milionários e bilionários americanos” usarem a corrupção, o controle da imprensa, das Forças Armadas, da polícia e dos tribunais, para reprimirem os movimentos operários, organizando verdadeiras “carnificinas”. Chega a prever que os “milionários e bilionários” chegarão ao ponto de organizar “mercenários” (vide Black Water…) para massacrarem os trabalhadores. 

Eduardo Prado denuncia a ação dos EUA no Brasil, dos “milionários e bilionários” (especialmente do Partido Republicano, nos EUA), para corromper e transformar o Brasil em “vassalo”, “colônia” dos EUA. 

Conclusão: foi pena que Frederico Engels, que morreu em 1895, não leu esta obra, para ver como os católicos atuavam em prol da Democracia, da economia mista e do Estado social no Brasil. Engels escreveu, praticamente às portas da morte, um livrinho sobre a origem do cristianismo, elogiando o movimento cristão no nascedouro e comparando os comunistas com os cristãos, mostrando que a parte ética da doutrina de Marx tem muito a ver com as ideias cristãs. 

 

 

O estoicismo tem raízes semitas, fenícias, hebraicas. Foi sempre amado pela Igreja

Na parte ética, o estoicismo foi a corrente mais acolhida pelos Santos Padres, porque tinha um conjunto maior de idéias racionais coincidentes com a parte racional (que é maior parte) da Revelação.

Os fariseus eram praticamente estóicos, como mostrou Flávio Josefo e está evidente na obra fundamental e magistral do “Pirke Aboth”, obra que recomendo pois é excelente.

O estoicismo nasceu nos meios fenícios, banhados pelas ideias semitas, hebraicas. Os grandes estoicos iniciais foram descendentes de fenícios, semitas, co-irmãos dos judeus. 

Mesmo na parte mais geral da filosofia, os estóicos ensinavam que Deus opera na história, que a Providência é geral e específica, ponto coincidente com as idéias bíblicas.

Os estóicos também ensinavam que o ser humano é uma substância só, de corpo e alma, uma unidade, um ser mesclado de espírito e matéria, na mesma linha do aristotelismo e das idéias hebraicas.

Os estóicos destacavam as idéias éticas e todos estes pontos comuns aproximavam os cristãos das idéias estóicas.

Boa parte da produção filosófica espanhola, por exemplo, tem influências sólidas do estoicismo, como pode ser visto em Quevedo, Baltasar Gracián, Lope de Veja e outros autores, inclusive os santos espanhóis.

A Espanha sofreu intensa influência semita, pelos fenícios e, depois, pelos árabes, que são semitas.

Os judeus sefardistas, a elite judaica, a meu ver, floresceram na Espanha, pelas profundas raízes semitas estoicas, que há na Espanha, e também em Portugal. 

A cultura espanhola foi uma das mais marcadas pelas idéias estóicas em boa síntese com o catolicismo. Na Espanha, nasceram grandes estóicos, como Sêneca, Luciano, Quintiliano, Marco Aurélio e outros.

Na Holanda e em outros países, o estoicismo esteve e está presente na corrente pró-católica e humanista do arminianismo, corrente ligada a Hugo Grócio e Spinoza. Isso explica, em boa parte, o fato da Holanda ser praticamente católica, hoje, sendo 32% de católicos, e o calvinismo é ínfimo. O arminianismo foi praticamente pró católico, tendo vencido o calvinismo. O mesmo ocorreu na Suiça. 

Mais tarde, o estoicismo ajudou os escoceses a superarem os erros do calvinismo, formando o iluminismo escocês, bem próximo do catolicismo. Este ponto foi destacado pelo Padre Leonel Franca, em sua história da filosofia, num elogio a Hugo Grócio, um dos principais líderes dos arminianos, discípulo de Suarez, em linhas gerais.

Leonel Franca também elogiou o iluminismo cristão escocês, bem próximo do catolicismo. 

A síntese antiga de cristianismo e democracia, bem mais antiga do que se pensa

A síntese entre cristianismo e democracia existiu, em parte, entre os doutrinários, no movimento ligado a Royer Collard (discípulo de Montesquieu) e Guizot. A democracia, na França e nos demais países, desenvolveu-se na forma de uma síntese de jusnaturalismo católico e religião. Esta síntese está presente inclusive nos melhores textos do “Dicionário” de Pierre Larousse (basta ver nos verbetes religiosos e políticos). Larousse (1817-1875) foi anticlerical, mas foi também profundamente teísta e jusnaturalista, esposando teses de uma democracia popular e social, próxima dos textos de homens como Júlio Verne (católico e progressista) e César Cantu. Larousse também queria um país formado por artesãos, pequenos burgueses, camponeses, artesãos, profissionais liberais, cientistas, cooperativas, estatais, sem latifundiários e sem grandes burgueses (sem o grande capital privado).

O espiritualismo católico e o ecletismo combinam-se como base teórica do romantismo e do tradicionalismo moderado. Esta análise é respaldada pelos textos históricos do padre Leonel Franca, de Sílvio Romero, Miguel Reale e Clóvis Beviláqua. Estas correntes também adotam as teses jusnaturalistas. O próprio classicismo também era jusnaturalista e isso fica evidente em grandes católicos como Francesco Carrara, ou mesmo nas melhores obras de católicos como Alexandres Dumas, Balzac, Ponson, Sue e outros. Como exemplos da vertente espiritualista, basta pensar em Maine de Biran, Frei Francisco de Mont’Alverne, Victor Cousin, Rosmini (elogiado por Guido Gonella e pelo padre Gregório Lipparoni), o padre Vicente Gioberti (1801-1852), Ollé-Laprune e outros. O padre Lipparoni foi um padre italiano que viveu no Brasil, assumindo o cargo de reitor do Seminário de Olinda-PE em 1866; e, depois, de diretor do Ginásio de Pernambuco, nos anos 70 do século XIX. Foi também professor do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. Lipparoni escreveu o livro “A filosofia conforme a mente de Santo Tomás de Aquino, exposta por Antônio Rosmini, em harmonia com a ciência e a religião” (Rio, 1880), demonstrando, no texto, a harmonia entre ecletismo, tomismo, Rosmini e democracia.

Lição do Padre Leonel França – a inteligência é mais poderosa que a força bruta

O padre Leonel Franca, no texto “Cristianismo e democracia” (cf. “Alocuções e artigos”, Rio de Janeiro, Ed. Agir, 1954, p. 19), ensinava, com base na tradição tomista, que “o cristianismo, com sua noção clara da natureza” do ser humano representa a corrente de idéias mais capaz de “defender a autonomia, a dignidade e a liberdade do homem”. Isto ocorre porque “o sangue cristão é, há 20 séculos”, vertido para defender “a dignidade intangível da pessoa humana”, como pode ser visto principalmente no exemplo dos mártires, onde a consciência humana revelou-se infinitamente mais forte que a força bruta. De fato, a inteligência é bem mais poderosa que a força bruta.

Esta opinião de Leonel Franca era compartilhada por praticamente todo o clero, como provam os exemplos do padre Júlio Maria ou de Frei Pedro Secondi (1901-1992), autor de obras como “Philosofia perennis” (Petrópolis, Ed. Vozes, 1992). Secondi teve um bom elogio de Alceu Amoroso Lima, em 1981.

O tomismo aberto, sincrético, eclético, democrático, realista, de Leonel Franca

Para o grande padre Leonel Franca, amigo de Alceu e de Getúlio Vargas, a essência do tomismo é ecumênica, porque este é uma concepção “aberta e criativa” do “realismo”. O realismo, por sua vez, no prisma da teoria do conhecimento, é a filosofia implícita no cristianismo e também a base do jusnaturalismo. O jusnaturalismo realista e cristão tem fundamento na “natureza das coisas”, que “ensina”, cf. lição de São Paulo, na primeira carta aos coríntios (11,14).

O padre Franca elogiava também um filósofo francês chamado Victor Cousin (1792-1867), formulador do “ecletismo”, que atuou como um esboço de ecumenismo na filosofia. O próprio Cousin (autor da obra “Curso de História da Filosofia”, em oito tomos, de 1815-1829) definia seu ecletismo do seguinte modo: “em geral, na história da filosofia, estamos a favor” das idéias baseadas “na razão”. Para isso, recomendava o discernimento “do verdadeiro e do falso” que há “nas diversas doutrinas”, depurando, pela análise, e aceitando o que há de legítimo em todas as correntes, para gerar “uma doutrina melhor e mais vasta” (cf. foi exposto no livro “Primeiros ensaios de filosofia”, de Cousin).

Este é também o bom ecletismo de um Cícero e de Santo Tomás de Aquino, é o bom ecletismo do tomismo aberto, que era a corrente do padre Leonel Franca, de Maritain e de um Alceu.

Cousin foi Ministro da Educação, na França, após a revolução de 1830. Sua escola eclética e espiritualista (no sentido de cristã) também prova que os católicos sempre aceitaram, com base nas idéias específicas e em germe no catolicismo, a democracia. Cousin ensinava que: “o Estado constituído de acordo com as normas da moral é aquele em que todos participam o mais intensamente possível dos destinos da pátria e o conduzem para onde lhes apraz, na corrente da via, na consciência dos deveres públicos”.

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