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O zoroastrismo ou mazdeísmo tinha, dentro de si, ideias semitas, fenícias e hebraicas

O zoroastrismo (o mazdeísmo), difundido entre o governo persa (ligado aos hebreus), foi uma das formas de divulgação de partes do pensamento semita-hebraico. Este ponto fica claro no livro “Ciro” (sobre Ciro II, o libertador dos hebreus), de Xenofonte, tal como nos textos de Heródoto.

Isto deve ter ocorrido inclusive pelas fontes comuns babilônicas-suméricas, pela luz natural da razão e por influência direta dos hebreus. O rei Ciro II, o libertador dos hebreus do cativeiro da Babilônia foi elogiado por Isaías (cf. Is 44,28; e 45,1).Xenofonte também fez o elogio de Ciro. 

O livro “Hinos” (“Gâtha”), atribuído a Zoroastro (que teria vivido em 660-583 a.C), forma a parte mais antiga do “Avesta”, o livro sagrado do Mazdeísmo. Toda a ética do mazdeísmo é baseada na ideia do bem, do bem comum, uma ideia bem próxima das idéias hebraicas e das idéias platônicas, aristotélicas e estoicas.O tal de Nietzsche apenas deformou as ideias de Zoroastro, mas o melhor do livro de Nietzsche tem origem semita, nos velhos do mazdeísmo, nascido de ideias semitas.

Destaco que os mazdeístas, depois, migraram para a Índia. E destaco que os textos do hinduísmo foram escritos num alfabeto e escrita (brahmi) baseada na escrita aramaica. O aramaico é uma língua e escrita semita, irmã da língua hebraica e fenícia, tendo estas três amplo núcleo comum. O próprio Jesus falava principalmente em aramaico. O aramaico era a língua da Síria e era praticamente a mesma língua fenícia e judaica. 

Mais tarde, o mitraísmo (uma forma de mazdeísmo) atuou no Império Romano como uma preparação para o cristianismo.

A confluência é um dos principais modos de atuação de Deus. Confluência das ideias semitas, fenícias, persas no mundo grego e depois no mundo romano, preparando a difusão do cristianismo, com um terreno cheio de sementes férteis. 

Prova que o mazdeísmo e o mitraísmo também forneceram sólida base para o cristianismo é a heresia do maniqueísmo, apoiada pelo Império Parto. Manes (216-277 d.C.), que também se escreve como “Mani”, era persa.O maniqueísmo tinha ampla base cultural fenícia, semita, judaica e persa e também boa parte do cristianismo, em boa síntese. A síntese do maniqueísmo é a prova do unidade de ideias entre cristianismo e ideias mazdeístas (mitraísmo, zoroastrismo). A parte errada do maniqueísmo é o joio, mas há a ampla parte do trigo, a parte boa. 

Os hebreus foram protegidos no governo persa (basta ver o elogio a Ciro II, o Grande, na Bíblia) e também no Império Parta, que durou até sua assimilação pelo movimento muçulmano, lá por 640 d.C.

O pensamento muçulmano é formado por um complexo de ideias boas semitas, fenícias, judaicas, persas e também cristãs (basta ler a Surata a Maria, no Alcorão, ou a forma como o Alcorão respeita e venera Jesus, os padres, os monges etc). 

A influência boa do mazdeísmo e do mitraísmo, em seus melhores textos, foi bem exposta pelo arcebispo luterano de Upsala (Suécia), Dom Nathan Söderblom (1866-1931), que ganhou o Prêmio Nobel da Paz, de 1930.

O arcebispo Nathan é um dos marcos principais do ecumenismo, tendo organizado a Conferência Ecumênica de Estocolmo, em 1925. Para ilustrar como o arcebispo luterano acreditava nas teses ecumênicas, basta refletir que Nathan escreveu os livros “A vida futura no mazdeísmo” (1900 e “A religião da terra” (1905).

O arcebispo sueco Nathan, luterano, elogiou o que havia de bom no zoroastrismo-mitraísmo, ressaltando os pontos comuns da antiga religião persa (bem influenciada pelos hebreus) com o pensamento hebraico-cristão.

As idéias persas atingiram a Índia, na época, pois parte do terreno da Índia esteve sob o governo persa. Além disso, a própria Índia foi, em parte, povoada por povos vindos do território do atual Estado do Irã (e de áreas em torno do Mar Negro), os árias (“arianos”), lá por 1.500 a.C., por semitas, o que deixa clara a relação entre a religiosidade do zoroastrismo com a religiosidade hindu. O budismo é mais recente, pois Sidartha Gautama, o Buda, nasceu em 563 a.C.. Da mesma forma, o taoísmo também é mais novo do que o mazdeísmo, pois Lao Tsu nasceu em 605 a.C. A tradução dos textos budistas para o chinês teria sido feita por An Shi Kao, que era um parto (persa), lá por 148 a.C. Um parto, o que mostra a influência cultural semita na própria introdução do budismo na China. Destaco que o xintoísmo também tem ligações com a Pérsia, vizinha da Índia.

Lembro que o fato do Paquistão ter adotado as ideias muçulmanas mostra um substrato forte semita, histórico, numa parte da Índia, pois o Paquistão estava na Índia. O mesmo para o Afeganistão, o Quirguistão, Tajiquistão, Uzbequistão, Turquemenistão, países vizinhos do Irã, com ampla influência persa na matriz cultural.  

O império assírio existiu desde, pelo menos, o ano 2.000 a.C. e, como a Suméria teria raízes africanas, mas depois torna-se basicamente semita, por causa dos elamitas, usando o aramaico, a língua irmã do hebraico. Os assírios levaram dez tribos de Israel, lá por 722 a.C., especialmente para a a região dos montes Zagros, a região da antiga Elam (uma das bases da Suméria, tendo Elam como capital), que era semita também, área já perto da Índia.

A região dos montes Zagros é uma das bases mais importantes do surgimento do mazdeísmo, provando a influência fenícia-semita-judaica no surgimento do mazdeísmo. 

A capital da Assíria era Nínive, tudo indica a partir de 1.100 a.C. Nínive é uma cidade bem antiga, como ensina a arqueologia que abona o ensino da Bíblia sobre a antiguidade de Nínive, uma das cidades mais antigas do mundo (cf. Gen 10,11). A Assíria era conhecida como a Terra de Nemrod, de Cush. O profeta Jonas teria pregado em Nínive, como está no livro de Jonas. O livro do Profeta Naum também cita Nínive.

Em 612 a.C., Nínive é destruída pelos Medos em aliança com os Caldeus (babilônicos). O território assírio é dividido, entre Medos e babilônicos, povos próximos dos judeus. A parte norte fica com os Medos. A parte sul, com os caldeus, com Babilônia como capital, sendo esta parte liderada por Nabucodonosor, que enfrentou a aliança assírio-egípcia.

Nabucodonosor, rei da Babilônia (605-562 a.C.), destruiu Jerusalém em 587-586 antes de Cristo. O relato feito por Nabucodonosor desta destruição está no Museu Britânico. Os hebreus lutaram de 597 até 586 a.C. Nabucodonosor é citado no livro de Daniel, na Bíblia. O Templo de Salomão foi destruído, iniciando o cativeiro da Babilônia, com o eclipse histórico dos hebreus e esta data também é praticamente o marco da criação da filosofia, por influência semita.

Foi como se o pensamento bíblico judaico tivesse se eclipsado, atuando nas sombras, influenciando o surgimento da filosofia (o que mostra as ideias comuns entre o melhor da filosofia grega com o melhor do pensamento hebraico). Heródoto escreve seu livro de “História” quando os judeus estão escondidos nos reinos medos, caldeus e, depois, persa. 

Lembro que, na Itália, os etruscos, a base cultura etrusca, mais antiga, tinha origem asiática, semita, o que, combinada com a influência fenícia na Sicília, mostra a ligações da civilização romana com o mundo semita. E Cartago é cidade praticamente vizinha da Sicília, o que mostra pontos para mostrar a influência semita no surgimento do pitagorismo e do melhor do mundo romano. 

Os medos já adotavam o mazdeísmo, que estaria difundido na área entre a Pérsia, os Medos e a Assíria, especialmente os montes Zagros, área semita, irrigada pela diáspora das dez tribos, em 722 a.C.. O mazdeísmo foi cultivado principalmente pelos persas. Era a religião dos persas, quando estes, liderados por Ciro II, conquistaram os medos, em 550 a.C. Um ano depois, em 551 a.C, o mazdeísmo era a religião oficial da Pérsia.

Dario, um dos sucessores de Ciro, construiu sua capital justamente em Susa, antiga capital de Elam, área semita e historicamente ligada aos hebreus.

Susa era a cidade onde vivia Neemias, no tempo de Artaxerxes I, que o nomeou Tirshata (governador) da província de Judá (em 444 a.C.). O livro de Neemias é uma continuação do livro de Esdras e descreve a atuação dos hebreus dentro do Estado persa.

O livro de Ester também descreve esta atuação, pois Ester teria se casado com Dario I ou com o sucessor deste, Xerxes I. Uma tábua com inscrição cuneiforme, descoberta há uns 70 anos, menciona um oficial persa, com o nome de Mardukâ (que pode ter sido Mordecai), em Susa (cf. “Revista de Ciência do Velho Testamento”, 1940/41, vol. 58, pp. 243).

Antes, no Império da Babilônia, houve a mesma atuação, como fica claro no livro de Daniel e outras passagens bíblicas.

Conclusão: as ideias semitas (dos elamitas, dos fenícios, dos judeus) influenciaram os gregos, os romanos, os persas e mesmo a Índia. Pela Índia, estas ideias chegaram ao mundo asiático distante, inclusive na China e, depois, no Japão. 

Lição católica de José Honório Rodrigues, em prol da Democracia popular, do Estado social, da economia mista

José Honório Rodrigues, autor que Alceu Amoroso Lima admirava, em “Conciliação e reforma no Brasil”, ensinou que a “minoria dominante” (ricos, o grande capital, o latifúndio e as multinacionais) “nunca viu” o povo como “criatura de Deus, nunca o reconheceu”, pois esta minoria, que empesta o cenário cultural e público, é “alienada, antiprogressista e antinacional”.

O povo deve, a cada dia, organizar-se, para combater os usurpadores de sua soberania, combater os opressores que controlam o Estado para manterem suas fortunas obscenas.

A doutrina da Igreja foi a principal fonte da construção do Estado moderno social

Quentin Skinner, no livro “As fundações do pensamento político moderno” (São Paulo, Editora Companhia das Letras, 2000, p. 450), mostra como a Doutrina social da Igreja foi uma das principais fontes do Estado moderno, do Estado social, com democracia:

“A perspectiva radical

Os filósofos tomistas da Contra-Reforma foram apontados seguidas vezes como os principais fundadores do pensamento constitucionalista e até do pensamento democrático moderno.

Suárez já foi aclamado com o primeiro democrata moderno, Bellarmino foi louvado por revelar as verdadeiras fontes da democracia, e aos jesuítas como um todo creditou-se a invenção do conceito de contrato social e a exploração, pela primeira vez, das implicações dessa para a teoria da justiça.

Evidentemente, há um verdadeiro grau de verdade nessas informações.

Recorrendo ao seu legado tomista, os teóricos da Contra-Reforma não apenas chegaram a varias conclusões radicalmente populistas, como também funcionaram como o canal por meio do qual, no correr do século seguinte, a aplicação do contrato social à analise da obrigação política pôde exercer a mais decisiva influência.

Um rápido exame dos Dois tratados sobre o governo, de Locke, por exemplo, revela que seu autor reitera várias das premissas básicas dos jesuítas e dominicanos.

Concorda com a apreciação que esses últimos fazem do ius naturale, declarando que a razão é essa lei, e que a mesma deve também ser tratada como a vontade de Deus (pp. 289,376 ).

Concorda ainda com a ideia do papel fundamental a se atribuir ao ius naturale em toda sociedade política legítima, apontando-o como uma regra eterna [válida] para todos os homens e salientemente que todos os decretos de nossos legisladores precisam ser conformáveis a seus requisitos. E, quando pergunta como é cabível criar-se uma sociedade política com base nessa lei, Locke endossa os dois principais argumentos que os jesuítas e dominicanos já haviam exposto.

Ficou clássica a forma como retomou a tese desses frades segundo a qual, para compreendermos o direito ao poder político, e derivá-lo de sua origem, devemos indagar em que estado se encontram naturalmente os homens, e reconhecer que esse será o de perfeita liberdade (p. 287). E assim aceita Locke que o único modo pelo qual alguém abre mão de sua liberdade de natureza e coloca os grilhões da sociedade civil” é pelo mecanismo do consentimento, concordando com outros homens em se juntar e se unir numa comunidade (pp. 348-9)”.

A teoria exposta por Locke e depois desenvolvida por Montesquieu, por Rousseau e pelo Padre Sieyès era eminentemente cristã e tradicional, sendo amplamente exposta por vários padres jesuítas, frades dominicanos e Doutores da Igreja.

Concordo em parte com o artigo “Um governo burro?”, do advogado Pedro Benedito Maciel Neto

“O governo de Dilma Rousseff é burro e indefensável e em algum momento o matrimônio do PT com a presidente irá para o divórcio”. (João Pedro Stédile, em para a BBC Brasil em 16 de março de 2016)

SIM, FOI UM GOLPE.

A normalidade democrática no Brasil estabelece a realização de eleições a cada dois anos e, como prevê a nossa Constituição, todo poder político do país emana da vontade do povo, expresso na maioria dos votos e não de um punhado de parlamentares corruptos, financiados por interesses privados. 

Tendo isso em perspectiva podemos afirmar que o impeachment de Dilma Rousseff foi um golpe de Estado, que desrespeitou a vontade dos 54 milhões que a elegeram e porque ela não cometeu nenhum crime. Penso que a História cuidará de revelar isso às futuras gerações. 

A maioria da sociedade e das forças políticas progressistas do país diziam que tirar a Dilma da presidência não resolveria os problemas da crise econômica e política (apesar de existir um setor da pequena burguesia, que representa 8% da população, que é muito reacionário, conservador, que tem raiva de pobre, que são os que foram às ruas. Esse pequeno setor acreditava que tirar a Dilma era a saída e, sobretudo é esse setor impediu que o governo retomasse as políticas que beneficiaram os mais pobres).

Dito isso vamos refletir.

DA RETOMADA DA CONSTRUÇÃO DO BRASIL AO CAOS.

Os investimentos em infraestrutura no Brasil em 2011 incluíam 43 projetos nos setores de transporte, energia, aeroportos e portos. 

Um orgulho para todos nós. Portos, aeroportos, submarino, navios, transposição do Rio São Francisco, refinarias, Pré-Sal, etc., etc.

Foram 68 bilhões de reais licitados, apenas em 2011, primeiro ano do governo Dilma Rousseff, o que demonstra a importância do Estado como fomentador do desenvolvimento e a pujança do Estado brasileiro naquele momento.

Contemporaneamente a esse fato o então Ministro Aloizio Mercadante publicou o livro “Brasil a construção retomada”.

Todos deveriam ler o livro, que é prefaciado pelo ex-presidente Lula.

Na época encontrei com Mercadante no aeroporto Santos Dumont e ele me sugeriu a leitura da tese de doutorado dele, a qual traria informações ainda mais animadoras acerca do virtuoso futuro do nosso país.

Li e me enchi de esperança, pois e tive a certeza que o setor progressista no Brasil, teria amadureceu e nos anos do governo Lula além de retomar o orgulho de ser brasileiro apresentou, sem rupturas traumáticas, um modelo de desenvolvimento sem paralelo na história do Brasil.

Mas não foi o que aconteceu.

Por que?

Não é difícil, com honestidade, afirmar que o governo imediatamente anterior ao governo Lula, foi incapaz de reverter a fragilização institucional e estrutural do país, especialmente decorrentes daquilo que Aloizio chama de “lógica da abertura comercial ingênua, a âncora cambial prolongada e a vulnerabilidade das contas externas, as privatizações e obsessão pelo Estado Mínimo, os juros incompatíveis com uma economia saudável e a fragilidade das contas públicas (…)”, dentre outras irresponsabilidades praticadas naquele período como a semi-estagnação da economia e o desemprego massivo, além de uma política externa e da exclusão social (sem esquecer que a importante vitória contra a inflação ocorreu no governo Itamar Franco). 

Tanto que em 2010 apenas 4% da população dizia que o governo Lula foi ruim ou péssimo e 96% afirma que os 8 anos de Lula vão de excelente a regular. Isso fala por si. 

Lula superou todas as expectativas, consolidando a estabilidade da economia, retomando o crescimento econômico acelerado, ampliando as liberdades democráticas e a participação popular, a distribuição de renda, incluindo na agenda e nas ações do Estado a redução expressiva da pobreza e promoção social.

Era até divertido ouvir o discurso da oposição, a qual quando não conseguia negar a evolução positiva representada pelo novo modelo, por isso afirmava tratar-se de mera continuidade de ações inauguradas no governo anterior, uma postura arrogante que devemos perdoar.

O fato é que a construção foi retomada e o povo brasileiro, que quer ser protagonista de sua própria história, vê essa retomada perdida passado, e o golpe e o governo de Dilma Rousseff, um desastre político e econômico, são responsáveis por isso.

Vamos falar sobre isso. 

No período de 2011 a 2016 o endividamento do setor público cresceu, nada caótico, mas cresceu. 

Em 2014, o setor público gastou R$ 32,5 bilhões a mais do que arrecadou com tributos — o equivalente a 0,63% do Produto Interno Bruto (PIB), o primeiro déficit desde 2002. A dívida pública líquida subiu pela primeira vez desde 2009, de 33,6% do PIB em 2013 para 36,7% do PIB em 2014.

Além disso não podemos fechar os olhos à tal contabilidade criativa, responsável pelo aumento do endividamento. Essa contabilidade são manobras, ou técnicas, utilizadas para fechar as contas públicas. A chamada contabilidade criativa incluiu, por exemplo, repasses do Tesouro ao BNDES, que não apareciam claramente como aumento de dívida.

Para enfrentar a crise de 2008, foram lançadas corretas medidas de estímulo à economia, como redução de impostos. Mas os corretos incentivos do governo Lula foram mantidos e até ampliados por Dilma, como na desoneração da folha de pagamento da indústria. Críticos avaliavam que medidas foram mantidas por tempo demais e a própria Dilma admitiu erro de dosagem.

A “mãe do PAC” não foi capaz de cumprir os cronogramas das obras. E o atraso em obras de infraestrutura do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a demora nas licitações de ferrovias, rodovias e portos podem ter sido um dos problemas da política econômica de Dilma. Os gargalos na infraestrutura brasileira encarecem os custos da indústria, o que reduz sua competitividade.

Durante o governo Dilma o Banco Central começou a reduzir a taxa de juros em outubro de 2011, quando estava em 12,50%, e manteve política de afrouxamento monetário até abril de 2013, com a Selic a 7,25%. A ideia era conter efeitos da crise mundial na atividade econômica, mas críticos argumentam que juro ficou baixo mesmo com sinais de pressão na inflação.

Em pronunciamento de setembro de 2012, a presidente Dilma anunciou redução média de 20% na tarifa de energia. Para atingir o objetivo, o governo publicou a MP 579, com renovação antecipada das concessões de energia e a redução de encargos. Mas faltaram investimentos do setor. É verdade que a redução dos preços de energia em 2012 ajudou a segurar a inflação em 2013, ano em que também foram suspensos reajustes de ônibus, após as manifestações. Só que esses preços represados em algum momento têm que ser repassados. Assim, a inflação foi de 5,91% em 2013, mas subiu para 6,41% em 2014 e 10,67% em 2015.

Sim, o governo Dilma cometeu muitos erros e foi um desastre, mas mesmo assim ela venceu em 2014 porque manteve a promessa de uma agenda desenvolvimentista e inclusiva. 

Mas depois da vitória Dilma e seu governo assumiram parte da agenda neoliberal, do candidato derrotado em 2014. Por que?

E isso, como afirmou várias vezes Stédile, além de contraditório, foi uma burrice.

CONCLUSÕES.

Não desconsidero os efeitos da crise política, crise criada pelo eterno neto, derrotado nas eleições de 2014, mas Dilma e seus conselheiros mais próximos, são (ao lado dos golpistas) grandemente responsáveis pelo caos político e econômico, são responsáveis pela tragédia que representa o PMDB no Planalto, apoiado pelo que há de mais rançoso na América Latina.

Que 2018 chegue logo.

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Pedro Benedito Maciel Neto, 53, advogado, professor e sócio da MACIEL NETO ADVOGADOS e CONSULTORES (www.macielneto.adv.br), autor de “Reflexões sobre o Estudo do Direito”, ed. Komedi (2007).

O grande Mohammed Mossadegh, que estatizou o petróleo do Irã, em 1951, mesma conduta de Getúlio Vargas

O Renascimento foi um movimento católico, de respeito à Razão e à Ciência

O Renascimento foi feito hegemonicamente por católicos. A Itália é o epicentro do Renascimento, tendo como fontes principais países católicos ou anglicanos, ou seja, semi-católicos. O renascimento foi feito com base no estoicismo, no neoplatonismo e também nos textos de Aristóteles, Cícero, Sêneca e outros. Como destacou Robert A. Dahl, no livro “Sobre a democracia” (Brasília, Ed. UnB, 2001, p. 25), “o governo popular começou a reaparecer em muitas cidades do norte da Itália, por volta do ano 1.100”, com a volta dos estudos sobre o direito romano. Houve o renascimento carolíngio em torno de 800 d.C. e, mais tarde, o Renascimento floresce nas cidades italianas católicas, com Dante, Petrarca e outros.

Depois, já no século XVII, surge o Neoclassicismo, onde o Renascimento retorna, para ser a base cultural (arquitetônica, literária, artística etc) da Revolução Francesa. Uma base cristã, no fundo. Isto ocorreu basicamente na seara católica, na França, influenciada pelas obras de Fenelon, do abade de Saint Pierre, de Montesquieu, Mably e outros grandes católicos.

Adotaram a mesma base da filosofia cristã clássica, dos Santos Padres, um ecletismo que mistura platonismo, aristotelismo e estoicismo. Estas correntes, bem expressas no platonismo médio de Cícero e de Antíoco, eram justamente as correntes que inspiravam os Santos Padres da Igreja, especialmente Santo Ambrósio, Santo Agostinho, São Basílio, São Jerônimo e outros, que seguiam os passos dados por São Clemente de Alexandria, São Justino, Santo Irineu, Lactâncio, Eusébio e outros.

A “dignidade” do ser humano foi o grande lema cristão-católico do renascimento e do humanismo, com apoio do Vaticano, como mostra o livro clássico de Pico Della Mirandola, “Discurso sobre la dignidad del hombre” (Buenos Aires, Ed. Goncourt, 1978).

Para a consciência de muitos militantes, as linhas gerais da democracia popular, participativa e social, são também denominadas, genericamente, “república” (um termo usado com freqüência, mesmo na Idade Média) social ou “socialismo participativo e humanista”.

Para exemplificar a linha católica do Renascimento, basta considerar luminares como São Francisco de Assis (1181-1226), Brunetto Latini (1220-1294), Dante Alighieri (1265-1321), Giotto (1266-1337), Francesco Petrarca (1304-1374), Giovanni Boccacio (1313-1375), Coluccio Salutati, Jorge Gemisto (1350-1450), Besarion, Leonardo Bruni (1370-1444, tradutor das principais obras de Aristóteles), Fra Angelico (1387-1455, beatificado em 1982), Johannes Gutenberg (1400-1468), o Cardeal Nicola de Cusa (1401-1464), Pio II (Enea Silvio de Piccolomini, papa de 1458 a 1464), a família Médici (com vários Papas), Leon Battista Alberti (1404-1472), Leonardo da Vinci (1452-1519), Leão X, o Cardeal Pietro Bembo (1470-1547), Pico della Mirandola (1463-1494), Tomás Morus, Gil Vicente, Erasmo de Rotterdam, Luiz Vives, Nebrija, Miguel Ângelo (1475-1564), Cristovão Colombo (1446-1506), o padre Nicolau Copérnico (1473-1543), Giorgio Vasari (1511-1574, autor de “Vida dos mais excelentes pintores, escultores e arquitetos, 1550), El Greco (Domingos Theotokopulos, 1541-1614), Luiz Vaz de Camões, Cervantes, Antônio Ribeiro Chiado, Galileo Galileu (1564-1642), padre Vieira, Aleijadinho (Antônio Francisco Lisboa, 1730-1814, na linha de Michelângelo e El Grego) e tantos outros.

Leon Battista Alberti (1404-1472), por exemplo, é considerado um dos sábios mais universais do Renascimento. Foi secretário papal de Eugênio IV e assistente do Papa Nicolau V. Alberdi, um grande humanista, deixou obras primas de pintura, música, matemática, arquitetura e literatura. Alberti deixou obras magníficas, como “Da família”, “Da pintura”, “Dez livros sobre a arquitetura” (baseado na obra de Marcus Vitrúvio) e outras.

Robespierre, outra liderança profundamente cristã

No livro de Antônio Faustino Porto Sobrinho, “Antologia da Eloqüência Universal” (Rio de Janeiro, Editora Gráfica Muniz S/A, 1961, p. 177), há um texto de Robespierre que mostra as razões da proximidade deste autor com o pensamento católico, tal como a proximidade com Rousseau:

“Uma seita propagou com muito zelo a opinião do materialismo, que prevaleceu entre os grandes e mais belos espíritos; deve-se-lhe, em grande parte, aquela espécie de filosofia prática que, reduzindo o egoísmo a sistema, considerou a sociedade humana como uma guerra de astúcia, o êxito como a regra do justo e do injusto, a probidade como um negócio de gosto e de decoro, o mundo como patrimônio dos tratantes hábeis”.

A seita referida por Robespierre era conhecida como “fisiocratas” e nenhum de seus exponentes era materialista, mas tinha um fundo materialista, de reificação da pessoa. O “materialismo”, mencionado por Robespierre, foi chamado pelos Papas de “naturalismo” dos fisiocratas, ou seja, a idéia nefasta de separar a economia da ética, da política e do Estado. Este naturalismo foi efetivamente criticado por vários papas. Trata-se da base ideológica do capitalismo. A crítica de Robespierre era correta: o mal do capitalismo e do liberalismo é justamente “reduzir o egoísmo a sistema”. A mesma crítica ao capitalismo foi feita, mais tarde, por homens como Feuerbach, Moses Hess e Marx.

Maximiliano de Robespierre (1758-1794) tinha verdadeira veneração por Rousseau. Eles rejeitavam o “materialismo” com veemência. Robespierre era conhecido como “o Incorruptível” e deixou textos belíssimos, como o “discurso ao Ente Supremo”, onde propõe um decreto com dois artigos: “o povo francês reconhece a existência do Ente Supremo e a imortalidade da alma” e “reconhece que o culto digno do Ente Supremo é a prática dos deveres do homem”.

Danton também deixou vários textos onde exprime sua fé em Deus. Também criticava a incredulidade, mas não teve uma vida tão ordenada quanto Robespierre, pois foi acusado até de corrupção, de vender sua consciência por dinheiro. No entanto, os textos religiosos de Robespierre e de Danton mereceriam um livro com coletânea, para serem reeditados e lidos nas CEBs.

Marat, deísta, quase sempre católico, em seus textos, embora tenha cometido erros

Jean Paul Marat foi um médico que militou na Revolução Francesa. Marat deixou grandes obras, especialmente seu jornal, com o título “Amigo do Povo”. Era o mesmo nome do livro de Mirabeau pai, o que já indica, por si mesmo, uma de suas fontes principais, cristãs. As outras eram ainda mais religiosas: Mably e Rousseau. O jornal foi publicado de setembro de 1789 a 21.09.1792, com seiscentos e oitenta e cinco números. No início, ele defendia uma monarquia representativa, depois defendeu uma ditadura e, no final, uma república democrática. Marat escreveu o livro “As cadeias da escravidão” (“The chains of slavery”), com muitas idéias boas e fecundas. Por exemplo, vejamos um exemplo dos textos de Marat:

A maior desgraça que pode acontecer a um Estado (…) é não haver nem discussão pública, nem efervescência, nem partidos. Está tudo perdido quando o povo se torna de sangue frio e quando, sem se inquietar com a conservação dos seus direitos, deixa de tomar parte nos assuntos”.

Numa linha próxima, Jacques Hébert (1757-1794) redigiu o jornal “O padre Duchesne”, onde o padre Duchesne, da periferia, criticava os males de seu tempo e repetia que Cristo foi o primeiro “sans-culotte”, por ter defendido a liberdade. A idade da união e da fraternidade que Hébert defendia tinha boa base religiosa. Seus textos melhores são perfeitamente coerentes com o cristianismo, só seus textos mais cínicos não são.

Marat, Mirabeau (tanto o pai quanto o filho), o padre Mably e Rousseau eram deístas, a maioria cristãos, sendo vários católicos. Da mesma forma, tinham religiosidade homens como Robespierre, Saint-Just, Danton, o bispo Gregório, o próprio Babeuf e Buonarotti e outros. Marat e Robespierre chegaram a criticar Voltaire e Helvétius, pela pouca religiosidade destes. A principal fonte de Marat era Rousseau e o Dr. Marat, pois ele era médico, chegou a escrever livros sobre a alma, a imortalidade da mesma etc.

O que se pode criticar validamente em Marat era sua sede de sangue, a forma como recomendava, em seus artigos, que milhares de pessoas fossem guilhotinadas. Foram erros graves e sanguinários, mas há em seus textos a compaixão com os presos, com os pobres etc. A energia de Marat era tremenda e transpira em seus textos. Uma boa seleção de seus artigos e capítulos seria muito útil para os futuros jornalistas, os publicistas e para as pessoas que gostam dos pobres, que são amigos do povo.

A síntese antiga de cristianismo e democracia, bem mais antiga do que se pensa

A síntese entre cristianismo e democracia existiu, em parte, entre os doutrinários, no movimento ligado a Royer Collard (discípulo de Montesquieu) e Guizot. A democracia, na França e nos demais países, desenvolveu-se na forma de uma síntese de jusnaturalismo católico e religião. Esta síntese está presente inclusive nos melhores textos do “Dicionário” de Pierre Larousse (basta ver nos verbetes religiosos e políticos). Larousse (1817-1875) foi anticlerical, mas foi também profundamente teísta e jusnaturalista, esposando teses de uma democracia popular e social, próxima dos textos de homens como Júlio Verne (católico e progressista) e César Cantu. Larousse também queria um país formado por artesãos, pequenos burgueses, camponeses, artesãos, profissionais liberais, cientistas, cooperativas, estatais, sem latifundiários e sem grandes burgueses (sem o grande capital privado).

O espiritualismo católico e o ecletismo combinam-se como base teórica do romantismo e do tradicionalismo moderado. Esta análise é respaldada pelos textos históricos do padre Leonel Franca, de Sílvio Romero, Miguel Reale e Clóvis Beviláqua. Estas correntes também adotam as teses jusnaturalistas. O próprio classicismo também era jusnaturalista e isso fica evidente em grandes católicos como Francesco Carrara, ou mesmo nas melhores obras de católicos como Alexandres Dumas, Balzac, Ponson, Sue e outros. Como exemplos da vertente espiritualista, basta pensar em Maine de Biran, Frei Francisco de Mont’Alverne, Victor Cousin, Rosmini (elogiado por Guido Gonella e pelo padre Gregório Lipparoni), o padre Vicente Gioberti (1801-1852), Ollé-Laprune e outros. O padre Lipparoni foi um padre italiano que viveu no Brasil, assumindo o cargo de reitor do Seminário de Olinda-PE em 1866; e, depois, de diretor do Ginásio de Pernambuco, nos anos 70 do século XIX. Foi também professor do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. Lipparoni escreveu o livro “A filosofia conforme a mente de Santo Tomás de Aquino, exposta por Antônio Rosmini, em harmonia com a ciência e a religião” (Rio, 1880), demonstrando, no texto, a harmonia entre ecletismo, tomismo, Rosmini e democracia.

Napoleão mostrou a conciliação entre Igreja e democracia popular

Antes mesmo de 1820, o próprio Napoleão terminou por aceitar uma síntese (como queriam os girondinos) entre as regras e idéias da Revolução Francesa e a religião. O testamento de Napoleão mostra esta síntese, morrendo como católico e democrata. Esta síntese teve a ajuda de François Chateaubriand, estando presente dentro do movimento romântico e democrático até, mais ou menos, 1870, embora perdure ainda como uma vertente cultural. 

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