Na encíclica “Immortale Dei” (01.11.1885), Leão XIII explicitou o ecumenismo (ecletismo) social da Igreja.

Ensinou que a doutrina da Igreja apóia “tudo o que é útil” ao povo, “tudo o que impede as usurpações injustas do Estado”, tal como “tudo o que interessa à honra, à personalidade humana e à salvaguarda dos direitos iguais de cada um”:

“50. Sim, na verdade, tudo o que pode haver de salutar para o bem geral no Estado; tudo o que é útil para proteger o povo contra a licença dos príncipes [do principado, dos agentes públicos] que lhe não proveem ao bem; tudo o que impede as usurpações injustas do Estado sobre a comuna [municípios e estados quando se tratar de Estado federativo] ou sobre a família; tudo o que interessa à honra, à personalidade humana e à salvaguarda dos direitos iguais de cada um; de tudo isso a Igreja Católica sempre tomou quer a iniciativa, quer o patrocínio, quer a proteção, como atestam os monumentos das idades precedentes. Sempre coerente consigo mesma, se, de uma parte, ela repele uma liberdade imoderada [referência ao capitalismo, ao liberalismo econômico] que, para os indivíduos e para os povos, degenera em licença ou em escravidão, de outra parte abraça com todo o gosto os progressos que todo dia nascem, se verdadeiramente contribuem para a prosperidade desta vida, que é como um encaminhamento para a vida futura e para sempre duradoura. Assim, pois, dizer que a Igreja vê com maus olhos as formas mais modernas dos sistemas políticos e repele em bloco todas as descobertas do gênio contemporâneo, é uma calúnia vã e sem fundamento”. 

Os textos de Leão XIII e de vários expoentes da doutrina social da Igreja (Dupanloup, Ozanam, Ketteler, Buchez, Tocqueville, Acton, Gibbons e outros) levaram Rui Barbosa ao retorno da prática do catolicismo.

Rui Barbosa (1849-1923), um dos grandes juristas do Brasil, nunca foi ateu. Sempre professou a fé católica, mas no início de seus vinte e pouco anos, nos anos 70 do século XIX, tornou-se anticlerical. Isto ocorreu por influência do teísta Saldanha Marinho.

Após amadurecer, Rui reencontrou o bom caminho, reconciliou-se com a Igreja e defendeu, na campanha civilista, em 1919, a “democracia social” (democracia popular) da Igreja, exposta nos textos de cardeais como Mercier e Gibbon. O mesmo ocorreu com Tobias Barrreto e Eça de Queiroz, que se reconciliaram com a Igreja. 

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