Arquivos para : A “Fórmula” Liberatore, Pesch, Toniolo, Pavan, Maritain e Mounier: Economia MISTA, em TODAS AS ESTRUTURAS, autogestão pessoal e social

Índia e China crescem, por causa da forte presença estatal, economia mista

Tirei do 247 – “A Índia irá ultrapassar o Reino Unido e a França e ser a quinta maior economia do mundo em 2018, afirma a consultoria inglesa Centre for Economics and Business Research; hoje o país asiático é a sétima maior economia mundial, mas deve tomar a 5ª colocação em 2018 e se tornar a terceira maior economia em 2032, ainda de acordo com a consultoria inglesa”.

Índia tem partido trabalhista no poder, o Partido do Congresso, de origem trabalhista.

Por isso cresce, pois não é neoliberal. 

Todas as pessoas devem ter parte no Estado, na organização da sociedade, para assegurar a todos a felicidade temporal

A autoridade (os agentes públicos e as estruturas estatais e sociais) deve espelhar a ação de Deus, sendo como que um representante da ação divina e dos interesses do povo, sempre em movimento em prol do bem comum.

No final da encíclica “Notre Charge”, Pio X destacou que “Nós desejamos vivamente que” os leigos e homens de bem “tomem parte ativa na organização da sociedade”, para (como “fim”) tornar “acessível” a todos “a felicidade temporal”.

Assim, Pio X concluiu: todas “as engrenagens sociais deveriam estar organizadas de tal forma” que gerem o bem comum e “paralisassem os esforços dos maus”. Todas as estruturas estatais devem promoverem e defenderem o bem comum, devem regenerar e recuperar os maus, livrando as pessoas da maldade, das opressões, da iniquidade.

Pio XI, na encíclica “Ubi arcano” (23.12.1922), também ensinou que o cristianismo (como o judaísmo, antes, e também o melhor da Paidéia) prega “o culto do direito”, pois “a fonte do direito” (e da “autoridade” legítima) vem de Deus, pela mediação da consciência (cf. São Paulo, no início da “Carta aos Romanos”, no capítulo 2).

O “sujeito da autoridade política é o povo”, como destacaram Pio XII e João Paulo II.

A Igreja não tem uma fórmula pronta, pois sabe que a fórmula correta é a sabedoria do povo (dos leigos, especialmente), que deve irradiar-se por toda a sociedade, por todo o Estado. A Igreja tem apenas princípios, ideias gerais. Está certo o brocardo latino que ensina que “a sabedoria civil” (do povo) é “coisa santíssima” (“est quidem res sanctissima civilis sapientia”).

Conclusão: como ensinou o então Cardeal Ratzinger (hoje, Bento XVI), no livro “O sal da terra” (Rio, Ed. Imago, 2005, p. 112 e 114), “existem diferentes escolas políticas no catolicismo” (liberdade política), o que importa é que “os cristãos, em todos os partidos, atuem de acordo uns com os outros, de modo transversal”, “no que diz respeito às questões éticas essenciais da política, a partir da sua responsabilidade comum” pelo bem comum.

Resumindo – nenhum cristão (católico) deve apoiar a privatização de tudo (liberalismo) e nem a estatização de tudo (coletivismo), pois o correto é um meio termo, difusão de bens pequenos e médios para todos, patrimônio estatal amplo, estatais, cooperativas, economia mista, ponto bem explicado por Liberatore, Pesch, Ketteler, Antoine, Toniolo, Buchez e outras estrelas da Igreja. 

Afinal, “Deus é amor” (cf. I Jo 4,16), o Ser que tem com Plano o Bem comum (em inglês, “good”, bom”, decorre de “God”, “Deus”).

Empreendedorismo e socialismo se completam, facilmente

Socialismo com pequenos negócios pessoais e familiares, ou de sócios entre amigos, é economia mista, boa estrutura econômica.

Basta pensar na Suécia socialista, com ampla base estatal, altos tributos, renda estatal distribuída, pequena jornada de trabalho, ampla base educacional.

Numa sociedade com pequena jornada, ampla remuneração do trabalho, ampla base estatal redistributiva, as pessoas podem desenvolver projetos pessoais, pequenas empresas, pequenos negócios familiares (vide Schumacher e Chesterton).

O próprio Marx, nos poucos textos que deixou sobre a sociedade futura, lembra que a pessoa poderia pescar hoje, pintar etc. Então, pequenos negócios são perfeitamente compatíveis com estrutura socialista. Economia mista.

A parte grande dos bens produtivos é do Estado (estatais com cogestão dos trabalhadores e controles pelos consumidores) ou de grandes cooperativas, sob controles públicos.

A parte pequena dos bens produtivos é das famílias. 

A fórmula de Pio XI, na Quadragesimo Anno, em 1931. Economia mista, boa e aberta à criatividade humana. 

Beluzzo mostra a importância da ECONOMIA MISTA, Estado intervindo na economia

Colhi no 247 – “Eduardo Maretti, da RBA – Em seminário do qual participou em dezembro de 2014, nove meses depois de deflagrada a operação Lava Jato, o economista Luiz Gonzaga Belluzzo alertou: “Estou observando uma tendência na sociedade brasileira de achar que não tem importância destruir a Petrobras e as empreiteiras”.

Na ocasião, disse que era preciso combater a corrupção, mas ao mesmo tempo preservar a estatal e as grandes construtoras, “responsáveis por uma parcela muito importante do investimento no país”. O economista recomendava “substituir a direção das empresas e preservá-las”.

Três anos depois, a avaliação de Belluzzo se confirma, com o país em recessão e a Petrobras sofrendo uma perversa política de desinvestimento, a indústria naval em rápida decadência e os empregos do setor de óleo e gás em depressão profunda.

A constatação do economista, hoje, não poderia ser outra. “Eles estão destruindo não só o setor, estão destruindo todos os espaços de coordenação da economia brasileira, que foram sendo construídos ao longo de 50 anos. Mesmo os governos militares não abandonaram isso, continuaram preservando as estruturas de coordenação: a relação entre empresa estatal e privada, Tesouro, bancos etc.”, diz Belluzzo à RBA.

“Essa é a maior forma de organização da economia capitalista, que na sua forma mais avançada são os chineses que estão fazendo. E nós estamos desfazendo.”

Graves crises em potências mundiais, como na nação mais poderosa do planeta, ou problemas de corrupção em empresas multinacionais gigantes, mostram como países resolvem ou tentam resolver seus problemas internos, mas preservam sua própria economia, seus interesses e seu povo.

“Vamos pegar os Estados Unidos, por exemplo. Eles puniram os caras que praticaram infrações penais. Mas destruíram algum banco que produziu a crise do subprime?”, lembra, em referência à crise do setor financeiro de 2007-2008, decorrente dos empréstimos hipotecários norte-americanos de alto risco. “Isso é tão óbvio no mundo inteiro que eu fico espantado que a gente tenha que falar isso.”

Outro exemplo, também mencionado pelo coordenador da Frente Única dos Petroleiros, José Maria Rangel, é a gigante coreana Samsung, cujo herdeiro e vice-presidente, Lee Jae-yong, foi condenado e preso por corrupção pela Justiça da Coreia do Sul.

“Está preso. E eles destruíram a Samsung? Não”, afirma Belluzzo. Em sua opinião, promotores, juízes e membros do sistema judiciário brasileiro, de modo geral, não conseguem entender um aspecto crucial e básico: “Na verdade, a empresa é uma instituição social, e aqui eles – desatinadamente – quase que praticamente destruíram um setor, o setor de óleo e gás, onde se tinha muitos investimentos a se fazer.”

Uma das questões que se relacionam com essa incapacidade de compreensão é “a visão parcial” de promotores e juízes que comandaram o processo da Lava Jato. “Eles não são capazes de avaliar, porque não têm formação para isso, o que é um defeito da especialização. Não estou dizendo que estão fazendo de propósito, mas não sabem o que estão fazendo.”

O economista não se mostra adepto de teorias da conspiração segundo as quais as ofensivas contra a Petrobras e as empreiteiras fazem parte de uma estratégia deliberada. “O pessoal diz que estavam fazendo um serviço para as empresas estrangeiras ocuparem o mercado. Mas eles não precisavam estar a serviço de ninguém, estavam fazendo o serviço por conta própria, por causa das limitações deles. Não têm nenhuma noção. Isso é uma coisa típica de um país que tem mecanismos de controle e avaliação muito precários”, avalia.

E depois de tudo, “o governo entrou na conversa da privatização da Petrobras. Prosseguiram no caminho equivocado”.

Seja como for, o serviço de juízes, promotores e do sistema de Justiça contou certamente com a providencial colaboração da mídia nativa. “Claro que teve o papel da imprensa também, muito negativo. Ela não esclareceu a população sobre nada e continua não esclarecendo. Então eles foram em frente e causaram um enorme prejuízo ao país, e ajudaram na recessão.”

Partidários da economia mista, na história

Os mercantilistas, especialmente os cameralistas, seguiram a linha de Platão, no livro “Leis”, adotando a economia mista, que foi o modelo mais seguido no mundo todo, na prática. O mesmo na Bíblia, como fica claro nas leis de Moisés e nas regras éticas. 

Millerand e Jaurés, na França; Bernstein, Kautsky, e mesmo Liebknecht e Bebel, tal como Lassalle; o Partido Trabalhista inglês (especialmente James Keir Hardie, Ramsay MacDonald, Attlee, Lasky e outros); Bukharin; estes e outros buscavam um esboço de Estado social, de economia mista, de economia popular, distributismo. 

Há milhares de outros pensadores, que sabiam que uma boa organização social e econômica é baseada em amplo setor público, combinado com milhões de propriedades particulares e familiares (casas etc) de pequeno e médio porte, regras publicamente, para que o uso da liberdade seja compatível com o bem comum. 

A Igreja e o socialismo de economia mista, parcial, com liberdades, personalista

Há formas de socialismo democrático com economia mista, que foram aplicadas na Inglaterra, com o trabalhismo, e no continente europeu, com o socialismo democrático e com a democracia cristã (em boas coligações), que mostram que há formas de socialismo com economia mista, parcial, moderado, que são boas. 
Vários bispos católicos no mundo fazem esta distinção. 
Desde 1920 e poucos, os católicos na Inglaterra podem votar no Partido Trabalhista, socialista democrático, como podem votar nos partidos socialistas, no Partido do Congresso na Índia (a Igreja na Índia cresce e tem mais padres que a nossa….), nos partidos trabalhistas na Austrália (a principal religião na Austrália é o catolicismo) etc. 
Os católicos nos países escandinavos podem votar tranquilamente nos partidos socialistas e inclusive serem membros da maçonaria, lá, pois a maçonaria lá, foi considerada pelo Episcopado como não anticlerical, não conspirativa, não neoliberal etc. 

As linhas gerais do ideal histórico da Igreja

O ideal de Mably era uma “República federativa”, de fundo pequeno burguês, camponês e artesã, formada por milhões de pequenos proprietários e tendo vasto patrimônio público aberto a todos.

No fundo, este ideal é o ideal histórico da Doutrina Social da Igreja, como pode ser visto também nos melhores textos de Rousseau. É o mesmo ideal de Platão, em “Leis”, ou de Aristóteles, em “Política”.

Também é o ideal da Bíblia, ponto que fica claro nos textos de Moisés, dos Profetas, em Provérbios, nos Evangelhos, em Atos dos Apóstolos e nas cartas dos Apóstolos. 

Bispos católicos por um socialismo personalista, Estado social, economia mista, Democracia participativa

Um grande bispo mexicano, chamado Dom Sérgio Méndez Arceo, bispo de Cuernavaca, ensinava sobre a Doutrina social da Igreja:

“… nosso mundo subdesenvolvido não tem outro recurso senão o socialismo, isto é, a apropriação social dos meios de produção e a representação autêntica da comunidade” e “nós não viemos, como cristãos, forjar um socialismo cristão. Isso só serviria para absolutizar o socialismo e relativizar o cristianismo” (cf. discurso inaugural do encontro do Movimento “Cristãos pelo Socialismo”, 1972). A apropriação social não significa estatizar todos os meios de produção, apenas os grandes. E implica em Estado social, economia mista e Democracia participativa (“representação autêntica” do povo). 

A diocese de Cratéus, no Ceará, usava, na década de 70, a “Canção de Maria”, no hinário “Cantando e lutando”, com os versos “derruba os poderosos/ dos seus tronos erguidos/ com o sangue e o suor/ do seu povo oprimido/ arranca os opressores/ os ricos e os malvados”.

Com base nestas idéias, Dom Tchidimbo, bispo de Guiné, defendia um “socialismo africano”, comunitário, de economia mista, e isso já no início da década de 60.

Dom Hélder também defendia um “socialismo personalista”, ponto em que o belga Henri de Man concordaria.

Boas lições de grandes Papas

Como explicou Leão XIII, na “Immortale Dei” (1885), “as leis, as instituições, os costumes” e “todas as categorias e todas as relações da sociedade civil” devem ser justas. Se a sociedade for “organizada assim”, dará “frutos superiores a toda expectativa”, assegurando a todos “a verdadeira liberdade sob diversas formas”.

Pio XII, em 11.03.1945, disse que “já é tempo de… pensar…numa nova organização das forças produtivas do povo” baseada na “solidariedade”, baseada no “bem comum”, nas “exigências de toda a comunidade”, de todas as pessoas, do Povo.

Pintura de Colbert, pró estatais, pró intervenção estatal na economia.

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— Updated: 13/02/2020 — Total visits: 63,656 — Last 24 hours: 27 — On-line: 1
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