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A Cruz e o Lótus, o melhor do hinduísmo coincide com as ideias centrais do catolicismo

Pio XI, na “Quadragesimo anno”, destacou a importância da “tradição universal”, da humanidade, que é a Paidéia, no sentido amplo da palavra, formada pelas luzes da razão e da experiência histórica (afinal, a razão e a fé são harmônicas, tal como a natureza e a graça).

O “Bhagavadgita” é o principal livro do hinduísmo com vários textos bem próximos da Bíblia. O livro hindu ensina que a “bhakti” (graça, alegria, plenitude, estado de graça) ocorre quando a pessoa “leva a Sua palavra no coração”, quando a alma (“atman”) se identifica (união) com Deus (“Brahman”), “imita” as perfeições de Deus (especialmente a “racionalidade” e a bondade).

Em outras palavras, como está nos Evangelhos, estamos em estado de graça quando pautamos nosso projeto de vida de acordo com o ideal racional do bem comum, do bem geral (que é a vontade divina).

O hinduísmo tem amplos pontos comuns com o cristianismo, especialmente a noção de Deus (“Brama”) criador, da Trindade (“Trimurti”), a imortalidade da alma, a ética, uma noção de julgamento após a morte, pontos sobre a graça etc. O “lótus” e a “cruz” são harmônicos.

A flor “lótus” é o símbolo do hinduísmo. Significa que a sabedoria é uma flor que emerge e que fica acima da sujeira, do lodo, uma sabedoria que santifica, melhora as pessoas.

O Papa João Paulo II, ao visitar a Tailândia, em 1984, em Bancoc, na homília, elogiou a “antiga e venerável sabedoria budista”, destacando que os católicos tailandenses devem preservar a herança (Paidéia, tradição) cultural da Tailândia. O papa disse: “essa herança constitui um terreno fértil, onde o grão da palavra de Deus, proclamada por Jesus Cristo, pode criar raízes e crescer. A Igreja, lembrou o Papa, deve respeitar as tradições religiosas e culturais, porque “não rejeita nada do que seja verdadeiro e santo nelas”.

O hinduísmo (como o melhor das idéias de Confúcio, de Maomé, do taoísmo, do xintoísmo, da religiosidade indígena e africana etc) ensina basicamente o que foi ensinado na Bíblia. Ensina a lição da carta atribuída a São Barnabé, na Epístola 4,10, no início do século II d.C., que traduz o cristianismo primitivo (o ideal das CEBs): “não vivais isolados”, “mas reuni-vos para procurar, juntos, o que é o interesse comum”, o bem comum.

Da mesma forma, Heráclito ensinava que “a sabedoria consiste em dizer a verdade e agir segundo a natureza, escutando-a” (fragmento n. 112). Heráclito foi um dos maiores jusnaturalistas. Seu fundo religioso é claro ao identificar a “nomos” (lei natural”) com a “logos”, a “razão”, a “verdade”, a voz de Deus, a voz da natureza, a voz da razão.

Algumas ótimas lições de Pio IX, um grande Papa

Pio IX, em 1855, destacou quatro proposições sobre a relação entre a fé e a razão:

1ª.) “a razão e a fé procedem da mesma fonte imutável da verdade, que é Deus”;

2º.) “o raciocínio pode provar com certeza a existência de Deus, a espiritualidade da alma e o livre arbítrio”;

3º.) “o uso da razão precede a fé”; e

4º.) “a razão humana é uma certa participação da razão divina”.

Estas quatro proposições integram o núcleo da concepção jurídica e política do cristianismo, da relação entre a teologia, o direito e a política.

Como o Concílio de Trento deixou claro: o livre arbítrio humano não foi perdido e nem extinto, apenas reduzido, tal como as luzes naturais da razão. No mesmo sentido, vale a pena ler, do cardeal Pie, a “Instrução sinodal sobre a primeira constituição do Concílio do Vaticano”.

A fé complementa e acrescenta as verdades oriundas da razão, sem nunca a contrariar, pois a fé apenas acrescenta verdades supra-racionais (e nunca irracionais).

Assim, as pessoas devem se guiar pela luz da razão, assim como as sociedades devem guiar-se pela luz da razão comum, presente em todas as pessoas. Neste sentido, vale a pena ler o livro “Coscienza e politica” (Brescia, Ed. Morcelliana, 1953) do padre Luigi Sturzo (1871-1959); tal como os livros de Roussellot, Maritain, Hermann Busenbaum (1600-1668), Afonso Ligório, Haring, Marciano Vidal, Rahner e outros.

No “Syllabus”, Pio IX deixou bem claro que “as leis humanas” [positivas] devem ser “conformes ao direito natural”, aos direitos humanos naturais, ou seja, todas as normas (regras) jurídicas devem ser formuladas para atender às necessidades e aspirações humanas, do povo.

Na “Quanta cura”, encíclica que encabeça o “Syllabus”, Pio IX frisou bem que “a verdadeira noção da justiça e do direito humano” rejeita o primado da “força material”. Isto ocorre porque o verdadeiro direito é formado pelas regras e “princípios mais certos da sã razão”, ou seja, pela “lei natural, gravada pelo próprio Deus em todos os corações”, ou seja, na “reta razão”.

A “reta razão”, razão correta, é a razão informada por idéias verdadeiras, adequadas e em harmonia com a realidade.

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