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Kautsky e Vandervelde defendiam modelos de economia mista, como a Igreja

Kautsky e Vandervelde também defendiam uma formula bem próxima da adotada pelos sociólogos católicos.

Em resumo, a economia deve ser uma vasta cooperativa de produção, formada por conselhos participativos, combinando pequenas e limitadas propriedades pessoais com amplo setor de propriedade social: cooperativas, estatais e planejamento estatal participativo, boas estatais, sem latifundiários, multinacionais, grandes proprietários privados e mesmo sem a propriedade quiritária.

Grande e boa economia mista. 

Hobbes atesta que a Doutrina social da Igreja exigia Democracia econômica e política, Estado social ampliado

A Igreja adotou as linhas gerais da teoria política e econômica da Paidéia e da Bíblia.

Estas linhas apontam para uma sociedade equilibrada, difusão de bens, igualdade social, democracia participativa, economia mista, amplo Estado social. 

Para ilustrar este ponto, vejamos um texto de Hobbes, tirado do livro “Leviatã”, onde ataca as idéias democráticas de Bellarmino e o catolicismo.

Hobbes criticou a recepção dos textos de Aristóteles e Cícero pela Igreja e, ao fazer isso, descreveu a adesão da Igreja à teoria clássica da democracia econômica e política.

John Locke, ao refutar Hobbes e Filmer, na verdade, ratificou a teoria clássica do poder, adotada pelo catolicismo, dado que os absolutistas Hobbes e Filmer criticavam as teorias da Igreja Católica, expostas por Suarez e Bellarmino.

No livro “Leviatã” (p. 162), Hobbes escreveu:

É fácil os homens se deixarem iludir pelo significativo nome de liberdade e, por falta de capacidade de distinguir, tomarem por herança pessoa e direito [natural] inato seu aquilo que é apenas direito do Estado. Quando o mesmo erro é confirmado pela autoridade de autores reputados por seus escritos sobre o assunto, não é de admirar que ele provoque sedições e mudanças de governo. No ocidente, costumamos receber nossas opiniões relativas à instituição e aos direitos do Estado, de Aristóteles, Cícero e outros autores, gregos e romanos, que viviam em Estados populares, e em vez de fazerem derivar esses direitos dos princípios da natureza os transcreviam para seus livros a partir da prática de seus próprios Estados… (…)”.

“Aristóteles escreveu em sua “Política” (livro 6, cap. 2): “na democracia, deve supor-se a liberdade. Pois é geralmente reconhecido que ninguém é livre em qualquer outra forma de governo”.

Tal como Aristóteles, também Cícero e outros autores baseavam sua doutrina civil nas opiniões dos romanos, que eram ensinados a odiar a monarquia, primeiro por aqueles que depuseram o soberano e passaram a partilhar entre si a soberania de Roma e depois por seus sucessores. Por intermédio da leitura desses autores gregos e latinos, os homens passaram desde a infância a adquirir o hábito – sob uma falsa aparência de liberdade – de fomentar tumultos e de exercer um licencioso controle a respeito dos atos de seus soberanos. (…). Posso afirmar que jamais uma coisa foi paga tão caro como estas partes ocidentais pagaram o aprendizado das línguas grega e latina”.

O ideal político da Paidéia foi mantido e melhorado pelo cristianismo, especialmente pelo catolicismo.

Esta é também a opinião de Sertillanges, que, no livro “O mito moderno da ciência” (Salvador-BA, Ed. Livraria Progresso, 1959, p. 86-88), elogiou o “ideal” grego, a “alma do Ocidente”, expressa por Platão no elogio de virtudes como “retidão, liberdade, progresso”, razão, “justiça, coragem, domínio das paixões” etc.

Estas regras (cânones), como explicou Sertillanges (e está no livro “Zeus”, do bispo jesuíta, Dom Martins Terra), formavam “a alma da Grécia” e “são também as mesmas virtudes que aparecem nas belas épocas das civilizações asiáticas”, pois não são “ocidentais ou orientais, mas humanas, existiram no coração da nossa mais bela cultura francesa e das nossas obras mais alevantadas, das catedrais romanas e góticas, da Piteà d`Avignon, em Corneille, em Pascal, em Racine, em Berlioz e Delacroix, em Balzac e Baudelaire, em Cézanne e Rodin”.

De fato, há nos grandes escritores franceses  católicos as regras da ética cristã e da Paidéia.

Isso fica claro em autores como Montaigne, Rousseau, Mably, Fenélon, tal como há em Ronsard, Malherbe, Corneille e outros.

Nestes autores há, em forma difusa e desorganizada, as idéias que constituem a teoria política da Paidéia e da Bíblia, que a Igreja esposou e acatou, recolhendo, do rio da história (da tradição), as melhores idéias. 

Foi assim que a Igreja criou a Doutrina social, baseada no melhor do pensamento hebraico e da Paideia, ideias para a construção de uma boa democracia popular, um amplo Estado social, economia mista, boas estatais, cooperativismo, difusão da pequena e média propriedade familiar, agricultura familiar etc.

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