Santo Tomás de Aquino, na “Suma Teológica” (no vol. XI, 2ª parte, questões 1-17, da edição traduzida por Alexandre Correia, São Paulo, Ed. Saraiva/Faculdade de Filosofia “Sedes Sapientiae”, 1949) redigiu centenas de páginas sobre a “beatitude” (felicidade) das pessoas, examinando se a beatitude (felicidade) consiste “nas riquezas”, “na honra”, “na glória”, “no poder”, “nos bens do corpo”, “no prazer”, “nos “bens da alma” etc.

Santo Tomás ensinou que “é necessária a perfeição do corpo para não ficar impedida a elevação da mente”, logo é um dever cuidar da saúde e este dever cabe também e principalmente ao Estado.

Ensinou que “o prazer” é bom e, no livro sobre o casamento, Tomás mostra que o casamento foi recomendado antes do pecado original e que sem este, se não houvesse o pecado original, haveria inclusive um prazer sexual maior, prova clara da valorização do prazer sexual dentro do casamento.

Sobre os “bens da alma” e os demais bens criados, Tomás ensinou claramente que os bens são bons (tal como a natureza), feitos para a felicidade e que o segredo está no bom uso (uso social) destes bens: “precisa o homem nesta vida de bens necessários ao corpo, para a atividade, tanto da virtude contemplativa como da ativa; sendo-lhe ainda, para esta, necessários muitos outros bens pelos quais exerça as obras da virtude ativa”.

Os bens são instrumentais, devem ser usados para a consecução do bem comum, pois “a beatitude significa a obtenção do bem”, a fruição do bem, sendo Deus o bem supremo (Tomás analisa a união das pessoas com Deus com base na união amorosa entre marido e esposa, seguindo nisso o livro “Cântico dos cânticos”, da Bíblia).

Em capítulos que poderiam compor livros de auto-ajuda, Tomás examina como as pessoas podem obter a beatitude (a felicidade), mostrando a importância da amizade e a alegria da sociedade (“societate gaudent”).

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— Updated: 13/02/2020 — Total visits: 63,710 — Last 24 hours: 37 — On-line: 0
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