Juros altos e câmbio sobrevalorizado (real forte) são causas estruturais da DESINDUSTRIALIZAÇÃO, da redução do Brasil a colônia….

Qual é o problema da indústria brasileira?

Por Luiz Carlos Bresser-Pereira, em seu site:

Depois de uma brutal recessão (2014-2016) a economia brasileira voltou a crescer, mas muito lentamente. Os resultados da indústria de transformação são especialmente negativos. O crescimento em 2018 foi de apenas 1,3%, o deficit comercial da indústria voltou a aumentar, e o processo de desindustrialização continua a ser mais acentuado nos setores de alta e de média-alta tecnologia.

A explicação geral que eu tenho dado para a desindustrialização brasileira a partir de 1990 é a da armadilha de juros altos e câmbio apreciado no longo prazo.

Essa armadilha promoveu duas ondas de desindustrialização, a primeira nos anos 1990, em função da abertura comercial e do desmantelamento do mecanismo que neutralizava a doença holandesa,
e a segunda nos anos 2010, a partir do momento em que a taxa de câmbio, que se depreciara fortemente durante a crise financeira de 2002, voltou a se tornar fortemente apreciada no final do governo Lula:
a preços de hoje, cerca de R$ 2.50 por dólar, quando a taxa de câmbio competitiva ou de equilíbrio industrial devia girar em torno de R$ 4,00 por dólar.

No governo Dilma, houve uma desvalorização e a taxa de câmbio passou a girar em torno de R$ 3,20 por dólar, sempre a preços de hoje – incompatível com o crescimento industrial.

Este quadro mudou depois da recessão. Com a queda radical da demanda, a inflação caiu fortemente, e a taxa de juros, embora ainda alta, também caiu. Por outro lado, a taxa de câmbio depreciou-se e hoje está em torno de R$ 3,70 por dólar.

Por que, então, a recuperação da indústria é tão decepcionante? A meu ver, por três razões além do fato de a taxa de juros continuar alta e a taxa de câmbio ainda estar apreciada: porque a demanda de bens industriais tanto interna quanto externa continua baixa, porque o governo não realizou a política fiscal contracíclica necessária, e porque os empresários ainda não estão se sentido com confiança em relação ao governo [esta segunda parte é PIADA DE MAU GOSTO, pois os abutres são hiper confiantes…].

No caso da demanda mundial, ainda não se confirmou a recessão anunciada nos países ricos, mas a crise do regime liberal argentino é muito grande e teve um forte impacto na exportação brasileira de manufaturados.

Quanto à falta de uma política contracíclica em um quadro de crise fiscal desde 2014, o problema está na falta de coragem ou na ortodoxia liberal do governo. Nem o governo Temer nem o governo Bolsonaro tiveram coragem e capacidade para lograr um forte aumento do investimento público e das empresas privadas concessionárias. 
Coragem porque essa política envolve uma aposta: que o gasto adicional em investimento público será menor do que o aumento da receita pública decorrente da retomada do crescimento que esses investimentos provocariam.
[só transcrevo até aqui, pois no parágrafo último, o tal Bresser enlouquece e volta a ser tucano, e defende a destruição da Previdência Estatal, o que é um ERRO GROSSEIRO e MALIGNO].

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— Updated: 21/09/2019 — Total visits: 60,371 — Last 24 hours: 49 — On-line: 0
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