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O modelo de economia mista, da Doutrina da Igreja

Stuart Mill, no livro “Princípios de economia política” (editado no Brasil pela Abril Cultural, em 1983), no Livro quinto, redigiu o capítulo décimo, onde lembra que, antes do capitalismo, existiam a proteção estatal á indústria nativa, especialmente às pequenas firmas (protecionismo, inclusive proibições), a vedação da usura, a regulamentação e o controle dos preços (teoria dos preço justo), monopólios governamentais, estatais etc.

A Igreja aceitava bem estes institutos (formas) jurídicos socializantes e anti-liberais.

A doutrina da Igreja sobre a relação das pessoas entre si e com os bens não aceita o capitalismo, não está ligada com o mesmo. Ao contrário, condena claramente o capitalismo, o imperialismo e o latifúndio.

A doutrina da Igreja defende é uma forma de economia mista, com milhões de pequenas propriedades pessoais e uma grande estrutura estatal, um grande Estado social e econômico, de proteção e ajuda a todos. 

Stuart Mill e o padre Liberatore, expoentes da economia mista, de um socialismo de economia mista

Stuart Mill, no livro “Princípios de economia política” (editado no Brasil pela Abril Cultural, em 1983), no Livro quinto, redigiu o capítulo décimo, onde lembra que, antes do capitalismo, existiam a proteção da indústria nativa (protecionismo, inclusive proibições), a vedação da usura, a regulamentação e o controle dos preços (teoria dos preço justo), monopólios governamentais, estatais, formas cooperativas de trabalho etc.

A Igreja aceitava bem estes institutos (formas) jurídicos socializantes e anti-liberais.

Stuart Mill, no final da vida, adotou uma forma de socialismo cooperativista economia mista, bem próxima da Doutrina social da Igreja, e era feminista, redigindo ótima obra sobre os direitos da mulher, obra escrita em co-autoria com sua esposa. Victor Hugo tinha ideias próximas, também bem próximas da Igreja. 

A doutrina da Igreja sobre a relação das pessoas entre si e com os bens não ampara o capitalismo, não está ligada com o mesmo.

Ao contrário, condena claramente o capitalismo, o imperialismo e o latifúndio. A Igreja defende economia mista (ver texto hiper claro do padre Liberatore, que participou da redação da “Rerum Novarum”, em 1891, em seu livro “Princípios de economia política”, que tenho em francês). 

As melhores ideias de Bertrand Russel são ideias católicas, defendendo um socialismo moderado, economia mista

Com um pensamento político semelhante a Stuart Mill, Bertrand Russel, em sua “Autobiografia”, de 1914 a 1944 (ed. Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 1970, vol II, de 1914 a 1944, p. 353), escreveu: “considero o socialismo em suas formas mais moderadas como um desfecho natural da tradição cristã” e acrescenta que “infelizmente o marxismo venceu entre os socialistas”, ponto que está errado, pois a corrente hegemônica no socialismo foi sempre o socialismo religioso, especialmente o socialismo cristão, católico.

Se tivesse vivido um pouco mais, Russel veria que correntes como a teologia da libertação e outras geraram boas sínteses que reincorporam os elementos verdadeiros do marxismo (como foi constatado por papas como Pio XI, João XXIII, João Paulo II e até o atual), combinando socialismo, democracia, nacionalismo, distributismo, nacionalismo etc. Lembro que o marxismo nasce do socialismo pré-marxista, cristão. As melhores ideias de Marx nascem da Tradição cristã e judaica-semita. 

Na página 148 da autobiografia, Bertrand Russel reconhece que foi influenciado pelo “catolicismo liberal”(liberal no sentido restrito de esquerda, social) desde 1913.

Em cartas de 1935 (p. 292, da autobiografia), ele escreveu que “a idéia religiosa no comunismo, que é a razão de seu sucesso (a certeza que dá de que o Tempo, que é Deus, está do lado da gente” pode levar à “estagnação” e que “a energia e combatividade das nações cristãs provêm, a meu ver, da doutrina do pecado, sobretudo do pecado original e do gênero de luta que se deve travar pela redenção”.

Russel devia ter visto que a luta “pela redenção” (libertação, bem comum) tem o apoio efetivo de Deus, que opera por mediações, no processo histórico, respeitando a liberdade das pessoas.

Russel, infelizmente, declarou-se ateu. No entanto, soube destacar corretamente as origens religiosas (cristãs) do socialismo, de uma democracia popular, social.

Suas idéias de pluralismo e de uma democracia avançada lembram as idéias de Stuart Mill e dos radicalistas cristãos ingleses, que têm como precursor o grande William Cobbet (elogiado por Marx). Cobbet inspirou os cartistas e, depois, os trabalhistas ingleses (que eram, quase todos, socialistas cristãos).

Conclusão: uma forma de socialismo moderado, democrático e participativo, com liberdade, é plenamente compatível com o cristianismo, tal como são compatíveis o nacionalismo (sem os erros totalitários e imperialistas, claro), o distributismo, a democracia participativa, a economia mista, o Estado social etc.

Convergência entre católicos e socialistas decorre das fontes comuns, da ética social cristã e hebraica

Houve, no século XIX, uma convergência entre socialistas católicos e cristãos, democratas sociais ligados à religão (como Stuart Mill) e outras correntes.

Esta convergência, mais tarde apontada por Pio XI, na “Quadragesimo anno” (1931), reatava as ligações entre socialismo, democracia e religião, como existiam, já, em várias correntes do socialismo utópico.

Por isso, Schmoller ligava suas posições de intervencionismo estatal na economia à corrente de Sismondi, Dupont White (“O indivíduo e o Estado” e “A liberdade política”), Mathew Carey, Henry Carey, Friedrich List e Stuart Mill.

O “Manifesto de Eisenhach”, do socialismo de cátedra, de 1872, diz que o Estado deve ser um “grande instituto moral de educação” e que deve ter como ideal “fazer participar uma fração cada vez maior de nosso povo em todos os bens da civilização”, a parte de cada no bem comum, como destacou Bento XVI, na sua encíclica social, antes de renunciar e abrir caminho a Francisco I.

O socialismo com base na ética social era a tônica de Adolf Wagner. Esta linha socialista, hegemonicamente cristã, admitia amplo distributismo de pequenos e médios bens, com a estatização de grandes bens produtivos, planificação e democracia (convenceram Bismarck a cessar a perseguição à Igreja e instaurar seguros sociais e o voto universal).

No mesmo sentido, vale à pena a leitura do “Programa dos deputados católicos da Holanda”, elaborado em Utrecht, em 1897.

O socialismo de cátedra e dos historicistas teve amplos pontos em comuns com a dos melhores expoentes da doutrina social da Igreja, como destacou o padre Heinrich Pesch (1854-1926) e outros escritores, especialmente Ketteler e Buchez.

Pesch, tal como seu irmão Tilmann Pesch (1836-1899), ensinava inúmeros pontos comuns com os melhores textos de socialistas cristãos como Adolfo Wagner.

O livro de Pesch, “Tratado da economia nacional” (1905-1923), mostra como toda a doutrina social da Igreja é centrada nas exigências racionais do bem comum, expondo as linhas gerais do solidarismo cristão, semelhantes à corrente do solidarismo na França, da III República, onde também houve uma convergência entre católicos sociais e socialistas possibilistas e cristãos.

O solidarismo foi uma busca para elaborar as linhas gerais de uma democracia social, participativa e popular.

Os textos de Pesch são, em vários pontos, semelhantes aos de expoentes como Ketteler, Buchez, e também socialistas cristãos como Rufolf Meyer (amigo pessoal de Engels), Rodbertus, Schmoller, Roscher e outros.

A variedade de formas da propriedade, na história e na geografia, cf. Laveleye

Emile Louis Victor de Laveleye (1822-1892), um grande socialista cristão belga, escreveu o livro “Da propriedade e de suas formas primitivas” (1872). 

Laveleye é outra prova que o socialismo nasceu de fontes cristãs, em praticamente todos os países.

Afinal, o núcleo sadio do socialismo é a ética social cristã e hebraica, a mesma ética do estoicismo, do platonismo, do aristotelismo etc. 

Stuart Mill, em carta de 17.11.1872, elogia Laveleye, por ter demonstrado que não há uma forma fixa e única de propriedade, e sim inúmeras variações, inúmeras formas. O mesmo para formas de governo e de Estado. 

A doutrina social da Igreja tem a mesma opinião, ensinada nos textos de Leão XIII, Pio XI e outros papas. As formas de propriedade e de Estado variam na história e nos quadrantes do Globo, na geografia. 

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