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Os católicos são espiritualmente semitas. O mesmo para a Paideia e o estoicismo

O Papa Pio XI ensinou que os católicos são espiritualmente semitas, somos os irmãos mais novos dos semitas, dos judeus. 

Os hebreus ensinavam que os lídios (que viviam na região da Jônia e da Cária) era semitas, tal como os Caldeus.

A Cária, uma das principais regiões da Ásia Menor, vizinha da Jônia, teria sido fundada por Kar, um rei fundador da colônia fenícia. Os etruscos, povo que habitava em Roma, base da civilização romana, tem origem na Cária, área semita, asiática. A Lídia tem amplas raízes culturas fenícias e semitas, basta pensar em Cades, a capital, que os judeus diziam que tinha origem judaica (é bem provável que houvesse boa colônia fenícia e hebraica em Cades). 

Ciro, da Pérsia, passou a controlar a Lídia em 545 a.C. Ciro foi elogiado por escritores gregos como Heródoto, Xenofonte, Ctésias e outros.

A Cária tinha outras cidades importantes como Antioquia da Pisídia (diferente da Antioquia da Síria, tal como há duas Apaméias e duas Tebas), Heracléia, Laodicéia, Alinda, Halicarnasso (terra de Heródoto, que aponta as ligações destas cidades com os fenícios e com o oriente) e outras. O próprio culto a Hércules tem origem fenícia. 

Como explicou Bento XVI:

Na verdade, como sabemos, o Cristianismo nasceu no Oriente Médio. E por muito tempo, seu desenvolvimento principal permaneceu lá, e se difundiu na Ásia, muito mais do que podemos pensar hoje, depois das mudanças levadas pelo Islamismo [o que explicou a difusão e os pontos comuns entre cristianismo e islamismo e a razão deste ser chamado de “heresia cristã”, por São João Damasceno e outros]. Por outro lado, exatamente por esse motivo [o surgimento do islamismo e o afastamento dos ortodoxos], o seu eixo deslocou-se sensivelmente para o Ocidente e para a Europa, e a Europa – fato que nos enche de orgulho e de alegria – desenvolveu ulteriormente o Cristianismo, nas suas grandes dimensões, também intelectuais e culturais”.

Conclusão: a Paidéia é uma criação dos gregos e também dos povos da Antiguidade, com vastas raízes semitas. Dentro da Paidéia, desde o início, existiam raízes semitas, ideias semitas. E isso só se acentuou mais ainda com os estoicos, pois o estoicismo é uma corrente, a melhor, a meu ver, de origem semita, fenícia e hebraica. 

Os gregos eram e são um grande povo, pois sempre foram abertos às idéias verdadeiras, recebendo as verdades de outros povos e também gerando, em seus grandes expoentes, idéias fundamentais para a humanidade. O cristianismo nasceu com duas colunas, a Paidéia e as Tradições bíblicas e hebraicas.

Boa parte da Paidéia grega tem origem semita, no berço da civilização, na antiga Suméria

A Grécia antiga foi também profundamente influenciada pelos semitas, especialmente pela mediação egípcia, dos hitititas, fenícios, assírios, babilônicos (caldeus),  medos,  persas etc. Os persas conquistaram o Egito, a Trácia e a Macedônia. Antes do apogeu de Atenas, a influência fenícia, semita e persa já era imensa. Em 508, Clístenes, um dos principais democratas de Atenas, buscou a aliança persa contra Esparta.

Atenas só consolidou a democracia em 508 ou 507 a.C., por causa da morte dos tiranos, da família Psistrátidas (Hípias e Hiparco). Pois bem, a morte do principal tirano, Hiparco, ocorreu em 514 a.C., segundo Heródoto, por várias causas, sendo uma das principais  a ação de “Aristogíton e Harmódio, gefireus de origem”, de origem fenícia.

Os heróis da Democracia grega, de Atenas, com estátuas em homenagem pela superação da tirania e pela adoção da democracia, são heróis de origem fenícia. 

Segundo Heródoto, a adoção da Democracia em Atenas ocorreu por causa de uma aliança dos democratas com os persas, quando “Mardônio chegou à Jônia”, obedecendo a Ciro, o Grande, libertador dos judeus. Vejamos o texto de Heródoto:

…vou narrar um caso que muito surpreenderá os Gregos, que não acreditaram que Otanes expôs, ao Conselho dos Sete Persas, a opinião de que os Persas deveriam se reger pela democracia. De fato, Mardônio destituiu todos os tiranos dos Jônios e, nas suas cidades, estabeleceu governos democráticos” (cf. “História”, Livro VI, 43.1). 

O general de Ciro, Mardônio, destituiu todos os tiranos da Jônia e nas cidades estabeleceu governos democráticos, cf. Heródoto. 

Ciro primeiro derrotou o reino da Lídia. Depois, derrotou o rei babilônico Nabonido. A  conquista da Lídia, vizinha aos gregos, foi que deu força a Ciro. O filho de Ciro, Cambises, conquistou o Egito, em 524 a.C.

Na Grécia propriamente dita, também havia influência egípcia e fenícia, bem remota e presente.

A cunhagem de moedas tem origem asiática também, pois é uma invenção lídia, lá por 640 a 630 a.C, tendo sido adotada pelos persas e depois pelos gregos. O mesmo vale para o alfabeto, de origem semita. 

A influência egípcia e fenícia está presente na cidade de Micenas, a 90 km de Atenas, pois Micenas, a base da civilização minóica, estava ligada a Creta (daí, a lenda do Minotauro e o papel de Teseu, libertador da Grécia). O rei Agamenon era rei de Micenas, sendo, nas narrativas de Homero, a base política principal da Grécia.

Há uns 25 km de Atenas, havia Tebas, o centro político da Beócia (terra de Hesíodo, de Hércules, de Plutarco, de Antígona e outros), cidade fundada por Cadmo, um fenício. Tebas era uma cidade de origem fenícia, uma colônia fenícia, e foi Tebas quem gerou o alfabeto grego, que é o alfabeto fenício, adotado e alterado em pontos ínfimos. E Tebas é a sede de quase todas as grandes peças de teatro clássicas, de Ésquilo, Sófocles, Eurípedes etc. 

A escrita grega vem da Fenícia, pela mediação de Cadmo, pois Tebas era uma colônia fenícia. Os dramas do ciclo de Édipo, dos grandes dramaturgos gregos (Ésquilo, Sófocles, principalmente, ocorrem em Tebas, mostrando a importância desta cidade. O drama de Antígona ocorre em Tebas, antiga colônia fenícia.

A criação da escrita fonética (registro de fonemas, facilitado pela estrutura consonantal das línguas semitas) foi uma criação semita, lá por 1.500 a.C. (cf. inscrições em Biblos, cidade ao lado de Tiro), com base na escrita cuneiforme da Suméria, da região ao lado de Ur, terra aramaica de Abraão. Os elamitas, semitas, foram a principal base da melhoria, formulação e divulgação do alfabeto silábico cuneiforme, que gerou o alfabeto de Biblos, de 20 e poucas letras, sendo esta a fonte principal do alfabeto fenício e hebraico (e aramaico). 

A escrita cuneiforme ugarítica, com 30 letras, derivada do alfabeto silábico cuneiforme, é a forma histórica conhecida da primeira escrita fonética. Foi usada de 1.500 a 1.200 a.C., gerando o alfabeto fenício-amaraico (língua irmã do aramaico e do hebraico), lá por 1.000 a.C.. Depois, a escrita fenícia foi adotada pelos gregos, lá por 800 a 700 antes de Cristo.

O alfabeto sumério-ugarítico e fenício, especialmente com base nas línguas semitas (aramaicas), foi também adotado pelos hebreus.

Os hebreus podem ter gerado de forma simultânea o alfabeto. Foi também adotada pelos árabes, tal como pelos latinos e pelos cristãos orientais (na forma aramaica).

O alfabeto fenício-semita, aramaico, foi adotado também na Índia, no bakhti, a primeira forma escrita, baseada neste alfabeto ugarítico-fenício, gerado no complexo cultural sumério, aramaico, semita e hebraico. A cultura indiana recebeu influências do Crescente Fértil, influência semita. A religião hindu, o hinduísmo, tal como o budismo, tem matrizes fenícias, pela escrita adotada, e pelos vínculos entre a área cultural persa-semita (elamita) e a Índia, por causa da invasão dos ários (de origem na área da Pérsia, inclusive perto do Tigre e Eufrates e o Mar Morto), origem dos “ários” (o termo ariano vem dos povos iranianos, com vasta influência semita). Os nazistas distorceram e não entenderam que boa parte da cultura ariana tem origem semita.

A Jônia, a base principal da cultura “grega”, a área que gerou a filosofia grega (não foi em Atenas, e sim na Ásia, na Jônia, onde é a Turquia hoje) sempre esteve banhada pela influência asiática-semita. Esteve sob controle hitita, depois persa-fenício (pois os persas controlavam a Fenícia) de 557 a 479 a.C., tal como de 387 a.C. até ser libertada e colocada sob o controle de Alexandre, o grande.

Os persas, tal como antes os fenícios, estavam em ligação com os hebreus, que estavam dispersos entre os assírios desde 722 a.C. e também cativos na Babilônia, desde 586 a.C.

Nos séculos VIII, VII e VI a.C., boa parte da Paidéia foi gestada na Jônia, na Ásia, mais do que na Grécia. Outra parte brotou do sul da Itália, área ligada aos fenícios, especialmente o pitagorismo. A importância da área da Jônia fica clara até nas narrativas sobre Tróia, pois Tróia fica na Jônia, na Ásia, na Turquia, hoje. 

A filosofia “grega” nasce nas cidades jônias e em relação com a Itália do sul, com a Sicília e a Sardenha, áreas em estreito contato com os fenícios e com o Oriente.

Na Itália, os etruscos, povo que deu origem aos romanos, tinha também origem na Ásia Menor, como explicou Heródoto. Os etruscos eram originários da Cária, uma região ao sul da Jônia. A Cária era chamada, originalmente, de Fenícia, pois era uma colônia fenícia, logo, semita.

As raízes semitas do estoicismo, o que explica a razão do catolicismo e do judaísmo terem acolhido boa parte do estoicismo

O estoicismo nasceu em áreas de cultura semita e fenícia, com base na cultura fenícia-semita. O fundador do estoicismo, Zenão, nasceu em Chipre, terra totalmente influenciada pelos fenícios e judeus, bem perto de Tarso, a cidade natal de São Paulo.

Este ponto foi bem demonstrado pelo padre Eleutério Elorduy, no livro “El estoicismo” (Madrid, Ed. Gredos, 1972, vol. I, pp. 25-32). O estoicismo desenvolveu-se, desde as origens, com base em homens banhados pela cultura fenícia-semita, existente na Fenícia (ao lado da Judéia).

Nasceu em lugares banhados pela cultura fenícia e hebraica (tendo grandes colônias hebraicas), como o Chipre, Tarso, Síria e em várias áreas da Palestina e da Mesopotâmia. Todas estas áreas eram banhadas pelas idéias semitas, presentes nas idéias persas, fenícias, assírias e outras.

Houve também influência semita (hebraica) clara nos textos de Sêneca, Epicteto e Marco Aurélio (e os três foram influenciados pelo cristianismo, pois mencionam os “galileus”, os cristãos). O mesmo ocorre com Tácito, Galeno, Plutarco, Plotino e outros autores.

Os principais estoicos são homens nascidos na região de Tarso e de Chipre. Esta região tinha tantos judeus que, em 117, estes atacaram os romanos, participando da guerra judaica, contra os romanos. Outros estoicos eram da Síria, da Fenícia, região banhada pelas idéias hebraicas e semitas, presentes na cultura Cananeia-fenícia. Uma prova disso é o o fato do nome principal de Deus, na cultura fenícia, ser “El”, como é na Bíblia.

O nome principal da divindade, na Bíblia, é “El” e isso permanece mesmo quando o culto a Baal prepondera, em conflito com “El”, mas sendo afirmado que Baal nasce de “El” (ver, a propósito, os conflitos de Elias com os sacerdotes de Baal).

Seria possível citar mais de vinte grandes estoicos de origem na cultura semita. Basta, para ilustrar, citar Zenão de Chipre (o fundador do estoicismo), Crisipo (o principal formulador do estoicismo) e mesmo Posidônio, que nasceu na Síria. A região entre Jerusalém e a Síria deu origem também a autores como Porfírio, que nasceu em Tiro, cidade fenícia, ligada culturalmente aos hebreus. A Cilícia era tanto ligada aos hebreus que Polemon II, rei da Cilícia, casou-se com Berenice, irmã de Herodes Agripa II.

Outros grandes estoicos tem origem na Espanha, terra colonizada primeiro pelos fenícios, totalmente influenciada pela cultura fenícia-semita, inclusive por judeus. Os fenícios estavam presente na Grécia, também, pois o alfabeto grego é o alfabeto fenício e Tebas (a cidade base das grandes peças de teatro gregas) é uma colônia fenícia, foi fundada pelos fenícios. Os fenícios também participaram do surgimento da democracia na Grécia, derrotando o tirano que escravizava Atenas e a tornando uma democracia.

Os fenícios também estavam presentes na Lídia, em Sardes, onde também existiam judeus. Fenícios e judeus estavam presentes no Império assírio, babilônico, persa etc. Mesmo Homero, na “Ilíada”, menciona os fenícios, como grandes navegantes. 

Tarso era uma das maiores cidades do mundo, tendo mais de 500.000 habitantes, na época de Cristo. Tarso, Pérgamo e Antioquia, juntas, faziam bom contraponto a Alexandria e a Roma, deixando para trás cidades como Corinto e Éfeso, que eram enormes também.

Xenofonte passou por Tarso, lá por 401 a.C., com os dez mil gregos, citados na “Anabase”. Tarso é mencionada com Tarsis, em Gn 10,4; tal como em 2 Macabeus 4,30-36. Tarso era protegida por Augusto, pois era a terra natal de Atenodoro, um estóico, professor de Augusto. Augusto mantinha relações de amizade com Herodes, que tinha escritores como Nicolau de Damasco (n. em 64 a.C.), um filósofo e um historiador, autor de uma História universal de 144 livros e de uma biografia de Augusto. Josefo utilizou vários textos de Nicolau de Damasco.

Theodore Reinach (1860-1928) escreveu um livro chamado “Textos de autores gregos e romanos relativos ao judaísmo” mostrando as ligações antigas entre o judaísmo e a filosofia grega, especialmente o estoicismo. Theodore era irmão de Solomon (arqueólogo e historiador) e de Joseph Reinach, o chefe de Gabinete de Gambetta. Theodore dirigiu, por anos, a “Revista de Estudos Gregos”. Seus estudos mostram a mesma tese dos Santos Padres: o pensamento judaico influenciou o pensamento grego e romano, por dentro, auxiliando a luz natural da razão a gerar ideias bem próximas do cristianismo, preparando o surgimento do cristianismo.

No mundo judaico, o cristianismo foi, no prisma humano, a continuidade do movimento dos fariseus (“perushim”). Estes já estavam realizando sínteses com a Paidéia, adotando um ecletismo filosófico que juntava as idéias estóicas, platônicas etc e o mesmo ocorria com os essênios.

Os fariseus são a base dos essênios e dos zelotes, pois essênios e zelotes são variações do movimento fariseu. O helenismo e as idéias hebraicas já estavam em diálogo intenso antes do helenismo e, principalmente, depois.

No mundo judaico, uma parte dos sábios passou a adotar nomes gregos no século III a.C., tal como antes adotara nomes egípcios, babilônicos e persas. Antígnos de Sochos é tido como o primeiro a adotar um nome grego e dois de seus discípulos, Tsadoc e Betus, romperam com a Torah oral (“Lei oral”, defendida pelos fariseus e pelos católicos) e adotaram o hedonismo, as idéias de Epicuro (foram chamados de “epikaros”, de epicureus).

Segundo o Talmud, Tsadoc e Betus foram os fundadores das seitas dos saduceus e dos betusianos. No caso dos saduceus, houve erros, pois rejeitaram o substrato estoico contido na crença dos fariseus. Os fariseus eram a seita mais próxima do cristianismo, ponto que Cristo destacou. 

O Talmud chama a pessoa que ataca a fé de “o epicurista”. Só este fato já demonstra bem o elogio fariseu das idéias estóicas no Talmud. Flávio Josefo chamava os fariseus de “os estoicos hebreus”. 

Os rabinos, tradicionalmente, chamam de “apiqoros” (epicureus) as pessoas que negavam a vida após a morte. Também usaram o termo “apiqoros” para designar os pagãos. Esta crítica rabínica aos epicureus é outro sinal claro do amor judaico ao estoicismo, de fundo semita, também.

Conclusão – a filosofia cristã e hebraica é formada de uma síntese do melhor da Paideia com o melhor do Tradição hebraica, sendo uma síntese eclética, unindo os melhores textos dos órficos, dos pitagóricos, do platônicos, dos aristotélicos e dos estoicos e, depois, do hermetismo. O mesmo vale para o pensamento muçulmano, como pode ser visto nos melhores textos da comunidade muçulmana no Cairo.

No fundo, é praticamente o credo da última fase de Diderot, que morreu panteísta e adepto de Seneca, estoico. 

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