Arquivos para : estoicismo

Resumo da vida de São Paulo e dados sobre sua cidade, Tarso

São Paulo nasceu em Tarso (cf. At 9,11) lá por 5 d.C. e teria vivido ali até aos 20 anos. Depois, partiu para Jerusalém, onde morava uma irmã sua, casada, cujo sobrinho salvou a vida de São Paulo, anos depois. Em Jerusalém, permaneceu de 25 d.C. até cerca de 33 ou 36 d.C, tendo sido aluno do grande Gamaliel, “o rabino erudito mais ilustre de seu tempo” (cf. David H. Stern, “Comentário judaico do Novo Testamento”, Belo Horizonte, Ed. Atos, 207, p. 337, sendo Stern um “judeu messiânico”, um judeu cristão).

São Paulo nasceu na cidade de Tarso, que tinha mais cultura do que talvez houvesse em Alexandria e foi aluno do principal rabino de seu tempo, o que mostra bem como age a Providência, usando meios naturais como mediações.

Lá por 36 d.C., São Paulo converteu-se e foi assassinado em 67 ou 68 d.C., uns três anos depois do assassinato de Sêneca.

São Paulo fundia, em si mesmo, o melhor da Paidéia e o melhor do pensamento hebraico, tendo como professor Gamaliel, o neto do grande Hilel. Gamaliel salvou São Pedro e os Apóstolos (cf. At 5,34) e há uma tradição que diz que Gamaliel teria se convertido e sido batizado, junto com Nicodemo.

Tarso foi a cidade onde Antônio encontrou Cleópatra, em 41 a.C., tendo feito de Tarso a capital do que seria seu império asiático.

Júlio César também esteve em Tarso, lá por 47 a.C. Augusto (63 a.C. a 14 d.C.) concedeu a cidadania romana aos habitantes de Tarso, o que foi a origem da cidadania romana de São Paulo. A razão para isso deve-se à gratidão que tinha pelo estóico Atenodoro, que nasceu em Tarso.

Atenodoro de Tarso (74 a.C. a 7 d.C.) foi um dos professores de Augusto e foi tutor de Marcelo, sobrinho de Augusto. Atenodoro deixou conselhos éticos a Augusto, conselhos em harmonia com as idéias hebraicas, como: “quando estiveres irado, César, nada digas e nada faças até que tenhas repetido as letras do alfabeto” e “vive de tal modo com os homens como se Deus te visse; fala de tal modo com Deus como se os homens estivessem ouvindo”. Augusto também nomeou Nestor, de Tarsos, para ser o tutor (professor) de seu filho ou sobrinho.

Atenodoro de Tarso, como Cícero, foi aluno de Posidônio, em Rhodes. Posidônio, por sua vez, foi aluno de Panécio.

Ora, Panécio era discípulo de Antípater de Tarso. Cícero foi aluno de Posidônio, o que mostra o tanto que o pensamento de Cícero tem origem em Tarso, a cidade de São Paulo, que Cícero governou, em 51 a.C.

Posidônio (135-50 a.C.) nasceu em Apaméia, cidade da Síria, que fica a uns 200 quilômetros de Tarso e 150 km de Chipre.

Posidônio é o exemplo perfeito do estóico ligado à tradição de Crisipo, pois Posidônio combinava, numa síntese, estoicismo, aristotelismo e platonismo. Esta síntese está também em Plutarco, Tácito, Galeno, no Pseudo-Dionísio e, depois, em São João Damasceno e Boécio, preparando a síntese tomista.

Atenodoro, no final da vida, voltou a Tarso e ajudou a expulsar Boethus, um tirano.

Atenodoro teria auxiliado Cícero na confecção do livro “Dos deveres” (o mesmo título da obra de Antípater de Tiro, outro estóico), livro que influenciou profundamente os Santos Padres (especialmente Santo Ambrósio, Santo Agostinho, Lactâncio e São Jerônimo). Atenodoro foi o mestre de Apolônio de Epiro. Em 50 a.C., Atenodoro foi para Roma para ser o professor de Augusto, permanecendo em Roma até 33 a.C. Atenodoro faleceu com 82 anos e era amigo de Estrabão. Houve ainda outro Atenodoro de Tarso, que tinha o apelido de Cordilion. Este segundo Atenodoro era o encarregado da Biblioteca de Pérgamo e era também estóico. Este segundo Atenodoro foi levado para Roma, por Catão de Útica e teria ajudado Cícero na redação do livro “Dos ofícios”, na parte que resume das idéias de Posidônio.

A região em torno de Tarso era uma área onde o estoicismo era bastante cultivado e estas idéias, com certeza, influenciaram São Paulo.

O estoicismo é uma filosofia influenciada desde a origem pelas idéias semitas, asiáticas, persas, sumérias, dos caldeus e também dos hebreus e, por esta razão, pelas idéias em comum, era a filosofia preferida dos Santos Padres (na parte ética) e está presente na lista de virtudes e de vícios, nos textos de São Paulo.

Após a conversão, São Paulo retornou a Tarso, por algum tempo, para refugiar-se.

Os católicos são espiritualmente semitas. O mesmo para a Paideia e o estoicismo

O Papa Pio XI ensinou que os católicos são espiritualmente semitas, somos os irmãos mais novos dos semitas, dos judeus. 

Os hebreus ensinavam que os lídios (que viviam na região da Jônia e da Cária) era semitas, tal como os Caldeus.

A Cária, uma das principais regiões da Ásia Menor, vizinha da Jônia, teria sido fundada por Kar, um rei fundador da colônia fenícia. Os etruscos, povo que habitava em Roma, base da civilização romana, tem origem na Cária, área semita, asiática. A Lídia tem amplas raízes culturas fenícias e semitas, basta pensar em Cades, a capital, que os judeus diziam que tinha origem judaica (é bem provável que houvesse boa colônia fenícia e hebraica em Cades). 

Ciro, da Pérsia, passou a controlar a Lídia em 545 a.C. Ciro foi elogiado por escritores gregos como Heródoto, Xenofonte, Ctésias e outros.

A Cária tinha outras cidades importantes como Antioquia da Pisídia (diferente da Antioquia da Síria, tal como há duas Apaméias e duas Tebas), Heracléia, Laodicéia, Alinda, Halicarnasso (terra de Heródoto, que aponta as ligações destas cidades com os fenícios e com o oriente) e outras. O próprio culto a Hércules tem origem fenícia. 

Como explicou Bento XVI:

Na verdade, como sabemos, o Cristianismo nasceu no Oriente Médio. E por muito tempo, seu desenvolvimento principal permaneceu lá, e se difundiu na Ásia, muito mais do que podemos pensar hoje, depois das mudanças levadas pelo Islamismo [o que explicou a difusão e os pontos comuns entre cristianismo e islamismo e a razão deste ser chamado de “heresia cristã”, por São João Damasceno e outros]. Por outro lado, exatamente por esse motivo [o surgimento do islamismo e o afastamento dos ortodoxos], o seu eixo deslocou-se sensivelmente para o Ocidente e para a Europa, e a Europa – fato que nos enche de orgulho e de alegria – desenvolveu ulteriormente o Cristianismo, nas suas grandes dimensões, também intelectuais e culturais”.

Conclusão: a Paidéia é uma criação dos gregos e também dos povos da Antiguidade, com vastas raízes semitas. Dentro da Paidéia, desde o início, existiam raízes semitas, ideias semitas. E isso só se acentuou mais ainda com os estoicos, pois o estoicismo é uma corrente, a melhor, a meu ver, de origem semita, fenícia e hebraica. 

Os gregos eram e são um grande povo, pois sempre foram abertos às idéias verdadeiras, recebendo as verdades de outros povos e também gerando, em seus grandes expoentes, idéias fundamentais para a humanidade. O cristianismo nasceu com duas colunas, a Paidéia e as Tradições bíblicas e hebraicas.

O hilemorfismo do catolicismo, estoicismo católico e hebreu

A união entre alma e corpo, da antropologia semita e do hilemorfismo estóico e aristotélico, faz parte essencial do cristianismo.

Cada idéia má em nós gera maus efeitos no corpo; e o corpo influencia a alma.

Pio XII, no discurso sobre “Os distúrbios hormonais e neurovegetativos”, proferido no XII Congresso da Sociedade Otorrinolaringológica Latina, em 01.07.1958, em Roma, destacou bem o “equilíbrio psicofísico” da pessoa, tema repetido na Assembléia do Colégio Internacional Neuropsicofarmacológico, também em Roma, sobre sedativos etc.

A Igreja aceitou experiências de hipnotismo para fazer o bem, controladas por bons médicos, com ética. 

São Paulo, um filósofo estoico de Tarso, fariseu, que manteve estas ideias, ao se tornar católico, cristão

São Paulo nasceu em Tarso (cf. At 9,11) lá por 5 d.C. e teria vivido ali até aos 20 anos, até 15 d.C. Depois, partiu para Jerusalém, onde morava uma irmã sua, casada, cujo sobrinho salvou a vida de São Paulo, anos depois. Em Jerusalém, permaneceu de 25 d.C. até cerca de 33 ou 36 d.C, tendo sido aluno do grande Gamaliel, “o rabino erudito mais ilustre de seu tempo” (cf. David H. Stern, “Comentário judaico do Novo Testamento”, Belo Horizonte, Ed. Atos, 207, p. 337, sendo Stern um “judeu messiânico”, um judeu cristão).

São Paulo nasceu na cidade de Tarso, que tinha mais cultura do que talvez houvesse em Alexandria. Foi aluno do principal rabino de seu tempo, o que mostra bem como age a Providência, usando meios naturais como mediações.

Lá por 36 d.C., São Paulo converteu-se e foi assassinado em 67 ou 68 d.C., uns três anos depois do assassinato de Sêneca.

São Paulo fundia, em si mesmo, o melhor da Paidéia e o melhor do pensamento hebraico, tendo como professor Gamaliel, o neto do grande Hilel. Gamaliel salvou São Pedro e os Apóstolos (cf. At 5,34) e há uma tradição que diz que Gamaliel teria se convertido e sido batizado, junto com Nicodemo.

Tarso foi a cidade onde Antônio encontrou Cleópatra, em 41 a.C., tendo feito de Tarso a capital do que seria seu império asiático.

Júlio César também esteve em Tarso, lá por 47 a.C. Augusto (63 a.C. a 14 d.C.) concedeu a cidadania romana aos habitantes de Tarso, o que foi a origem da cidadania romana de São Paulo. A razão para isso deve-se à gratidão que tinha pelo estóico Atenodoro, que nasceu em Tarso.

Atenodoro de Tarso (74 a.C. a 7 d.C.) foi um dos professores de Augusto e foi tutor de Marcelo, sobrinho de Augusto. Atenodoro deixou conselhos éticos a Augusto, conselhos em harmonia com as idéias hebraicas, como: “quando estiveres irado, César, nada digas e nada faças até que tenhas repetido as letras do alfabeto” e “vive de tal modo com os homens como se Deus te visse; fala de tal modo com Deus como se os homens estivessem ouvindo”. Augusto também nomeou Nestor, de Tarsos, para ser o tutor (professor) de seu filho ou sobrinho.

Atenodoro de Tarso, como Cícero, foi aluno de Posidônio, em Rhodes. Posidônio, por sua vez, foi aluno de Panécio. Ora, Panécio era discípulo de Antípater de Tarso. Cícero foi aluno de Posidônio, o que mostra o tanto que o pensamento de Cícero tem origem em Tarso, a cidade de São Paulo, que Cícero governou, em 51 a.C.

Posidônio (135-50 a.C.) nasceu em Apaméia, cidade da Síria, pertinho de Jerusalém, que fica a uns 200 quilômetros de Tarso e 150 km de Chipre. Posidônio é o exemplo perfeito do estóico ligado à tradição de Crisipo. Afinal, Posidônio combinava, numa síntese, estoicismo, aristotelismo e platonismo. Esta síntese está também em Plutarco, Tácito, Galeno, no Pseudo-Dionísio e, depois, em São João Damasceno e Boécio, preparando o que se convencionou chamar de “filosofia cristã”, bem expressa na síntese tomista, .

Atenodoro, no final da vida, voltou a Tarso e ajudou a expulsar Boethus, um tirano. Atenodoro teria auxiliado Cícero na confecção do livro “Dos deveres” (o mesmo título da obra de Antípater de Tiro, outro estóico), livro que influenciou profundamente os Santos Padres (especialmente Santo Ambrósio, Santo Agostinho, Lactâncio e São Jerônimo). Atenodoro foi o mestre de Apolônio de Epiro.

Em 50 a.C., Atenodoro foi para Roma para ser o professor de Augusto, permanecendo em Roma até 33 a.C. Atenodoro faleceu com 82 anos e era amigo de Estrabão. Houve ainda outro Atenodoro de Tarso, que tinha o apelido de Cordilion. Este segundo Atenodoro era o encarregado da Biblioteca de Pérgamo e era também estóico. Este segundo Atenodoro foi levado para Roma, por Catão de Útica e teria ajudado Cícero na redação do livro “Dos ofícios”, na parte que resume das idéias de Posidônio.

A região em torno de Tarso era uma área onde o estoicismo era bastante cultivado e estas idéias, com certeza, influenciaram São Paulo.

O estoicismo é uma filosofia influenciada desde a origem pelas idéias asiáticas, elamitas, fenícias, dos caldeus, dos persas e também dos hebreus e, por esta razão, pelas idéias em comum, era a filosofia preferida dos Santos Padres (na parte ética) e está presente na lista de virtudes e de vícios, nos textos de São Paulo etc. Após a conversão, São Paulo retornou a Tarso, por algum tempo, para refugiar-se, para refletir, unindo o melhor da Paidéia com o melhor do pensamento hebraico.

As raízes semitas do estoicismo, o que explica a razão do catolicismo e do judaísmo terem acolhido boa parte do estoicismo

O estoicismo nasceu em áreas de cultura semita e fenícia, com base na cultura fenícia-semita. O fundador do estoicismo, Zenão, nasceu em Chipre, terra totalmente influenciada pelos fenícios e judeus, bem perto de Tarso, a cidade natal de São Paulo.

Este ponto foi bem demonstrado pelo padre Eleutério Elorduy, no livro “El estoicismo” (Madrid, Ed. Gredos, 1972, vol. I, pp. 25-32). O estoicismo desenvolveu-se, desde as origens, com base em homens banhados pela cultura fenícia-semita, existente na Fenícia (ao lado da Judéia).

Nasceu em lugares banhados pela cultura fenícia e hebraica (tendo grandes colônias hebraicas), como o Chipre, Tarso, Síria e em várias áreas da Palestina e da Mesopotâmia. Todas estas áreas eram banhadas pelas idéias semitas, presentes nas idéias persas, fenícias, assírias e outras.

Houve também influência semita (hebraica) clara nos textos de Sêneca, Epicteto e Marco Aurélio (e os três foram influenciados pelo cristianismo, pois mencionam os “galileus”, os cristãos). O mesmo ocorre com Tácito, Galeno, Plutarco, Plotino e outros autores.

Os principais estoicos são homens nascidos na região de Tarso e de Chipre. Esta região tinha tantos judeus que, em 117, estes atacaram os romanos, participando da guerra judaica, contra os romanos. Outros estoicos eram da Síria, da Fenícia, região banhada pelas idéias hebraicas e semitas, presentes na cultura Cananeia-fenícia. Uma prova disso é o o fato do nome principal de Deus, na cultura fenícia, ser “El”, como é na Bíblia.

O nome principal da divindade, na Bíblia, é “El” e isso permanece mesmo quando o culto a Baal prepondera, em conflito com “El”, mas sendo afirmado que Baal nasce de “El” (ver, a propósito, os conflitos de Elias com os sacerdotes de Baal).

Seria possível citar mais de vinte grandes estoicos de origem na cultura semita. Basta, para ilustrar, citar Zenão de Chipre (o fundador do estoicismo), Crisipo (o principal formulador do estoicismo) e mesmo Posidônio, que nasceu na Síria. A região entre Jerusalém e a Síria deu origem também a autores como Porfírio, que nasceu em Tiro, cidade fenícia, ligada culturalmente aos hebreus. A Cilícia era tanto ligada aos hebreus que Polemon II, rei da Cilícia, casou-se com Berenice, irmã de Herodes Agripa II.

Outros grandes estoicos tem origem na Espanha, terra colonizada primeiro pelos fenícios, totalmente influenciada pela cultura fenícia-semita, inclusive por judeus. Os fenícios estavam presente na Grécia, também, pois o alfabeto grego é o alfabeto fenício e Tebas (a cidade base das grandes peças de teatro gregas) é uma colônia fenícia, foi fundada pelos fenícios. Os fenícios também participaram do surgimento da democracia na Grécia, derrotando o tirano que escravizava Atenas e a tornando uma democracia.

Os fenícios também estavam presentes na Lídia, em Sardes, onde também existiam judeus. Fenícios e judeus estavam presentes no Império assírio, babilônico, persa etc. Mesmo Homero, na “Ilíada”, menciona os fenícios, como grandes navegantes. 

Tarso era uma das maiores cidades do mundo, tendo mais de 500.000 habitantes, na época de Cristo. Tarso, Pérgamo e Antioquia, juntas, faziam bom contraponto a Alexandria e a Roma, deixando para trás cidades como Corinto e Éfeso, que eram enormes também.

Xenofonte passou por Tarso, lá por 401 a.C., com os dez mil gregos, citados na “Anabase”. Tarso é mencionada com Tarsis, em Gn 10,4; tal como em 2 Macabeus 4,30-36. Tarso era protegida por Augusto, pois era a terra natal de Atenodoro, um estóico, professor de Augusto. Augusto mantinha relações de amizade com Herodes, que tinha escritores como Nicolau de Damasco (n. em 64 a.C.), um filósofo e um historiador, autor de uma História universal de 144 livros e de uma biografia de Augusto. Josefo utilizou vários textos de Nicolau de Damasco.

Theodore Reinach (1860-1928) escreveu um livro chamado “Textos de autores gregos e romanos relativos ao judaísmo” mostrando as ligações antigas entre o judaísmo e a filosofia grega, especialmente o estoicismo. Theodore era irmão de Solomon (arqueólogo e historiador) e de Joseph Reinach, o chefe de Gabinete de Gambetta. Theodore dirigiu, por anos, a “Revista de Estudos Gregos”. Seus estudos mostram a mesma tese dos Santos Padres: o pensamento judaico influenciou o pensamento grego e romano, por dentro, auxiliando a luz natural da razão a gerar ideias bem próximas do cristianismo, preparando o surgimento do cristianismo.

No mundo judaico, o cristianismo foi, no prisma humano, a continuidade do movimento dos fariseus (“perushim”). Estes já estavam realizando sínteses com a Paidéia, adotando um ecletismo filosófico que juntava as idéias estóicas, platônicas etc e o mesmo ocorria com os essênios.

Os fariseus são a base dos essênios e dos zelotes, pois essênios e zelotes são variações do movimento fariseu. O helenismo e as idéias hebraicas já estavam em diálogo intenso antes do helenismo e, principalmente, depois.

No mundo judaico, uma parte dos sábios passou a adotar nomes gregos no século III a.C., tal como antes adotara nomes egípcios, babilônicos e persas. Antígnos de Sochos é tido como o primeiro a adotar um nome grego e dois de seus discípulos, Tsadoc e Betus, romperam com a Torah oral (“Lei oral”, defendida pelos fariseus e pelos católicos) e adotaram o hedonismo, as idéias de Epicuro (foram chamados de “epikaros”, de epicureus).

Segundo o Talmud, Tsadoc e Betus foram os fundadores das seitas dos saduceus e dos betusianos. No caso dos saduceus, houve erros, pois rejeitaram o substrato estoico contido na crença dos fariseus. Os fariseus eram a seita mais próxima do cristianismo, ponto que Cristo destacou. 

O Talmud chama a pessoa que ataca a fé de “o epicurista”. Só este fato já demonstra bem o elogio fariseu das idéias estóicas no Talmud. Flávio Josefo chamava os fariseus de “os estoicos hebreus”. 

Os rabinos, tradicionalmente, chamam de “apiqoros” (epicureus) as pessoas que negavam a vida após a morte. Também usaram o termo “apiqoros” para designar os pagãos. Esta crítica rabínica aos epicureus é outro sinal claro do amor judaico ao estoicismo, de fundo semita, também.

Conclusão – a filosofia cristã e hebraica é formada de uma síntese do melhor da Paideia com o melhor do Tradição hebraica, sendo uma síntese eclética, unindo os melhores textos dos órficos, dos pitagóricos, do platônicos, dos aristotélicos e dos estoicos e, depois, do hermetismo. O mesmo vale para o pensamento muçulmano, como pode ser visto nos melhores textos da comunidade muçulmana no Cairo.

No fundo, é praticamente o credo da última fase de Diderot, que morreu panteísta e adepto de Seneca, estoico. 

Função social dos direitos subjetivos, outro nome para economia mista

A defesa da economia mista, do bem comum como síntese do bem pessoal e do bem social, está clara na Bíblia, nas “Leis” de Platão, na “Política” (e nos três livros de ética, e na economia) de Aristóteles e está no estoicismo. 

A concepção de bem comum está presente nos melhores textos de Stuart Mill, no utilitarismo social, que Harold Laski defendeu. E há o mesmo em Gunnar Myrdal.

No fundo, esta ideia de resgate do bem comum, da utilidade social (bem comum, social) como núcleo da ética, foi resgatada por Saint Simon, mestre de Comte. Daí, passou a Stuart Mill etc.

A mesma ideia de bem comum, de utilidade social como núcleo da ética social e de todo o Direito e todo o Estado, está também nos tratados éticos estoicos, tendo sido adotado por Cícero, em várias obras como “Leis” ou “Tratado dos deveres” (traduzido também como “Dos ofícios” ou “Das obrigações”), sendo esta última obra elogiada por praticamente todos os grandes Santos Padres, com destaque para Santo Ambrósio, Santo Agostinho, Santo Tomás de Aquino, Suarez, Bellarmino, São Clemente de Alexandria e outros. 

Comte e Stuart Mill mantiveram correspondência por vários anos.

Augusto Comte, no livro “Política positiva”(1/154-155), escreveu textos bem próximos do catolicismo, como “cada cidadão constitui” (se torna), de certa forma, “um funcionário público” (servidor público, da sociedade), com “atribuições” (poderes, deveres, direitos) que “determinam” suas “obrigações e suas pretensões”. Trata-se, para Comte, de um “princípio universal”. Cada ato social tem uma “função social” inerente ao ato. 

Por esta ligação entre catolicismo e positivismo, fica fácil entender a conversão de Borges de Medeiros, de Barbosa Lima, de Getúlio Vargas, de Roberto Lyra e outros. E a proximidade de Alceu com os positivistas, tal como a política de Mãos estendidas dos positivistas aos católicos, na década de 30.

Católicos e positivistas trabalharam juntos para criarem o melhor de nosso direito trabalhista e previdenciário.

Da mesma forma, Castilhos admitiu o ensino religioso nas escolas públicas do RS, ponto que foi depois admitido por Antônio Carlos, governador de MG. E depois foi estendido a toda rede escolar pública nacional, por Getúlio Vargas. 

Estas ideias, oriundas do sansimonismo cristão, inspiraram Leon Duguit”, grande civilista francês, na obra “As transfigurações do direito privado depois do Código de Napoleão”. É a mesma base de Lassalle, em sua boa obra sobre o direito privado na história.

Também é a mesma ideia geral das obras geniais de Karl Renner, de Campion e do grande Louis Josserand. A mesma da obra do grande Anton Menger, “O direito civil e os pobres”. 

No mesmo sentido, João XXIII destacou a função social inerente a todo direito subjetivo, inclusive os privados.

Cada direito pessoal deve ser modulado, regrado, limitado, ordenado, ao bem comum. Cada ato humano tem um lado pessoal e outro lado social, à imagem da Trindade, economia mista. 

A ética praticamente estoica do Pirkei Aboth, do Talmud

Toda a estrutura ética do “Talmud”, em sua melhor parte, é praticamente um estoicismo hebraico, como fica evidente no “Pirkei Aboth”. O tratado “Pirkei Aboth” (“Ética dos Pais”) é o principal texto ético do Talmud. O “Pirkei” traz um texto do Rabi Eleazar, que diz: “seja diligente no estudo da Torah, para saber o que deve responder ao epicurista”, refutando-o (cf. Irving M. Bunim, no livro “A ética do Sinai”, tradução de Dagoberto Mensch, p.121). No núcleo ético do Talmud há uma luta contra o epicurismo, uma luta estóica-semita, que o cristianismo dá continuidade.

O “Pirkei” foi incorporado na liturgia hebraica (a liturgia é a ética viva da comunidade), pois é lido, nas sinagogas asquenazis todos os sábados à noite, durante o verão. Nas comunidades sefardis, o “Pirkei” é recitado em casa, no sábado, entre o Pessah (Páscoa) e o Shavuot (Pentecostes, quando Deus deu aos hebreus, no Monte Horeb, no deserto do Sinai, os Dez Mandamentos).

Flávio Josefo, contemporâneo de Cristo, chamava os fariseus de “estóicos hebreus”. Também chamava os saduceus de “discípulos de Epicuro”. No livro “Guerra dos judeus contra os romanos” (II, 12, 153), Flávio Josefo disse que “os saduceus, ao contrário [dos fariseus], negam absolutamente o destino” [a Providência, ação divinizadora de Deus] e ensinam que Deus “não se incomoda com o que os homens fazem” e que “as almas não são nem castigadas nem recompensadas num outro mundo”. Em outras palavras, os saduceus negavam a Providência, a ética e a vida após a morte, pontos que hebreus e estóicos ensinavam, em boa harmonia, sendo estes pontos herdados pelo cristianismo, pois o cristianismo é a corrente semita-hebraica submersa, que continua. Uma corrente que estava já presente no estoicismo, que teve criação semita-fenícia.

Em sua “Autobiografia”, Flávio Josefo diz ser fariseu, desde os dezenove anos. Josefo destaca que os fariseus eram os estóicos hebreus. Cristo disse que os “fariseus” ocupavam “a cadeira de Moisés” e que os cristãos deveriam ouvir os fariseus, sem imitar a prática destes, em descompasso com suas idéias. Os fariseus representavam a corrente mais próxima ao cristianismo e de onde brotam os judeus cristãos, inclusive São Paulo, fariseu, aluno de Gamaliel.

O livro do padre Eleutério, “Cristianismo e estoicismo”, explica algumas razões da proximidade e da semelhança entre as idéias estóicas e as idéias do cristianismo. Além de serem idéias racionais, eram idéias de origem oriental, fenícia, persa (cristalizadas principalmente no masdeísmo), mesopotâmicas, egípcias e mesmo hebraicas.

A influência semita no pensamento grego é destacada pelos próprios gregos. Por exemplo, parte das idéias “gregas” vem de Tales, um fenício. Tales foi o mais antigo filósofo do mundo grego e era fenício. Outro exemplo é Ferecides de Siro, que escreveu lá por 600 a.C.. Ferecides ensinou sobre a imortalidade da alma e teria aprendido suas idéias da leitura dos livros secretos dos fenícios, vizinhos e amigos dos hebreus. Há influência semita-fenícia em todo o pensamento grego, a começar pelo alfabeto semita, adotado pelos gregos. E o mesmo ocorre na revolução que trouxe a Democracia a Atenas, com participação de fenícios. O criador do estoicismo foi Zenão, um fenício. E todos os grandes escritores estóicos tinham origem fenícia ou espanhola (a Espanha teve ampla influência semita, fenícia, em ligação com o Cáucaso e o mundo fenício, semita e hebraico). 

A cultura grega foi influenciada pela cultura fenícia. Afinal, o alfabeto grego vem também dos fenícios. Os gregos passaram a usar o alfabeto lá por 750 a.C.. Mesmo a escrita Linear, encontrada em Creta, também tem origem mesopotâmica, na escrita cuneiforme semita, que foi a base da escrita fenícia, aramaica e hebraica. A divisão do tempo em semanas, tal como do dia em doze horas, também vem da Mesopotâmia semita. O mesmo para a divisão do círculo em 360 graus, na divisão do mundo em quadrantes etc. 

Os próprios gregos ensinam que Atenas foi criada por um egípcio, chamado Cécrope. A cidade grega de Tebas, palco das grandes peças de teatro de Ésquilo e outros, foi fundada por um fenício, chamado Cadmos. Cadmos teria trazido a escrita fenícia aos gregos, tal como vastos pontos da religião grega. Outra parte da cultura grega vem de Creta, da civilização minóica (de “Minos”), também ligada ao Egito e aos fenícios. O próprio nome “Europa” vem da Fenícia, pois seria uma filha de um rei fenício.

A estrutura das cidades-estados gregas vem da estrutura das cidades-estados fenícias e da Suméria. A democracia existiu antes na Suméria, depois na Fenícia, em Cartago e, só depois, na Grécia e em Roma.

Da mesma forma, Hércules tem origem em Melkart, um deus fenício. Por isso, Hércules, para os gregos, nasce em Tebas, cidade grega, de origem fenícia. A ilha de Malta, perto de Creta, tinha sido uma colônia fenícia e houve várias colônias fenícias no território grego, como a própria cidade de Tebas e a região da Beócia. O nome de “Malta” vem de uma palavra fenícia, que significa “refúgio”. Malta é uma ilha de 246 quilômetros quadrados, no meio do Mediterrâneo, a uns cem quilômetros da Sicília, área também banhada pela cultura fenícia-semita.

Outras boas ideias de Julius Guttmann sobre relação entre judaísmo, filosofia clássica e cristianismo

Na página 48, do livro “Filosofia do judaísmo”, Julius Guttmann destaca que o trabalho de Fílon de Alexandria, um hebreu adepto do platonismo médio, foi uma continuação da síntese entre a Paidéia e as idéias hebraicas, ocorrida já na “Septuaginta”, em 285 a.C. e mesmo antes, quando a Bíblia era traduzida para o aramaico (língua falada nos impérios assírio, medo e persa), no “Targum”. Esta síntese já estava presente inclusive em Moisés, que tinha toda a ciência egípcia, suméria, semita etc. 

Guttmann lembra que Fílon é a continuidade da “esteira da síntese das doutrinas platônicas e estóicas, efetuada por Posidônio”, pelo estoicismo médio, a matriz do platonismo médio. Esta síntese fica evidente nos livros “Sabedoria” e “Eclesiástico”, livros revelados, onde Deus se vale da influência cultural da época, do trigo entre a cultura da época. Esta síntese também está na medula de livros como “Macabeus”, especialmente o livro apócrifo “Macabeus IV”. Neste livro, “o princípio comum a todas as escolas da ética grega, de que a razão deve governar as paixões”, aparece como “expressão filosófica da exigência bíblica de submissão à Lei divina”, que é o Logos, que é a Razão divina (cf. Guttmann). Deus criou a razão, a consciência, para o autogoverno pessoal, familiar e social, premissa central do pensamento democrático. Claro que a razão atua em boa síntese com as emoções, paixões, instintos e com o corpo humano, na linha do que foi ensinado pelos grandes aristotélicos e estóicos. 

A Igreja sempre amou os textos estoicos, pela razão e pela presença nestes de ideias semitas

Como ensinou o padre Eleutério Elorduy, no livro “El estoicismo” (Madrid, Ed. Gredos, 1972, vol. I, p. 79), as “doutrinas éticas e sociais, religiosas e políticas do estoicismo” foram providenciais para “a preparação do ambiente social” e da “estruturação filosófica da doutrina”, para a difusão do cristianismo. Elorduy destaca que o estoicismo também deu a Roma e à antiguidade “grandes políticos, governantes e escritores”. O estoicismo tem várias idéias que coincidem e ajudam a explicar as idéias hebraicas e semitas. Há pilhas de idéias estóicas no Talmud, tal como há nos textos dos Santos Padres. Diderot morreu estóico, reverenciando Sêneca, autor que a Igreja sempre amou. O mesmo ocorreu com Spinoza, que gostava as ideias estoicas. Boa parte das ideias estóicas nascem de ideias semitas, pois os primeiros e os principais estoicos eram de origem fenícia, semita 

Mishna, Pirke Avot, católicos e judeus, em muitos pontos, iguais

Na “Mishna”, o núcleo do Talmud, livro hebreu que codifica a “Lei oral”, consta, no “Pirke Avot” (1,1), que “Moisés recebeu a Torá [Lei, Instrução, Educação] no Sinai e a transmitiu a Josué, e Josué aos anciãos, e os anciões aos profetas, e os profetas a transmitiram aos homens da Grande Assembléia”.

O livro “Pirke Avot” é o principal texto ético do “Mishna”, do “Talmud”, sendo um texto ecumênico, com idéias bem semelhantes às idéias éticas platônicas, aristotélicas e estóicas. Vale a pena frisar mesmo que o texto “Pirke Avot” é o texto ético fundamental dos hebreus, sendo um texto em boa consonância com a ética cristã, tal como com a ética socrática, platônica, aristotélica e estóica.

Há uma idéia bem próxima no episódio de Pentecostes do Novo Testamento. Da mesma forma, no papel da Igreja, que é também a Grande Assembléia, no Céu, que é uma Grande República democrática.

Deus confiou às pessoas a tarefa de construção do Templo Místico, do Corpo Místico de Cristo. O Corpo de Deus é, assim, uma Grande República tendo Deus como o Sol, a Luz, a Causa Primeira que atua pelas causas segundas. O Criador é tão bom que não concentra o poder, atua, em geral, pela criação, especialmente na e pela consciência das pessoas, da sociedade.

A Bíblia menciona o “Am Ha-Aretz”, o “Povo da terra”, que atuava como sujeito histórico, sendo o antigo Parlamento aberto hebraico, a reunião em Assembléia do povo para decidir questões que interessavam a todos.

O termo “Igreja” (Assembléia, em grego) foi escolhido por Jesus Cristo para designar Seu povo, seu próprio Corpo. Este termo foi essencial na difusão da Igreja, pois lembrava, aos povos que falavam grego, a principal instituição democrática de Atenas e de toda cidade grega, a instituição que representava a democracia nas cidades antigas, a “assembléia”. O mesmo ocorria nos povos fenícios, hititas, árabes etc. 

Pular para a barra de ferramentas