Arquivos para : Pierre Bigo

A Igreja luta por um extenso Estado social, planificador, regulamentador, dirigista, que ajude os trabalhadores

Milhares de autores católicos adotaram, como bons católicos, as linhas gerais de uma democracia verdadeira, popular, social e participativa, Frente Popular, em consonância com os textos dos bispos do mundo todo.

Esta proposição pode ser demonstrada (provada) com ampla prova documental. Além de milhares de autores que cito neste blog, basta considerar os textos de autores como: Alceu, os melhores textos de Franco Montoro, Edgar de Godói da Mata Machado, Osvaldo Lima Filho, Santiago Dantas, Gabriel de Rezende Passos (1901-1962, autor de “Direito e liberdade”), Paulo de Tarso, Lebret, padre Gabriel Galache (dirigiu por vários anos a Editora Loyola), o padre Ducatillon (elogiado por Prestes, no Senado, em 11.11.1946), Frei Gestel, Guido Gonella, Pierre Bigo, Jean-Yves Calvez (n. 1927, Assistente Geral do padre Arrupe, de 1970 a 1981), Colin Clark, Jacques Leclercq e Gilbert Keith Chesterton (1874-1936).

O padre Ducatillon também ilustra bem o ideal cristão de uma democracia popular.

O padre Ducatillon proferiu bons discursos no Brasil (cf. “Correio da Manhã”, 21.10.1944), sendo elogiado inclusive por Luís Carlos Prestes.

O ideal de uma democracia popular também foi a linha de um bom escritor, como Giovanni Guareschi (1908-1968), em bons livros engraçados e sérios, como “Dom Camilo e o seu pequeno mundo” e “O regresso de Dom Camilo”. Guareschi criou os personagens Dom Camilo e seu amigo, o comunista Peppone (prefeito da cidade), que lutaram juntos contra os fascistas. Guareschi também escreveu no semanário “Il Borghese”, com sátiras, ilustradas por seus desenhos de caricatura, contra os políticos corruptos.

Na “Solicitudo”, João Paulo II destacou a síntese da doutrina social da Igreja, o documento “Gaudium et Spes”, do Vaticano II, na linha de Leão XIII e João XXIII. Em todos estes textos, há a luta por um extenso Estado social, planificador, intervencionista, regulamentador, dirigista, que ajude e proteja os trabalhadores, os pobres. 

Economia mista, no “Compêndio da Doutrina Social da Igreja”, do Vaticano

O Vaticano, pelo Conselho Pontifício Justiça e Paz, editou o “Compêndio da Doutrina Social da Igreja” (São Paulo, Ed. Paulinas, 2005, item 356, p. 205), onde fica claro que a economia deve ter um caráter semi-público, misto.

O texto do Vaticano diz: “o sistema econômico-social deve ser caracterizado pela co-presença de ação pública e privada, incluída a ação privada sem finalidade de lucro”.

Há a mesma ideia no livro “Fé cristã e compromisso social” (São Paulo, Ed. Paulinas, 1982), dos padres Pierre Bigo e Fernando Bastos de Ávila, dois grandes jesuítas. 

Outros expoentes pela Democracia participativa-popular, pelo Estado social ampliado

O Abade Pierre (Henry Grouès, 1912-2007), na França, foi um grande sacerdote francês, membro da Resistência Francesa, deputado na Assembléia da IV República, fundador do Movimento Traperos de Emaús, em 1949. O Abade Pierre sempre lutou por uma República popular, uma democracia avançada, popular, participativa, com economia mista (grandes estatais e ampla intervenção do Estado na economia), por cooperativas, Estado social etc.

A Resistência Francesa chegou a ser liderada por um católico e teve, também, estrelas como Simone Weil (1909-1943), grande escritora e militante social, católica. 

Gunnar Myrdal (1898-1987) foi outro expoente pela Democracia popular, socialismo democrático etc. Foi um dos maiores economistas no século XX, sueco, chegando a ganhar o Prêmio Nobel em Ciências Econômicas, em 1974. 

François Perroux (1903-1987) foi outro grande economista francês, católico, do Collège de France. Lutou contra o nazismo, o capitalismo etc. 

O próprio Bispo Fulton Sheen (1895-1979), apesar de alguns erros graves no caso do Vietnam, bispo auxiliar em Nova York a partir de 1951, deixou 91 livros, que mostram que a Igreja é pro Democracia popular, Estado social, pro economia mista etc. 

Francisco Cavalcanti Pontes de Miranda (1892-1979) morreu como católico socialista democrático. Idem, para Alceu Amoroso Lima. E o mesmo para Francisco Clementino de San Tiago Dantas (1911-1964), que foi Ministro das Relações Exteriores e também Ministro da Fazenda, no Governo do católico João Goulart.

Fábio Konder Comparato, economista e jurista, é outro expoente, tendo trabalhado na AJP (Justiça e Paz), de São Paulo. 

Outro marco foi Edgar da Mata Machado (1913-1995), que pecou um pouco no ataque ao getulismo, mas, depois, evoluiu, caminhando para uma posição bem próxima de Alceu, especialmente contra a ditadura militar, depois de 1964, onde teve um filho assassinado.

Sérgio Buarque de Holanda foi outro grande nome, na defesa do Estado social. 

Barbara Mary Ward (1914-1981) foi outra grande escritora e economista, católica, inglesa, que deixou bons textos a favor do Estado social. 

O padre Pierre Bigo (1906-1997), sacerdote jesuíta francês, diretor da Activa Populaire até 1960, foi outro grande expoente. Passou a morar na Colômbia, de 1960 em diante. Deixou ótimos textos a favor do Estado social, da democracia popular-real-participativa, da economia mista etc.

O grande Cardeal Pietro Pavan (1903-1994), co-autor com João XXIII da “Mater et Magistra” e da “Pacem in Terris”, foi outro grande católico, amigo de Dom Hélder Câmara. 

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