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O elogio de Gibbon ao cristianismo, ao catolicismo.

A concepção política cristã foi descrita, em parte, inclusive por Edward Gibbon, no livro (Declínio e queda do império romano”, São Paulo, Ed. Companhia das Letras, 1989, p. 195). Muitos escritores, que não leram Gibbons, só apontam textos ruins deste autor, mas há textos ótimos, de elogio ao cristianismo, no fundo, ao catolicismo. 

Gibbon faz a pergunta: “por que meios a fé cristã obteve vitória tão notável sobre as religiões” pagãs.

A resposta de Gibbon é: “graças à convincente evidência da própria doutrina e à divina Providência do seu grande Autor”.

Além disso, “como a sabedoria da Providência condescende frequentemente em fazer das paixões do coração humano e das circunstâncias gerais da humanidade os instrumentos com que executa o seu propósito”, houve várias “causas segundas”.

Dentre estas, destacam-se: “o zelo” dos cristãos; “a doutrina de uma vida futura”; “os poderes miraculosos” (milagres); “a pura e austera moralidade dos cristãos” em prol do bem de todos; e “a união e a disciplina da república cristã, que formou aos poucos um Estado independente que se desenvolveu no coração do império romano”, transformando-o o Império Romano numa República cristã, mais humana.

O catolicismo exige um amplo Estado social, com Democracia popular participativa

Eduardo Benes (1884-1948), ex-presidente da antiga Tchecoslováquia (hoje, dividida em dois países: República Tcheca e Eslováquia), também ensinava que a essência da democracia é a tese cristã que todas as pessoas têm almas (consciências), que todas as pessoas são sagradas e irrepetíveis (ponto visto por Marx, como pode ser lido no livrinho “A questão judaica” e em outras obras, e repetido por Lenin, em “O Estado e a revolução”).

Benes continuou a linha de seu mestre, Tomás Garrigue Masaryk (1850-1937), que também adotava um socialismo democrático com fundamentos religiosos. Masaryk foi o primeiro presidente da Tchecoslováquia.

Benes expôs suas idéias no livro “Democracia de hoje e de amanhã” (Rio de Janeiro, Ed. Calvino, 1945). No epílogo (p. 287), Benes, também defensor de uma democracia popular, social, concluía:

A democracia humanitária, concebida com todas as suas conseqüências, tem um aspecto pelo quase se distingue de outros sistemas, isto é, sua relação direta e positiva para com aquele elemento espiritual e social que constitui a religião e o conceito de Deus. Toda a essência da democracia, seu caráter espiritual, idealista e humanitário, sua fé no aperfeiçoamento do homem até o mais alto. O sistema democrático sempre tem respeitado, portanto, a religião, o culto religioso e as igrejas. A religião cristã, em particular, como sistema religioso, é, na sua essência ideológica e ética, absolutamente compatível com a democracia”.

Na mesma linha, Bergson ensinava, em seu livro sobre as duas fontes da ética, que “a democracia é de essência evangélica e tem por motor o amor” (buscar o bem de todos).

O cristianismo, especialmente o catolicismo, exige um Estado social amplo, uma democracia popular participativa. Este ponto foi destacado por Maritain, Bernanos, Mounier, Jean Lacroix, De Gaulle, Alceu e outros.

Há lições parecidas e análogas nos livros de Arnold Toynbee (“a democracia é uma página rasgada do Evangelho”), Glenn Tinder (ver “O significado político do cristianismo”, Lousiana University, 1989), Dag Hammarskjöld, Miguel de Unamuno, François Mauriac, Graham Greene, o grande Cronin (um inglês católico que soube redigir romances lindos sobre medicina e enfermagem, no Reino Unido), Fabbri, Rilke, Sigrid Undset (1882-1949, norueguesa, democrata e católica), Valverdi, D´Amico, Böll, Claudel, Gertrud von Le Fort (n. 1876), Marcel, Péguy, Thomson, Tecchi, Giuseppe Ungaretti, Weil, Busset, Frossard, Mario Pomilio, Quoist, Robinson, Senghor, Ulivi, Testori, Julien Green (1900-1998), Shusaku, Alfred Döblin, Jean Guitton, Bruce Marshall, Montherlant, D´Ormesson, Parazzoli, Muggeridge, Jean Delumeau e outros.

Sigrid Undset, como grande escritora, lutou pelos direitos políticos e econômicos das mulheres e ganhou o Prêmio Nobel de Literatura, em 1928. Ela também combateu o nazismo, que matou um de seus três filhos. Redigiu obras importantes como “Os dias felizes na Noruega” (1942).

Vaticano – ideal social e econômico exige síntese entre socialização e personalização

O documento “A doutrina social da Igreja na formação sacerdotal”, da Congregação para a Educação Católica (Petropólis, Vozes, 1989), do Vaticano, expõe, como orientação para o clero católico do mundo inteiro, as linhas gerais de uma democracia, econômica e política, participativa, como ideal concreto e histórico dos princípios (idéias práticas) sociais cristãos.

Vejamos, com a transcrição de parte do documento acima referido, o ideal político católico, exposto na formação dos sacerdotes da Igreja:

Participação.
40. A participação ocupa um lugar predominante no desenvolvimento recente do ensino social da Igreja. A sua força está no fato de que assegura a realização das exigências éticas da justiça social. A participação justa, proporcionada e responsável de todos os membros e setores da sociedade no desenvolvimento da vida socioeconômica, política e cultural é o caminho seguro para alcançar uma nova convivência humana. (…)
Trata de uma aspiração profunda do homem, que exprime a sua dignidade e liberdade no progresso científico e técnico, no mundo do trabalho e na vida pública.
Estruturas humanas e comunidades de pessoas
41. A Igreja procurou repetidamente prevenir o perigo real que ameaça a dignidade da pessoa, a liberdade individual e as liberdades sociais, e que deriva da concepção tecnicista e mecanicista da vida e da estrutura social que não deixa espaço suficiente ao desenvolvimento dum verdadeiro humanismo. (…)
A realização destes princípios, que regulam a vida social nos diversos níveis de organização social e nos vários setores da atividade humana, permite superar todas as tensões entre a socialização e a personalização”.

Conclusão: a noção de “democracia participativa” une, numa síntese, a “socialização” e a “personalização”, como queriam Dom Hélder, o Cardeal Lercaro e Alceu.

Trata-se de uma ampliação (mantém o mesmo núcleo e o amplia, “supera”, na terminologia hegeliana) do conceito de “democracia social”, democracia popular.

Correlato a estes conceitos, é certo dizer que a Igreja busca, na atual fase histórica, um Estado social participativo, popular, trabalhista, distributista, comunitário, cooperativo, campesino, verdadeiramente representativo do povo, anti-capitalista, anti-latifundiário, anti-imperialista e anti-oligárquico.

Trens, bondes, metros, navios e carros elétricos são essenciais

O Brasil precisa de trens, bondes, metros, VLT, navios e carros elétricos como mostra o livro “Veículos elétricos”, de Celso Bottura e Gilmar Barreto (Ed. Unicamp, 1989).

Há a mesma ideia no filme “Quem matou o carro elétrico”, de Chris Paine.

Eliminar os carros a gasolina é eliminar boa parte da poluição. O correto é haver apenas carros elétricos com motores a pilha de lítio (ou coisa melhor) e também a biodiesel, carros mistos (inclusive a álcool). Se for possível carregar os carros usando luz solar e outros meios, melhor ainda. 

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