SOCIALIZAÇÃO PERSONALIZADORA, imagem da TRINDADE, eis a SÍNTESE da Doutrina da Igreja. Socialismo com mercado socialista

01/09/2018By Luiz Francisco Fernandes de Souza Economia, Filosofia e Religião

A doutrina cristã quer uma socialização com personalização, uma ordem social natural, que concilie justiça social e liberdade pessoal

A boa socialização, que mantém e amplia a subjetividade da sociedade (os direitos das pessoas, das famílias etc), a que concilia e harmoniza o bem pessoal, familiar e social, ou seja, é a realização do bem comum.

Na linha da Tradição da Igreja, o padre jesuíta Teilhard de Chardin deixou textos geniais mostrando que a linha evolutiva do universo é baseada na SOCIALIZAÇÃO PERSONALIZADORA, com o MÁXIMO DE SOCIALIZAÇÃO e o MÁXIMO DE PERSONALIZAÇÃO. 

A socialização, urgida por João XXIII e Paulo VI, exige o planejamento público participativo e outras formas de intervenção participativa, estatal e social, como, por exemplo: estatais para bens e recursos que atribuem excesso de poder (bancos, siderurgia, petróleo etc, cf. Pio XI, na “Quadragesimo”), dirigismo, o controle de preços e de câmbio, por regras e regulamentações.

Esta socialização é absolutamente necessária e complementa a personalização, o trabalho da consciência em cada pessoa, o florescimento da personalidade de todos (o bem comum é o bem de todos e de cada um).

Como explicou João XXIII, “o bem comum é o conjunto daquelas condições sociais que permitem e favorecem, aos seres humanos, o desenvolvimento integral da pessoa”, de cada pessoa. São as condições e as normas e estruturas que atendem às “necessidades do corpo” e do “espírito” (da consciência). O bem comum é o bem da pessoa, da família e da sociedade, abarcando todas as esferas sociais e da pessoa.

A socialização má é a que reduz o ser humano a uma coisa sem consciência (a que reifica, nos termos de Lukács), como se a sociabilidade humana fosse intrinsecamente massificadora.

Pio XII e Teilhard destacaram que a massificação é uma distorção da socialização.

A socialização querida por Deus é fruto do diálogo, da participação de todos no poder e nos bens, com respeito aos direitos humanos fundamentais, à esfera da vida pessoal e familiar de todos.

A boa socialização, como destaca Dussel, assegura “condições” sociais para a promoção da “realização” da “subjetividade”, a CRIATIVIDADE, o MÁXIMO DE INICIATIVAS, de todas as pessoas (cf. Enrique Dussel, “Para uma ética da libertação latino-americana”, Piracicaba, Ed. Unimep, 1977, p. 149).

A ação interventora do Estado na economia e na vida social é essencial para assegurar linhas gerais racionais, para ordenar (organizar) e regrar a vida social em consonância com o bem geral. Para que esta intervenção seja proveitosa a todos, o melhor método, o mais racional e condizente com a dignidade da consciência e do ser humano é um regime que assegure a participação de todos no poder, nos processos decisórios, tanto nas ESTRUTURAS POLÍTICAS DO ESTADO quanto nas ESTRUTURAS PRODUTIVAS DA ECONOMIA, NA GESTÃO DAS UNIDADES E NO PLANEJAMENTO PÚBLICO DA ECONOMIA.

Por isso, é necessário o planejamento público e social participativo na economia e em todos os assuntos que interessem a todos, um ponto destacado por Fábio Konder Comparato, Goffredo da Silva Telles, Alceu Amoroso Lima, Barbosa Lima Sobrinho, Plínio de Arruda Sampaio, Paulo de Tarso e outros grandes católicos.

João XXIII, na “Pacem in terris” (n. 21), também destacou que “a autoridade é, sobretudo, uma força moral”, sempre nos limites da razão e do bem comum. A autoridade legítima brota da consciência racional e moral (das idéias, da sabedoria, da razão prática) do povo, e não da “ameaça”, do “temor das penas” ou da mentira.

Por isso, a Doutrina da Igreja é GARANTISTA, DIREITO PENAL MÍNIMO, é pelo IDEAL da SUPRESSÃO DAS PENAS FECHADAS, é favorável às PENAS ABERTAS OU SEMI-ABERTAS. 

Nos termos de Leão XIII, na “Sapientia Christiana”, “os cristãos” tem “respeito religioso” pelo “poder” legítimo, porque este é, DEVE SER, e muitas vezes é mesmo parcialmente e de forma insuficiente e distorcida, como que “um reflexo”, uma “imagem da majestade divina”, essencial para a realização do bem geral, do bem comum.

Os cristãos respeitam as “leis” justas (adequadas ao bem comum), “não” por conta da “força e das sanções”, e sim por um “dever de consciência”, em relação ao bem comum. Afinal, “Deus não nos deu um espírito de temor”, e sim de amor, fortaleza e coragem.

O que legitima e torna bom o poder público e sua ação é sua conformação com as exigências racionais (da consciência de todos) do bem comum.

Em outras palavras, O QUE DEIXA O PODER BOM é a CONFORMAÇÃO DO PODER POLÍTICO E ECONÔMICO ÀS IDEIAS, REIVINDICAÇÕES, EXIGÊNCIAS, PROJETOS E PLANOS, de TODOS.

O bem comum é composto do bem pessoal, familiar e social, nestas três esferas, sem anular nenhuma.

Na “Mater et Magistra” (n. 82, em 1961), João XXIII explicitou um princípio que vale para o regime político e o sistema econômico: “a justiça [as regras exigidas pelo bem comum] deve ser respeitada não somente na repartição das riquezas produzidas pelo trabalho, mas também nas condições onde se desenvolve a produção”, dentro das fábricas, das unidades produtivas, nos bairros etc.

Este princípio é tão importante, completa este Papa beato, “porque a natureza humana exige que, no exercício da atividade econômica, seja possibilitado ao homem assumir a responsabilidade [PARTICIPAÇÃO NAS DECISÕES] do que faz e aperfeiçoar sua própria pessoa”, ou seja, a reificação (redução da pessoa a coisa, a objeto a ser manipulado) é blasfêmia, é um ataque ao próprio Deus, que nos criou para a libertação e que está sempre presente na criação.

O termo “responsabilidade” é sinônimo de participação.

De fato, a doutrina política do Evangelho pode ser resumida no lema: LIBERTAÇÃO, PARTICIPAÇÃO, COMUNHÃO. 

No parágrafo seguinte, João XXIII acrescenta: “se as estruturas e o funcionamento de um sistema econômico são de natureza a comprometer a dignidade humana daqueles que nela trabalham, e lhes impedem a livre expressão” de sua personalidade, da subjetividade humana (da consciência), “ou debilitam seu senso de responsabilidade”, sua participação, “deve-se julgar injusto o sistema, mesmo que as riquezas atinjam um nível elevado e sejam repartidas conforme as leis da justiça e da equidade”.

O sistema econômico e o regime político devem ser estruturados em torno das pessoas, para assegurar os direitos humanos de todos.

Cada pessoa é e deve ser um sujeito vivo e consciente e livre (participativo), tomando decisões pessoais, familiares e sociais (pela via do diálogo), para que os bens sejam destinados a todos.

Cada pessoa É FEITA Á IMAGEM DE DEUS, um Ser PESSOAL E SOCIAL, TRINDADE, TRÊS PESSOAS NUMA COMUNHÃO DE DIÁLOGO, um Ser ABERTO à UNIÃO com todas as pessoas.

Somos feitos e chamados a nos tornar como que PEDAÇOS VIVOS DE DEUS, FILHOS DE DEUS, Deuses mesmo, DIVINIZADOS, membros de um CORPO DIVINO ÚNICO, que é como uma REPÚBLICA VIVA, UMA DEMOCRACIA ECONÔMICA E SOCIAL VIVA, ONDE SOMOS PARTES CONSCIENTES E AUTÔNOMAS DA NATUREZA DIVINA.

SOMO MEMBROS VIVOS E CONSCIENTES, AUTONOMOS, de DEUS. A união com Deus NÃO anula a personalidade de cada pessoa, e sim a FORTALECE. Assim, deve ser a estrutura política e econômica de cada povoação. 

A vinculação da natureza humana ao bem comum foi destacada por Pio XII, na encíclica “Mystici corporis”: “a sociedade humana”, “considerando o fim último de sua unidade”, deve ser sempre “ordenada” (organizada, regrada) “para o proveito de todos os membros e cada um deles, como pessoas que são”.

A unidade da Igreja, da sociedade e do Estado, tal como a estrutura ECONÔMICA, jamais deve anular a personalidade das pessoas, ao contrário, deve proporcionar o florescimento das potências, das aspirações de cada pessoa.

Na mesma linha, Pio XI, na “Quadragesimo anno” (1931), destacou: “o fim natural da sociedade e de sua ação é coadjuvar os seus membros, e não destrui-los nem absorvê-los”.

Todas as estruturas e normas devem ser ajudas (coadjuvações, subsídios, cf. princípio da subsidiariedade, que é o princípio da participação) para assegurar a plenitude da vida de todos, promover a realização de todas as pessoas.

Nesta mesma encíclica, este papa destacou a importância da planificação e do dirigismo estatal e também da estatização dos bens e dos meios de produção que atribuem poder excessivo a particulares, permitindo que os particulares que controlem estes bens possam controlar o Estado (instaurando oligarquias, ditaduras econômicas e políticas) em detrimento do bem comum.

Conclusão: como Dom Hélder e o cardeal Lercaro ensinaram, a sociedade bem ordenada, ORGANIZADA, é a que combina e harmoniza socialização e personalização, liberdade e autoridade, liberdade pessoal e bem social.

Numa fórmula de síntese, a sociedade pautada pelo bem comum abarca o bem pessoal, familiar e social.

“Deus não nos deu um espírito de temor”, “não” por conta da “força e das sanções”, “o bem comum é o conjunto daquelas condições sociais que permitem e favorecem, “os cristãos” tem “respeito religioso” pelo “poder” legítimo, “Para uma ética da libertação latino-americana”, 1977, A doutrina cristã quer uma socialização com personalização, à esfera da vida pessoal e familiar de todos. A boa socialização, a que concilia e harmoniza o bem pessoal, abarcando todas as esferas sociais e da pessoa. A socialização má é a que reduz o ser humano a uma coisa sem consciência (a que reifica, Alceu Amoroso Lima, aos seres humanos, assegura “condições” sociais para a promoção da “realização” da “subjetividade” de todas as pessoas (cf. Enrique Dussel, Barbosa Lima Sobrinho, cf. Pio XI, com respeito aos direitos humanos fundamentais, como, como destaca Dussel, como se a sociabilidade humana fosse intrinsecamente massificadora. Pio XII e Teilhard destacaram que a massificação é uma distorção da socialização. A socialização querida por Deus é fruto do diálogo, da família e da sociedade., da participação de todos no poder e nos bens, da razão prática) do povo, da sabedoria, das famílias etc), de cada pessoa. São as condições e as normas e estruturas que atendem às “necessidades do corpo” e do “espírito” (da consciência). O bem comum é o bem da pessoa, dirigismo, do “temor das penas” ou da mentira. Nos termos de Leão XIII, do bem comum. Os cristãos respeitam as “leis” justas (adequadas ao bem comum), é a realização do bem comum. A socialização, e não da “ameaça”, é necessário o planejamento público e social participativo, e sim de amor, e sim por um “dever de consciência”, Ed. Unimep, em 1961), em relação ao bem comum. Afinal, essencial para a realização do bem geral, estatal e social, exige o planejamento público participativo e outras formas de intervenção participativa, familiar e social), fortaleza e coragem. O que legitima e torna bom o poder público e sua ação é sua conformação com as exigências racionais (da consciência de todos) do bem comum. O bem comum é composto do bem pessoal, Goffredo da Silva Telles, na “Pacem in terris” (n. 21), na “Quadragesimo”), na “Sapientia Christiana”, nestas três esferas, nos processos decisórios. Por isso, nos termos de Lukács), o controle de preços e de câmbio, o desenvolvimento integral da pessoa”, o florescimento da personalidade de todos (o bem comum é a o bem de todos e de cada um). Como explicou João XXIII, o mais racional e condizente com a dignidade da consciência e do ser humano é um regime que assegure a participação de todos no poder, o melhor método, o trabalho da consciência em cada pessoa, ou seja, p. 149). A ação interventora do Estado na economia e na vida social é essencial para assegurar linhas gerais racionais, para ordenar e regrar a vida social em consonância com o bem geral. Para que esta intervenção seja proveitosa a todos, Paulo de Tarso e outros grandes católicos. João XXIII, petróleo etc, Piracicaba, Plínio de Arruda Sampaio, por exemplo: estatais para bens e recursos que atribuem excesso de poder (bancos, por regras e regulamentações. Esta socialização é absolutamente necessária e complementa a personalização, porque este é como que “um reflexo”, que concilie justiça social e liberdade pessoal A boa socialização, que mantém e amplia a subjetividade da sociedade (os direitos das pessoas, sem anular nenhuma. Na “Mater et Magistra” (n. 82, sempre nos limites da razão e do bem comum. A autoridade legítima brota da consciência racional e moral (das idéias, Siderurgia, sobretudo, também destacou que “a autoridade é, um ponto destacado por Fábio Konder Comparato, uma “imagem da majestade divina”, uma força moral”, uma ordem social natural, urgida por João XXIII e Paulo VI

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