Arquivos para : em hebraico)

A Igreja vive para pregar uma Doutrina libertadora, democracia popular, economia mista, destinação universal dos bens, comunhão de bens, de vida, de saber, de poder etc

O termo “Igreja” foi escolhido por Deus, por Jesus, para designar o Povo de Deus, sendo o termo “Igreja” a palavra usada antigamente para designar a Assembléia do povo, a instituição que simbolizava toda a democracia antiga. 

Jesus escolheu o termo “Igreja” que era exatamente o termo fundamental da Democracia grega, pois a Igreja (“Ekklesia”) era o Povo em Assembléia, Democracia direta. 

O termo “Igreja” (“Ekklesia”, em grego) significa “o povo em assembléia”, “Assembléia do povo”.

O termo “Ekkesía” foi usado para traduzir o termo “Kahal”, “assembléia do povo”, o que prova que o regime político, social, econômico e cultura dos hebreus, tal como dos gregos (e romanos, fenícios etc), era a democracia.

A Igreja é o “povo de Deus”, o “corpo de Cristo” (cf. Cl 1,24; e Ef. 1,23).

Deus usa como mediação o povo.

Na “Mishna”, livro hebreu que codifica a “Lei oral”, consta, no “Avot” (1,1), LIVRO EXCELENTE do Talmud (diga-se de passagem), que “Moisés recebeu a Torá [Lei, Instrução, Educação] no Sinai e a transmitiu a Josué, e Josué aos anciãos, e os anciões aos profetas, e os profetas a transmitiram aos homens da Grande Assembléia”. Há uma idéia bem próxima no Pentecostes do Novo Testamento e no papel da Igreja, que é também a Grande Assembléia.

Deus confiou às pessoas a tarefa de construção do Templo Místico, do Corpo Místico de Cristo, o Corpo de Deus, que é, assim, uma Grande República tendo Deus como o Sol, a Luz, a Causa Primeira que atua pelas causas segundas (o Criador é tão bom que não concentra o poder, atua, em geral, pela criação, especialmente pela consciência).

A Bíblia menciona o “Am Ha-Aretz”, o “Povo da terra”, que atuava como sujeito histórico, sendo o antigo Parlamento aberto hebraico, a reunião em Assembléia do povo para decidir questões que interessavam a todos.

O termo “Igreja” foi escolhido por Jesus Cristo para designar Seu povo, seu próprio Corpo.

Este termo foi essencial na difusão da Igreja, pois lembrava, aos olhos dos povos que falavam grego, a principal instituição democrática de Atenas e de toda cidade grega, a instituição que representava a democracia nas cidades antigas, a “assembléia”.

A democracia, em Atenas, só passou a existir quando foram feitas reformas, lá por 500 a.C., que deu a cada cidadão um assento na Assembléia, que elegia as pessoas para ocuparem cargos, fazia as leis, definia o orçamento e julgava as pessoas.

A Assembléia, a “Ekklesia”, era a instituição principal da democracia direta e foi este o nome que Cristo escolheu para designar Sua organização, a Igreja (“Ekklesia”, “Assembléia”).

Da mesma forma que o melhor da Tradição da Paidéia, da tradição antiga, vinda da Mesopotâmia semita, os hebreus usavam o termo “Assembléia” em aramaico, usando a palavra “Kahal”, para designar a assembléia onde o povo das cidades hebraicas decidiam o que era importante e social. Nas tribos indígenas brasileiras, tal como nas tribos bárbaras da Europa e da África (e da Oceania, da Ásia etc), este também era o modo humano de auto-governo.

O que dizia respeito a todos, inclusive julgamentos, era decidido em assembléia, numa “kahal” (cf. Sl 26,5; Num 22,4; Jz 20,2; Jz 21,5-8;, ISam 17,47; 1Rs 12,3; Ex 12,6 e outros textos).

Em cada colônia judaica, na diáspora, a “Kahal” era o centro decisório, funcionando junto com a sinagoga, como algo sagrado e querido por Deus.

A estrutura das comunidades primitivas de cristãos, descritas no livro “Atos dos Apóstolos” e nas Cartas de São Paulo (e de São Pedro, São Tiago, São João e outras), têm a mesma estrutura democrática, que é a estrutura das antigas paróquias e capelanias, da estrutura dos mosteiros e conventos, das Ordens, das CEBs, hoje.

Na Grécia, em Atenas e nas outras cidades gregas, o termo “assembléia” (“Ekklesia”, “Igreja”) era usado para designar a principal instituição da democracia, a instituição e lugar onde se realizava a democracia direta.

O povo se reunia em Assembléia, numa praça ou prédio amplo (muitas vezes, esta praça ficava junto aos portões da cidade, como explica a Bíblia), debatia e decidia a vida social.

Esta forma de agir é tão natural que assim faziam os nativos nas aldeias do continente americano, da África, na Oceania e em toda parte.

A democracia, nas tribos bárbaras da Europa, é atestada por Tácito, pró-estóico, que descreveu estas aldeias no livro sobre a Germânia antiga. No livro de Júlio César há também boas descrições da democracia na Gália.

O termo “Igreja” tem um grande significado político, essencial na teologia política.

É um símbolo, na mesma linha da morte de Cristo na cruz, a morte dos rebeldes políticos, dos escravos, o mesmo tipo de morte de Espártaco. Afinal, Cristo escolheu dar à sociedade que fundou o nome de “Igreja”, o mesmo nome usado pelos gregos para designar o Parlamento das cidades gregas, “Ecclesia”.

Este nome-símbolo (da democracia) foi usado para traduzir a expressão hebraica ou aramaica que Jesus deve ter usado.

Cristo deve ter usado o termo “Qahal” (“Qehal”, “Kahal”), que também significa “Assembléia”, sendo este o nome dos parlamentos existentes nas cidades hebraicas, especialmente nos portões, na portas das cidades (vide o julgamento de Susana e outros trechos bíblicos).

As cidades tinham muros e junto aos portões existiam praças. Nestas praças, reuniam-se a Assembléia e também eram realizados os julgamentos, de forma democrática e participativa.

Os cristãos, ao se congregarem, formavam como que uma cidade dentro da cidade maior, usando o nome familiar em todo mundo antigo, o nome-símbolo da democracia representativa, “Ecclesia”.

Marilena Chaui, no livro “Convite à filosofia” (São Paulo, Ed. Ática, 1995, p. 388), viu corretamente a ligação do nome “Igreja” com os lugares da democracia direta e indireta, na Grécia, entre os judeus e entre os romanos:

A comunidade é a Ekklesia, isto é, a assembléia dos fiéis, a Igreja. E esta é a designada como Reino de Deus. Povo, lei, assembléia e reino: essas palavras indicam, por si mesmas, a vocação política do cristianismo, pois escolhe para referir-se a si mesmo os vocábulos da tradição política judaica e romana”.

O termo “Igreja” significa “assembléia” e tem várias acepções conexas, com nuanças importantes. Usado num contexto, designa a Igreja gloriosa, composta de “multidões de almas, ignoradas sobre a terra” e cujo “número ultrapassa todos os cálculos humanos” (cf. Pio XII, no “Discurso aos esposos”, em 08.05.1940), sendo que esta “multidão” é composta de “gente de toda tribo, língua, povo e nação” (cf. Ap 5,9).

Há também a Igreja no purgatório (“guehinom”, em hebraico), a ante-sala, átrio do Céu, onde devem existir mais gente ainda (na concepção ortodoxa e de Russell Norman Champlin, quase todos os mortos estão se aperfeiçoando, purificando-se, como um grande purgatório).

Esta parte da Igreja, no Céu ou na Ante-Sala do Céu (no purgatório), participa mais plenamente do governo do universo, da história, ao modo dos anjos (sereis “como anjos”, diz a Bíblia), como mediadores, sendo que Deus sempre ouve as pessoas, especialmente as que estão unidas a si (cf. “Apocalipse”, n. 4), também sentadas em “tronos”, co-regendo.

Como ensinou Bento XVI, num discurso de 30.09.2007, os “anjos” são “mensageiros”, mediadores, que “ajudam” cada pessoa a “encontrar sua verdadeira natureza, a si mesmas, a viver a idéia que Deus tem delas”. Os “anjos” “falam ao homem de seu verdadeiro ser, do que em sua vida frequentemente fica coberto e sepultado”.

Depois, há a Igreja invisível, dispersa na terra (“semente” e “início” do Reino, cf. Vaticano II), abarcando as pessoas boas e racionais de todas as partes, pois a graça opera junto com a razão, salvando bons muçulmanos, bons hindus, bons marxistas, bons confucianos etc.

A Igreja visível, na terra, é apenas uma parte bem menor da Igreja, da Grande Assembléia.

Conclusão: a Igreja invisível é o “Reino de Deus”, a “Cidade de Deus” (cf. Santo Agostinho), sendo a Grande República, a Comunhão (comunidade) do Pão e do Amor. O povo é soberano porque Deus habita, em regra, no povo e Deus nos criou para co-reis, co-juízes, co-planejadores, co-laboradores, companheiros, para sermos Filhos de Deus.

A Cidade de Deus está dispersa no mundo, pois, como ensinou João Paulo II, “a presença e a atividade do Espírito afeta não apenas indivíduos, mas também a sociedade e a história, povos, culturas e religiões” (cf. “Redemptoris Missio”, 28, encíclica de 07.12.1990).

Os documentos “Lumen Gentium” (n. 4) e “Gaudium et Spes” (n. 45) explicam bem este ponto da eclesiologia, que mostra que a Igreja é o “povo de Deus”. Deus está presente, em regra, no coração do povo, da sociedade e, por esta razão, o povo é a mediação de Deus, o poder nasce do povo, pelo povo e para o povo.

Deus opera por mediações (cf. explicações do Pseudo-Dionísio Aeropagita), pela natureza, pela razão e, principalmente, pela consciência viva do povo, ligada intrinsecamente ao ideal do bem comum.

Pular para a barra de ferramentas