Mais precursores cristãos, quase todos católicos, do socialismo, pré marxistas

O padre Heinrich Pesch S.J., jesuíta, citou, corretamente, como precursores da doutrina social da Igreja: Jacques Marat, Jacques Roux, Robespierre, Buchez, Lamennais, Constantin Pecqueur, Francisco Huet, Albert de Mun, La Tour-du-Pin, Antoine e outros.

Buchez escreveu: “o fim humano do cristianismo é o mesmo que o da Revolução; foi no primeiro que se inspirou a segunda”, ou seja, o melhor da Revolução Francesa e do socialismo nascem de ideias cristãs.

Buchez, segundo Charles Gide (considerado o maior teórico do cooperativismo), “foi o fundador das associações cooperativas de produção (1832)”.

Charles Gide também destacou a participação de Lamennais, outro grande católico, que escreveu obras como “A questão do Trabalho” sobre a escravidão moderna do regime assalariado, onde defendeu o cooperativismo, dizendo que “o problema a resolver é chegar a um estado tal que, para o futuro, os operários trabalhem para eles e não para outrem….Dia virá em que ninguém ceifará o campo que não tiver semeado, em que cada um colherá os frutos do seu trabalho”. A inspiração no livro de Isaías (estudado por Marx, num curso na Universidade de Berlim) é clara.

François (Francisco) Huet, no livro “O reino social do cristianismo” (1853), usou o termo “socialismo cristão”, conforme consta no livro de Charles Gide, “História das Doutrinas Econômicas”, onde há um capítulo sobre o cristianismo social.

Gide menciona Huet, tal como menciona Renouvier, Fouillée (este, com Boutroux, soube mostrar a conciliação da liberdade com a necessidade, com a idéia de plano, de Providência divina e humana) e Secrétan, todos dirigistas e intervencionistas. Poderia ter citado Pedro Larousse também, republicano e socialista cristão, bem próximo de Vitor Hugo. 

O próprio Auguste Comte elogia muitíssimo a Igreja, principalmente na Idade Média. No “Tratado de Política Positiva”, I, p. 407, Comte escreveu: “a igualdade original dos homens não é um fato de observação… ela foi afirmada claramente e pela primeira vez pelo cristianismo”. É um certo exagero, pois esta verdade é constatável pela razão somente e já consta no Antigo Testamento e no melhor da literatura pagã clássica. Mas, é bom constatar o apreço de Comte e como o mesmo apontou a conexão do princípio da igualdade com o cristianismo.

Sismondi, Carlyle, Ruskin, Buchez, Lamennais e outras centenas de escritores são precursores cristãos do socialismo.

Denunciaram o liberalismo e o capitalismo.

A influência de Sismondi, Buchez e Carlyle sobre Marx e Engels é clara e documentada. Basta considerar as citações de textos de Sismondi, inclusive no “Manifesto Comunista”. O texto do jovem Engels sobre Carlyle (publicado no jornal “Anais franco-alemães”, no início de 1844) também prova esta influência. Houve também a influência de Buchez sobre Louis Blanc e Lassalle e há ligações deste último com Ketteler.

Karl Marx, na obra “Crítica ao Programa de Gotha”, escreveu que as fontes de Lassalle eram as idéias de Buchez e Louis Blanc, dois socialistas cristãos, com boa religiosidade. E Marx frisou principalmente Buchez, socialista católico. 

Eduardo Sanz y Escartín, nascido em 1855, foi outro economista espanhol que defendeu idéias de proteção social aos trabalhadores, colonização interior, municipalização dos serviços públicos e seguros sociais obrigatórios. Escreveu o livro “O Estado y la reforma social” (1896) e “La questión económica” (1890).

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