Arquivos para : tal como no tolstoísmo. Maritain elogiou (no livro “Humanismo integral”

A Igreja aceita a socialização com democracia, com liberdades, com distributismo

Os bens, como um rio (águas da vida) que deve escoar por pequenos canais (capilarização, cf. Alceu), devem fertilizar as “terras”, todos os membros da sociedade.

Os bens, como o sangue, devem irrigar todo o corpo social (todos os membros), numa boa estrutura metabólica, ponto bem destacado por Dussel.

Os bens devem ser “partilhados”, serem titulados, participados por todos.

Todos devem ser bons administradores, gestores, bons usufrutuários. Isso pode ser feito pela difusão da pequena propriedade para todos, mais uma base patrimonial pública, comum, acessível, via micro crédito e via difusão (renda básica), a todos. Esta estrutura existia há milênios nas pequenas aldeias, tal como existiam trocas (pequeno comércio), economia mista, ponto que acompanha a humanidade. 

Os bens e, assim, também o poder, é como a água que flui mais pura à medida que dela se haure com mais freqüência, apodrecendo (e enchendo-se de vermes, como dizia São Tiago), se ficar parada, “acumulada”.

Num sentido parecido, há a mesma tese no livro “Democracia industrial” (1892), do casal Sidney e Beatrice Webb, inspirado em idéias do socialismo cristão da Inglaterra, tal como no tolstoísmo.

Maritain elogiou (no livro “Humanismo integral”, p. 81) os Webb por terem esboçado as linhas de uma “democracia multiforme” sem a “subordinação da força-trabalho humana à fecundidade do dinheiro” e do lucro.

Estas imagens e idéias estão nos textos socialistas pré-marxistas, de influência de autores cristãos (como Mably, Morelly, Fauchet, Buonarrotti, mas também Lamenais, que influenciou a Liga dos Justos), reaparecendo, depois, especialmente nas metáforas religiosas usadas por Marx, como bem ressaltou Enrique Dussel.

Estão presentes nos textos dos socialistas cristãos pré-marxistas, nos de Marx, Bukharin e até em Stalin (que foi seminarista até os 21 anos, pois nasceu em 1878 e ficou no seminário até 1899) etc.

Sobre este ponto, vale à pena ler, do mexicano José Porfírio Miranda, os livros “Marx e a Bíblia” (1971), “Comunismo na Bíblia” (1981) e “O humanismo cristão de Marx” (1978). Numa linha próxima, há as obras de Dussel sobre as metáforas (imagens) cristãs usadas por Marx. Mostram que no “marxismo” há um fundo, uma essência, cristã racional, a parte trigo, misturada com joio, erros, distorções. 

Stalin, diante do ataque nazista à URSS, estendeu às mãos à Igreja Ortodoxa, à força moral da religião e do patriotismo.

Stalin tinha a seu lado vários ex-seminaristas, como, por exemplo, Anastas ivanovich Mikoyan (1896-1978). Anastas estudou, por anos, no Seminário Teológico Armênio e, depois, chegou a ser Presidente da URSS, de 1964 a 1965.

Mikoyan ocupou vários Ministérios (Comissariados) de Estado de grande importância, como o de Abastecimento (1926), do Suprimento (1930), da Alimentação (1934), presidente do Comitê de Abastecimento durante a II Guerra e Ministro do Comércio Nacional e Internacional no pós-guerra.

A III Internacional Comunista, desde 1935 (dezoito anos após a Revolução Russa, de 1917), com as teses do VII Congresso, com base em Dmitrov, preconizou a aproximação com as organizações operárias católicas.

Em 15.07.1935, a Junta Central da Internacional comunistas dos jovens recomendava “amiudar os acordos fraternos com os jovens trabalhadores cristãos e as suas organizações, para o incremento da união da mocidade contra o fascismo”.

No fundo, a Revolução Russa, com o NEP, até 1928, seguia a base do socialismo democrático, sem democracia, de economia mista. Possivelmente, o desastre ocorrido na China, em 1927, levou Stalin ao erro da coletivização forçada e ao rompimento com o socialismo democrático (“classe contra classe”, erros gravíssimos da Internacional).

Depois, a partir de 1934, com a política francesa, com a Frente Popular, onde o núncio católico agia (o futuro João XXIII), houve o início da reconciliação com o socialismo democrático, o início das Democracias populares. 

No início de 1936, tendo como marco-símbolo o discurso de Thorez (encontrava-se com João XXIII, quando este era núncio, em Paris, depois de 1944), em 17.04.1936, a Internacional orientou seus militantes a estender às mãos aos católicos, na política das mãos estendidas.

Thorez proferiu o discurso pela Rádio Paris, sendo este o marco da “politique de la main tendue” (“política das mãos estendidas”) aos católicos.

Pio XI, na “Divini Redemptoris” (19.03.1937), descreve esta política: os comunistas “convidam os católicos a colaborar” no “campo humanitário e caritativo, propondo por vez coisas em tudo conformes ao espírito cristão e à doutrina da Igreja”. Os comunistas deixavam claro que “em países de maior fé ou de maior cultura”, o socialismo “não impedirá o culto religioso e respeitará a liberdade de consciência”.

A Internacional também mencionava as “mudanças introduzidas” na “legislação soviética”, especificamente na Constituição da URSS, de 1936.

No fundo, Stalin e a Internacional, a partir de 1935, tendo como expoente Dmitrov, lançaram um movimento de aproximação com os católicos, os muçulmanos, a religiosidade africana e com os socialistas democráticos. Isso foi mantido, com erros, por Kruschev, tal como por Tito. E continua, hoje, na China, com a economia mista, a mesma base que a Igreja propõem. Isso foi seguido por Cuba, Vietnam e outros países, que adotam economia mista, hoje. 

Lembro que a Igreja aceita a estatização de grandes meios produtivos, tal como o planejamento democrático da economia. Isso é perfeitamente compatível e complementar com a difusão maciça da pequena e média propriedade familiar.

Enfim, casa para todos, terra para quem quiser, moradias, pequenas firmas varejistas para quem quiser abrir com apoio do Estado, pequenos negócios familiares, empreendedorismo etc.

Como a Igreja ensina, a “apropriação” social ou socialização dos meios de produção se aplica para os grandes poderes sociais, os grandes bens, e exige a estatização-socialização dos meios de produção (bens) que contenham grande poder, os bens gordos, tal como de outros bens que também gerem poder.

Os pequenos bens, quanto mais difundidos, como adubo na terra, melhor, ponto bem destacado por Chesterton e, antes, por Francis Bacon e milhares de autores, inclusive boa parte dos anarquistas, que eram pela difusão da pequena economia familiar (vide Proudhon e outros). 

O ponto central é que as grandes decisões, que concernem a todos, devem ter a participação de todos, como explicavam os Santos Padres.

Por isso, há uma base comum entre católicos e socialistas democráticos, especialmente com os trabalhistas. 

Os bens são como a água, que deve permear toda a terra, todas as pessoas

Os bens, como um rio que deve escoar por todos os lugares, pelos pequenos canais (capilarização, cf. Alceu), devem fertilizar as “terras”, todos os membros da sociedade.

Os bens, como o sangue, devem irrigar todo o corpo social (todos os membros), numa boa estrutura metabólica.

Os bens devem ser “partilhados”, serem titulados, participados por todos.

A miséria é a morte. As grandes fortunas privadas também são mortes. 

Os bens e, assim, também o poder, é como a água que flui mais pura à medida que dela se haure com mais freqüência, apodrecendo (e enchendo-se de vermes, como dizia São Tiago), se ficar parada, “acumulada”.

Num sentido parecido, há a mesma tese no livro “Democracia industrial” (1892), do casal Sidney e Beatrice Webb, inspirado em idéias do socialismo cristão da Inglaterra, tal como no tolstoísmo.

Maritain elogiou (no livro “Humanismo integral”, p. 81) os Webb por terem esboçado as linhas de uma “democracia multiforme” sem a “subordinação da força-trabalho humana à fecundidade do dinheiro” e do lucro.

Estas imagens e idéias reaparecem depois nos textos socialistas, especialmente nas metáforas religiosas usadas por Marx, como bem ressaltou Enrique Dussel.

Estão presentes nos textos dos socialistas cristãos pré-marxistas, nos de Marx, Bukharin e até em Stalin (que foi seminarista até os 21 anos, pois nasceu em 1878 e ficou no seminário até 1899) etc.

Sobre este ponto, vale à pena ler, do mexicano José Porfírio Miranda, os livros “Marx e a Bíblia” (1971), “Comunismo na Bíblia” (1981) e “O humanismo cristão de Marx” (1978).

Numa linha próxima, há as obras de Dussel sobre as metáforas (imagens) cristãs e hebraicas, usadas por Marx.

Stalin, diante do ataque nazista à URSS, estendeu às mãos à Igreja Ortodoxa, à força moral da religião e do patriotismo.

Stalin tinha a seu lado vários ex-seminaristas, como, por exemplo, Anastas ivanovich Mikoyan (1896-1978). Anastas estudou, por anos, no Seminário Teológico Armênio e, depois, chegou a ser Presidente da URSS, de 1964 a 1965. Ocupou vários Ministérios (Comissariados) de Estado de grande importância, como o de Abastecimento (1926), do Suprimento (1930), da Alimentação (1934), presidente do Comitê de Abastecimento durante a II Guerra e Ministro do Comércio Nacional e Internacional no pós-guerra.

A III Internacional Comunista, desde 1935, com as teses do VII Congresso, com base em Dmitrov, preconizou a aproximação com as organizações operárias católicas.

Em 15.07.1935, a Junta Central da Internacional comunistas dos jovens recomendava “amiudar os acordos fraternos com os jovens trabalhadores cristãos e as suas organizações, para o incremento da união da mocidade contra o fascismo”.

No início de 1936, tendo como marco-símbolo o discurso de Thorez (encontrava-se com João XXIII, quando este era núncio, em Paris, depois de 1944), em 17.04.1936, a Internacional orientou seus militantes a estender às mãos aos católicos, na política das mãos estendidas.

Thorez proferiu o discurso pela Rádio Paris, sendo este o marco da “politique de la main tendue” (“política das mãos estendidas”) aos católicos.

Pio XI, na “Divini Redemptoris” (19.03.1937), descreve esta política: os comunistas “convidam os católicos a colaborar” no “campo humanitário e caritativo, propondo por vez coisas em tudo conformes ao espírito cristão e à doutrina da Igreja”.

Os comunistas chegavam ao ponto de dizer que “em países de maior fé ou de maior cultura”, o socialismo “não impedirá o culto religioso e respeitará a liberdade de consciência”.

A Internacional também mencionava as “mudanças introduzidas” na “legislação soviética”, especificamente na Constituição da URSS, de 1936.

No fundo, Stalin e a Internacional, a partir de 1934 e, especialmente, 1935, tendo como expoente Dmitrov, lançaram um movimento de aproximação com os católicos, os muçulmanos, a religiosidade africana e com os socialistas democráticos.

Um bom movimento, de ecumenismo. 

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