A autoridade e a liberdade (“a gloriosa liberdade”, cf. São Paulo) são, por natureza (por lei natural) complementares e harmônicas.

Este ponto foi destacado por Louis François Veuillot (1813-1883, um “conservador” católico) e também por Joaquim Saldanha (um maçom cristão), pois os dois entendiam que a autoridade tem como fundamento a lei natural (ou seja, a razão, o senso comum, o consenso das idéias mais espalhadas e difusas), que é a base da liberdade humana.

No fundo, a idéia cristã da harmonia entre a pessoa e a sociedade, entre a liberdade e a autoridade, é o que Hegel queria dizer nas frases sobre necessidade e liberdade. O mesmo que Engels apreciava e é também a base do pensamento de autores cristãos democratas como Thomas Paine (ver “O senso comum”) ou William Cobbett, católico.

No mesmo sentido, Paulo VI escreveu, numa carta de 30.08.1968:

“Segui o chamado do Concílio, demonstrando através de vossa vida “como podem harmonizar-se a autoridade e a liberdade, a iniciativa pessoal e a solidariedade de todo o corpo social, a oportuna unidade e a vária diversidade” (Cont. past. Gaudium et spes, n. 75)! Fazei-vos promotores de tudo isso a fim de que no mundo todos os homens em todas as formações sociais alcancem tanta corresponsabilidade e tanta co-participação quanta corresponde à sua dignidade e a seus deveres!”.

O ensino da Igreja sempre reforça a libertação: “tanta corresponsabilidade e tanta co-participação quanta corresponde” à dignidade da pessoa.

O próprio Engels (cf. o texto que fala da passagem do reino da necessidade para o reino da liberdade) e Bakunin tinham conceitos semelhantes (por conta das raízes cristãs de seus pensamentos, o que fica claro nos textos cristãos dos jovens Engels e Bakunin) sobre a liberdade: ser livre é agir de acordo com os ditames da consciência, num movimento sincrônico entre inteligência, vontade, afetos, instintos etc.

A liberdade só se torna concreta quando é social, quando é compartilhada.

Da mesma forma, a sociedade só é livre quando age de acordo com as razões entrelaçadas pelo diálogo, gerando o que Durkheim chamou de “consciência coletiva” ou social.

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