Um bom socialismo nasce do melhor das tradições nacionais mais profundas

José Carlos Mariátegui, um marxista peruano, teve o mérito de ver a importância das tradições comunitárias indígenas, de cunho religioso, para um socialismo peruano, que retome o que havia de bom nas tradições incas. 

Mais tarde, o Sendero Luminoso, mesmo com erros, seguiu em parte estas idéias pela valorização do povo de descendência indígena.

O texto de Mariátegui, “O problema indígena na América Latina” (de 1929, enviado para a 1ª Conferência Comunista Latino-Americana), elogiou os ayllu (aldeias, pequenos municípios) e as terras comunais geridas pelos membros do ayllu. Elogiou também o trabalho cooperativo, através do instituto da minka (semelhante ao mutirão do Brasil), no Peru, na Bolívia, no Equador e no Chile.

Mariátegui foi influenciado pelos textos do idealismo italiano (Benedetto Croce), por Bergson e por Sorel (este, por sua vez, também foi influenciado por Bergson, um filósofo praticamente católico).

Mariátegui, Gramsci e Lukács eram críticos contra a mescla de positivismo e marxismo da II Internacional, especialmente contra o erro crasso do determinismo. Nestes três autores, tal como em Sorel, há um forte componente ético e revolucionário. Enquanto autores como Mariátegui procuravam libertar o povo, escritores asquerosos como Mário Vargas Llosa caíram no pantanal do neoliberalismo, servindo aos interesses das multinacionais.

Diego Rivera, pintor muralista mexicano, também compartilhava o respeito de Mariátegui às tradições indígenas comunitárias (como pode ser visto no texto “O problema indígena no México”, de 1938).

Neste texto, Diego escreveu que o México se tornou independente graças a “acordo entre a sub-burguesia [PEQUENA BURGUESIA] aristocrática colonial mexicana e os poucos chefes insurgentes que restavam, depois de uma terrível luta de 11 anos (o movimento das massas camponesas fora conduzido pelos eclesiásticos e leigos das classes nativas e mestiços oprimidos, como Hidalgo, Morelos e Matamoros, sacerdotes)”.

Conclusão: Diego Rivera apontou corretamente que um bom socialismo nasce do melhor das tradições nacionais. E viu que três padres (Hidalgo, Morelos e Matamoros, os líderes da independência Mexicana) participaram das lutas do povo. As pinturas de Rivera seguem a mesma linha, indígena. Uma tradição que uma boa esquerda deve dar continuidade.

Um bom Estado amplo deve trabalhar junto com a pequena burguesia, o campesinato, os artistas, artesãos, intelectuais, técnicos, profissionais liberais, escritores, servidores públicos. Estes são os aliados corretos dos assalariados. 

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