{"id":8848,"date":"2018-10-01T14:45:48","date_gmt":"2018-10-01T17:45:48","guid":{"rendered":"http:\/\/www.luizfdesouza.com.br\/?p=8848"},"modified":"2018-10-01T14:45:48","modified_gmt":"2018-10-01T17:45:48","slug":"um-texto-de-friedrich-engels-sobre-a-origem-da-base-filosofica-humana-do-cristianismo-mostrando-a-sintese-entre-o-melhor-da-sintese-estoicismo-e-platonismo-medio-de-filon-e-dos-fariseus-e-essenios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.luizfdesouza.com.br\/index.php\/2018\/10\/01\/um-texto-de-friedrich-engels-sobre-a-origem-da-base-filosofica-humana-do-cristianismo-mostrando-a-sintese-entre-o-melhor-da-sintese-estoicismo-e-platonismo-medio-de-filon-e-dos-fariseus-e-essenios\/","title":{"rendered":"Um texto de Friedrich Engels sobre a origem da base filos\u00f3fica humana do cristianismo, mostrando a s\u00edntese entre o melhor da s\u00edntese estoicismo e platonismo m\u00e9dio de Filon (e dos Fariseus e Ess\u00eanios) e do estoicismo de Seneca, ou seja, do MELHOR DA PAIDEIA com o MELHOR da Filosofia Hebraica. No fundo, \u00e9 um ELOGIO DO CRISTIANISMO"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>Friedrich Engels, em 11.05.1882, escreveu o texto &#8220;Bruno Bauer e o in\u00edcio do cristianismo&#8221;, para homenagear a morte de um te\u00f3logo, Bruno Bauer, que tinha sido o melhor amigo de Karl Marx, na Universidade de Berlim. <\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong><span style=\"color: #800000;\">Bruno Bauer era apenas um dentre v\u00e1rios te\u00f3logos, amigos de Marx. Vou tentar tratar de todos os te\u00f3logos amigos de Marx. <\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong><span style=\"color: #800000;\">Bruno Bauer e Marx eram t\u00e3o amigos que Marx mesmo cogitava ser professor de teologia em Bonn, ao lado de Bruno Bauer<\/span>. Este texto foi publicado no jornal &#8220;Sozial Demokrat&#8221;, de 4-11 de maio de 1882, traduzido ao portugu\u00eas por Wellington de Lucena Moura. Tirei do MIA.\u00a0<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>&#8220;Bruno Bauer e o In\u00edcio do Cristianismo<\/strong><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #333333;\"><strong>Friedrich Engels<\/strong><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #333333;\"><strong>11 de Maio de 1882<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>&#8220;Em Berlim, em 13 de abril, morreu um homem que atuou como <span style=\"color: #800000;\">fil\u00f3sofo e te\u00f3logo<\/span>, mas, durante anos, dificilmente se ouvia falar dele, somente atraindo a aten\u00e7\u00e3o p\u00fablica eventualmente como um &#8220;literato exc\u00eantrico&#8221;. Te\u00f3logos oficiais, inclusive Renan, corresponderam-se com ele e, mesmo assim, mantiveram sobre ele um sil\u00eancio de morte. E ele valia mais do que todos eles e fez mais que todos eles em uma quest\u00e3o que tamb\u00e9m interessa a n\u00f3s, Socialistas: a pergunta pela origem hist\u00f3rica do Cristianismo.<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>Por ocasi\u00e3o da sua morte, vamos fazer um breve relato da situa\u00e7\u00e3o atual da quest\u00e3o, e da contribui\u00e7\u00e3o de Bauer para a sua solu\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>A vis\u00e3o que dominou os livres-pensadores da Idade M\u00e9dia incluindo os Iluministas do s\u00e9culo XVIII, de que todas as religi\u00f5es eram obra de enganadores, e, portanto, o Cristianismo tamb\u00e9m, n\u00e3o era mais suficiente depois que Hegel fixou para a filosofia a tarefa de mostrar a evolu\u00e7\u00e3o racional na hist\u00f3ria mundial.<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>\u00c9 claro que se espontaneamente surgem religi\u00f5es &#8211; como a adora\u00e7\u00e3o de feiti\u00e7os dos Negros ou a religi\u00e3o comunal dos arianos primitivos \u2014 sem qualquer engodo inicial, entretanto, o engano, atrav\u00e9s dos sacerdotes, logo se torna inevit\u00e1vel no seu desenvolvimento subsequente. Apesar de toda f\u00e9 sincera, religi\u00f5es artificiais n\u00e3o podem permanecer, desde a sua funda\u00e7\u00e3o, sem engano e falsifica\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica. <\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong><span style=\"color: #800000;\">O Cristianismo, tamb\u00e9m, pode se gabar de grandes realiza\u00e7\u00f5es a este respeito desde o in\u00edcio, como Bauer mostrou em sua cr\u00edtica do Novo Testamento. Mas isto somente confirma um fen\u00f3meno geral e n\u00e3o explica o caso particular em quest\u00e3o.<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong><span style=\"color: #800000;\">A religi\u00e3o que subjugou o Imp\u00e9rio Romano e dominou sem d\u00favida a maior parte da humanidade civilizada por 1.800 anos, n\u00e3o pode ser explicada apenas declarando ser ela uma tolice resultante de fraudes<\/span>. <\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>N\u00e3o se pode elucidar esta quest\u00e3o e ter sucesso na explica\u00e7\u00e3o da sua origem e do seu desenvolvimento sem partir das condi\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas sob as quais surgiu e alcan\u00e7ou o dom\u00ednio da situa\u00e7\u00e3o. Isto se aplica ao Cristianismo. A quest\u00e3o a ser solucionada, ent\u00e3o, \u00e9: <span style=\"color: #800000;\">como aconteceu que as massas populares no Imp\u00e9rio Romano preferiram esta tolice \u2014 que era aceita, normalmente, pelos escravos e oprimidos \u2014 a todas as outras religi\u00f5es, e, finalmente porque o ambicioso Constantino viu na ado\u00e7\u00e3o desta religi\u00e3o tola o melhor meio de elevar a si mesmo ao posto de autocrata do mundo romano.<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>Bruno Bauer contribuiu mais para a solu\u00e7\u00e3o desta quest\u00e3o que qualquer outra pessoa. N\u00e3o importa quanto os te\u00f3logos meio-crentes do per\u00edodo da rea\u00e7\u00e3o tenham lutado contra ele desde 1849, ele irrefutavelmente demonstrou a ordem cronol\u00f3gica dos Evangelhos e sua interdepend\u00eancia m\u00fatua, demonstrada por Wilke do ponto de vista puramente lingu\u00edstico, pelo pr\u00f3prio conte\u00fado dos Evangelhos. Ele exp\u00f4s a car\u00eancia completa de esp\u00edrito cient\u00edfico da vaga teoria de mito de Strauss, de acordo com a qual se pode considerar como hist\u00f3rico tudo quanto se gosta nas narra\u00e7\u00f5es do Evangelho. E, se quase nada do conte\u00fado inteiro dos Evangelhos \u00e9 historicamente prov\u00e1vel \u2014 de forma que at\u00e9 a exist\u00eancia hist\u00f3rica de Jesus Cristo pode ser questionada \u2014 Bauer tem, assim, iluminado os fundamentos para a solu\u00e7\u00e3o da pergunta: <span style=\"color: #800000;\">qual \u00e9 a origem das id\u00e9ias e pensamentos que foram tecidos como uma esp\u00e9cie de sistema no Cristianismo, e como veio ele a dominar o mundo?<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>Bauer estudou esta pergunta at\u00e9 a sua morte. <span style=\"color: #800000;\">Sua investiga\u00e7\u00e3o alcan\u00e7ou seu ponto alto na conclus\u00e3o que o judeu de Alexandria, Filon, que ainda vivia por volta de 40 D.C., mas j\u00e1 era muito velho, foi o pai verdadeiro do Cristianismo, e que o est\u00f3ico romano S\u00eaneca era, por assim dizer, seu tio.<\/span> <\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong><span style=\"color: #800000;\">A escrita numerosa atribu\u00edda a Filon que nos alcan\u00e7ou tem origem realmente em uma fus\u00e3o aleg\u00f3rica e racionalisticamente concebida das tradi\u00e7\u00f5es judaicas com as gregas, particularmente a filosofia est\u00f3ica.<\/span> <\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>Esta concilia\u00e7\u00e3o de perspectivas ocidentais e orientais j\u00e1 encerra todas as id\u00e9ias essencialmente Crist\u00e3s: o pecado inato do homem, <span style=\"color: #800000;\">o Logos, a Palavra, que est\u00e1 com Deus e \u00e9 Deus e que se torna o mediador entre Deus e homem: a compensa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o por sacrif\u00edcios de animais, mas trazendo-se o pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o a Deus, e finalmente a caracter\u00edstica essencial que na nova filosofia religiosa, invertendo a ordem mundial anterior, busca seus disc\u00edpulos entre os pobres, os miser\u00e1veis, os escravos, e os rejeitados, e menospreza o rico, o poderoso e o privilegiado, originando o preceito para menosprezar todo prazer mundano e mortificar a carne.<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>Por outro lado, <span style=\"color: #800000;\">Augusto via em si mesmo n\u00e3o s\u00f3 o Deus-homem, mas tamb\u00e9m a chamada concep\u00e7\u00e3o imaculada que se tornou f\u00f3rmula imposta oficialmente<\/span>. Ele n\u00e3o s\u00f3 teve C\u00e9sar e ele mesmo idolatrados como deuses, mas tamb\u00e9m espalhou a no\u00e7\u00e3o que ele, Augustus Caesar Divus, o Divino, n\u00e3o era filho de um pai humano, mas que sua m\u00e3e o concebeu do deus Apolo. Mas n\u00e3o seria talvez o Apolo citado na can\u00e7\u00e3o de Heinrich Heine? [Refer\u00eancia a Apollgott, de Heine.].<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>Como vemos, n\u00f3s precisamos apenas da pedra fundamental <span style=\"color: #800000;\">e teremos o conjunto do Cristianismo em suas caracter\u00edsticas b\u00e1sicas: a encarna\u00e7\u00e3o da Palavra se torna homem em uma pessoa definida e seu sacrif\u00edcio na cruz traz a reden\u00e7\u00e3o da humanidade pecadora.<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>As fontes mais confi\u00e1veis n\u00e3o nos d\u00e3o certeza sobre <span style=\"color: #800000;\">quando esta pedra fundamental foi introduzida nas doutrinas est\u00f3ico-fil\u00f4nicas.<\/span> <\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>Mas uma coisa \u00e9 certa: n\u00e3o foi introduzida por fil\u00f3sofos, nem disc\u00edpulos de Filon ou est\u00f3icos. <\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>As religi\u00f5es s\u00e3o fundadas por pessoas que experimentam uma necessidade pr\u00f3pria de religi\u00e3o e t\u00eam uma percep\u00e7\u00e3o das necessidades religiosas das massas. Como regra, este n\u00e3o \u00e9 o caso dos fil\u00f3sofos cl\u00e1ssicos. Por outro lado, n\u00f3s observamos que em tempos de decad\u00eancia geral, agora, por exemplo, a filosofia e o dogmatismo religioso geralmente aparecem em sua forma vulgar e superficial. <\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>Enquanto a filosofia grega cl\u00e1ssica em suas \u00faltimas formas \u2014 particularmente na escola Epicurista \u2014 leva ao materialismo ate\u00edstico, <span style=\"color: #800000;\">a Filosofia grega vulgar leva \u00e0 doutrina de um Deus \u00fanico e da imortalidade da alma humana.<\/span> <\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>O Juda\u00edsmo tamb\u00e9m, racionalmente vulgarizado em mistura e intercurso com estrangeiros e meio-judeus, <span style=\"color: #800000;\">acaba negligenciando a cerim\u00f3nia e transforma o antigo deus judeu exclusivamente nacional, Jahveh, no \u00fanico Deus verdadeiro, o criador de c\u00e9u e Terra, e adota a id\u00e9ia da imortalidade da alma,<\/span> que era estranha ao Juda\u00edsmo inicial. <\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>Deste modo, <span style=\"color: #800000;\">a filosofia vulgar monote\u00edsta entrou em contacto com a religi\u00e3o vulgar, a qual presenteou com o j\u00e1 elaborado Deus \u00fanico. Assim, o caminho foi preparado pela elabora\u00e7\u00e3o entre os judeus das tamb\u00e9m vulgarizadas no\u00e7\u00f5es fil\u00f4nicas<\/span>, e n\u00e3o dos pr\u00f3prios trabalhos de Filon, das quais o Cristianismo procede, como est\u00e1 provada pelo quase total descuido com que foi composta a maior parte do Novo Testamento, particularmente a interpreta\u00e7\u00e3o aleg\u00f3rica e filos\u00f3fica das narra\u00e7\u00f5es do Velho Testamento. Este \u00e9 um aspecto ao qual Bauer n\u00e3o dedicou aten\u00e7\u00e3o suficiente.<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>Pode-se ter uma id\u00e9ia do que era o Cristianismo em sua forma inicial lendo o chamado Livro do Apocalipse, de S\u00e3o Jo\u00e3o. Selvageria, fanatismo confuso, dogmas incipientes, a moral Crist\u00e3 \u00e9 apenas a mortifica\u00e7\u00e3o da carne, mas h\u00e1 uma multid\u00e3o de vis\u00f5es e profecias. <\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>O desenvolvimento dos dogmas e doutrinas morais pertence a um per\u00edodo posterior, no qual os Evangelhos e as chamadas Ep\u00edstolas dos Ap\u00f3stolos foram escritos. <\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>Nestas \u00faltimas \u2014 pelo menos como considera\u00e7\u00e3o moral \u2014 <span style=\"color: #800000;\">a filosofia dos est\u00f3icos, de S\u00eaneca em particular, foi copiada sem qualquer cerim\u00f3nia. Bauer provou que as Ep\u00edstolas, frequentemente, copiam os antigos palavra-por-palavra; de fato, qualquer fiel nota isto, mas mesmo assim eles mant\u00eam que S\u00eaneca copiou o Novo Testamento,<\/span> embora ele ainda n\u00e3o houvesse sido escrito naquele tempo. O dogma foi desenvolvido, por um lado com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 lenda de Jesus que estava, ent\u00e3o, se formando, e, por outro lado, na luta entre crist\u00e3os de origem judaica e de origem pag\u00e3.<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>Bauer tamb\u00e9m fornece dados valiosos sobre <span style=\"color: #800000;\">as causas que ajudaram o Cristianismo a triunfar e atingir a domina\u00e7\u00e3o mundial.<\/span> Mas aqui o fil\u00f3sofo alem\u00e3o \u00e9 impedido por seu idealismo de ver claramente e formular precisamente. As frases frequentemente substituem a subst\u00e2ncia em pontos decisivos. Ao inv\u00e9s, ent\u00e3o, de entrar em detalhes sobre as vis\u00f5es de Bauer, <span style=\"color: #800000;\">daremos a nossa pr\u00f3pria concep\u00e7\u00e3o deste ponto, baseados em trabalhos de Bauer, e tamb\u00e9m em nosso estudo pessoal.<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>A Conquista romana dissolveu em todos os pa\u00edses que dominou, primeiro, diretamente, as condi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas antigas, e depois, indiretamente, tamb\u00e9m as condi\u00e7\u00f5es sociais de vida.<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>Primeiramente, substituindo a antiga organiza\u00e7\u00e3o fundamentada nas propriedades (escravid\u00e3o \u00e0 parte) pela distin\u00e7\u00e3o simples entre cidad\u00e3os romanos e peregrinos ou vassalos.<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>Depois, e principalmente, pelo severo tributo em nome do Estado romano. Se, debaixo do imp\u00e9rio, era fixado um limite ao interesse do estado para conter a sede de riqueza dos governadores, aquela sede foi substitu\u00edda pela <span style=\"color: #800000;\">taxa\u00e7\u00e3o mais efetiva e opressiva em benef\u00edcio da tesouraria oficial, cujo efeito era terrivelmente destrutivo.<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>Em terceiro lugar, a<span style=\"color: #800000;\"> Lei romana era, em \u00faltima inst\u00e2ncia, administrada em toda parte por juizes romanos<\/span>, enquanto o sistema social nativo era anulado no caso de conflitos com as prescri\u00e7\u00f5es da lei romana.<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>Estas tr\u00eas alavancas necessariamente desenvolveram um tremendo nivelamento de poder, particularmente quando foram aplicados por centenas de anos a popula\u00e7\u00f5es \u2014 das quais as parcelas mais vigorosas tinham sido ou eliminadas ou escravizadas nas batalhas precedentes, acompanhando, e frequentemente seguindo, a conquista. <\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong><span style=\"color: #800000;\">As rela\u00e7\u00f5es sociais nas prov\u00edncias ficaram cada vez mais pr\u00f3ximas do que dependia da capital e da It\u00e1lia.<\/span> <\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>A popula\u00e7\u00e3o se tornou cada vez mais nitidamente dividida em tr\u00eas classes, ignorando os mais variados elementos e nacionalidades: <span style=\"color: #800000;\">pessoas ricas, incluindo alguns escravos emancipados (cf. Petr\u00f4nio), grandes propriet\u00e1rios de terras ou agiotas ou ambos de uma s\u00f3 vez, como S\u00eaneca, o tio do Cristianismo; pessoas livres despossu\u00eddas<\/span>, que, <span style=\"color: #800000;\">em Roma, eram alimentadas e divertidas pelo E<\/span><\/strong><\/span><span style=\"color: #333333;\"><strong><span style=\"color: #800000;\">stado \u2014 mas nas prov\u00edncias viviam como podiam, sem ajuda \u2014 e, finalmente, a grande massa, os escravos.<\/span> <\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>Em face do Estado, isto \u00e9, do Imperador, as duas primeiras classes tinham t\u00e3o poucos direitos quanto os escravos em face aos seus senhores. Do tempo de Tib\u00e9rio ao de Nero, em particular, era uma pr\u00e1tica condenar cidad\u00e3os romanos ricos \u00e0 morte a fim de confiscar sua propriedade. <\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>O suporte do governo era \u2014 materialmente, o ex\u00e9rcito, que era mais um ex\u00e9rcito de soldados estrangeiros contratados do que <span style=\"color: #800000;\">de velhos camponeses romanos,<\/span> e moralmente, a vis\u00e3o geral de que n\u00e3o poderia ser de outro modo; que n\u00e3o era este ou aquele C\u00e9sar, mas o imp\u00e9rio fundamentado na domina\u00e7\u00e3o militar que era uma necessidade imut\u00e1vel. Aqui n\u00e3o \u00e9 o lugar para examinar os fatos materiais que justificam esta vis\u00e3o.<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>A perda geral de direitos e a falta de possibilidades de melhorar de condi\u00e7\u00e3o ocasionaram um correspondente afrouxamento e desmoraliza\u00e7\u00e3o geral. Os poucos Romanos velhos, sobreviventes do tipo patr\u00edcio, ou eram removidos ou mortos; <span style=\"color: #800000;\">T\u00e1cito foi o \u00faltimo deles.<\/span> <\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>Os outros ficavam contentes quando podiam manter-se afastados da vida p\u00fablica; toda raz\u00e3o para viver era juntar e desfrutar da riqueza, e praticar a fofoca e a intriga privada. Os cidad\u00e3os livres despossu\u00eddos eram pensionistas em Roma, mas nas prov\u00edncias sua condi\u00e7\u00e3o era infeliz. Tiveram que trabalhar e competir com o trabalho escravo pelo sal\u00e1rio. Mas eram confinados nas cidades. <\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>Al\u00e9m deles, <span style=\"color: #800000;\">existiam tamb\u00e9m os camponeses das prov\u00edncias, livres propriet\u00e1rios de terras (ambos, provavelmente, com propriedades comunais) ou, como na G\u00e1lia, fiadores das d\u00edvidas dos grandes propriet\u00e1rios de terras<\/span>. Esta classe era a menos afetada pelo motim social; tamb\u00e9m era a que resistia mais tempo ao motim religioso. [Nota de Engels: Conforme Fallmereyer, os camponeses em Main, Peloponeso, ainda ofereciam sacrif\u00edcios a Zeus no s\u00e9culo IX.] <\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>Finalmente, existiam os escravos, destitu\u00eddos de direitos e de si pr\u00f3prios e da possibilidade de liberta\u00e7\u00e3o, como a derrota de Spartacus j\u00e1 provara; <span style=\"color: #800000;\">a maior parte deles, por\u00e9m, foram antes cidad\u00e3os livres, ou filhos de cidad\u00e3os livres-nascidos. Deveria, ent\u00e3o, haver ainda entre eles um \u00f3dio generalizado e vigoroso, entretanto, externamente impotente, por causa das suas condi\u00e7\u00f5es de vida<\/span>.<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>Devemos encontrar o tipo de ide\u00f3logo que correspondia \u00e0 situa\u00e7\u00e3o daquele momento. Os fil\u00f3sofos eram ou professores que ensinavam por dinheiro ou palha\u00e7os pagos para divertir os ricos. Alguns eram at\u00e9 escravos. <\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>Um exemplo do que se tornaram eles sob boas condi\u00e7\u00f5es \u00e9 fornecido por S\u00eaneca. Este est\u00f3ico, pastor da virtude e da abstin\u00eancia, era o primeiro intrigante da corte de Nero, o que ele n\u00e3o poderia ser sem servilismo; ele assegurou para si presentes em dinheiro, propriedades, jardins, e pal\u00e1cios \u2014 e enquanto orava pelo pobre L\u00e1zaro do Evangelho, ele era, na realidade, o homem rico da mesma par\u00e1bola. <\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>At\u00e9 que Nero o fez solicitar ao imperador que aceitasse a devolu\u00e7\u00e3o todos os seus presentes, pois sua filosofia era o bastante para ele. S\u00f3 os fil\u00f3sofos completamente isolados, como Persio tiveram a coragem de brandir a s\u00e1tira acima de seus contempor\u00e2neos degenerados. <\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong><span style=\"color: #800000;\">Um segundo tipo de ide\u00f3logos, os juristas, eram entusiastas das novas condi\u00e7\u00f5es porque a aboli\u00e7\u00e3o de todas as diferen\u00e7as entre Estados permitiria a eles largo escopo na elabora\u00e7\u00e3o de seu direito favorito, o privado, em troca de que eles prepararam para o imperador o sistema oficial de direito mais vil que j\u00e1 existira.<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>Assim como fez com as peculiaridades pol\u00edticas e sociais dos v\u00e1rios povos, o Imp\u00e9rio Romano tamb\u00e9m foi condenado a arruinar suas religi\u00f5es particulares. Todas as religi\u00f5es de Antiguidade eram espont\u00e2neas, tribais, e velhas religi\u00f5es nacionais, que surgiram da fus\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es sociais e pol\u00edticas dos respectivos povos. Uma vez que estas bases se romperam, e suas tradicionais formas de sociedade, suas institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas herdadas e suas independ\u00eancias nacionais foram destru\u00eddas, a religi\u00e3o correspondente a estas tamb\u00e9m naturalmente desmoronou. Os deuses nacionais podiam suportar outros deuses ao lado deles, como era a regra geral da Antiguidade, mas n\u00e3o acima deles. <\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>O transplante de divindades Orientais para Roma era prejudicial s\u00f3 para a religi\u00e3o romana, n\u00e3o se verificava decad\u00eancia das religi\u00f5es Orientais. Assim que os deuses nacionais ficaram incapazes de proteger a independ\u00eancia de sua na\u00e7\u00e3o encontraram sua pr\u00f3pria destrui\u00e7\u00e3o. Este foi o caso em todos lugares (exceto com camponeses, especialmente nas montanhas). <\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>O que o iluminismo filos\u00f3fico vulgar \u2014 eu quase disse Voltairianismo \u2014 fez em Roma e na Gr\u00e9cia, foi feito nas prov\u00edncias pela opress\u00e3o romana e pela substitui\u00e7\u00e3o de homens orgulhosos de sua liberdade por submissos desesperados e malandros ego\u00edstas.<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>Tal era a situa\u00e7\u00e3o material e moral. O presente era insuport\u00e1vel, a possibilidade do futuro tranquilo, amea\u00e7ada. E nada, al\u00e9m disso. S\u00f3 o desespero ou ref\u00fagio no prazer sensual comum, pelo menos para aqueles que podiam dispor disto, e estes eram uma minoria min\u00fascula. Caso contr\u00e1rio, nada, al\u00e9m de esperar o inevit\u00e1vel. <\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>Mas, <span style=\"color: #800000;\">em todas as classes existiam necessariamente as pessoas que, desesperando da salva\u00e7\u00e3o material, buscavam em seu lugar uma salva\u00e7\u00e3o espiritual, uma consola\u00e7\u00e3o em sua consci\u00eancia para salvar-se do desespero absoluto<\/span>. <\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>Esta consola\u00e7\u00e3o n\u00e3o podia ser fornecida <span style=\"color: #800000;\">pelos est\u00f3icos<\/span> ou pela escola Epicurista, pela raz\u00e3o de que estes fil\u00f3sofos n\u00e3o eram voltados para consci\u00eancia comum e, secundariamente, porque a conduta de disc\u00edpulos destas escolas trouxe o descr\u00e9dito em suas doutrinas. <\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>A consola\u00e7\u00e3o era um substituto, n\u00e3o para a filosofia perdida, mas para a religi\u00e3o perdida; teve que tomar uma forma religiosa, <span style=\"color: #800000;\">a mesma que de alguma maneira, segurou as massas at\u00e9 o s\u00e9culo XVII. Precisamos notar apenas que a maioria daqueles que estavam sens\u00edveis para tal consola\u00e7\u00e3o de sua consci\u00eancia, para este v\u00f4o do mundo externo para o interno, estavam necessariamente entre os escravos<\/span>. <\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>Foi no meio desta decad\u00eancia econ\u00f3mica, pol\u00edtica, intelectual e moral que o Cristianismo apareceu. E entrou como uma ant\u00edtese resoluta a todas as religi\u00f5es anteriores.<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>Em todas as religi\u00f5es anteriores, a cerim\u00f3nia era a coisa principal. S\u00f3 tomando parte nos sacrif\u00edcios e prociss\u00f5es, e, no Oriente, observando a dieta mais detalhada e preceitos de limpeza, podia algu\u00e9m mostrar a que religi\u00e3o pertencia. <\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>Enquanto Roma e a Gr\u00e9cia eram tolerantes a respeito disto, existia no Oriente uma revolta contra as proibi\u00e7\u00f5es religiosas que contribu\u00edram muito para a sua queda final. Pessoas de duas das religi\u00f5es diferentes, (Eg\u00edpcios Persas, judeus, Caldeus) n\u00e3o podiam comer ou beber juntos, apresentar-se e agir juntos, ou mesmo falar um com o outro. Era certamente devido a esta segrega\u00e7\u00e3o do homem pelo homem que o Oriente desmoronava. <\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>O cristianismo n\u00e3o possu\u00eda nenhuma formalidade distintiva, nem mesmo os sacrif\u00edcios e prociss\u00f5es do mundo cl\u00e1ssico. Deste modo, rejeitando todas as religi\u00f5es nacionais e suas formalidades comuns, e dirigindo-se diretamente a todas as pessoas sem distin\u00e7\u00e3o, se tornou a primeira religi\u00e3o mundial poss\u00edvel. <\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>O juda\u00edsmo tamb\u00e9m, com seu novo deus universal, fez um come\u00e7o a caminho de se tornar uma religi\u00e3o universal; mas os filhos de Israel sempre permaneceram uma aristocracia separando os crentes e os circuncidados, <span style=\"color: #800000;\">e o pr\u00f3prio Cristianismo teve que se livrar da no\u00e7\u00e3o da superioridade dos crist\u00e3os judeus (ainda dominante no chamado Apocalipse, de S\u00e3o Jo\u00e3o) antes de poder realmente se tornar uma religi\u00e3o universal<\/span>. <\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>O Isl\u00e3, por outro lado, preservando a cerim\u00f3nia especificamente Oriental, limitou a \u00e1rea de sua propaga\u00e7\u00e3o <span style=\"color: #800000;\">ao Oriente e \u00e0 \u00c1frica do Norte, conquistada e povoada novamente por bedu\u00ednos \u00e1rabes; ali ele pode se tornar a religi\u00e3o dominante, mas n\u00e3o no Oeste.<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>Secundariamente, <span style=\"color: #800000;\">o Cristianismo atingiu um tom que estava destinado a ecoar em incont\u00e1veis cora\u00e7\u00f5es. A todas as reclama\u00e7\u00f5es sobre a maldade dos tempos e a ang\u00fastia moral e material, a consci\u00eancia crist\u00e3 do pecado responde<\/span>: \u00c9 assim e n\u00e3o pode ser de outro modo; tu ardes em culpa, somos todos culpados pela corrup\u00e7\u00e3o do mundo, por nossa pr\u00f3pria corrup\u00e7\u00e3o interna! E onde estava o homem que podia negar isto? Mea culpai <\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>A admiss\u00e3o da parte de cada um na responsabilidade pela infelicidade geral era irrefut\u00e1vel e era a pr\u00e9-condi\u00e7\u00e3o para a salva\u00e7\u00e3o espiritual que o Cristianismo ao mesmo tempo anunciava. E esta salva\u00e7\u00e3o espiritual estava t\u00e3o institu\u00edda que podia ser facilmente compreendida por membros de toda a comunidade religiosa antiga. <\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>A id\u00e9ia do pagamento para aplacar a deidade ofendida era conhecida em todas as religi\u00f5es antigas; como a id\u00e9ia do auto-sacrif\u00edcio do mediador pagando de uma vez por todas os pecados da humanidade n\u00e3o podia ser facilmente explicada assim? <\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>O cristianismo, ent\u00e3o, expressou claramente o sentimento universal de que os pr\u00f3prios homens s\u00e3o culpados da corrup\u00e7\u00e3o geral atrav\u00e9s da consci\u00eancia do pecado de cada um; ao mesmo tempo, providenciou, no sacrif\u00edcio da morte de seu juiz, <span style=\"color: #800000;\">uma sa\u00edda universalmente esperada \u2014 pela salva\u00e7\u00e3o interna do mundo corrupto, a consola\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia; assim novamente o cristianismo provou sua capacidade para se tornar uma religi\u00e3o mundial e ser, realmente, uma religi\u00e3o adequada ao mundo como ele era naquele tempo.<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>Assim aconteceu que, entre os milhares de profetas e pregadores do deserto que enchiam aquele per\u00edodo de incont\u00e1veis inova\u00e7\u00f5es religiosas, <span style=\"color: #800000;\">s\u00f3 os fundadores do Cristianismo tiveram sucesso<\/span>. <\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>N\u00e3o s\u00f3 a Palestina, mas o Oriente inteiro fervilhou com tais fundadores das religi\u00f5es, e entre eles travou-se o que pode ser chamado uma luta darwiniana pela exist\u00eancia ideol\u00f3gica. <\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>Usando principalmente os elementos mencionados acima, <span style=\"color: #800000;\">o Cristianismo &#8220;ganhou o dia&#8221;. Como ele gradualmente desenvolveu seu car\u00e1ter de religi\u00e3o mundial por sele\u00e7\u00e3o natural na luta das seitas umas contra as outras e contra o mundo pag\u00e3o \u00e9 explicado em detalhe pelos primeiros tr\u00eas s\u00e9culos <\/span><span style=\"color: #800000;\">da hist\u00f3ria da Igreja&#8221;.<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"color: #800000;\">COMENT\u00c1RIO &#8211; n\u00e3o concordo com v\u00e1rios pontos, mas a base filos\u00f3fica est\u00f3ica, plat\u00f4nica, aristot\u00e9lica, judaica, numa s\u00edntese, chamada &#8220;filosofia crist\u00e3&#8221;, tal como o fato de terem sido os pobres que difundiram o cristianismo, estes pontos est\u00e3o corretos.\u00a0<\/span><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Friedrich Engels, em 11.05.1882, escreveu o texto &#8220;Bruno Bauer e o in\u00edcio do cristianismo&#8221;, para homenagear a morte de um te\u00f3logo, Bruno Bauer, que tinha sido o melhor amigo de Karl Marx, na Universidade de Berlim. 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