{"id":6792,"date":"2018-05-28T13:04:28","date_gmt":"2018-05-28T16:04:28","guid":{"rendered":"http:\/\/www.luizfdesouza.com.br\/?p=6792"},"modified":"2018-07-30T16:26:04","modified_gmt":"2018-07-30T19:26:04","slug":"otimo-artigo-sobre-a-farsa-da-globalizacao-de-ricardo-moreno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.luizfdesouza.com.br\/index.php\/2018\/05\/28\/otimo-artigo-sobre-a-farsa-da-globalizacao-de-ricardo-moreno\/","title":{"rendered":"\u00d3timo artigo sobre a farsa da Globaliza\u00e7\u00e3o (imperialismo), de Ricardo Moreno"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>Tirei o artigo do site Portal Vermelho, que recomendo. <\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>&#8220;As guerras hispano-americana (1898), anglo-b\u00f3er (1899-1902), russo-japonesa (1904-1905) e a crise econ\u00f4mica da Europa em 1900, s\u00e3o os principais marcos hist\u00f3ricos da nova \u00e9poca da hist\u00f3ria mundial (LENIN, 1977). Portanto n\u00e3o poderia caber a Marx, j\u00e1 morto, a interpreta\u00e7\u00e3o deste fen\u00f4meno. Foi Wladimir Ulianov, o L\u00eanin, que o fez. No entanto, ancorou-se justamente em conceitos apresentados pelo alem\u00e3o pai do marxismo, em sua interpreta\u00e7\u00e3o estrutural do funcionamento do sistema capitalista de produ\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>Foi na obra\u00a0<i>\u201cImperialismo, etapa superior do capitalismo\u201d<\/i>\u00a0que L\u00eanin desenvolveu o debate te\u00f3rico sobre a atualiza\u00e7\u00e3o das formas de capital e suas conseq\u00fc\u00eancias e mostra a evolu\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica desde a sua fase primitiva de acumula\u00e7\u00e3o at\u00e9 <span style=\"color: #800000;\">a globaliza\u00e7\u00e3o do capital.<\/span> Superando outras interpreta\u00e7\u00f5es existentes sobre o tema.<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>Uma dessas interpreta\u00e7\u00f5es foi a de Kautsky, dirigente da Segunda Internacional, que desenvolveu a teoria do ultra imperialismo, segundo a qual para eliminar as contradi\u00e7\u00f5es que o pr\u00f3prio imperialismo engendrava e que prejudicava a acumula\u00e7\u00e3o e a exporta\u00e7\u00e3o de capital, os mais poderosos estados industriais se unificariam em torno de uma grande federa\u00e7\u00e3o. Conseguiriam ent\u00e3o explorar as zonas agr\u00e1rias mais atrasadas em benef\u00edcio do desenvolvimento industrial dom\u00e9stico, ao mesmo tempo em que eliminariam as rivalidades entre as pot\u00eancias. Embora ele afirme que os n\u00edveis historicamente necess\u00e1rios para a implanta\u00e7\u00e3o do socialismo j\u00e1 estariam atingidos, sua an\u00e1lise da realidade o faz supor um per\u00edodo no qual o capitalismo conviveria com um desenvolvimento pac\u00edfico (Bobbio, 2000).<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>Outra importante interpreta\u00e7\u00e3o que surgiu no seio do movimento revolucion\u00e1rio alem\u00e3o foi o de Rosa de Luxemburgo, que acreditava que o imperialismo seria conseq\u00fc\u00eancia da busca de mercado consumidor por parte dos grandes conglomerados capitalistas, haja vista que esgotadas as possibilidades internas de comercializa\u00e7\u00e3o, dado que a explora\u00e7\u00e3o constante dos trabalhadores levaria a satura\u00e7\u00e3o de seu potencial de consumo, <span style=\"color: #800000;\">os principais pa\u00edses capitalistas partiriam naturalmente para a desova de seus produtos industriais em pra\u00e7as ainda virgens, e pouco exploradas (LUXEMBURGO, 1984).<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>A leitura leninista concorda com a ideia de Rosa de Luxemburgo de que o imperialismo \u00e9 conseq\u00fc\u00eancia do avan\u00e7o da forma de produ\u00e7\u00e3o capitalista, nasceu e desenvolveu devido a esta, e dentro da mesma n\u00e3o encontraria solu\u00e7\u00e3o, sen\u00e3o com a pr\u00f3pria supera\u00e7\u00e3o. Descartou-se ent\u00e3o a interpreta\u00e7\u00e3o de Kautsky, bem como todas as demais interpreta\u00e7\u00f5es liberais ou sociais democratas que sucediam. No entanto, a tese do subconsumo mostrou-se tamb\u00e9m inadequada, pois n\u00e3o conseguia explicar a l\u00f3gica das rela\u00e7\u00f5es imperialistas entre os pr\u00f3prios pa\u00edses capitalistas. Al\u00e9m disso, a realidade emp\u00edrica negou <span style=\"color: #800000;\">a tend\u00eancia permanente do rebaixamento do poder aquisitivo do trabalhador (BOBBIO, 2000).<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>L\u00eanin polemizou tamb\u00e9m com os economistas que refutavam o marxismo como m\u00e9todo de an\u00e1lise do desenvolvimento capitalista:<\/strong><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #333333;\"><strong>\u201cA ci\u00eancia oficial procurou aniquilar, por meio da conspira\u00e7\u00e3o do sil\u00eancio, a obra de Marx, que tinha demonstrado, com uma an\u00e1lise te\u00f3rica e hist\u00f3rica do capitalismo, que <span style=\"color: #800000;\">a livre concorr\u00eancia gera a concentra\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o,<\/span> e que a referida concentra\u00e7\u00e3o, num certo grau do seu desenvolvimento, conduz a<span style=\"color: #800000;\">o monop\u00f3lio<\/span> (&#8230;)\u201d (L\u00eanin, 1987).<\/strong><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #333333;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/span><span style=\"color: #333333;\"><strong>Seria caracter\u00edstica da manifesta\u00e7\u00e3o original do capitalismo o predom\u00ednio da livre concorr\u00eancia na exporta\u00e7\u00e3o de mercadorias, j\u00e1 no capitalismo moderno, sob imp\u00e9rio do monop\u00f3lio, prevalece a exporta\u00e7\u00e3o de capital. Uma hist\u00f3ria que L\u00eanin assim descreveu:<\/strong><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #333333;\"><strong>1) D\u00e9cadas de 1860 e 1870, o grau superior, culminante, de desenvolvimento da livre concorr\u00eancia. Os monop\u00f3lios n\u00e3o constituem mais do que germes quase impercept\u00edveis.\u00a0<\/strong><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #333333;\"><strong>2) Depois da crise de 1873, longo per\u00edodo de desenvolvimento dos cart\u00e9is, os quais constituem ainda apenas uma exce\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00e3o ainda s\u00f3lidos, representando ainda um fen\u00f4meno passageiro.\u00a0<\/strong><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #333333;\"><strong>3) Ascenso de fins do s\u00e9culo XIX e crise de 1900 a 1903: <span style=\"color: #800000;\">os cart\u00e9is passam a ser uma das bases de toda a vida econ\u00f4mica. O capitalismo transformou-se em imperialismo.<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>Evolu\u00e7\u00e3o do capitalismo: sua forma\u00e7\u00e3o \u00e0 etapa atual<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>Segundo Marx a tend\u00eancia da acumula\u00e7\u00e3o se apresentou desde a fase primitiva do capital. O ciclo do capital compreende o dinheiro que \u00e9 transformado em capital atrav\u00e9s da compra de meios de produ\u00e7\u00e3o e de for\u00e7a de trabalho. A combina\u00e7\u00e3o entre capital e for\u00e7a de trabalho forma a base de uma rela\u00e7\u00e3o social que est\u00e1 ancorada na explora\u00e7\u00e3o do trabalho realizado e n\u00e3o pago ao trabalhador, gerando a mais-valia. Parte desta mais-valia retorna para aquisi\u00e7\u00e3o de mais capital. A exist\u00eancia deste ciclo sugere uma etapa hist\u00f3rica anterior ao pr\u00f3prio ciclo. Etapa esta que Marx chamou de fase de acumula\u00e7\u00e3o primitiva de capital, ou seja, a constru\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica da separa\u00e7\u00e3o do homem da propriedade das condi\u00e7\u00f5es de gera\u00e7\u00e3o de seu trabalho, convertendo os produtores diretos em assalariados. Como conseq\u00fc\u00eancia deste processo t\u00eam-se a cria\u00e7\u00e3o do mercado consumidor, <span style=\"color: #800000;\">o surgimento do exercito de reserva<\/span>, e a defini\u00e7\u00e3o do novo papel da produ\u00e7\u00e3o campesina (MARX, 1988).<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>Esta apropria\u00e7\u00e3o se desenvolveu na Inglaterra em duas frentes. Na primeira deu-se a expropria\u00e7\u00e3o do homem do campo de sua base fundi\u00e1ria pela tomada das terras comunais, das terras da Igreja, e das terras do Estado, tendo por conseq\u00fc\u00eancia as condi\u00e7\u00f5es para desenvolvimento da ind\u00fastria moderna, com fornecimento de m\u00e3o de obra e cria\u00e7\u00e3o de mercado interno para o capital industrial.<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>A outra frente do processo de acumula\u00e7\u00e3o primitiva de capital foi assim descrita por Marx:\u00a0<\/strong><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #333333;\"><strong>\u201cA descoberta das terras do ouro e da prata, na Am\u00e9rica, o exterm\u00ednio, a escraviza\u00e7\u00e3o e o enfurnamento da popula\u00e7\u00e3o nativa nas minas, o come\u00e7o da conquista e pilhagem das \u00cdndias Orientais, a transforma\u00e7\u00e3o da \u00c1frica em um cercado para a ca\u00e7a comercial \u00e0s peles negras marcam a aurora da era de produ\u00e7\u00e3o capitalista. Esses processos id\u00edlicos s\u00e3o momentos fundamentais da acumula\u00e7\u00e3o primitiva. De imediato segue a guerra comercial das na\u00e7\u00f5es europeias, tendo o mundo por palco.\u201d (MARX, 1988)<\/strong><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #333333;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/span><span style=\"color: #333333;\"><strong>A explora\u00e7\u00e3o colonial com o estabelecimento de formas de trabalho compulsivo marcou, portanto, o primeiro momento de exporta\u00e7\u00e3o da forma originaria do capitalismo fazendo parte da acumula\u00e7\u00e3o primitiva.<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>A forma de capital hegem\u00f4nico neste momento foi a do capital comercial que se constituiu quando a circula\u00e7\u00e3o de mercadorias tornou-se uma fun\u00e7\u00e3o determinada pela divis\u00e3o social do trabalho, fun\u00e7\u00e3o esta que foi assumida por capitalistas comerciais. A circula\u00e7\u00e3o de mercadorias transformou o dinheiro e as mercadorias em capital, e os propriet\u00e1rios do patrim\u00f4nio dinheiro, que buscam sua valoriza\u00e7\u00e3o na promo\u00e7\u00e3o da circula\u00e7\u00e3o mercantil, em capitais comerciais. Desta forma o capital comercial apoiou-se na troca de mercadorias, fun\u00e7\u00e3o que serve de base ao seu processo de valoriza\u00e7\u00e3o (OLIVEIRA, 2003).<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>Na forma de capital comercial, o capital pode desenvolver-se em qualquer regime de produ\u00e7\u00e3o, n\u00e3o o alterando essencialmente, mas apenas estimulando a produ\u00e7\u00e3o de mercadorias, o que deixa claro que suas condi\u00e7\u00f5es de exist\u00eancia s\u00e3o simples, se comparado ao do capital produtivo, que exige certo grau de mercantiliza\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m de outros fatores indispens\u00e1veis \u00e0 origem do trabalho assalariado. (MORENO, 2004)<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>Os descobrimentos e a corrida colonial marcaram o surgimento do mercado mundial.\u00a0<\/strong><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #333333;\"><strong>\u201cUtilizamos o conceito de mercado mundial n\u00e3o somente pela regularidade com que s\u00e3o mantidas as trocas, ou ainda porque agora todo o globo participa do comercio, que movimenta valores extremamente superiores aos do comercio medieval. Na verdade o mercado mundial conforma uma totalidade org\u00e2nica, pois n\u00e3o se trata simplesmente de estabelecimento de circuitos comerciais bilateral entre Europa e outros continentes, mas sim da constitui\u00e7\u00e3o de fluxos mercantis interdependentes, j\u00e1 que seria imposs\u00edvel o desenvolvimento de determinados c\u00edrculos sem o avan\u00e7o de outros, num processo de m\u00fatua estimula\u00e7\u00e3o\u201d (OLIVEIRA, 2003).<\/strong><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #333333;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>J\u00e1 no capitalismo propriamente dito, a tend\u00eancia de acumula\u00e7\u00e3o de capital, referindo-se ao capital em sua forma moderna marca, segundo Karl Marx, o constante incremento da produtividade do trabalho. Significa, tamb\u00e9m, permanente redu\u00e7\u00e3o do tempo de trabalho socialmente necess\u00e1rio \u00e0 produ\u00e7\u00e3o dos meios de consumo para os trabalhadores. Em outros termos, o valor da for\u00e7a de trabalho \u00e9 constantemente reduzido e conseq\u00fcentemente \u00e9 incrementada a taxa de mais valia. Ent\u00e3o, ao crescer a produtividade, cresce tamb\u00e9m o barateamento do trabalho, e a taxa de mais-valia, ainda que suba o sal\u00e1rio real, uma vez que o aumento deste nunca guarda propor\u00e7\u00e3o com o aumento da produtividade (MARX, 1988).<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong><span style=\"color: #800000;\">A propriedade privada do trabalhador sobre seus meios de produ\u00e7\u00e3o \u00e9 a base da pequena empresa, e esta \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o para o desenvolvimento da produ\u00e7\u00e3o social e da livre individualidade do trabalhador. Esta propriedade privada obtida com trabalho pr\u00f3prio \u00e9 deslocada para a propriedade privada capitalista,<\/span> baseada na <span style=\"color: #800000;\">explora\u00e7\u00e3o do trabalho alheio, formalmente livre<\/span>. \u2013 A expropria\u00e7\u00e3o agora passa a ser do capitalista que explora muitos trabalhadores, e se caracteriza por meio de <span style=\"color: #800000;\">concentra\u00e7\u00e3o de capitais<\/span>. Assim, cada capitalista mata muitos outros, tendo por conseq\u00fc\u00eancia a diminui\u00e7\u00e3o dos <span style=\"color: #800000;\">magnatas do capital.<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>Uma vez plenamente constitu\u00eddo, o regime capitalista tende ao desenvolvimento das for\u00e7as produtivas, prescindindo do valor e da mais valia nele impl\u00edcito, isto \u00e9, desenvolvendo a produ\u00e7\u00e3o pela produ\u00e7\u00e3o, o capital esbarrar\u00e1 apenas na tend\u00eancia \u00e0 queda da taxa de lucro. Mas especificamente, a acumula\u00e7\u00e3o encontra limites fixados pela pr\u00f3pria natureza do capital. Limites que imprimir\u00e3o ao seu movimento um car\u00e1ter espasm\u00f3dico, alternando-se momentos de expans\u00e3o com momentos de depress\u00e3o.<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>\u00c9 com base nisso que L\u00eanin conclui que a concorr\u00eancia transforma-se em monop\u00f3lio, resultando em um gigantesco progresso na socializa\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o. Socializa-se tamb\u00e9m o processo dos inventos e dos aperfei\u00e7oamentos t\u00e9cnicos. A produ\u00e7\u00e3o passa a ser social, mas a apropria\u00e7\u00e3o permanece privada. Mant\u00e9m-se o quadro geral da livre concorr\u00eancia apenas formalmente reconhecida, e o julgo de uns quantos monopolistas sobre o resto da popula\u00e7\u00e3o torna-se cem vezes mais duro, mais sens\u00edvel, mais insuport\u00e1vel.<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>O imperialismo surgiu, portanto, como desenvolvimento e continua\u00e7\u00e3o direta das caracter\u00edsticas fundamentais do capitalismo em geral. Mas este s\u00f3 se transformou em imperialismo em decorr\u00eancia de determinado grau, muito elevado, de seu desenvolvimento. O que marca este processo \u00e9 a substitui\u00e7\u00e3o da livre concorr\u00eancia pelos monop\u00f3lios.<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>O monop\u00f3lio criou a grande produ\u00e7\u00e3o, <span style=\"color: #800000;\">eliminando a pequena,<\/span> e seguiu substituindo esta grande produ\u00e7\u00e3o por outra, ainda maior,<span style=\"color: #800000;\"> e concentrando o capital na forma de cart\u00e9is e trustes, e fundindo-se com estes o capital de uma escassa dezena de bancos que manipulam milhares de milh\u00f5es. Os monop\u00f3lios que derivam da livre concorr\u00eancia n\u00e3o a eliminam, mas existem acima e ao lado dela, engendrando contradi\u00e7\u00f5es, fric\u00e7\u00f5es, e conflitos intensos (LENIN, 1987)<\/span>.<\/strong><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #333333;\"><strong><br \/>\n<span style=\"color: #800000;\">A nova face do velho imperialismo<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong><span style=\"color: #800000;\">A vers\u00e3o atual do velho imperialismo foi apresentada nas ultimas d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX com um nome um tanto \u201csoft\u201d: Globaliza\u00e7\u00e3o. A palavra foi utilizada pela primeira vez em 1983 pelo americano Theodore Levitt<\/span> para designar a converg\u00eancia do mercado mundial. <span style=\"color: #800000;\">Kenitchi Ohmae retornou ao voc\u00e1bulo para qualificar o processo no qual as transnacionais definem regras que escapam ao controle dos estados.<\/span> O seu conceito expressa a ideologia de reorganiza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o, da economia e das rela\u00e7\u00f5es sociais, que visa propagar a exist\u00eancia de um processo mundial irresist\u00edvel, comandado pelas for\u00e7as tecnol\u00f3gicas e por grandes corpora\u00e7\u00f5es que operam internacionalmente. Seus fundamentos econ\u00f4micos e sociais apresentam-se com a consolida\u00e7\u00e3o da chamada aldeia global, ou seja, <span style=\"color: #800000;\">o desaparecimento do estado-na\u00e7\u00e3o. A globaliza\u00e7\u00e3o da economia designa a integra\u00e7\u00e3o do mercado mundial, com a supera\u00e7\u00e3o das fronteiras e o livre transito de fluxo de capitais, especialmente o capital financeiro. (BATISTA JR, 1977)<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>O mundo atual \u00e9 marcado pela <span style=\"color: #800000;\">hegemonia da forma de capital financeiro sobre as demais formas de capitais<\/span>. Esta tend\u00eancia foi estimulada ap\u00f3s a eleva\u00e7\u00e3o dos juros da moeda americana em resposta a estagfla\u00e7\u00e3o observada no final dos anos de 1970, e que selou a quebra do acordo de Breton Woods, com os EUA transferindo a conta da crise para os demais pa\u00edses que haviam ancorado suas economias ao d\u00f3lar. Com isso os americanos mantiveram a sua competitividade e poder de investimento, <span style=\"color: #800000;\">ao passo que o resto do mundo, especialmente os chamados pa\u00edses em desenvolvimento, foi lan\u00e7ado na chamada crise da divida dos anos oitenta. Como conseq\u00fc\u00eancia da autovaloriza\u00e7\u00e3o do dinheiro estimulado pela eleva\u00e7\u00e3o dos juros, perdeu-se totalmente o controle sobre a jogatina especulativa internacional.<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>A uniformiza\u00e7\u00e3o cultural promovida com o desenvolvimento das comunica\u00e7\u00f5es, passando a envolver n\u00e3o apenas com\u00e9rcio e capitais, <span style=\"color: #800000;\">mas tamb\u00e9m telecomunica\u00e7\u00f5es, finan\u00e7as e servi\u00e7os, gerando uma padroniza\u00e7\u00e3o de costumes, aumento na polariza\u00e7\u00e3o de pa\u00edses e classes quanto \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o de riquezas, renda e empregos. (BATISTA JR, 1977)<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>Na d\u00e9cada de 1990 a revolu\u00e7\u00e3o da inform\u00e1tica <span style=\"color: #800000;\">impulsionou o crescimento das transnacionais,<\/span> e a expans\u00e3o dos fundos de pens\u00e3o passou a intervir no mercado financeiro. A crise do chamado socialismo real tamb\u00e9m serviu para impulsionar a nova ofensiva do capital, <span style=\"color: #800000;\">n\u00e3o s\u00f3 pela libera\u00e7\u00e3o dos mercados capitalistas, bem como, no plano das rela\u00e7\u00f5es internacionais, pela elimina\u00e7\u00e3o dos cuidados que se fizeram necess\u00e1rios no per\u00edodo da guerra fria<\/span> (FERNANDES, 1997).<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>Apesar do <span style=\"color: #800000;\">discurso da inevitabilidade da globaliza\u00e7\u00e3o capitalista, o peso dos mercados internos continua tendo um papel destacado, mesmo com a r\u00e1pida expans\u00e3o das transa\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e financeiras internacionais.<\/span> <\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #800000;\"><strong>A maioria dos pa\u00edses desenvolvidos aumentou a participa\u00e7\u00e3o dos estados na economia, e das respectivas tributa\u00e7\u00f5es, tornando o discurso do decl\u00ednio dos estados nacionais um mito (BATISTA JR, 1977).<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong><span style=\"color: #800000;\">A globaliza\u00e7\u00e3o financeira \u00e9, portanto, express\u00e3o da forma atual da ofensiva do capital nos moldes do j\u00e1 conhecido imperialismo,<\/span> desta vez hegemonizado pela capital financeiro, mas apresentado sob uma fantasia de cordeiro, omitindo as garras afiadas e sempre apontadas para os trabalhadores, ao mesmo tempo em que lan\u00e7ou os setores populares e os socialistas, em plano pol\u00edtico, em um longo per\u00edodo de acumula\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica de for\u00e7as. A compreens\u00e3o desta etapa atual do capitalismo se deu pela reflex\u00e3o de Lenin acerca da forma\u00e7\u00e3o dos monop\u00f3lios, leitura esta que teve no concito revelado por Marx de tend\u00eancia de rebaixamento da margem e lucro, elemento fundamental para o entendimento do progresso de exporta\u00e7\u00e3o de capitais e suas conseq\u00fc\u00eancias.<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>REFER\u00caNCIAS<br \/>\n<\/strong><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #333333;\"><strong>BOBBIO, Norberto. Dicion\u00e1rio de pol\u00edtica. S\u00e3o Paulo: Imprensa Oficial, 2000.<\/strong><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #800000;\"><strong>BATISTA JR, Paulo Nogueira. \u201cGlobaliza\u00e7\u00e3o e administra\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria\u201d, In PRINC\u00cdPIOS. N 46, 1997.<\/strong><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #333333;\"><strong><span style=\"color: #800000;\">FERNANDES, Lu\u00eds. \u201cOs mitos da globaliza\u00e7\u00e3o e os desafios do crescimento\u201d.<\/span> In PRINC\u00ccPIOS. N 43, 1997.<\/strong><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #333333;\"><strong>LENIN, Vladimir Ilich. O imperialismo fase superior do capitalismo. S\u00e3o Paulo: Global, 1987.<\/strong><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #333333;\"><strong>____________________ Obras escolhidas. Lisboa: edi\u00e7\u00f5es progresso, 1977.<\/strong><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #333333;\"><strong>LUXEMBURGO, Rosa de. A acumula\u00e7\u00e3o de capital: contribui\u00e7\u00e3o ao estudo econ\u00f4mico do imperialismo. Tomo II. S\u00e3o Paulo: Abril Cultural, 1984.<\/strong><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #333333;\"><strong>MARX, Karl. O Capital: cr\u00edtica da economia pol\u00edtica. S\u00e3o Paulo: Nova Cultural, 1988.<\/strong><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #333333;\"><strong>OLIVEIRA, Carlos Alonso Barbosa de. Processo de industrializa\u00e7\u00e3o. S\u00e3o Paulo: UNESO, 2003.<\/strong><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #333333;\"><strong>MORENO, Ricardo. A forma\u00e7\u00e3o do capitalismo: uma introdu\u00e7\u00e3o. In PRINIPIOS. N 79, 2004.<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong><i>1 Retorno ao artigo de mesmo t\u00edtulo publicado em 2009, na colet\u00e2nea \u201dMARX: Interprete da contemporaneidade\u201d, pela UNEB e Editora quarteto, sendo agora revisado.<\/i><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">*Jos\u00e9 Ricardo Moreno Pinho \u00e9 professor do colegiado de Hist\u00f3ria do Departamento de Educa\u00e7\u00e3o do Campus II, e professor permanente do programa de P\u00f3s Gradua\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3ria Regional e Local Campus V (UNEB); Doutor em Hist\u00f3ria (UFF)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tirei o artigo do site Portal Vermelho, que recomendo. &#8220;As guerras hispano-americana (1898), anglo-b\u00f3er (1899-1902), russo-japonesa (1904-1905) e a crise econ\u00f4mica da Europa em 1900, s\u00e3o os principais marcos hist\u00f3ricos da nova \u00e9poca da hist\u00f3ria mundial (LENIN, 1977). Portanto n\u00e3o poderia caber a Marx, j\u00e1 morto, a interpreta\u00e7\u00e3o deste fen\u00f4meno. Foi Wladimir Ulianov, o L\u00eanin, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[39],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.luizfdesouza.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6792"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.luizfdesouza.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.luizfdesouza.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.luizfdesouza.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.luizfdesouza.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6792"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.luizfdesouza.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6792\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7725,"href":"https:\/\/www.luizfdesouza.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6792\/revisions\/7725"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.luizfdesouza.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6792"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.luizfdesouza.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6792"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.luizfdesouza.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6792"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}