{"id":6541,"date":"2018-05-12T20:16:13","date_gmt":"2018-05-12T23:16:13","guid":{"rendered":"http:\/\/www.luizfdesouza.com.br\/?p=6541"},"modified":"2018-05-12T20:16:13","modified_gmt":"2018-05-12T23:16:13","slug":"textos-de-benoit-malon-da-primeira-internacional-mostram-fontes-cristas-e-catolicas-pre-marxistas-das-correntes-socialistas-inclusive-do-marxismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.luizfdesouza.com.br\/index.php\/2018\/05\/12\/textos-de-benoit-malon-da-primeira-internacional-mostram-fontes-cristas-e-catolicas-pre-marxistas-das-correntes-socialistas-inclusive-do-marxismo\/","title":{"rendered":"Textos de Benoit Malon, da Primeira Internacional, mostram fontes crist\u00e3s e cat\u00f3licas pr\u00e9 marxistas das correntes socialistas, inclusive do marxismo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"font-family: Candara, sans-serif;\"><span style=\"font-size: large;\">Benoit Malon, na obra \u201cO Socialismo Integral, Historia das Theorias e Tend\u00eancias Geraes\u201d (obra impressa em Lisboa &#8211; TYE, pelo Instituto Geral das Artes Gr\u00e1ficas, em 1899, traduzido por Heliodoro Salgado, que tive nas m\u00e3os, comprada em sebo) narra a hist\u00f3ria do socialismo. <\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"font-family: Candara, sans-serif;\"><span style=\"font-size: large;\">A Primeira Internacional n\u00e3o era um monop\u00f3lio de Marx. A Primeira Internacional tinha dezenas de correntes diversas. Tinha v\u00e1rias correntes socialistas religiosas, correntes nacionalistas e de v\u00e1rios pensamentos diversos, inclusive gente de Bakunin, de Proudhon). O veio marxista era minorit\u00e1rio, embora Marx e Engels tenham impresso v\u00e1rias das linhas gerais. O grupo marxista era pequeno, mas se apoiava nos Sindicalistas ingleses, a maior parte, religiosos, tal como se apoiava em grupos da Alemanha, da B\u00e9lgica, da Sui\u00e7a, dos EUA etc. Era pluralista.\u00a0<\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"font-family: Candara, sans-serif;\"><span style=\"font-size: large;\">Pois bem, na Primeira Internacional, um dos maiores oradores foi Benoit Malon, que, em v\u00e1rios pontos, seguia Marx, mas com ideias pr\u00f3prias. <\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"font-family: Candara, sans-serif;\"><span style=\"font-size: large;\">Malon foi um dos primeiros historiadores do socialismo. Sua obra, tal como o livro de G.D.Cole, \u00e9 essencial para a hist\u00f3ria do socialismo.<\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"font-family: Candara, sans-serif;\"><span style=\"font-size: large;\">A narrativa de Malon ilustra bem a tese contida neste meu blog. <\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"font-family: Candara, sans-serif;\"><span style=\"font-size: large;\">Benoit Malon era adepto do pante\u00edsmo, com religiosidade espec\u00edfica monista, e participou de v\u00e1rios congressos da II Internacional. Valorizava as ra\u00edzes \u00e9ticas do socialismo. Vejamos v\u00e1rios textos deste socialista, mostrando as origens religiosas de v\u00e1rias ideias fundamentais das correntes socialistas, com alguns coment\u00e1rios:<\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\"><strong>\u201c<span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Candara, sans-serif;\"><span style=\"font-size: large;\">P\u00e1g. 96 a 97: &#8220;<\/span><\/span><\/span><\/strong><strong><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Candara, sans-serif;\"><span style=\"font-size: large;\">Para ser justo todavia, preciso \u00e9 que se diga, em descargo da economia pol\u00edtica, que a ple\u00edade [a elite liter\u00e1ria, os melhores] economista que, para a distinguirmos da implac\u00e1vel escola ingleza [liberalismo econ\u00f4mico], <span style=\"color: #800000;\">n\u00f3s denominamos escola franceza, e na qual encontraremos <\/span><\/span><\/span><span style=\"color: #800000;\"><span style=\"font-family: Candara, sans-serif;\"><span style=\"font-size: large;\">Sismondi,<\/span><\/span><span style=\"font-family: Candara, sans-serif;\"><span style=\"font-size: large;\"> Adolpo BIanqui, <\/span><\/span><span style=\"font-family: Candara, sans-serif;\"><span style=\"font-size: large;\">Eugenio Buret, Villerm\u00e9, Villeneuve Bargemont,<\/span><\/span><span style=\"font-family: Candara, sans-serif;\"><span style=\"font-size: large;\"> Droz, Miguel Chevallier, etc., protestam dignamente em nome da Raz\u00e3o e da Humanidade\u201d.<\/span><\/span><\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"font-family: Candara, sans-serif;\"><span style=\"font-size: large;\">Malon ataca a corrente inglesa liberal (Adam Smith, Ricardo, Malthus, Senior, James Mill e outros). <\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"font-family: Candara, sans-serif;\"><span style=\"font-size: large;\">Malon mostra que existia uma corrente francesa n\u00e3o neoliberal, n\u00e3o adepta do liberalismo econ\u00f4mico. Esta corrente francesa humanista e socialista era formada principalmente por escritores como: Sismondi, Eug\u00eanio Buret, Villeneuve Bargemont e outros, que eram inspirados pela religi\u00e3o em suas cr\u00edticas. <\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"font-family: Candara, sans-serif;\"><span style=\"font-size: large;\">Miguel Chevallier era sansimoniano, moderado, tamb\u00e9m se pautava nas id\u00e9ias de Saint-Simon sobre o verdadeiro cristianismo. Ocorre que Miguel Chevalier, mais tarde, adere aos erros do liberalismo, na quest\u00e3o do livre cambismo. Frise-se, no entanto, que os livros de Chevalier admitiam certo grau de interven\u00e7\u00e3o estatal na economia.<\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"font-family: Candara, sans-serif;\"><span style=\"font-size: large;\">Sismondi foi lido por Marx e amplamente citado. Sismondi \u00e9 um dos grandes precursores CRIST\u00c3OS de Marx, sendo uma das fontes grandes de Marx. Foi elogiado por Marx em dezenas de textos.\u00a0<\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"font-family: Candara, sans-serif;\"><span style=\"font-size: large;\">Eug\u00eanio Buret \u00e9 citado reiteradamente por Engels na obra sobre as condi\u00e7\u00f5es dos trabalhadores. Marx tamb\u00e9m o elogia. Buret era crist\u00e3o, da linha de Sismondi. Fonte crist\u00e3o pr\u00e9-marxista.\u00a0<\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"font-family: Candara, sans-serif;\"><span style=\"font-size: large;\">Villeneuve Bargemont \u00e9 considerado por todos os doutrinadores sobre a hist\u00f3ria da doutrina social da Igreja como um dos precursores da Doutrina social da Igreja, na verdade, um dos expositores, pois a Doutrina social da Igreja est\u00e1 na B\u00edblia e nos Santos Padres. Villeneuve Bargemont deixou obras escritas na d\u00e9cada de 30, quando Marx tinha doze anos e estava entrando no Gin\u00e1sio (antigo Col\u00e9gio Jesu\u00edta) de Trier, tendo como colegas v\u00e1rios seminaristas cat\u00f3licos. Bargemont foi lido pelo Karl Marx, desde, pelo menos, o in\u00edcio da d\u00e9cada de 40, no s\u00e9culo XIX. Foi cr\u00edtico do capitalismo e adotava a economia mista.<\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"font-family: Candara, sans-serif;\"><span style=\"font-size: large;\">Malon transcreveu um bel\u00edssimo texto de Fran\u00e7ois Chateaubriand, retirado da obra \u201cEstudos Hist\u00f3ricos\u201d. <\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"font-family: Candara, sans-serif;\"><span style=\"font-size: large;\">Vejamos <span style=\"color: #800000;\">o texto de Chateaubriand,<\/span>\u00a0 um grande cat\u00f3lico, que foi fundamental para a concilia\u00e7\u00e3o da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa com a Igreja, pela Concordata feita por Napole\u00e3o I com o Papa, l\u00e1 por 1800 e pouco. Chateaubriand escreveu o livro &#8220;O g\u00eanio do cristianismo&#8221;, que \u00e9 bel\u00edssimo. <\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"font-family: Candara, sans-serif;\"><span style=\"font-size: large;\">O texto em seguida transcrito foi escrito talvez em 1800 e pouco, tirado da obra de Malon:<\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\"><strong>\u201c<span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Candara, sans-serif;\"><span style=\"font-size: large;\">Responde, se podeis, \u00e0s fic\u00e7\u00f5es aristocr\u00e1ticas: tentar persuadir ao pobre, quando ele souber ler, ao pobre a quem a palavra \u00e9 levada todos os dias pela imprensa, de cidade em cidade, de aldeia em aldeia; <span style=\"color: #800000;\">tentai persuadir a esse pobre que possui as mesmas luzes, a mesma intelig\u00eancia que n\u00f3s, que deve submeter-se a todas as priva\u00e7\u00f5es, enquanto que um outro homem, seu vizinho, tem, sem trabalho, mil vezes o sup\u00e9rfluo da vida; que os vossos esfor\u00e7os ser\u00e3o in\u00fateis. Ningu\u00e9m pe\u00e7a \u00e0 multid\u00e3o virtudes superiores \u00e0 natureza&#8230;<\/span><\/span><\/span><\/span><\/strong><span style=\"color: #800000;\"><strong><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Candara, sans-serif;\"><span style=\"font-size: large;\">N\u00f3s n\u00e3o estamos num tempo de revolu\u00e7\u00e3o, mas de transforma\u00e7\u00e3o social.\u00a0<\/span><\/span><\/span><\/strong><\/span><strong><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Candara, sans-serif;\"><span style=\"font-size: large;\">Eu bem vejo o hospital onde jaz a velha sociedade. <span style=\"color: #800000;\">Quando ela tiver expirado, h\u00e1 de decompor-se, a fim de se reproduzir sob novas formas.\u00a0<\/span><\/span><\/span><\/span><\/strong><span style=\"color: #800000;\"><strong><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Candara, sans-serif;\"><span style=\"font-size: large;\">Deixa-a sucumbir primeiro. A primeira necessidade para as sociedades, como para os homens, \u00e9 morrer.\u00a0<\/span><\/span><\/span><\/strong><\/span><strong><span><span><span style=\"font-family: Candara, sans-serif; font-size: large;\">A velha sociedade parece ainda viva, mas nem por isso deixa de estar na agonia.<\/span><span>\u00a0<\/span><\/span><\/span><\/strong><span style=\"color: #800000;\"><strong><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Candara, sans-serif;\"><span style=\"font-size: large;\">O que respondereis v\u00f3s ao prolet\u00e1rio que, num parlamento, viesse dizer-vos:\u00a0<\/span><\/span><\/span><\/strong><\/span><strong><span style=\"color: #800000;\">\u201c<\/span><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Candara, sans-serif;\"><span style=\"font-size: large;\"><span style=\"color: #800000;\">N\u00f3s propomos abrir um grande livro da d\u00edvida p\u00fablica consolidada, cada propriedade territorial ser\u00e1 apreciada contraditoriamente pelos interessados e pelos juris sa\u00eddos da elei\u00e7\u00e3o; o valor ser\u00e1 pago em diversos termos convencionados; e o Estado, desde hoje, tomar\u00e1 posse do solo nacional\u201d. (<\/span>Chateaubriand: Estudos Hist\u00f3ricos, t. II).<\/span><\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"font-family: Candara, sans-serif;\"><span style=\"font-size: large;\">O texto de Chateaubriand deixa clara que os trabalhadores j\u00e1 queriam \u201cabrir\u201d o livro da d\u00edvida p\u00fablica consolidada, que j\u00e1 queriam controlar e conhecer (inclusive, auditar), tal como queriam verificar a legitimidade ou n\u00e3o dos registros, das origens dos latif\u00fandios (para serem desapropriados), e que um Estado controlado pelos trabalhadores buscaria \u201ctomar posse do solo nacional\u201d, para o tornar fecundo, dando a posse e propriedade aos camponeses.<\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"font-family: Candara, sans-serif;\"><span style=\"font-size: large;\">Meu coment\u00e1rio &#8211; faltou acrescentar que um governo justo examinaria os t\u00edtulos de propriedade e aplicaria a pena de perdimento \u00e0s \u201cpropriedades\u201d com t\u00edtulos falso, grilados. <\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"font-family: Candara, sans-serif;\"><span style=\"font-size: large;\">No Brasil, quase todos os latif\u00fandios s\u00e3o frutos da grilagem. Estes latifundi\u00e1rios deveriam perder as terras p\u00fablicas griladas e usurpadas, pagarem pelo uso il\u00edcito e ainda serem presos pelo esbulho possess\u00f3rio. O texto de Benoit mostra que textos cat\u00f3licos e crist\u00e3os estavam presentes na consci\u00eancia de grandes lideran\u00e7as da Primeira Internacional, inclusive na consci\u00eancia de Karx Marx, sendo estas algumas das fontes pr\u00e9 marxistas das correntes socialistas, inclusive do pr\u00f3prio marxismo.\u00a0<\/span><\/span><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Benoit Malon, na obra \u201cO Socialismo Integral, Historia das Theorias e Tend\u00eancias Geraes\u201d (obra impressa em Lisboa &#8211; TYE, pelo Instituto Geral das Artes Gr\u00e1ficas, em 1899, traduzido por Heliodoro Salgado, que tive nas m\u00e3os, comprada em sebo) narra a hist\u00f3ria do socialismo. A Primeira Internacional n\u00e3o era um monop\u00f3lio de Marx. 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