{"id":6339,"date":"2018-04-24T00:12:53","date_gmt":"2018-04-24T03:12:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.luizfdesouza.com.br\/?p=6339"},"modified":"2018-04-24T00:12:53","modified_gmt":"2018-04-24T03:12:53","slug":"otimo-artigo-de-critica-ao-entreguismo-ao-neocolonialismo-neoliberal-asquerosa-traicao-ao-povo-ao-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.luizfdesouza.com.br\/index.php\/2018\/04\/24\/otimo-artigo-de-critica-ao-entreguismo-ao-neocolonialismo-neoliberal-asquerosa-traicao-ao-povo-ao-pais\/","title":{"rendered":"\u00d3timo artigo de cr\u00edtica ao entreguismo, ao neocolonialismo neoliberal, asquerosa trai\u00e7\u00e3o ao povo, ao pa\u00eds"},"content":{"rendered":"<h3 class=\"post-title entry-title\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>Brasil? Leva que \u00e9 de gra\u00e7a<\/strong><\/span><\/h3>\n<div class=\"post-header\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"post-header-line-1\"><strong>Por Carlos Drummond, na revista\u00a0<a style=\"color: #333333;\" href=\"https:\/\/www.cartacapital.com.br\/revista\/999\/leva-que-e-de-graca\">CartaCapital<\/a>:<\/strong><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"post-body entry-content\">\n<div dir=\"ltr\">\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>Caso se concretize <span style=\"color: #800000;\">a inten\u00e7\u00e3o do\u00a0<a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.cartacapital.com.br\/politica\/fazenda-investiga-a-casa-da-moeda\">Minist\u00e9rio da Fazenda<\/a>\u00a0anunciada na quarta-feira, 4, de reduzir a al\u00edquota das importa\u00e7\u00f5es de bens de capital de 14% para 4% e a de produtos de inform\u00e1tica e de telecomunica\u00e7\u00f5es de entre 6% e 16% para a m\u00e9dia internacional, conseguir\u00e1 a ind\u00fastria nacional sobreviver \u00e0 avalanche inevit\u00e1vel de produtos acabados produzidos no exterior?<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #333333;\"><strong>H\u00e1 risco de um baque fatal, alertam economistas e empres\u00e1rios. \u201cN\u00e3o fomos chamados para discutir essa proposta. N\u00e3o h\u00e1 estudos sobre o impacto da medida\u201d, <span style=\"color: #800000;\">reclamou aos jornais Jos\u00e9 Velloso, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Ind\u00fastria de M\u00e1quinas e Equipamentos (Abimaq). \u201cA ideia \u00e9 absurda. Com tarifas rebaixadas o Pa\u00eds ter\u00e1 pouco ou nada a barganhar com os pa\u00edses desenvolvidos em futuras negocia\u00e7\u00f5es\u201d, protestou Humberto Barbato, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Ind\u00fastria El\u00e9trica e Eletr\u00f4nica (Abinee).<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #333333;\"><strong>As contesta\u00e7\u00f5es provavelmente n\u00e3o surtir\u00e3o efeito, dada <span style=\"color: #800000;\">a ades\u00e3o absoluta do governo \u00e0\u00a0<a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.cartacapital.com.br\/internacional\/ate-onde-vai-a-abertura-economica-de-cuba\">abertura econ\u00f4mica<\/a>\u00a0um dia preconizada pelo pr\u00f3prio empresariado e aplicada de modo incondicional por v\u00e1rias administra\u00e7\u00f5es, sem exig\u00eancia de contrapartidas dos investidores estrangeiros \u00e0 concess\u00e3o do acesso ao mercado nacional.<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #333333;\"><strong>Bras\u00edlia deixa claro, nesta e em in\u00fameras outras decis\u00f5es do g\u00eanero, <span style=\"color: #800000;\">ter abdicado por completo do papel de coordena\u00e7\u00e3o dos agentes econ\u00f4micos com vista aos interesses do Pa\u00eds, limitando-se \u00e0 fun\u00e7\u00e3o de escrit\u00f3rio local executor de objetivos dos investidores estrangeiros<\/span>. <\/strong><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>A categoria empresarial nativa, cabe ressaltar, mostra-se tamb\u00e9m <span style=\"color: #800000;\">muito aqu\u00e9m da vis\u00e3o de pa\u00eds de um Roberto Simonsen, o primeiro presidente da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria, na demarca\u00e7\u00e3o de limites entre empresas brasileiras e firmas estrangeiras.<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #333333;\"><strong>Nessa toada tende a se concretizar <span style=\"color: #800000;\">a previs\u00e3o do empres\u00e1rio Mario Milani de que o Pa\u00eds demorar\u00e1 de 30 a 40 anos para ser uma grande pot\u00eancia industrial, meta que exige a redu\u00e7\u00e3o dos juros e a desvaloriza\u00e7\u00e3o do real,<\/span> entre outros requisitos. Quando a globaliza\u00e7\u00e3o se intensificou, revelou Milani, presidente da Sogefi Filtration do Brasil em depoimento ao Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial, <span style=\"color: #800000;\">as empresas brasileiras de autope\u00e7as, sem contar com um mercado de capitais desenvolvido e diante de juros banc\u00e1rios altos, n\u00e3o tinham a menor condi\u00e7\u00e3o de se tornar players globais e 95% do parque de autope\u00e7as foi vendido.<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #333333;\"><strong>A abertura incondicional dos anos 1990 limitou o escopo da ind\u00fastria automobil\u00edstica e do Pa\u00eds, descreve Milani: \u201c<span style=\"color: #800000;\">O governo abriu o mercado, deu terrenos e reduziu impostos para montadoras se instalarem aqui, mas deveria tamb\u00e9m ter imposto regras. A primeira delas, pela qual sempre lutamos no Sindipe\u00e7as, \u00e9 a elabora\u00e7\u00e3o da engenharia de pelo menos uma das plataformas no Brasil.<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #333333;\"><strong>O\u00a0<a style=\"color: #333333;\" href=\"https:\/\/www.cartacapital.com.br\/992\/por-que-o-brasil-e-tao-pouco-competitivo\">uso da engenharia local<\/a>\u00a0\u00e9 indispens\u00e1vel para adaptar os modelos estrangeiros \u00e0s condi\u00e7\u00f5es brasileiras de estradas ruins e de muita chuva em algumas regi\u00f5es, por exemplo. A cria\u00e7\u00e3o de uma plataforma local constituiria um mercado. <span style=\"color: #800000;\">Sem isso, os nossos filhos que est\u00e3o na faculdade de engenharia n\u00e3o ter\u00e3o onde trabalhar. Era necess\u00e1rio impor, exigir, vender caro o acesso ao nosso mercado, mas o entregaram de gra\u00e7a.\u201d<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #333333;\"><strong>O industrial sofreu as consequ\u00eancias do aprofundamento do abismo entre as condi\u00e7\u00f5es de opera\u00e7\u00e3o das empresas brasileiras em compara\u00e7\u00e3o \u00e0s das suas concorrentes nos pa\u00edses avan\u00e7ados. Fundou a Filtros Fram em 1964 e comandou-a at\u00e9 1991, quando vendeu o controle ao grupo brit\u00e2nico Sogefi Filtration. \u201cN\u00e3o t\u00ednhamos a m\u00ednima condi\u00e7\u00e3o de continuar.<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #333333;\"><strong>Onde obter recursos para crescer,\u00a0<a style=\"color: #333333;\" href=\"https:\/\/www.cartacapital.com.br\/revista\/989\/davos-e-a-globalizacao\">fazer f\u00e1bricas para o mundo<\/a>? Os nossos \u00edcones eram a Cofap e a Metal Leve, todo mundo queria ser como eles. Mas nem eles aguentaram.\u201d <span style=\"color: #800000;\">A Metal Leve, fundada por Jos\u00e9 Mindlin, foi vendida \u00e0 alem\u00e3 Mahle em 1996 e, no ano seguinte, a Cofap, criada por Abraham Kasinski, teve o controle adquirido pela italiana Magneti Marelli.<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #333333;\"><strong>Anote-se que o problema denunciado por Milani se generalizou na economia. <span style=\"color: #800000;\">Dos grandes pa\u00edses com mercados de tamanho significativo, o Brasil \u00e9 o \u00fanico com vincula\u00e7\u00e3o ao capital estrangeiro sem exig\u00eancia de contrapartida, chama aten\u00e7\u00e3o o economista Pedro Cezar Dutra Fonseca, professor titular do Departamento de Economia e Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #333333;\"><strong>\u201c<span style=\"color: #800000;\">Os Estados Unidos,\u00a0<a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.cartacapital.com.br\/internacional\/brics-para-quem-7533.html\">a R\u00fassia, a China, a \u00cdndia<\/a>\u00a0sempre usaram o seu mercado como um ativo para negociar. O Brasil foi o que mais se abriu para o capital estrangeiro. Nem sempre isso aconteceu.<\/span><\/strong><\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong> Get\u00falio Vargas n\u00e3o exclu\u00eda o capital estrangeiro, por exemplo na Companhia Sider\u00fargica Nacional, em Volta Redonda, feita com tecnologia e capital americanos, mas dentro de determinadas linhas estipuladas pelo governo brasileiro. <span style=\"color: #800000;\">A partir de Juscelino Kubitschek, presidente entre 1956 e 1961, \u00e9 que se consagra no Brasil esse tipo de industrializa\u00e7\u00e3o que mais nenhuma na\u00e7\u00e3o grande e populosa fez.\u201d<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #333333;\"><strong>Por que, questiona Fonseca, a burguesia brasileira, que tinha vencido heroicamente as etapas iniciais da industrializa\u00e7\u00e3o, quando chega ao final dos anos 1950 resolve aceitar a internacionaliza\u00e7\u00e3o? <span style=\"color: #800000;\">Por que o Brasil n\u00e3o tem uma ind\u00fastria automobil\u00edstica nacional, se mesmo pa\u00edses com mercados menores como a It\u00e1lia, a Su\u00e9cia e o Jap\u00e3o, entre outros, implantaram o setor?<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #333333;\"><strong>Ele mesmo responde: <span style=\"color: #800000;\">\u201cVargas tentou fazer a F\u00e1brica Nacional de Motores e o Pa\u00eds tinha todas as condi\u00e7\u00f5es para desenvolver o setor. Autom\u00f3vel n\u00e3o era mais uma tecnologia imposs\u00edvel de dominar, mas os empres\u00e1rios locais n\u00e3o foram adiante nisso. Repare, o Estado teve de bancar a pr\u00f3pria FNM<\/span> porque eles ou n\u00e3o tinham interesse, ou n\u00e3o tinham f\u00f4lego, ou achavam mais f\u00e1cil se associar ao capital estrangeiro.\u201d<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #333333;\"><strong>Kubitschek, prossegue Dutra, queria, entretanto, acelerar, avan\u00e7ar 50 anos em 5 (era seu lema), e a\u00ed tinha de ser com o capital estrangeiro,\u00a0<a style=\"color: #333333;\" href=\"https:\/\/www.cartacapital.com.br\/990\/e-possivel-se-desenvolver-so-exportando-produtos-primarios\">que j\u00e1 vem com a tecnologia pronta<\/a>. Ao passo que, se fosse investir em tecnologia, fazer pesquisa, levaria mais tempo. Outras na\u00e7\u00f5es optaram por esse caminho mais demorado, de desenvolver sua pr\u00f3pria tecnologia.<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #333333;\"><strong>Ao menos parte da capitula\u00e7\u00e3o do Pa\u00eds expressa na aceita\u00e7\u00e3o da entrada de capital estrangeiro sem obrigatoriedade de contrapartidas deve-se ao fator ideol\u00f3gico. <span style=\"color: #800000;\">A avalanche de privatiza\u00e7\u00f5es, muitas vezes com desnacionaliza\u00e7\u00f5es concomitantes desde os anos 1990 foi acompanhada do discurso da supremacia incontest\u00e1vel da empresa estrangeira sobre a nacional.<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #333333;\"><strong>A economista Roberta Sperandio Traspadini, professora do curso de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da Universidade Federal da Integra\u00e7\u00e3o Latino-Americana e da Universidade Federal de Santa Catarina, <span style=\"color: #800000;\">estudou a formula\u00e7\u00e3o daquela vis\u00e3o por\u00a0<a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.cartacapital.com.br\/revista\/998\/fhc-volta-a-atacar\">Fernando Henrique Cardoso<\/a>. Para FHC, diz, o desenvolvimento dependente e associado e a interdepend\u00eancia s\u00e3o preceitos necess\u00e1rios aos pa\u00edses latino-americanos e \u00e0 sua inser\u00e7\u00e3o na economia capitalista mundial.<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #333333;\"><strong>Essa alternativa, prossegue a professora, vem acompanhada do <span style=\"color: #800000;\">risco de esgotar qualquer possibilidade aut\u00f4noma para o continente, j\u00e1<\/span> que no modelo por ele defendido as economias latino-americanas t\u00eam de estar alinhadas \u00e0 l\u00f3gica e \u00e0s determina\u00e7\u00f5es do capitalismo central <span style=\"color: #800000;\">em situa\u00e7\u00e3o de reprodu\u00e7\u00e3o da subordina\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e depend\u00eancia econ\u00f4mica.<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #333333;\"><strong>\u201cN\u00e3o h\u00e1 como pensar o desenvolvimento nos moldes dos pa\u00edses centrais. Ao contr\u00e1rio, o desenvolvimento dependente e associado seria a \u00fanica alternativa vi\u00e1vel para a economia brasileira conseguir romper com seu atraso. \u00c9 desse modo que ele defende a inser\u00e7\u00e3o internacional subordinada\u201d, sublinha Traspadini.<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #333333;\"><strong>Em Empres\u00e1rio Industrial e Desenvolvimento Econ\u00f4mico no Brasil, de 1972, <span style=\"color: #800000;\">FHC afirma mais de uma vez que \u00e9 nas organiza\u00e7\u00f5es estrangeiras que as \u201cqualidades empresariais est\u00e3o objetivadas nas normas da produ\u00e7\u00e3o e administra\u00e7\u00e3o cient\u00edficas\u201d.<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #333333;\"><strong>Mas se assim \u00e9, <span style=\"color: #800000;\">como explicar que a ind\u00fastria brasileira alcan\u00e7ou o topo mundial do setor em 1973, quando o peso do valor adicionado pela manufatura ao PIB superava os da Fran\u00e7a e dos Estados Unidos?<\/span> Se s\u00f3 resta ao Pa\u00eds se submeter a um desenvolvimento subordinado, de que modo se compreende <span style=\"color: #800000;\">a exist\u00eancia da Petrobras, pioneira mundial na sofisticad\u00edssima tecnologia para explora\u00e7\u00e3o de \u00f3leo e g\u00e1s em \u00e1guas ultraprofundas, e da Embraer, terceira maior fabricante de avi\u00f5es do planeta, superada s\u00f3 pela estadunidense Boeing, que hoje tenta anex\u00e1-la, e pela europeia Airbus?<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #333333;\"><strong>De que maneira se encaixam na fatalidade da inser\u00e7\u00e3o internacional subordinada <span style=\"color: #800000;\">a produ\u00e7\u00e3o pela\u00a0<a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.cartacapital.com.br\/revista\/974\/a-marinha-mostra-o-rumo\">Marinha do Brasil<\/a>\u00a0do ciclo completo do combust\u00edvel nuclear e o in\u00edcio da fabrica\u00e7\u00e3o do primeiro submarino movido a energia at\u00f4mica,<\/span> ambos com a participa\u00e7\u00e3o de cerca de 200 competentes f\u00e1bricas fornecedoras locais e ainda sob a press\u00e3o constante dos Estados Unidos? <span style=\"color: #800000;\">E a excel\u00eancia cient\u00edfica da Embrapa, fundamental \u00e0 ascens\u00e3o do agroneg\u00f3cio verde-amarelo ao seleto grupo dos mais produtivos do mundo, como se explica?<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #333333;\"><strong>Fica dif\u00edcil acomodar tamb\u00e9m na condi\u00e7\u00e3o de desenvolvimento subordinado incontorn\u00e1vel <span style=\"color: #800000;\">a hist\u00f3ria exemplar do a\u00e7o brasileiro,<\/span> que n\u00e3o era competitivo segundo sentenciou d\u00e9cadas atr\u00e1s a consultoria dos Estados Unidos Booz-Allen (atual Booz Allen Hamilton), que desaconselhava o empreendimento aut\u00f4nomo nacional.<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #333333;\"><strong><span style=\"color: #800000;\">Os projetos sider\u00fargicos da\u00a0<a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.cartacapital.com.br\/politica\/estudo-aponta-que-cadeia-do-aco-depende-do-desmatamento-ilegal\">Usiminas, da Cosipa e da Ferro e A\u00e7o d<\/a><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.cartacapital.com.br\/politica\/estudo-aponta-que-cadeia-do-aco-depende-do-desmatamento-ilegal\">e Vit\u00f3ria<\/a>\u00a0estavam em plena implanta\u00e7\u00e3o em meados da d\u00e9cada de 1960,<\/span> requeriam elevados aportes de valores, mas os grupos acion\u00e1rios privados que os conceberam originalmente n\u00e3o tiveram meios suficientes para atender \u00e0s necessidades e o ent\u00e3o <span style=\"color: #800000;\">BNDE, outra cria\u00e7\u00e3o de Vargas,<\/span> era obrigado a honrar as garantias prestadas anteriormente a financiamentos externos.<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #333333;\"><strong><span style=\"color: #800000;\">O banco p\u00fablico aportava tamb\u00e9m recursos para assegurar a continuidade dos empreendimentos com adiantamentos que a seguir eram convertidos em participa\u00e7\u00e3o societ\u00e1ria,<\/span> pois as empresas privadas n\u00e3o conseguiam pagar as antecipa\u00e7\u00f5es de caixa.<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #333333;\"><strong>\u201cAssim <span style=\"color: #800000;\">o BNDE tornou-se o \u2018Banco do A\u00e7o\u2019 (tr\u00eas quartos do seu or\u00e7amento eram gastos na siderurgia) e as empresas viraram empresas estatais\u201d,<\/span> revelou Sebasti\u00e3o Jos\u00e9 Martins Soares, ex-superintendente do banco em entrevista \u00e0 professora Maria da Concei\u00e7\u00e3o Tavares no livro Mem\u00f3rias do Desenvolvimento. Na \u00e9poca dessa \u2018escolha de vencedores\u2019, Roberto Campos era ministro do Planejamento.<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #333333;\"><strong>N\u00e3o adianta esperar reflex\u00e3o neoliberal sobre os feitos nacionais enumerados acima, <span style=\"color: #800000;\">pois eles s\u00f3 foram poss\u00edveis com a a\u00e7\u00e3o firme do protagonista empres\u00e1rio-Estado, o inimigo n\u00famero 1 dos adeptos daquela escola.<\/span> Por outro lado, n\u00e3o se trata tamb\u00e9m de defender uma estatiza\u00e7\u00e3o s\u00f3 concretiz\u00e1vel sob o stalinismo nem o fechamento da economia, de resto imposs\u00edvel e altamente indesej\u00e1vel.<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #800000;\"><strong>A solu\u00e7\u00e3o, ensina\u00a0<a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.cartacapital.com.br\/economia\/latino-americano-brasileiro-e-nordestino-o-legado-de-celso-furtado\">Celso Furtado<\/a>, \u00e9 de natureza pol\u00edtica e de economia pol\u00edtica: manter no Pa\u00eds o centro de decis\u00e3o da empresa. S\u00f3 assim \u00e9 poss\u00edvel atuar em benef\u00edcio do interesse nacional dentro da pr\u00f3pria rela\u00e7\u00e3o de desenvolvimento dependente e associado, o que se fez com grande \u00eaxito nos casos descritos.<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #333333;\"><strong><span style=\"color: #800000;\">Roberto Simonsen, pr\u00f3cer do empresariado nativo, era um cr\u00edtico da aplica\u00e7\u00e3o pura dos princ\u00edpios liberais<\/span> e argumentava que em nenhum pa\u00eds desenvolvido a premissa era praticada <span style=\"color: #800000;\">e que o processo de industrializa\u00e7\u00e3o das na\u00e7\u00f5es avan\u00e7adas contou com apoio decisivo do Estado<\/span>. Uma afirma\u00e7\u00e3o, cabe ressaltar, rigorosamente verdadeira \u00e0 luz da hist\u00f3ria, mas seu autor nunca contou com a devida aten\u00e7\u00e3o entre os seus pares, <span style=\"color: #800000;\">embora tenha merecido 11 cita\u00e7\u00f5es por parte de Celso Furtado na sua obra principal, Forma\u00e7\u00e3o Econ\u00f4mica do Brasil.<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #333333;\"><strong>Simonsen alertava tamb\u00e9m que, enquanto o Pa\u00eds tivesse um povo pobre, mal remunerado, jamais conseguiria sair do atraso. <span style=\"color: #800000;\">Costumava repisar os objetivos da Confer\u00eancia de Teres\u00f3polis, das classes produtoras, realizada em 1945, por ordem de import\u00e2ncia: combate \u00e0 pobreza, aumento da renda nacional, desenvolvimento das for\u00e7as econ\u00f4micas, implanta\u00e7\u00e3o da democracia econ\u00f4mica e obten\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a social.<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #333333;\"><strong>Os empres\u00e1rios de hoje, salvo raras exce\u00e7\u00f5es, querem dist\u00e2ncia dessas reflex\u00f5es. Em suas pesquisas para a biografia Roberto Simonsen Prel\u00fadio \u00e0 Ind\u00fastria, Luiz Cesar Faro e M\u00f4nica Sinelli constataram <span style=\"color: #800000;\">o quanto \u00e9 profunda a ojeriza das chamadas classes produtoras de hoje ressalvadas as exce\u00e7\u00f5es aos ensinamentos do primeiro presidente da CNI.<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #333333;\"><strong>Os autores vasculharam entidades de classe, entrevistaram partid\u00e1rios da industrializa\u00e7\u00e3o, buscaram obter registros, coment\u00e1rios e opini\u00f5es sobre o biografado, mas o resultado foi frustrante: \u201cN\u00e3o tivemos \u00eaxito. <span style=\"color: #800000;\">O sil\u00eancio do empresariado sobre\u00a0<a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.cartacapital.com.br\/revista\/955\/o-espirito-de-roberto-simonsen\">Roberto Simonsen<\/a>\u00a0\u00e9 ensurdecedor. Ele ressoa o abandono do ide\u00e1rio de entrega e luta em prol do desenvolvimento nacional.<\/span> \u00c9 o depoimento mais expressivo: o que n\u00e3o figura na obra\u201d.<\/strong><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Brasil? Leva que \u00e9 de gra\u00e7a Por Carlos Drummond, na revista\u00a0CartaCapital: Caso se concretize a inten\u00e7\u00e3o do\u00a0Minist\u00e9rio da Fazenda\u00a0anunciada na quarta-feira, 4, de reduzir a al\u00edquota das importa\u00e7\u00f5es de bens de capital de 14% para 4% e a de produtos de inform\u00e1tica e de telecomunica\u00e7\u00f5es de entre 6% e 16% para a m\u00e9dia internacional, conseguir\u00e1 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[39],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.luizfdesouza.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6339"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.luizfdesouza.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.luizfdesouza.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.luizfdesouza.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.luizfdesouza.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6339"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.luizfdesouza.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6339\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6340,"href":"https:\/\/www.luizfdesouza.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6339\/revisions\/6340"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.luizfdesouza.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6339"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.luizfdesouza.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6339"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.luizfdesouza.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6339"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}