{"id":4714,"date":"2018-01-01T17:41:28","date_gmt":"2018-01-01T17:41:28","guid":{"rendered":"http:\/\/www.luizfdesouza.com.br\/?p=4714"},"modified":"2018-01-01T17:43:01","modified_gmt":"2018-01-01T17:43:01","slug":"as-ideias-cristas-e-hebraicas-em-noam-chomsky-e-bertrand-russel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.luizfdesouza.com.br\/index.php\/2018\/01\/01\/as-ideias-cristas-e-hebraicas-em-noam-chomsky-e-bertrand-russel\/","title":{"rendered":"As ideias crist\u00e3s e hebraicas em Noam Chomsky e Bertrand Russel"},"content":{"rendered":"<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"color: #333333;\"><strong><span style=\"font-family: Ebrima;\"><span style=\"font-size: large;\">Noam Chomsky e Bertrand Russel fundamentaram suas id\u00e9ias democr\u00e1ticas em autores crist\u00e3os jusnaturalistas<\/span><\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"color: #333333;\"><strong><span style=\"font-family: Ebrima;\"><span style=\"font-size: large;\">Robert F. Barsky escreveu o livro &#8220;A vida de um dissidente&#8221; (S\u00e3o Paulo, Editora Conrad, 1997, pp. 136-137), onde exp\u00f5e as fontes do pensamento de Chomsky: <\/span><\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"color: #333333;\"><strong><span style=\"font-family: Ebrima;\"><span style=\"font-size: large;\">&#8220;<span style=\"color: #993300;\">Chomsky retomou as fontes de conhecimento que datavam da Renascen\u00e7a. Atra\u00eddo especialmente pelos s\u00e9culos XVII e XVIII, abra\u00e7ou os trabalhos de Ren\u00e9 Descartes (1596-1650) e Wilhelm von Humboldt (1767-1835),<\/span> entre outros&#8221;. <\/span><\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"color: #333333;\"><strong><span style=\"font-family: Ebrima;\"><span style=\"font-size: large;\">&#8220;Entender esse impulso \u00e9 compreender o freq\u00fcente pedido de Chomsky de que, apesar de seu horror por rotula\u00e7\u00f5es, <span style=\"color: #993300;\">ele ficaria satisfeito em ser rotulado como um colaborador da tradi\u00e7\u00e3o anarquista (se adequadamente definida) ou racionalista do s\u00e9culo XVIII&#8221;. (&#8230;)<\/span><\/span><\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"color: #333333;\"><strong><span style=\"font-family: Ebrima;\"><span style=\"font-size: large;\">Ele reflete: &#8220;N\u00e3o convenci ningu\u00e9m, mas acho que h\u00e1 um &#8220;fio&#8221; importante e detect\u00e1vel (para usar seu termo) que vai do <span style=\"color: #993300;\">racionalismo cartesiano, passando pelo per\u00edodo rom\u00e2ntico (um Rousseau mais libert\u00e1rio, por exemplo), partes do iluminismo (algo de Kant etc.), liberalismo cl\u00e1ssico pr\u00e9-capitalista (notadamente Humboldt, mas tamb\u00e9m Smith) e assim por diante at\u00e9 a tradi\u00e7\u00e3o parcialmente espont\u00e2nea da revolta popular contra o capitalismo industrial e as formas que ela tomou nos movimentos libert\u00e1rios de esquerda, incluindo as por\u00e7\u00f5es antibolcheviques da tradi\u00e7\u00e3o marxista.<\/span> Tamb\u00e9m discordo de muitas coisas desse caminho e amontoar esse material todo resulta em imensas incoer\u00eancias internas (mesmo nos textos de uma \u00fanica pessoa, digamos Humboldt ou Rousseau, a maioria delas \u00e9 bem assistem\u00e1tica). <span style=\"color: #993300;\">Mas estou falando aqui de um fio que pode ser desembara\u00e7ado e que pode ter sido apenas tenuemente percebido (como \u00e9 o padr\u00e3o, mesmo no pr\u00f3prio trabalho cient\u00edfico, quando se reflete sobre ele um retrospecto). (8 de agosto de 1994)&#8221;.<\/span><\/span><\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"color: #333333;\"><strong><span style=\"font-family: Ebrima;\"><span style=\"font-size: large;\"> Este &#8220;fio&#8221;, como viu Chomsky, <span style=\"color: #993300;\">vem, na verdade, dos textos hebreus e tamb\u00e9m dos melhores textos gregos, especialmente de Prot\u00e1goras, Plat\u00e3o, Arist\u00f3teles e os est\u00f3icos. Vale a pena transcrever mais textos da biografia de Chomsky (pp. 142-144, da obra acima referida): <\/span><\/span><\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"color: #333333;\"><strong><span style=\"font-family: Ebrima;\"><span style=\"font-size: large;\">&#8220;Em outras palavras, uma vez que se aceita a perspectiva cartesiana da linguagem, o pr\u00f3ximo passo \u00e9 <span style=\"color: #993300;\">apoiar os direitos naturais e opor-se ao autoritarismo.<\/span> Durante o congresso de Barcelona, Chomsky observou: &#8220;<span style=\"color: #993300;\">os princ\u00edpios de pessoas como von Humboldt, Adam Smith e outros eram os de que as pessoas deveriam ser livres. Elas n\u00e3o deveriam estar sob o controle de institui\u00e7\u00f5es autorit\u00e1rias. E n\u00e3o deveriam sujeitar-se a coisas como divis\u00e3o do trabalho, que as destr\u00f3i, e trabalho assalariado, que \u00e9 uma forma de escravid\u00e3o. Elas deveriam, sim, ser livres. (&#8230;)<\/span> (&#8220;Creation&#8221;)<\/span><\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"color: #333333;\"><span style=\"font-family: Ebrima;\"><span style=\"font-size: large;\"><span style=\"color: #333333; font-family: Ebrima; font-size: large;\"><b>&#8220;Numa impressionante tentativa de relacionar os ideais cartesianos com o anarquismo, Chomsky insiste ent\u00e3o: se pegarmos aos princ\u00edpios deles e os aplicarmos ao per\u00edodo moderno, acho que se chegaria bem perto dos princ\u00edpios revolucion\u00e1rios que animaram Barcelona na d\u00e9cada de 1930. E acho que esse \u00e9 um n\u00edvel t\u00e3o elevado quanto o que os seres humanos conseguiram alcan\u00e7ar ao tentar realizar esses princ\u00edpios, e acho que eram os certos. N\u00e3o que eu queira dizer que tudo que foi feito estava certo, mas [&#8230;] a <\/b><\/span><span style=\"font-family: Ebrima; font-size: large;\"><b>ideia<\/b><\/span><span style=\"font-family: Ebrima; font-size: large;\"><b style=\"color: #333333;\">\u00a0de desenvolver o tipo de sociedade que Orwell viu e descreveu [&#8230;] <\/b><span style=\"color: #993300;\"><span style=\"color: #993300;\"><b>tendo o controle popular sobre todas as institui\u00e7\u00f5es, econ\u00f4micas, pol\u00edticas etc. [&#8230;] [e a dire\u00e7\u00e3o certa a seguir. Essa <\/b><\/span><span style=\"color: #993300;\"><b>ideia<\/b><\/span><span style=\"color: #993300;\"><b>\u00a0n\u00e3o \u00e9 nova; na verdade, suas ra\u00edzes s\u00e3o t\u00e3o antigas quanto o liberalismo cl\u00e1ssico.<\/b><\/span><\/span><b style=\"color: #333333;\"> (&#8220;Creation&#8221;) (&#8230;)<\/b><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"color: #333333;\"><strong><span style=\"font-family: Ebrima;\"><span style=\"font-size: large;\">Sobre os artistas, por exemplo, Humboldt escreve que, quando livres de controle externo, &#8220;<span style=\"color: #993300;\">todos os lavradores e artes\u00e3os poderiam ser transformados em artistas, isto \u00e9, pessoas que amam seu of\u00edcio por ele mesmo, que o refinam com sua energia e inventividade auto-orientadas e que, ao faz\u00ea-lo, cultivam suas pr\u00f3prias energias intelectuais, enobrecem seu car\u00e1ter e intensificam seus prazeres&#8221;<\/span> (Humanist). (&#8230;)<\/span><\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"color: #333333;\"><strong><span style=\"font-family: Ebrima;\"><span style=\"font-size: large;\">Citando Rousseau (especialmente seu Discurso sobre a Origem da Desigualdade [1755]), Kant, Descartes, Cordemoy, Linguet e, \u00e9 claro Humboldt, Chomsky descreve como os pensadores do Iluminismo anteciparam uma sociedade estabelecida mais para encorajar do que para sufocar o potencial humano. Humboldt \u00e9 de particular import\u00e2ncia aqui, porque forja uma conex\u00e3o entre tra\u00e7os humanos caracter\u00edsticos, um cen\u00e1rio social apropriado e a l\u00edngua que separa o homem dos animais. Ele tamb\u00e9m &#8220;anseia por <span style=\"color: #993300;\">uma comunidade de livre associa\u00e7\u00e3o sem coer\u00e7\u00e3o por parte do Estado ou outras institui\u00e7\u00f5es autorit\u00e1rias, na qual os homens livres podem criar, questionar e alcan\u00e7ar o mais alto desenvolvimento de seus poderes&#8221;;<\/span> &#8220;muito \u00e0 frente de seu tempo, [Humboldt] apresenta uma vis\u00e3o anarquista apropriada, talvez, ao est\u00e1gio seguinte da sociedade industrial&#8221; (Chomsky Reader).<\/span><\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"color: #333333;\"><strong><span style=\"font-family: Ebrima;\"><span style=\"font-size: large;\"><span style=\"color: #993300;\">Chomsky, de fato, aguarda ansiosamente o dia em que v\u00e1rios fios estejam reunidos dentro da estrutura do socialismo libert\u00e1rio,<\/span> uma forma social que mal existe hoje em dia, embora seus elementos possam ser percebidos: <span style=\"color: #993300;\">na garantia dos direitos individuais que alcan\u00e7ou sua mais alta forma \u2013 embora ainda tragicamente falha \u2013 nas democracias ocidentais; nos kibutzim israelenses; nas experi\u00eancias com conselhos oper\u00e1rios na Iugosl\u00e1via; no esfor\u00e7o para despertar a consci\u00eancia popular e criar um novo envolvimento no processo social, elemento fundamental nas revolu\u00e7\u00f5es do Terceiro Mundo,<\/span> coexistindo apreensivamente com a pr\u00e1tica autorit\u00e1ria indefens\u00e1vel\u201d. <\/span><\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"color: #333333;\"><strong><span style=\"font-family: Ebrima;\"><span style=\"font-size: large;\">Numa linha pr\u00f3xima de Chomsky, o bi\u00f3grafo deste destaca Bertrand Russel (p. 164 do livro acima): <\/span><\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"color: #333333;\"><strong><span style=\"font-family: Ebrima;\"><span style=\"font-size: large;\">&#8220;Tamb\u00e9m em 1968, Bertrand Russel falou na Universidade de Nottingham, na Inglaterra, por ocasi\u00e3o do VI Congresso Nacional de Controle Oper\u00e1rio. <span style=\"color: #993300;\">Ele falou da rela\u00e7\u00e3o entre acontecimentos contempor\u00e2neos e ideais socialistas anteriores: &#8220;acolho com prazer a crescente import\u00e2ncia do movimento pelo controle oper\u00e1rio, porque suas exig\u00eancias v\u00e3o de encontro ao que sempre entendi por socialismo&#8221;. <\/span><\/span><\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"color: #333333;\"><strong><span style=\"font-family: Ebrima;\"><span style=\"font-size: large;\">O livro de Bertrand Russel, \u201cPor que n\u00e3o sou crist\u00e3o\u201d, \u00e9 a transcri\u00e7\u00e3o de um debate feito na BBC, em 1948, entre Bertrand e o padre jesu\u00edta Copleston (n. e 1907). Na abertura do debate e do livro, Bertrand diz que n\u00e3o \u00e9 ateu, afirmando \u201cminha posi\u00e7\u00e3o \u00e9 agn\u00f3stica\u201d. <span style=\"color: #993300;\">Ele foi um agn\u00f3stico com posi\u00e7\u00f5es pr\u00f3ximas da Igreja, de uma democracia social e participativa<\/span>. Copleston era um jesu\u00edta ingl\u00eas, tendo lecionado na Universidade de Londres, de 1972 a 1974, tal como em Oxford. <\/span><\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"color: #333333;\"><strong><span style=\"font-family: Ebrima;\"><span style=\"font-size: large;\">Em suma, <span style=\"color: #993300;\">as fontes te\u00f3ricas de Russel s\u00e3o o conjunto de id\u00e9ias presentes no catolicismo e no socialismo de guilda e s\u00e3o estas as fontes de seu apre\u00e7o pelo controle oper\u00e1rio (do povo) sobre os meios de produ\u00e7\u00e3o e o Estado.<\/span> O mesmo ocorre com Noam Chomsky. <\/span><\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"color: #993300;\"><strong><span style=\"font-family: Ebrima;\"><span style=\"font-size: large;\">Se Chomsky tivesse lido com mais calma os textos de v\u00e1rios anarquistas, veria que mesmo estes n\u00e3o negaram o Estado, queriam apenas uma Rep\u00fablica descentralizada, respeitosa da posse (da pequena propriedade fundada no trabalho), com amplo cooperativismo etc. <\/span><\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"color: #333333;\"><strong><span style=\"font-family: Ebrima;\"><span style=\"font-size: large;\"><span style=\"color: #993300;\">Em uma palavra, queriam uma forma de socialismo com liberdade, com humanismo, o mesmo ideal da Doutrina da Igreja.<\/span>\u00a0<\/span><\/span><\/strong><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Noam Chomsky e Bertrand Russel fundamentaram suas id\u00e9ias democr\u00e1ticas em autores crist\u00e3os jusnaturalistas Robert F. 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