{"id":3948,"date":"2017-10-27T03:41:10","date_gmt":"2017-10-27T03:41:10","guid":{"rendered":"http:\/\/www.luizfdesouza.com.br\/?p=3948"},"modified":"2017-10-27T03:46:09","modified_gmt":"2017-10-27T03:46:09","slug":"economia-mista-e-estatais-na-antiguidade-e-na-idade-media-como-mostra-max-weber","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.luizfdesouza.com.br\/index.php\/2017\/10\/27\/economia-mista-e-estatais-na-antiguidade-e-na-idade-media-como-mostra-max-weber\/","title":{"rendered":"Economia mista e estatais, na Antiguidade e na  Idade M\u00e9dia, como mostra Max Weber"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #003300;\"><strong>Max Weber escreveu o livro &#8220;Hist\u00f3ria da Geral da Economia&#8221; (S\u00e3o Paulo, Ed. Mestre Jou, 1968), onde mostra que a parte boa da economia, na Idade M\u00e9dia, era formada por artes\u00e3os organizados em corpora\u00e7\u00f5es semi-p\u00fablicas, camponeses livres, associa\u00e7\u00f5es nos moldes cooperativistas (vide p. 178, da obra citada) e estatais. A parte m\u00e1 era formada pelos senhores feudais, latifundi\u00e1rios. <\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #003300;\"><strong>No livro,\u00a0 no cap\u00edtulo II, &#8220;Ind\u00fastria e minera\u00e7\u00e3o at\u00e9 ao alvorecer do capitalismo&#8221;, Weber mostra as estatais que existiam e as grandes mineradoras estatais (as pequenas eram particulares, apenas po\u00e7os praticamente).\u00a0<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #003300;\"><strong>Weber examina as minas estatais, inclusive as antigas, como &#8220;as minas de prata de L\u00e1urio&#8221; na Gr\u00e9cia e as minas do Sinai, exploradas pelo Estado Eg\u00edpcio, pelos Fara\u00f3s. Xenofonte, no livro &#8220;Rendas&#8221;, elogia as minas estatais, mostrando a utilidade delas para desenvolver cidades, Rep\u00fablicas.\u00a0<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #003300;\"><strong>Weber tamb\u00e9m trata das terras p\u00fablicas, que existiam. Fala dos grandes mosteiros, praticamente semi-estatais. Elogia a Igreja Cat\u00f3lica, na p\u00e1g. 246, tal como elogiou em outras obras.\u00a0<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #003300;\"><strong>Tamb\u00e9m lembra das f\u00e1bricas estatais criadas inclusive antes de Colbert, por Francisco I, como a &#8220;f\u00e1brica de armas de St. \u00c9tienne e a de tapetes de Fontainebleau&#8221;, &#8220;iniciando assim uma s\u00e9rie de manufactures royales&#8221;, &#8220;com o fim de cobrir as necessidades&#8221; de rendas &#8220;do Estado&#8221; e permitir o &#8220;desenvolvimento industrial da Fran\u00e7a&#8221;. Com Colbert, isso foi apenas ampliado, tendo como n\u00facleo &#8220;a a\u00e7\u00e3o do Estado&#8221; na economia (cf. p. 167). <\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #003300;\"><strong>As f\u00e1bricas nacionais defendidas por Buchez, Blanc e por Lassalle, e inclusive no Programa do Partido Comunista alem\u00e3o, no s\u00e9culo XIX, s\u00e3o apenas a retomada da linha das manufaturas estatais, das f\u00e1bricas estatais, de Colbert, de Francisco I, da Idade M\u00e9dia, da Antiguidade, do Modo de produ\u00e7\u00e3o asi\u00e1tico etc.\u00a0<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #003300;\"><strong>Nas p\u00e1ginas 162 a 165, Weber lembra &#8220;os precursores do sistema fabril no Ocidente&#8221;, estatais como os &#8220;moinhos&#8221;, &#8220;especialmente os moinhos hidr\u00e1ulicos&#8221;, alguns de &#8220;uso obrigat\u00f3rio&#8221;, de propriedade dos mosteiros e, principalmente, &#8220;das &#8220;cidades&#8221;. Os moinhos mo\u00edam os cereais, especialmente o trigo. Tamb\u00e9m existiam os lagares, para o vinho e o azeite. E tamb\u00e9m as padarias estatais, municipais, para fazer o p\u00e3o (nas casas, existia a fabrica\u00e7\u00e3o do p\u00e3o caseiro, tamb\u00e9m). Mesmo os &#8220;cervejarias&#8221; eram, muitas delas, estatais, as grandes eram das cidades. Os mercados p\u00fablicos eram das cidades, como shoppings estatais, onde os boxes eram distribu\u00eddos, bem barato, para os pequenos lojistas.\u00a0\u00a0<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #003300;\"><strong>Tamb\u00e9m existiam as &#8220;fundi\u00e7\u00f5es&#8221; estatais, ligadas \u00e0 fabrica\u00e7\u00e3o de armas, e administradas pelas cidades, especialmente as italianas. E as fundi\u00e7\u00f5es serviam tamb\u00e9m para a produ\u00e7\u00e3o de ferramentas agr\u00edcolas e urbanas etc. Outro tipo de estatais eram as &#8220;forjas&#8221;, para a &#8220;prepara\u00e7\u00e3o do ferro&#8221;. Outras estatais eram os moinhos de vento, especialmente os da Holanda. Tamb\u00e9m existiam as salinas estatais.\u00a0<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #003300;\"><strong>Conclus\u00e3o: as estatais existem h\u00e1 mil\u00eanios, desde o modo de produ\u00e7\u00e3o asi\u00e1tico, passando pela antiguidade cl\u00e1ssica, pela Idade M\u00e9dia, pelo Renascimento, os s\u00e9culos XVI a XVIII, e depois mesmo no S\u00e9culo XIX, e tamb\u00e9m no s\u00e9culo XX. S\u00e3o coisas hiper tradicionais, conservadoras. N\u00e3o h\u00e1 nada de errado nas estatais. S\u00e3o \u00fateis para o desenvolvimento, essenciais, tal como \u00e9 essencial a interven\u00e7\u00e3o do Estado na economia, os controles e regras p\u00fablicas, os planos estatais etc. Tudo isso \u00e9 hiper conservador e tradicional. <\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #003300;\"><strong>Os neoliberais rotulam tudo isso de &#8220;comunismo&#8221;, para forjar um bicho pap\u00e3o, para bloquear o desenvolvimento industrial das na\u00e7\u00f5es pobres, e perpetuar as grandes fortunas privadas.\u00a0<\/strong><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Max Weber escreveu o livro &#8220;Hist\u00f3ria da Geral da Economia&#8221; (S\u00e3o Paulo, Ed. Mestre Jou, 1968), onde mostra que a parte boa da economia, na Idade M\u00e9dia, era formada por artes\u00e3os organizados em corpora\u00e7\u00f5es semi-p\u00fablicas, camponeses livres, associa\u00e7\u00f5es nos moldes cooperativistas (vide p. 178, da obra citada) e estatais. 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