{"id":2312,"date":"2017-03-20T00:44:21","date_gmt":"2017-03-20T00:44:21","guid":{"rendered":"http:\/\/www.luizfdesouza.com.br\/?p=2312"},"modified":"2017-03-20T00:44:21","modified_gmt":"2017-03-20T00:44:21","slug":"helvetius-um-filosofo-cristao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.luizfdesouza.com.br\/index.php\/2017\/03\/20\/helvetius-um-filosofo-cristao\/","title":{"rendered":"Helvetius, um fil\u00f3sofo crist\u00e3o."},"content":{"rendered":"<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"color: #800000;\"><strong><span style=\"font-family: Verdana, sans-serif;\">Claude-Adrien Helvetius (1715-1771), nos livros &#8220;Do esp\u00edrito&#8221; e &#8220;Do Homem, suas faculdades intelectuais e sua educa\u00e7\u00e3o&#8221; (1772, p\u00f3stuma), no fundo, defende, na parte boa de seus textos, antigas id\u00e9ias j\u00e1 presentes em Santo Tom\u00e1s de Aquino. <\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"color: #800000;\"><strong><span style=\"font-family: Verdana, sans-serif;\">Helvetius quer determinar as leis necess\u00e1rias para a felicidade do povo, ou seja, as regras e condutas boas que geram o bem pessoal e comum (da sociedade), que \u00e9 justamente o conceito de &#8220;lei natural&#8221; (condutas compat\u00edveis com o bem, com a felicidade, cf. o eudemonismo aristot\u00e9lico\/tomista). <\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana, sans-serif;\">Os obst\u00e1culos para a felicidade e a educa\u00e7\u00e3o do povo s\u00e3o praticamente os mesmos apontados pelos escol\u00e1sticos: o governo arbitr\u00e1rio, o interesse pessoal esp\u00fario dos poderes p\u00fablicos e a ignor\u00e2ncia. <\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"color: #800000;\"><strong><span style=\"font-family: Verdana, sans-serif;\">Helvetius esbo\u00e7a um &#8220;catecismo moral&#8221; onde o ponto central \u00e9 que o bem p\u00fablico (bem da sociedade) \u00e9 a lei suprema. Ora, &#8220;bem p\u00fablico&#8221; significa, em linguagem jur\u00eddica, &#8220;bem comum&#8221;, &#8220;bem da sociedade&#8221;, o mesmo n\u00facleo da teoria pol\u00edtica\/sociol\u00f3gica\/jur\u00eddica da Igreja. <\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana, sans-serif;\">N<span style=\"color: #800000;\"><strong>esta \u00faltima obra, Helvetius esbo\u00e7a uma religi\u00e3o universal (cat\u00f3lica, em grego \u00e9 universal&#8230;), uma moral universal, compat\u00edvel com natureza humana e cujo \u00fanico dogma seria: &#8220;a vontade de um Deus justo e bom \u00e9 que seus filhos sejam felizes sobre a terra e gozem de todos os prazeres compat\u00edveis com o bem p\u00fablico&#8221; e o \u00fanico preceito seria: &#8220;os cidad\u00e3os, cultivando sua raz\u00e3o, cheguem ao conhecimento de seus deveres para com a sociedade&#8230; e da melhor legisla\u00e7\u00e3o poss\u00edvel&#8221;. O progresso moral \u00e9 baseado no de\u00edsmo. <\/strong><\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana, sans-serif;\">No livro de Plekhanov, &#8220;Ensaios sobre a hist\u00f3ria do materialismo&#8221; (Lisboa, Ed. Estampa, 1973, p. 27), h\u00e1 um texto de Holbach, do livro &#8220;Sistema da natureza&#8221; (p. 388), onde este diz: &#8220;chama-se interesse o objetivo ao qual cada homem, segundo o seu temperamento e id\u00e9ias que lhe s\u00e3o pr\u00f3prias, liga o seu bem-estar&#8221; e &#8220;o interesse n\u00e3o \u00e9 nunca sen\u00e3o o que cada um de n\u00f3s considera como necess\u00e1rio \u00e0 felicidade&#8221;. <\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana, sans-serif;\">Dentre as necessidades, as principais s\u00e3o &#8220;as necessidades da fome, da sede, etc, a causa que for\u00e7a os homens j\u00e1 multiplicados a cultivar a terra, a reunir-sem em sociedade e a estabelecer entre si conven\u00e7\u00f5es cuja observa\u00e7\u00e3o faz os homens justos e cuja infra\u00e7\u00e3o os faz injustos&#8221;. <\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><strong><span style=\"font-family: Verdana, sans-serif; color: #800000;\">O conceito de Helvetius sobre virtudes como &#8220;a\u00e7\u00f5es \u00fateis&#8221; &#8220;\u00e0 sociedade&#8221; e v\u00edcios&#8221; como &#8220;a\u00e7\u00f5es prejudiciais&#8221; &#8220;\u00e0 sociedade&#8221; (cf. &#8220;Do homem&#8221;, cap. XVI) \u00e9 aristot\u00e9lico. <\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><strong><span style=\"font-family: Verdana, sans-serif; color: #800000;\">Plekhanov, na obra acima (p. 127), reconhece que Helvetius era jusnaturalista e que ensinava que &#8220;os povos se aproximam, mais ou menos, nas suas institui\u00e7\u00f5es, do direito natural, segundo os progressos, maiores ou menores, da sua raz\u00e3o&#8221;. O importante era &#8220;escutar&#8230;os ensinamentos da sabedoria&#8221;, sair da &#8220;modorra&#8221;, da &#8220;noite da ignor\u00e2ncia&#8221;.<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><strong><span style=\"font-family: Verdana, sans-serif; color: #800000;\">No &#8220;catecismo moral&#8221;, Helvetius faz a apologia da lei natural e ressalta que as leis positivas (&#8220;civis&#8221;) deveriam seguir a lei natural e, assim, seriam &#8220;leis s\u00e1bias&#8221;, que &#8220;poderiam operar, sem d\u00favida, o prod\u00edgio de uma felicidade universal&#8221;. Defendeu a difus\u00e3o da pequena propriedade, dos bens. <\/span><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Claude-Adrien Helvetius (1715-1771), nos livros &#8220;Do esp\u00edrito&#8221; e &#8220;Do Homem, suas faculdades intelectuais e sua educa\u00e7\u00e3o&#8221; (1772, p\u00f3stuma), no fundo, defende, na parte boa de seus textos, antigas id\u00e9ias j\u00e1 presentes em Santo Tom\u00e1s de Aquino. 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