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Erradicar a miséria e a oligarquia, boa síntese da Doutrina da Igreja

Leão XIII relembrou ponto essencial da doutrina social da Igreja, na “Diuturnum illud” (29.06.1881), ensinando que o que justifica (torna justo, correto, legitima, torna legítimo) o poder público, o Estado, é a realização do bem comum. Na “Rerum” (1891), Leão XIII destacou que toda a estrutura social e estatal deve ser pautada pelo bem do povo, pelo bem comum, o bem de cada pessoa, cada família e de toda a sociedade (economia mista, pois sintetiza o bem pessoal com o bem social e público). 

Villeneuve de Bargemont, um grande católico, no livro “Economia política cristã” (1834), ensinava a mesma coisa: “a finalidade da sociedade não pode ser só a produção de riquezas [bens materiais]”, coisa legítima, em si mesma. A “finalidade” da sociedade e do Estado é “a mais ampla difusão possível da abundância, do bem-estar e da moral”, entre as pessoas. Há a mesma lição nos melhores textos do Visconde de Cairu, especialmente no livro “Estudos do bem comum”, obra elogiada por Alceu Amoroso Lima. 

A “abundância” (cf. Jo 10,10) ou riqueza da sociedade não significa grandes fortunas privadas, e sim a difusão de bens necessários, úteis, convenientes e decorosos para todos, para uma vida plena, simples, abundante, digna e feliz para todas as pessoas, como Frei Caneca destacava, em seus textos.

A verdadeira abundância ou prosperidade da sociedade é a erradicação da miséria e da oligarquia.

Buchez e Villeneuve-Bargemont, dois precursores da doutrina social da Igreja

Villeneuve-Bargemont (1784-1850), no livro “Tratado de economia política cristã” (1834, obra lida pelo jovem Marx) defendeu a intervenção estatal na economia e leis sociais. Ele também “preconizava o estabelecimento de colônias agrícolas com o concurso do Estado” (Gustavo Corção, “O século do nada”, São Paulo, Ed. Record, sem data, cf. p. 147).

O papel de Buchez, o “chefe do socialismo católico” (cf. Marx) na difusão das idéias cooperativistas com apoio do Estado foi reconhecido várias vezes por Karl Marx. Karl, em várias obras e cartas, destacou que Lassale seguia as idéias de Buchez, também adotadas por Ketteler, fórmulas de democracia popular, social, que ainda hoje subsistem. O apoio (subsídio, planificação, cooperativismo etc) estatal ao campesinato e a outras categorias-chaves é outro grande e antigo ponto da doutrina social da Igreja, como provam os textos de João XXIII, o papa-camponês. Agricultura boa é agricultura subsidiada, o mesmo para o ramo da pesca, dos artesões etc. 

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