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Pio XI e Maritain reconheceram os elementos cristãos dentro do socialismo

Como reconheceu Pio XI, em 1931, na “Quadragesimo anno” (n. 119), “o socialismo, como todos os erros, encerra algo de verdade (o que os sumos pontífices nunca negaram)”.

Mais ainda. Segundo Pio XI, no mesmo texto, estas verdades “não se afastam da verdade cristã”, “não pertencem exclusivamente ao socialismo”, “suas reivindicações concordam, às vezes muitíssimo, com as reclamações dos católicos que trabalham na reforma social” (n. 113).

Pio XI também reconheceu que as mudanças do socialismo levaram o próprio socialismo a se “aproximar” do cristianismo.

Pio XI talvez tenha sido assassinado pelos nazistas ou fascistas, pois morreu quando estava terminando uma encíclica contra o racismo, com ótimos textos.

Pio XI também afirmou que os grandes meios de produção devem pertencer ao Estado, o que implicaria, cedo ou tarde, na supressão do latifúndio e do capital monopolista.

A tradição colbertista e dos tempos de monarquia, da Igreja, a Tradição católica mais antiga, sempre aceitou um amplo grau de intervenção estatal na economia, basta a leitura dos textos de Vieira e outros autores renascentistas.

Maritain, no livro “Humanismo integral” (Ed. Dominus, São Paulo, 1962, p. 34), apontou os elementos de verdade no comunismo, deixando claro que dentre as fontes (“elementos originários”) que geraram o comunismo há “elementos cristãos”. Vejamos o texto do grande Maritain, autor da Igreja citado por Paulo VI em sua principal encíclica sobre a questão social, a “Populorum progressio”:

Há também, entre os elementos originários do comunismo, elementos cristãos.

“S. Tomás Morus tinha idéias comunistas. Em suas fases preparatórias, não foi sempre ateu o comunismo. A idéia mesma de comunhão que constitui sua força espiritual, e que ele quer realizar na vida social-terrestre (e ela se deve nela realizar, mas não exclusivamente nela, nem arruinando a vida justamente onde ela se realiza do modo mais perfeito e segundo as aspirações mais altas da pessoa humana), a idéia mesma de comunhão é uma idéia de origem cristã. E são virtudes cristãs desviadas, as “virtudes enlouquecidas” de que falava Chesterton, é o espírito de fé e de sacrifício, são as energias religiosas da alma que o comunismo se esforça por canalizar em proveito da sua própria obra e de que tem necessidade para subsistir”.

Os “elementos originários do comunismo”, ou seja, as fontes religiosas do mesmo, devem ser reconhecidas e resgatadas e são as pontes para um bom diálogo.

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