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Economia mista. Os interesses pessoais também são relevantes e explico

Adam Smith explicava o capitalismo dizendo que os interesses privados, por si sós, levavam, pela “mão invisível” do mercado, ao interesse social. Estava errado. O mercado, deixado a si mesmo, se autodestrói, gera desigualdades brutais, crises periódicas, e revoluções, pela proletarização geral da sociedade e a concentração do capital. 

Marx criticou o erro de Adam Smith. Mas, exagerou ao não considerar o interesse pessoal. 

A crítica de Marx foi feita com ajuda dos românticos (Sismondi, Buchez, Cabet, Saint Simon, Weitling e outros gênios) e do socialismo pré marxista, quase todo cristão, católico, frise-se. Isso eu demonstrei bem no meu livro, de quase 1.200 páginas, sobre a história do socialismo, mostrando que o socialismo utópico cristão foi a base principal das melhores críticas de Marx.

Marx se baseou no melhor da ética católica e hebraica, em seus melhores textos contra o capitalismo. 

O correto é a fórmula do bem comum, fórmula do melhor da Tradição milenar, de Platão, de Aristóteles, dos estoicos, dos epicureus mesmo, tal como do melhor do pensamento hebraico.

A fórmula do bem comum exige uma economia mista, que seja voltada para os interesses das pessoas, das famílias e da sociedade, com prioridade para os que mais sofrem, os mais pobres, os mais pisados, os doentes etc.

Os interesses (bens) pessoais contam e são essenciais, mas limitados, restritos, aos limites do bem comum, difundidos. Enfim, bens pequenos para todos, moradias, móveis, pequenas ferramentas, carros populares, renda universal, herança para todos, pela suplementação estatal, renda universal.

O Estado deve promover o bem comum, ou seja, bens para todos, erradicando a miséria e as grandes fortunas privadas, implantando a santa igualdade, mediania, que a Tradição bíblica e do melhor da filosofia grega e antiga tanto amavam. 

O ideal da mediania, da difusão de bens, do distributismo, do bem comum realizado, está também no núcleo da ética budista, hindu, muçulmana, taoísta, confuciana, indígena, africana. Faz parte do melhor do pensamento religioso e filosófico, espalhado no mundo todo. 

O princípio da subsidiariedade, da doutrina social da Igreja, exige ajuda do Estado para todos, difusão de bens, via estatal, com intenso papel redistribuidor do Estado, via tributos, regras públicas etc. 

Todos devem ter bens, poder, controle sobre as vidas próprias, dignidade, esfera jurídica de proteção da vida pessoal e social, uma boa proteção via direito civil e comercial nos moldes de Menger, atenuado, como queria Lassalle e outros. Karl Renner e os grandes civilistas católicos franceses viram isso corretamente. Os fabianos, Duguit e outros, idem. 

A economia deve ser pautada pelo controle dos trabalhadores sobre o fluxo da economia, pela difusão de bens, pela destinação universal dos bens. Todos devem ser pequenos e médios proprietários, sendo o direito de propriedade relativizado, atenuado, pela função social implícita, pelo controle estatal. Ao lado de uma base ampla de difusão de bens (distributismo), devem haver estatais, cooperativas e um setor privado, pequeno e médio, também sujeito a controles sociais, estatais e co-gestão.

Nada de miséria. Nada de opulência privada. Mediania, sobriedade, vida plena, abundante, para todos. 

A boa crítica de Keynes ao liberalismo econômico

Keynes criticou as proposições principais do neoliberalismo econômico – “Esclareçamos desde o início os princípios metafísicos ou gerais sobre os quais, de tempos em tempos, se fundamentou o laissez-faire. Não é verdade que os indivíduos possuem uma “liberdade natural” prescritiva em suas atividades econômicas. Não existe um contrato que confira direitos perpétuos aos que têm ou aos que adquirem. O mundo não é governado do alto de forma que o interesse particular e o social sempre coincidam. Não é administrado aqui embaixo para que na prática eles coincidam. Não constitui uma dedução correta dos princípios da Economia que o auto-interesse esclarecido sempre atua a favor do interesse público. Nem é verdade que o auto-interesse seja geralmente esclarecido; mais frequentemente, os indivíduos que agem separadamente na promoção de seus próprios objetivos são excessivamente ignorantes ou fracos até para atingi-los. A experiência não mostra que os indivíduos, quando integram um grupo social, são sempre menos esclarecidos do que quando agem separadamente” (Keynes, 1978, p. 120).

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