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O Brasil já teve uma das maiores frotas mercantis do mundo, formada por boas estatais e pequenas firmas nacionais

O Brasil já teve quase todos os portos grandes estatizados, além de quase toda a frota mercantil ter sido estatal. Dentro, havia a Costeira e algumas autarquias. Na navegação de longo curso, de alto mar, de comércio externo, quase tudo era estatal, pelas estatais Lloyd, Docenave e a Fronape da Petrobrás e a CSN. O que havia de particular eram empresas pequenas e médias, nacionais. Um modelo de economia mista, que o neoliberalismo quase destruiu.

FHC e Collor foram os principais destruidores. Café Filho, golpista, tentou, mas teve pouco tempo e foi impedido pelo sangue de Getúlio. As privatizações foram um crime contra a soberania nacional, do povo. O desmonte do Estado só ajuda os ricos. 

Lula e Dilma tentaram resgatar o modelo estatal. O Brasil já teve a segunda maior produção naval do mundo. E pode ter isso de novo, se houver a reconstituição do modelo estatal de Getúlio e mesmo antes de Getúlio, mas com ênfase em Getúlio. 

Colhi o texto seguinte do site www.navioseportos.com.br, que historia a produção naval e a frota naval do Brasil, especialmente a mercantil. Vejamos -“ Em 1956, do total da carga transportada 60% era matéria-prima (carvão, petróleo e derivados, sal e madeira), 30% alimentos (açúcar, trigo, arroz e bebidas) e 10% de manufaturados (produtos de ferro, aço e madeira)”.

“Contando com a navegação interior, havia no país 119 armadores privados, “a maior parte deles empresas de pouca expressão. A maior companhia privada continuava sendo a Comércio e Navegação, com uma frota de 18 navios. As grandes bacias hidrográficas estavam reunidas em três áreas sendo explorada principalmente pelas autarquias federais: Serviço de Navegação da Amazônia e de Administração do Porto do Pará (SNAPP), criada em 1940 a partir da encampação da The Amazon Steam Navagation Co.; Serviço de Navegação da Bacia do Prata (SNBP), criada em 1943; e, Companhia de Navegação do São Francisco (CNSF), criada em 1955″.

“No transporte de longo curso atuavam apenas o Lloyd Brasileiro (com 24 navios), a Frota Nacional de Petróleo (FRONAPE – criada em 1949 e incorporada pela Petrobrás em 1952, com 25 navios) e a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN, com 2 navios), que eram responsáveis por apenas 3,9% das exportações e 10,5% das importações. A cabotagem de longa distância era quase um serviço exclusivo do Estado. Além do Lloyd Brasileiro e da Costeira, a FRONAPE, e a CSN, também atuavam no transporte de matéria-prima. Em toneladas por milhas transportadas, 50% era de responsabilidade de empresas estatais”.

Francisco I, carta de 30.05.2015, aos criminalistas – a criminalidade nasce das desigualdades econômicas e sociais, da opressão dos pobres

Francisco I, na Carta ao XIX Congresso Internacional de Direito Penal, em 30.05.2014, lembrou aos maiores criminalistas que boa parte dos crimes nascem das “desigualdades econômicas e sociais”, das “redes da corrupção”, do “crime organizado”, organizado pelos “mais poderosos”.

O papa frisa que o “flagelo” da criminalidade é aumentado pela economia capitalista, “baseada unicamente nas regras do mercado”, sem suficiente intervenção e regras estatais, sem economia mista e social. As grandes fortunas controlam a mídia, “criando expectativas” (consumismo) e “necessidades supérfluas”, excluindo pessoas como lixo ou ruínas.

Vejamos o texto do Papa:

Todos nós somos pecadores; Cristo é o único Justo. Também nós, às vezes, corremos o risco de nos deixarmos levar pelo pecado, pelo mal e pela tentação. Em todas as pessoas a capacidade de agir muito bem convive com a possibilidade de causar muito mal, por mais que se deseje evitá-lo (cf. Rm 7, 18-19). E devemos interrogar-nos por que motivo alguns caem e outros não, uma vez que todos pertencem à mesma condição humana”.

“Não poucas vezes a delinquência afunda as suas raízes nas desigualdades econômicas e sociais, nas redes da corrupção e no crime organizado, que procuram cúmplices entre os mais poderosos e vítimas entre os mais vulneráveis. Para prevenir este flagelo, não é suficiente dispor de leis justas, mas é preciso formar pessoas responsáveis e capazes de as pôr em prática. Uma sociedade baseada unicamente nas regras do mercado, criando expectativas falsas e necessidades supérfluas, descarta quantos não estão à altura e impede que as pessoas lentas, frágeis e menos dotadas abram caminho na vida (cf. Evangelii gaudium, 209)”.

Racistas devem ser presos mesmo

Foi correta a prisão por racismo de um advogado. Vejamos como foi noticiado – “Advogado de 55 anos foi preso em flagrante, no Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, sob acusação de praticar um ato racista contra uma funcionária da Azul Linhas Aéreas; após uma discussão no check-in da empresa, ele retirou uma banana de sua mochila e entregou à atendente negra; vítima acionou a Polícia Federal e o passageiro foi preso em flagrante quando já estava dentro do avião, indo para Corumbá, no Mato Grosso do Sul”. 

Muito correto. Eu militei no MNU, na década de 80. O MNU nasceu em 1978. E sempre lutou pela incriminação do racismo, o que foi obtido pela Lei Caó.

Combater a macro criminalidade eh PRIORIDADE na justiça penal. Criminalidade dos ricos eh a pior de todas

O Procurador Geral do MP, nos EUA, Ramsey Clark, liderou o MP no governo de Lyndon Johnson, de 67 a 69 (tempo em que foi o chefe do MP, nos EUA). Ramsey escreveu nos anos 1960: “A aglomeração de milhões de pessoas pobres, com as suas desvantagens cumulativas nos guetos urbanos das nossas sociedades ricas. . ., não só oferece a oportunidade fácil para actos criminosos – como causa o crime”. De fato, a miséria causa crimes. 

Um dos líderes da criminologia nos EUA, Edwin Sutherland, escreveu obras como: “Twenty Thousand Homeless Men (1936), The Professional Thief (1937), a terceira edição de Principles of Criminology (1939), e a primeira edição de White Collar Crime (1949). Sutherland foi eleito presidente da Sociedade Sociológica Americana em 1939 e da Associação de Pesquisa Sociológica em 1940.

O livro “White collar crime” (“Crime do colarinho branco”), de Sutherland, mostra que a justiça penal deve DAR PRIORIDADE AO COMBATE AO CRIME DO COLARINHO BRANCO, DAR PRIORIDADE CONTRA A MACRO CRIMINALIDADE. 

A expressão “crime do colarinho branco” tornou-se parte do vocabulário inglês pela primeira vez quando Edwin Sutherland, em 1939, no discurso intitulado The White colar criminal, proferido à Sociedade Americana de Sociologia, desprezou as teorias tradicionais da então criminologia que culpavam a pobreza, famílias má estruturadas e distúrbios de personalidade, mostrando que os piores criminosos se encontravam longe da pobreza.

Após dez anos de pesquisa, Sutherland publicou o livro White Collar Crime (1949), que documentou os crimes perpetrados pelas 70 maiores empresas privadas americanas e de mais 15 companhias de utilidade pública, o que fez com que a editora se recusasse a publicar o nome de tais empresas temendo processos, nomes que só seriam divulgados 34 anos depois numa edição sem cortes. Enfim, os crimes do grande capital privado, que são os piores crimes. 

ENTÃO, mesmo o melhor da literatura norte-americana, onde também existe pensamento de esquerda (frise-se), defende que o correto é dar prioridade no combate à macro-criminalidade. E inocentar ou diminuir drasticamente as penas dos mais pobres. 

Obama e os EUA deveriam ter pedido desculpas ao Japão pela bomba atômica

Fidel Castro, ao completar 90 anos, criticou Obama por não pedir desculpas, ao ir a Nagasaki, no Japão.
Fidel tem razão. No livro de Peter Scowen, “O Livro negro dos EUA” (Ed. Record, 2003, p. 51), consta que Eisenhower foi contra o lançamento, 
dizendo – “O Japão estava, naquele mesmo momento, buscando alguma forma de render-se com uma perda mínima de aparência. 
Não era necessário golpeá-los com aquela coisa”. 
O Almirante William D. Leahy, Chefe do Estado Maior de Truman, foi ainda mais claro, contra o lançamento da bomba, dizendo
“Os japoneses já estavam derrotados e prontos a render-se devido ao eficiente bloqueio marítimo e ao bombardeiro bem sucedido
com armas convencionais. Ao sermos os primeiros a usar a bomba, adotamos um padrão ético comum aos bárbaros da idade das Trevas”.
O Juiz que presidiu os julgamentos de Nuremberg chamou o bombardeio de Nagasaki de “CRIME DE GUERRA”. 
Leo Szilard, um dos cientistas do projeto Manhattan, que gerou a bomba, foi contra, dizendo – “perdemos o argumento moral com o qual, logo após
a guerra, talvez pudessemos ter nos livrado da bomba”, proibindo mundialmente a produção da bomba, como queria e quer o movimento pacifista.
O próprio Robert Oppenheimer era contra jogar a bomba sobre uma cidade, queria jogar no máximo sobre um alvo militar, ou uma ilha deserta. 
O próprio Henry Stimson, Secretário (Ministro de Estado) da Guera, não aceitava baixas civis, jogar a bomba sobre uma cidade, pois
“não quero que os Estados Unidos conquistem a reputação de ultrapassar Hitler em atrocidade“, disse Stimson, no seu Diário. 
Os EUA mesmo, em 1938, tinham concordado com uma Resolução da Liga das Nações que tornava ilegal o bombardeio internacional de civis. 
Goering, em Nuremberg, foi condenado à forca por CRIME DE GUERRA, por bombardear cidades, alvos civis. 
O próprio Truman, no Diário, chegou a escrever que “eu disse ao Secretário da Guerra, Sr. Stimson, para usá-la de forma que objetivos militares e soldados e
marinheiros sejam o alvo, e não mulheres e crianças (…) O alvo será puramente militar”. 
E depois, na prática, Truman decidiu jogar a bomba sobre cidades, imitando Goering e os nazistas. 
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