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Uma boa lição de Frei Luís de Granada sobre socialização e personalização

Frei Luís de Granada (1504-1588) resumia bem o Plano divino, explicando que a ação divina, a graça, visa “transformar o ser humano em Deus, de tal maneira que, sem deixar de ser homem, participe em sua maneira das virtudes e da pureza de Deus” (cf. “Guia dos pecadores”, livro I, cap. XIII).

O Plano divino é a divinização das pessoas, a Ressurreição, a vitória contra o mal, a morte, a mentira, a violência, a injustiça etc.

O Plano divino é a difusão do bem geral, do bem comum, “a cada um de acordo com suas necessidades” (Atos dos Apóstolos, capítulos 2 e 4) e de cada um de acordo com suas possibilidades, capacidades (cf. a Parábola dos Talentos). Foi do Evangelho que Marx copiou estas regras fundamentais da convivência humana.

Frei Luís de Granada (1504-1588) explicou também que ação divina visa unir o Céu à terra, o espírito ao corpo, a eternidade ao tempo, o sobrenatural à natureza, a criação ao Criador.

Como explicou São Bernardo de Claraval, no livro “O amor a Deus”, a união com Deus é um estado, significa “deificar-se”, pois a essência humana une-se à natureza divina, mantendo a consciência pessoal, “como um gotinha de água, dissolvida em muito vinho”, tomando o “sabor e a cor do vinho”; ou como “a água, penetrada pela luz do sol, se transforma na própria claridade solar”.

A união com Deus ocorre por um movimento da consciência, um “retorno para a interioridade”, uma “reflexão” (cf. “Enéadas” V, 3,1; IV, 7,10, obra de Plotino), a consciência de idéias verdadeiras que existem no fundo de nós (cf. Santo Agostinho, em “Sobre a verdadeira religião”, 39).

Encontramos Deus no mais interior de nossa consciência, tal como Deus está em todo lugar e mais além (imanência e transcendência divina).

Plotino foi um eco da concepção paulina, bem clara em I Cor, 2,16, sobre o “homem interior”, sendo que a máxima interioridade implica também no máximo amor, na comunhão social mais fraterna e amorosa, mais voltada e pautada pelas regras do bem comum.

Resumindo tudo, o máximo de personalização com o máximo de socialização, eis o ideal cristã e natural do ser humano. 

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