Arquivos para : A “Fórmula” para boa ética, tipo o Estoicismo católico e hebraico e ideias de Santo Afonso de Ligório

As cidades fenícias, um dos elos mais importantes da difusão cultural semita, luz para o mundo

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A ética semita católica e cristã é a ética do Bem comum, exigindo suficiência de bens materiais para todos

Nicola Abbagnano, no livro “Dicionário de filosofia” (São Paulo, Ed. Martins Fontes, 2007), explica a importância do “bem comum” na concepção política da Igreja:

Bem comum (lat. “bonum commune”; in. “Common good”; fr. “bien commun”; alemão “gemeingut”; it. “bene comune”). Conceito próprio do pensamento político católico, base da doutrina social da Igreja. Do ponto de vista filosófico, os seus maiores teóricos Santo Tomás de Aquino e Maritain. Desenvolvendo o pensamento de Aristóteles (no qual não está presente o bem comum, que é de origem medieval), Tomás de Aquino identifica-o com a suficiência de bens materiais e com uma vida feliz e virtuosa, compartilhada por todos”.

A ética são as ideias práticas do povo para assegurar suficiência de bens materiais para todos, vida simples, feliz e virtuosa para todos. 

Santo Tomás, como explica Abbagnano, considera “o bem comum” como “o objetivo essencial das leis” (“omnis Lex ad bonum commune ordinatur”, “Suma Teológica”, I-II, q. 90, a. 2).

No mesmo sentido, Abbagnano completa: “Maritain” “utiliza esse conceito” identificando-o com “o bem estar humano” e com o “respeito [concretização] aos direitos fundamentais [direitos humanos naturais] das pessoas”.

Estes pontos foram bem expostos por Maritain em obras como “A pessoa e o bem comum” (1947) e “O homem e o Estado” (1951).

Os católicos são espiritualmente semitas. O mesmo para a Paideia e o estoicismo

O Papa Pio XI ensinou que os católicos são espiritualmente semitas, somos os irmãos mais novos dos semitas, dos judeus. 

Os hebreus ensinavam que os lídios (que viviam na região da Jônia e da Cária) era semitas, tal como os Caldeus.

A Cária, uma das principais regiões da Ásia Menor, vizinha da Jônia, teria sido fundada por Kar, um rei fundador da colônia fenícia. Os etruscos, povo que habitava em Roma, base da civilização romana, tem origem na Cária, área semita, asiática. A Lídia tem amplas raízes culturas fenícias e semitas, basta pensar em Cades, a capital, que os judeus diziam que tinha origem judaica (é bem provável que houvesse boa colônia fenícia e hebraica em Cades). 

Ciro, da Pérsia, passou a controlar a Lídia em 545 a.C. Ciro foi elogiado por escritores gregos como Heródoto, Xenofonte, Ctésias e outros.

A Cária tinha outras cidades importantes como Antioquia da Pisídia (diferente da Antioquia da Síria, tal como há duas Apaméias e duas Tebas), Heracléia, Laodicéia, Alinda, Halicarnasso (terra de Heródoto, que aponta as ligações destas cidades com os fenícios e com o oriente) e outras. O próprio culto a Hércules tem origem fenícia. 

Como explicou Bento XVI:

Na verdade, como sabemos, o Cristianismo nasceu no Oriente Médio. E por muito tempo, seu desenvolvimento principal permaneceu lá, e se difundiu na Ásia, muito mais do que podemos pensar hoje, depois das mudanças levadas pelo Islamismo [o que explicou a difusão e os pontos comuns entre cristianismo e islamismo e a razão deste ser chamado de “heresia cristã”, por São João Damasceno e outros]. Por outro lado, exatamente por esse motivo [o surgimento do islamismo e o afastamento dos ortodoxos], o seu eixo deslocou-se sensivelmente para o Ocidente e para a Europa, e a Europa – fato que nos enche de orgulho e de alegria – desenvolveu ulteriormente o Cristianismo, nas suas grandes dimensões, também intelectuais e culturais”.

Conclusão: a Paidéia é uma criação dos gregos e também dos povos da Antiguidade, com vastas raízes semitas. Dentro da Paidéia, desde o início, existiam raízes semitas, ideias semitas. E isso só se acentuou mais ainda com os estoicos, pois o estoicismo é uma corrente, a melhor, a meu ver, de origem semita, fenícia e hebraica. 

Os gregos eram e são um grande povo, pois sempre foram abertos às idéias verdadeiras, recebendo as verdades de outros povos e também gerando, em seus grandes expoentes, idéias fundamentais para a humanidade. O cristianismo nasceu com duas colunas, a Paidéia e as Tradições bíblicas e hebraicas.

O hilemorfismo do catolicismo, estoicismo católico e hebreu

A união entre alma e corpo, da antropologia semita e do hilemorfismo estóico e aristotélico, faz parte essencial do cristianismo.

Cada idéia má em nós gera maus efeitos no corpo; e o corpo influencia a alma.

Pio XII, no discurso sobre “Os distúrbios hormonais e neurovegetativos”, proferido no XII Congresso da Sociedade Otorrinolaringológica Latina, em 01.07.1958, em Roma, destacou bem o “equilíbrio psicofísico” da pessoa, tema repetido na Assembléia do Colégio Internacional Neuropsicofarmacológico, também em Roma, sobre sedativos etc.

A Igreja aceitou experiências de hipnotismo para fazer o bem, controladas por bons médicos, com ética. 

As raízes semitas do estoicismo, o que explica a razão do catolicismo e do judaísmo terem acolhido boa parte do estoicismo

O estoicismo nasceu em áreas de cultura semita e fenícia, com base na cultura fenícia-semita. O fundador do estoicismo, Zenão, nasceu em Chipre, terra totalmente influenciada pelos fenícios e judeus, bem perto de Tarso, a cidade natal de São Paulo.

Este ponto foi bem demonstrado pelo padre Eleutério Elorduy, no livro “El estoicismo” (Madrid, Ed. Gredos, 1972, vol. I, pp. 25-32). O estoicismo desenvolveu-se, desde as origens, com base em homens banhados pela cultura fenícia-semita, existente na Fenícia (ao lado da Judéia).

Nasceu em lugares banhados pela cultura fenícia e hebraica (tendo grandes colônias hebraicas), como o Chipre, Tarso, Síria e em várias áreas da Palestina e da Mesopotâmia. Todas estas áreas eram banhadas pelas idéias semitas, presentes nas idéias persas, fenícias, assírias e outras.

Houve também influência semita (hebraica) clara nos textos de Sêneca, Epicteto e Marco Aurélio (e os três foram influenciados pelo cristianismo, pois mencionam os “galileus”, os cristãos). O mesmo ocorre com Tácito, Galeno, Plutarco, Plotino e outros autores.

Os principais estoicos são homens nascidos na região de Tarso e de Chipre. Esta região tinha tantos judeus que, em 117, estes atacaram os romanos, participando da guerra judaica, contra os romanos. Outros estoicos eram da Síria, da Fenícia, região banhada pelas idéias hebraicas e semitas, presentes na cultura Cananeia-fenícia. Uma prova disso é o o fato do nome principal de Deus, na cultura fenícia, ser “El”, como é na Bíblia.

O nome principal da divindade, na Bíblia, é “El” e isso permanece mesmo quando o culto a Baal prepondera, em conflito com “El”, mas sendo afirmado que Baal nasce de “El” (ver, a propósito, os conflitos de Elias com os sacerdotes de Baal).

Seria possível citar mais de vinte grandes estoicos de origem na cultura semita. Basta, para ilustrar, citar Zenão de Chipre (o fundador do estoicismo), Crisipo (o principal formulador do estoicismo) e mesmo Posidônio, que nasceu na Síria. A região entre Jerusalém e a Síria deu origem também a autores como Porfírio, que nasceu em Tiro, cidade fenícia, ligada culturalmente aos hebreus. A Cilícia era tanto ligada aos hebreus que Polemon II, rei da Cilícia, casou-se com Berenice, irmã de Herodes Agripa II.

Outros grandes estoicos tem origem na Espanha, terra colonizada primeiro pelos fenícios, totalmente influenciada pela cultura fenícia-semita, inclusive por judeus. Os fenícios estavam presente na Grécia, também, pois o alfabeto grego é o alfabeto fenício e Tebas (a cidade base das grandes peças de teatro gregas) é uma colônia fenícia, foi fundada pelos fenícios. Os fenícios também participaram do surgimento da democracia na Grécia, derrotando o tirano que escravizava Atenas e a tornando uma democracia.

Os fenícios também estavam presentes na Lídia, em Sardes, onde também existiam judeus. Fenícios e judeus estavam presentes no Império assírio, babilônico, persa etc. Mesmo Homero, na “Ilíada”, menciona os fenícios, como grandes navegantes. 

Tarso era uma das maiores cidades do mundo, tendo mais de 500.000 habitantes, na época de Cristo. Tarso, Pérgamo e Antioquia, juntas, faziam bom contraponto a Alexandria e a Roma, deixando para trás cidades como Corinto e Éfeso, que eram enormes também.

Xenofonte passou por Tarso, lá por 401 a.C., com os dez mil gregos, citados na “Anabase”. Tarso é mencionada com Tarsis, em Gn 10,4; tal como em 2 Macabeus 4,30-36. Tarso era protegida por Augusto, pois era a terra natal de Atenodoro, um estóico, professor de Augusto. Augusto mantinha relações de amizade com Herodes, que tinha escritores como Nicolau de Damasco (n. em 64 a.C.), um filósofo e um historiador, autor de uma História universal de 144 livros e de uma biografia de Augusto. Josefo utilizou vários textos de Nicolau de Damasco.

Theodore Reinach (1860-1928) escreveu um livro chamado “Textos de autores gregos e romanos relativos ao judaísmo” mostrando as ligações antigas entre o judaísmo e a filosofia grega, especialmente o estoicismo. Theodore era irmão de Solomon (arqueólogo e historiador) e de Joseph Reinach, o chefe de Gabinete de Gambetta. Theodore dirigiu, por anos, a “Revista de Estudos Gregos”. Seus estudos mostram a mesma tese dos Santos Padres: o pensamento judaico influenciou o pensamento grego e romano, por dentro, auxiliando a luz natural da razão a gerar ideias bem próximas do cristianismo, preparando o surgimento do cristianismo.

No mundo judaico, o cristianismo foi, no prisma humano, a continuidade do movimento dos fariseus (“perushim”). Estes já estavam realizando sínteses com a Paidéia, adotando um ecletismo filosófico que juntava as idéias estóicas, platônicas etc e o mesmo ocorria com os essênios.

Os fariseus são a base dos essênios e dos zelotes, pois essênios e zelotes são variações do movimento fariseu. O helenismo e as idéias hebraicas já estavam em diálogo intenso antes do helenismo e, principalmente, depois.

No mundo judaico, uma parte dos sábios passou a adotar nomes gregos no século III a.C., tal como antes adotara nomes egípcios, babilônicos e persas. Antígnos de Sochos é tido como o primeiro a adotar um nome grego e dois de seus discípulos, Tsadoc e Betus, romperam com a Torah oral (“Lei oral”, defendida pelos fariseus e pelos católicos) e adotaram o hedonismo, as idéias de Epicuro (foram chamados de “epikaros”, de epicureus).

Segundo o Talmud, Tsadoc e Betus foram os fundadores das seitas dos saduceus e dos betusianos. No caso dos saduceus, houve erros, pois rejeitaram o substrato estoico contido na crença dos fariseus. Os fariseus eram a seita mais próxima do cristianismo, ponto que Cristo destacou. 

O Talmud chama a pessoa que ataca a fé de “o epicurista”. Só este fato já demonstra bem o elogio fariseu das idéias estóicas no Talmud. Flávio Josefo chamava os fariseus de “os estoicos hebreus”. 

Os rabinos, tradicionalmente, chamam de “apiqoros” (epicureus) as pessoas que negavam a vida após a morte. Também usaram o termo “apiqoros” para designar os pagãos. Esta crítica rabínica aos epicureus é outro sinal claro do amor judaico ao estoicismo, de fundo semita, também.

Conclusão – a filosofia cristã e hebraica é formada de uma síntese do melhor da Paideia com o melhor do Tradição hebraica, sendo uma síntese eclética, unindo os melhores textos dos órficos, dos pitagóricos, do platônicos, dos aristotélicos e dos estoicos e, depois, do hermetismo. O mesmo vale para o pensamento muçulmano, como pode ser visto nos melhores textos da comunidade muçulmana no Cairo.

No fundo, é praticamente o credo da última fase de Diderot, que morreu panteísta e adepto de Seneca, estoico. 

O ideal cristão judaico de autodomínio pessoal, familiar e social

A ética cristã nasce de uma síntese, de uma recapitulação entre o melhor da Revelação hebraica e da Tradição da humanidade, da Paidéia.

A teologia da libertação, um elo da Teologia Tradicional da Igreja, é baseada no ideal pessoal e social de “enkrateia” (virtude elogiada por São Pedro e por São Paulo, a “temperança”), de equilíbrio, medida, auto-controle pessoal e social.

Um ideal de autonomia e autodeterminação pessoal e social, pelo diálogo interno e entre as pessoas. O máximo de personalização com o máximo de socialização, sendo esta regra válida para a vida pessoal, familiar, econômica e estatal. 

Este ideal é referido na Bíblia com várias palavras, como “autodomínio”, “paz” (“shalom”), “liberdade” (“eleutheria”) etc.

Está na abertura dos Dez Mandamentos, quando o próprio Deus se identifica como “Libertador” do povo contra as opressões e em prol da autonomia humana e do povo.

São Pedro, ao descrever as virtudes que deve ter um cristão, em II Pd 1,5-7, destaca a “engkrateia”, o “auto-domínio”, a autonomia humana. São Paulo, em Gl 5,22-23, usa o mesmo termo “engkrateia”, autonomia, autocontrole, controle da pessoa sobre si mesmo, usando também o termo estóico “autarquia” (“autarkes”, cf. Hb 13,5; 1 Tm 6,8; 2 Co 9,8; Fp 4,11 e outras passagens).

Por extensão, uma sociedade bem estruturada, de acordo com a natureza humana, é a sociedade que tem controle sobre si mesmo, que tem autodeterminação, autonomia, controle social sobre o processo produtivo, sobre a gestão dos recursos para atender às necessidades e assegurar a todos uma vida simples, plena, abundante, feliz.

Lúcio Lactâncio (240-320 d.C.), um dos vários estóicos católicos, no livro “Instituições divinas” (VI, 8, 6-9), transcreveu um texto do livro “Da República” (III, 33), de Cícero, que explica claramente o papel da consciência, da razão, como fonte da edição de regras jurídicas e éticas de condutas pela razão humana, presente em todas as pessoas, para o bem de todos.

Há o mesmo ensinamento em São Clemente de Alexandria, em Santo Agostinho, em São Jerônimo, em São Máximo de Constantinopla e em todos os Doutores, Santos e grandes teólogos da Igreja Católica. 

A consciência é naturalmente legisladora, o povo é o legislador natural de si mesmo, por desígnio divino, por força da própria natureza, pela Lei do Criador, que nos criou para sermos co-criadores, co-gestores, co-reis, co-governantes, co-redentores, divinizados, pela união com o Deus da Vida plena.

Boa lição de Manzoni, no livro “Observações sobre a moral católica”

Manzoni elogia a moral católica. Diz, no prefácio, que se a “moral católica” fosse praticada por todos, nos levaria ao mais alto grau de perfeição e de felicidade que se pode conseguir nesta terra”. Boa lição.

A ética traz felicidade. Isso foi bem ensinado pelos grandes estoicos, especialmente Sêneca e Epiteto. Boas regras de vida elevam a vida, melhoram a vida, protegem e ampliam a vida. 

A Regra de ouro da ética natural e cristã, uma ética em prol da democracia popular

O melhor conceito de caridade é simples: significa agir de forma racional e supra-racional em prol do bem comum, indo além do que pede a razão, sem nunca incidir em condutas irracionais. Isto foi bem explicado na “Divini Redemptoris”, de Pio XI, que ressaltou que “a caridade” “que prive”alguém (“o operário”, no exemplo do Papa) do “faz jus por direito” “não é caridade, mas nome vão e ôca aparência de caridade”. Justiça são as regras (ideias práticas) para proteção, conservação e ampliação do bem comum. A caridade pressupõe a justiça, indo além, não sendo nunca anti racional ou anti justiça. 

Os “dez mandamentos” são as dez grandes regras que, detalhadas, abarcam dezenas de outras regras, de virtudes.

Como Pio XI lembrou, na encíclica acima referida, Cristo ensinou que todas as regras (virtudes, regras de fazer o bem, “preceitos”, “mitsvot”, em hebraico) podem ser resumidas no preceito “amarás ao teu próximo como a ti mesmo” (Rm 13,8-9; Mt 22,36-41). Este preceito também foi ensinado, por Jesus, como sendo o resumo dos Dez mandamentos, a “regra de ouro”: “Tudo aquilo, portanto, que quereis que os homens vos façam, fazei-o vós a eles, pois esta é a a Lei e os Profetas” (Mt 7,12).

A “regra de ouro” (pedra fundamental), de forma negativa, era também ensinada pelo rabino Hilel, o Velho.

Faz parte dos textos maravilhosos dos dois Talmud (especialmente o “Talmud” da Babilônia), textos que Leão X permitiu a impressão, porque, apesar de alguns textos anti-cristãos, contém muito da “Lei oral”, da Tradição hebraica, que é também a Tradição cristã. Especialmente, o Pirke Aboth, um grande livro de ética, que os judeus leem várias vezes ao ano, dentro da liturgia anual. Texto belíssimo mesmo. 

Implícito nesta regra está o maior elogio já feito à razão, tal como à igualdade, à liberdade e à reciprocidade.

Esta regra é a quintessência da ética cristã e também do judaísmo, é o “princípio fundamental” do judaísmo, a essência do judaísmo. As palavras exatas de Hilel foram: “o que odeias para ti, não faças a teu próximo, esta é toda a Torah, o resto é comentário, vai e estuda”. A alma desta regra-pilar é: aja para com teu próximo como sua razão natural ensina que você mesmo gostaria de ser tratado. Use a razão.

É a mesma regra de Cristo quando disse: “sede sagazes como a serpente, mas bons como as pombas”, ou seja, use a inteligência para fazer o bem, pois este é o caminho (a escada) do Céu, o caminho da vida, da verdade, da razão, do bom senso, dos bons sentimentos, o modo de justificar-se, de santificar-se, de ser justo (honesto, de honra, de concórdia etc).

O estoicismo tem raízes semitas, fenícias, hebraicas. Foi sempre amado pela Igreja

Na parte ética, o estoicismo foi a corrente mais acolhida pelos Santos Padres, porque tinha um conjunto maior de idéias racionais coincidentes com a parte racional (que é maior parte) da Revelação.

Os fariseus eram praticamente estóicos, como mostrou Flávio Josefo e está evidente na obra fundamental e magistral do “Pirke Aboth”, obra que recomendo pois é excelente.

O estoicismo nasceu nos meios fenícios, banhados pelas ideias semitas, hebraicas. Os grandes estoicos iniciais foram descendentes de fenícios, semitas, co-irmãos dos judeus. 

Mesmo na parte mais geral da filosofia, os estóicos ensinavam que Deus opera na história, que a Providência é geral e específica, ponto coincidente com as idéias bíblicas.

Os estóicos também ensinavam que o ser humano é uma substância só, de corpo e alma, uma unidade, um ser mesclado de espírito e matéria, na mesma linha do aristotelismo e das idéias hebraicas.

Os estóicos destacavam as idéias éticas e todos estes pontos comuns aproximavam os cristãos das idéias estóicas.

Boa parte da produção filosófica espanhola, por exemplo, tem influências sólidas do estoicismo, como pode ser visto em Quevedo, Baltasar Gracián, Lope de Veja e outros autores, inclusive os santos espanhóis.

A Espanha sofreu intensa influência semita, pelos fenícios e, depois, pelos árabes, que são semitas.

Os judeus sefardistas, a elite judaica, a meu ver, floresceram na Espanha, pelas profundas raízes semitas estoicas, que há na Espanha, e também em Portugal. 

A cultura espanhola foi uma das mais marcadas pelas idéias estóicas em boa síntese com o catolicismo. Na Espanha, nasceram grandes estóicos, como Sêneca, Luciano, Quintiliano, Marco Aurélio e outros.

Na Holanda e em outros países, o estoicismo esteve e está presente na corrente pró-católica e humanista do arminianismo, corrente ligada a Hugo Grócio e Spinoza. Isso explica, em boa parte, o fato da Holanda ser praticamente católica, hoje, sendo 32% de católicos, e o calvinismo é ínfimo. O arminianismo foi praticamente pró católico, tendo vencido o calvinismo. O mesmo ocorreu na Suiça. 

Mais tarde, o estoicismo ajudou os escoceses a superarem os erros do calvinismo, formando o iluminismo escocês, bem próximo do catolicismo. Este ponto foi destacado pelo Padre Leonel Franca, em sua história da filosofia, num elogio a Hugo Grócio, um dos principais líderes dos arminianos, discípulo de Suarez, em linhas gerais.

Leonel Franca também elogiou o iluminismo cristão escocês, bem próximo do catolicismo. 

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