Arquivos para : A “Fórmula” CRISTÃ e RACIONAL de distribuição dos bens, adotada por Marx: A CADA UM DE ACORDO COM SUAS NECESSIDADES. Atos dos Apóstolos 2 e 4. JUSTIÇA DISTRIBUTIVA

Ideal da Igreja – uma Democracia com igualdade social e participação de todos

Para Paulo VI, a primeira aspiração, o primeiro direito natural, é a igualdade. Trata-se do direito natural à igualdade social.

A segunda a aspiração ou direito natural é o direito à participação.

As aspirações à igualdade e à participação fundamentam a democracia e tem fundamento na própria natureza humana, ao modo como somos estruturados pelo Criador.

Nas palavras de Paulo VI:

a dupla aspiração à igualdade e à participação procura promover um tipo de sociedade democrática”. Desta Democracia, vários modelos se propõem, dos quais alguns já foram utilizados; nenhum deles, porém, foi plenamente aprovado, de tal forma que, neste campo, continuam as investigações, não só entre as opiniões teóricas, como também nos sistemas de experiência” [cf. n. 24, da encíclica referida].

O termo “igualdade” significa “justiça”.

Justiça vem de “jus”, “maat” (em egípcio), equivale a “eqüidade”, “balança”, igualdade, boa medida. “Justiça”, como também revela o termo hebraico e bíblico.

Justiça significa, como destacou João XXIII, assegurar a todas as pessoas os bens que lhes são devidos naturalmente, condições de vida plena para todos.

Significa assegurar condições de vida plena para todos.

Todas as pessoas devem ter os bens suficientes para uma vida plena e abundante, como ensinava São João Evangelista, o discípulo mais próximo de Jesus.

A sociedade e o Estado devem atender e satisfazer as necessidades humanas básicas, a cada um de acordo com suas necessidades

As necessidades e as aspirações humanas são sagradas e devem ser atendidas e satisfeitas pela sociedade, o Estado etc.

Isso vale inclusive pelas freiras e frades contemplativos (que sempre fazem trabalhos manuais e intelectuais, fiéis ao espírito da regra beneditina).

João XXIII, na carta às religiosas (de 02.07.1962), ressaltava:

“sim, deveis estar espiritualmente presentes a todas as necessidades da Igreja militante. Nenhuma desgraça, nenhum luto ou calamidade vos encontre estranhas; nenhuma descoberta científica, congresso cultural, reunião social e política vos faça pensar: “são coisas que não nos interessa”. Que a Igreja militante possa contar convosco sempre que a vossa contribuição espiritual for necessária para o bem das almas e também para o verdadeiro progresso humano e a paz universal”.

A lição de João XXIII é excelente: mesmo os mais contemplativos devem ter em conta as necessidades sociais, as idéias, os projetos, as aspirações, as desgraças e as descobertas científicas da sociedade.

O bem, sendo difusivo, exige dos contemplativos que ensinem e rezem pelo bem comum, para que todos tenham os bens necessários e suficientes para uma vida digna, plena e feliz.

A Igreja tem o dever de “proferir” um “juízo moral sobre realidades que se relacionam com a ordem política, quando o exigirem os direitos fundamentais da pessoa” (cf. “Gaudium et Spes”, n. 76).

Os esforços de ecumenismo do monge trapista Thomas Merton (o padre Louis) tinham a mesma linha ecumênica (manteve correspondência com Martin Luther King).

O monge Merton mantinha diálogo com socialistas, budistas e religiosos chineses, confucianos, taoístas, xintoístas e outros, como pode ser visto em obras como o “Diário na Ásia”.

Os textos do trapista Merton constituem excelente exemplo de militância social e política, sendo digno de nota o fato de Merton ter sido uma grande estrela de uma das ordens mais rigorosas e fechadas, a Ordem Cisterciense da Trapa (reformada por Rancé, em 1662) .

Esta militância deve estar presente até na vida dos monges da Igreja, e em escala bem maior nos sacerdotes, bispos, sendo, no entanto, a tarefa sagrada específica dos leigos.

A ação dos leigos tem exemplos específicos na vida de Moisés, dos profetas e de grandes santos.

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