Carta da Pastoral Operária da Arquidiocese de São Paulo ao Cardeal de São Paulo, sobre a Portaria do gov temer golpe baixo sobre trabalho escravo

São Paulo, Outubro de 2017.

Carta ao Cardeal Arcebispo e aos Bispos Auxiliares da Arquidiocese de São Paulo.

Devemos sempre lembrar a dignidade e os direitos dos trabalhadores, denunciar as situações em que esses direitos são violados e contribuir para um progresso genuíno do homem e da sociedade”. Papa Francisco.

Nota de repúdio à portaria do Governo Temer sobre o Trabalho Escravo

Por mais de trezentos anos a historia do Brasil se alicerçou no trabalho escravo. O Trabalho, produtor de Capital, sustentou a vida ociosa dos senhores de engenho, dos donos da mineração e o luxo da corte portuguesa. Foram milhares e milhares de escravos que regaram com suor e sangue os campos de açúcar, algodão e tabaco em terras dos indígenas do pais.

A cana, o café e o minério, alem de produzir Capital, produziram indescritível sofrimento aos povos indígenas e negros. Milhares de negros fugiram, dentre outros, para quilombos de Palmares (Pernambuco) e o de Jabaquara (litoral santista). Ali procuraram criar uma comunidade de irmãs e irmãos, alimentando o sonho de uma sociedade igualitária, onde “todos tinham tudo em comum” (At. 2,42ss).

O papa São João Paulo II foi inspirado pelo Espírito Santo ao afirmar ser “o trabalho a chave da questão social”. O Ministério do Trabalho do Governo Michel Temer, inspirado pelo demônio, vem confirmar a sede de dinheiro e lucro de latifundiários e empresários que trocam a dignidade do trabalho pela tragédia do trabalho escravo.

A classe trabalhadora, alem de carregar nas costas o peso do desemprego, da terceirização, da revogação de direitos, da precarização do trabalho, recebe na cabeça a paulada da ignomínia do trabalho escravo.

Repudiamos a força do Capital do agronegócio. Repudiamos a investida de deputados que se dizem cristãos mas retornam aos tempos pré-evangélicos e ao mais genuíno farisaísmo. Repudiamos a tragédia que se abate sobre os trabalhadores excluídos, marginalizados e explorados pelo Capital.

Partamos para a luta confiantes na ação do Espírito Santo que nos convoca, a fim de que todos e todas tenham “vida e vida em abundância” (cf. Jo 10,10).

Pastoral Operária da Arquidiocese de São Paulo.

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