Um elogio a Lenin, feito pelo padre jesuíta Affonso Urbano Thiesen, bom gaúcho

O padre Affonso Urbano Thiesen S.J., no livro “A ética política de Lênine” (Porto Alegre, Editora do Instituto de Filosofia da UFRS, 1967, p. 45), elogia os textos de Lenin, recheados de juízos éticos, de análises éticas.

Na p. 45, o Jesuíta estuda as “fontes” da ética de Lênin, mostrando que o velho Lenin usava pilhas de textos, imagens e metáforas religiosas. Por exemplo, o texto de São Mateus, 25,15, na parábola dos talentos, onde está dito expressamente “a cada um de acordo com a sua capacidade”.

De fato, Deus dá a todas as pessoas capacidades e talentos.

O trabalho humano e a natureza são as fontes produtivas dos valores de uso, dos bens. Mas, o trabalho tem o primado, pois é a causa instrumental primária da produção. Isso foi ensinado por  Marx, no último texto de 1882, no “Glossas ao Tratado de Economia Política de Adolf Wagner; sendo a mesma opinião do padre Liberatore, em 1891, no livro que escreveu sobre economia política, sendo o padre Liberatore um dos co-autores da “Rerum novarum”, de Leão XIII. 

Assim, a VALORIZAÇÃO, o CULTIVO e a PROTEÇÃO do trabalho humano é a parte mais essencial da economia, de uma boa estrutura econômica da sociedade. 

Trabalho criativo, sem reificação, com pequena jornada de trabalho, sem exploração, é a base de um bom processo produtivo, o núcleo da ética social. 

Uma boa estrutura social e estatal é a que protege e cultiva cada talento, cada pessoa concreta,  cada trabalhador concreto, unindo trabalho intelectual e manual, cada processo cognitivo, até das pessoas com deficiências mentais, pois até estas têm ótimas ideias e podem colaborar para o florescimento de uma sociedade plena, sem miséria, sem reificação, sem exploração, sem grandes fortunas privadas.

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