Atividade política cristã deve ser transversal, leiga, laica, mas com princípios anti capitalistas

O velho Pio X, na encíclica “Im fermo proposito” (11.06.1905), reagrupou os católicos italianos na “Unione Popolare”, que tinha uma atividade também eleitoral.

Pio X disse, na encíclica referida acima, sobre a participação política:

“… importa sobremaneira aquela atividade [eleitoral], já elogiosamente desenvolvida pelos católicos, para se preparem com uma boa organização eleitoral para a vida administrativa nas Câmaras e Conselhos provinciais, se estenda, igualmente, à preparação conveniente e à organização para a vida política”.

A “União Popular” (dirigida no início por Giuseppe Toniolo) não era um partido confessional, e sim uma organização de leigos, e existiu inclusive no Brasil (ligada a Antônio Felício dos Santos e outros grandes leigos católicos).

Por isso, nas eleições italianas de 1913, os leigos católicos usam a expressão “católicos deputados”, e não “deputados católicos“, seguindo a orientação de Leão XIII contra os partidos confessionais.

A vedação de clericalismo é a linha correta. A ética cristã tem linhas gerais, deixando pontos para interpretação pessoal, permitindo diversidade partidária, mas não partidos neoliberais ou que queiram estatizar tudo.

Este ponto fica patente até mesmo em documentos como o “Testamento Político” do Cardeal Richelieu, onde este cardeal frisa que o Estado deve ser regido pela razão natural, e não pela Igreja. A atuação dos católicos deve ser transversal.

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