O Frei dominicano Ambrosius Karl Ruf, no livro “Curso fundamental de teologia moral” (vol. I, São Paulo, Ed. Loyola, 1991, p. 179), expôs corretamente a síntese tomista-casuísta de teologia moral e política.

Esta síntese constitui o fundamento racional e democrático da teologia moral, baseado na seguinte proposição central: “bom é o que corresponde à lei da razão que perpassa toda a criação”, sendo esta a “Lei Divina” (o Plano, o Projeto), na parte que nos é compreensível.

Vejamos o texto de Frei Ambrosius, correlacionando o “bom” (o bem) com a razão e a natureza:

Também a teologia medieval parte das “tendências naturais” para explicar a fórmula: “bom é o que é racional, porque corresponde à natureza”. (…). Em consenso com toda a teologia do seu tempo, Santo Tomás defende as leis seguintes: a inclinação à autoconservação, que é própria a todas as substâncias, a inclinação à conservação da espécie, que é comum a todos os seres sensíveis (homens e animais), a orientação própria só do ser humano para agir de acordo com a sua razão [autodeterminação].

Numa reflexão especulativa, Sto. Tomás mostra que o sujeito moral se acha preparado por natureza para a sua tarefa, porque nato em seu intelecto prático conhece, com a ajuda de alguma reflexão, como necessária, boa e desejável a inclinação que pode conhecer por experiência. Por conseguinte, com as inclinações naturais demarca-se o campo no qual o ser humano deve avançar para a formação de sua personalidade; demonstram-se as necessidades fundamentais da vida humana, que devem ser o objeto de regulamento racional”.

Como o texto acima diz, a ética visa à organização (ordenação, regulamentação, “ordem”, cf. Agostinho) racional da vida humana, para atender (satisfazer) às “necessidades fundamentais”, os desejos legítimos e naturais, as aspirações do ser humano. Isto se aplica à vida pessoal, familiar, social, estatal, econômica etc.

As necessidades materiais, intelectuais e morais humanas são justas e demandam bens materiais suficientes para uma vida digna, tal como o máximo de bens intelectuais e bens morais.

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