As ideias de Einstein sobre o bom Deus

A relação entre Deus e a natureza foi sempre a paixão de Einstein, de Max Plank, Newton, Galileu, Kepler e dos maiores cientistas da humanidade. Para explicitar como a doutrina hebraica-cristã é racional, vejamos alguns bons textos de Einstein, expondo idéias que estão também presentes em Maimônides e Tomás de Aquino.

Os textos seguintes foram colhidos do livro de Max Jammer, “Einstein e a religião” (Rio de Janeiro, Ed. Contraponto, 2000, p. 116 e outras): 1º) “o Divino se revela no mundo físico” (pela mediação das leis naturais); 2º) “meu Deus cria leis que se encarregam” (de recompensar naturalmente o bem e castigar o mal); 3º) “Seu universo… é regido… por leis”; 4º) “a natureza racional da realidade… é acessível à razão humana” (esta racionalidade, inteligibilidade, é a base das ciências, inclusive da religião); e 5º) “a aspiração e o esforço positivo em prol de uma configuração ético-moral de nossa vida corriqueira é de suma importância” e, por isso, há “a necessidade da cultura ética”.

Explicitando seu jusnaturalismo de fundo religioso e científico, Einstein também escreveu: 6º) “a teoria fornece muita coisa, porém mal chega a nos aproximar mais dos segredos do Velho. Seja como for, estou convencido de que Ele não joga dados”, pois age de forma inteligente e Seus Caminhos são inteligentes; 7º) “O Senhor é sutil, mas não é malicioso” (usava esta frase quando a conclusão que tirava de uma experiência era absurda, descartando o absurdo e o irracional na natureza; 8º) “vemos nosso Deus na maravilhosa ordem e submissão às leis de tudo o que existe, e também na alma (“Beseeltheit”) disso, tal como se revela nos seres humanos e nos animais”; 9º) “a ciência sem a religião é manca, a religião sem a ciência é cega”; e 10) e “fico encantado com a figura luminosa do Nazareno” (de Jesus Cristo).

A “natureza” é a grande mediadora entre Deus e as pessoas. O velho Maimônides (o Rambam), apreciado por Santo Tomás e por Einstein (ver palestra de Einstein, em 15.04.1935, no 800º aniversário de nascimento de Maimônides), explicava isso lembrando frases de Moisés (cf. “Êxodo, 33,13) a Deus: “ensina-me o caminho (…) leva em conta que essa gente é teu povo”.

O “caminho” era é a “lei natural”, a base da ética revelada à Moisés, que é também acessível pela luz natural da razão, como ensinou São Paulo, justamente na carta aos Romanos, onde está a melhor explicitação do jusnaturalismo bíblico.

Moisés, neste mesmo episódio, escreve como o próprio Deus se autodefinia: “compassivo e clemente, paciente, misericordioso e fiel, que conserva a misericórdia até a milésima geração, que perdoa culpas, delitos e pecados”, o que antecipa a autodefinição de Deus como “Amor”, abrangendo o conceito de “Sabedoria”, “Verbo”, “Logos”, “Razão” etc.

Moisés, na interpretação de Maimônides (jusnaturalista, como Tomás de Aquino), ensinava que o conhecimento de Deus (logo, da Inteligência de Deus, a base mais profunda da ética) ocorre, em regra, de forma indireta. Nós conhecemos Deus, em regra, por Seus “caminhos”, por Seus atos, manifestados na natureza, especialmente na natureza humana racional, no processo histórico. Há o mesmo ensinamento nos “Salmos” de Davi.

Einstein, tal como Pasteur e milhares de cientistas, ensinava que o progresso científico deve ser pautado por normas éticas, pois tem como finalidade promover a vida plena para todos; e o mesmo ocorre com o progresso econômico-social, jurídico, político e histórico.

Einstein dizia que “as proposições éticas fundamentais” eram “premissas”, “desempenhando na moral um papel análogo ao que os axiomas representam na matemática”. São premissas gerais, regras gerais de conduta.

Conclusão dos textos de Leão XIII e de Einstein: cabe à liberdade humana (a “sabedoria dos homens”) constituir (criar), guiada pelas luzes da razão e da ciência (frutos do diálogo), um ordenamento jurídico positivo, um Estado, que assegure a todos o bem comum, o bem de todos. É esta a quintessência da concepção política e jurídica da Igreja, sendo cristã porque é também natural, como já era ensinado por Tertuliano.

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