Francisco Suarez, quase igual a São Tomás e a Santo Agostinho. Um grande gênio da humanidade

Detalhando as idéias de Santo Tomás, Francisco Suárez (elogiado por Rui Barbosa, na “Oração aos moços”, p. 29) explicou, no livro “Defensio fidei catholicae” (III, c. 2, 11), que cada pessoa foi feita para agir “de motu próprio” (com movimento, moto, autônomo), para agir livremente, “compos sui”, “sui juris”. Deus é libertador (como está claro na abertura do Primeiro Mandamento, onde Deus se identifica como o que liberta da escravidão do “Egito”). Esta regra essencial do ser humano é também uma regra essencial para a sociedade, que é um conjunto de pessoas, logo, deve ser estruturada (ordenada, regrada) com base nas estruturas (antropológicas e naturais) essenciais da pessoa, para que seja humana e racional. Vejamos o texto do grande Suarez:

O corpo político [a sociedade, pessoa moral, pessoa jurídica de direito público natural] é originariamente livre e sui juris [sujeita ao direito natural, próprio, aos ditames, regras, da própria razão]. A liberdade inclui especificamente a competência ou autonomia [autodeterminação, independência] e exclui a sujeição a uma determinada pessoa, pelo menos no que toca ao direito natural”.

Como Rui Barbosa apontou, na “Oração aos moços” (Rio de Janeiro, Ed. Organziação Simões, 1962, p. 30), Suárez escreveu cerca de 200 obras e morreu “comparado com Santo Agostinho e Santo Tomás”, sendo considerado, abaixo dos dois santos, como “o maior engenho que tem tido a Igreja”. O próprio Grócio disse que “apenas havia quem o igualasse”, mas não quem o superasse. Grócio era próximo da Igreja, pois estava ligado à corrente pró católica do arminianismo, corrente que encantou Spinoza. O arminianismo ajudou a Holanda a superar os erros do calvinismo. Hoje, a religião principal da Holanda, tal como da Suiça e da Alemanhã, é o catolicismo. 

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