Pio XII e o evolucionismo católico

Pio XII, na “Humani Generis” (12.08.1950), ensinou que “o magistério da Igreja não proíbe que, segundo o estado atual das ciências humanas e da sagrada teologia, se trate, nas investigações, (…) da doutrina do evolucionismo, enquanto busca a origem do corpo humano numa matéria viva e preexistente”. O pó que foi utilizado para gerar Adão poderia estar organicamente organizado, num ser orgânico. Em vez de pó inorgânico, pó orgânico, não há diferença alguma e é até mais apropriado e condizente com a bondade divina o uso de matéria mais nobre, matéria orgânica de um animal com nossa estrutura. Há o mesmo ensinamento no Vaticano II, nos textos de Teilhard de Chardin, nos livros sobre a evolução de Frei Betto e de Hans Kung, tal como em milhares de outros textos da Igreja.

Conclusão: a evolução e o progresso são um processo de regeneração, ou seja, de renovação. O processo histórico da Parusia (da regeneração, da renovação) está em curso, no rio da história. Seu âmago, o principal, é o diálogo (entre Deus e nós e entre nós, no fundo, o amor é a base da evolução e isso foi visto inclusive por Augusto Comte). O amor, o diálogo, o entrelaçamento das consciências e do trabalho cooperativo, são as bases da evolução humana e do cosmo.

A chave da evolução é o diálogo livre e consensual, o controle consciente, pessoal (formas de autogestão pessoal) e social (formas de autogestão social), do processo histórico, buscando um sistema econômico e político que tenha o máximo de personalização com o máximo de socialização, economia mista, constituição mista. Este controle (autocontrole pessoal e social), pela via do diálogo (a forma discursiva é a forma de movimento da razão), são as bases da sociedade, da Igreja, da família, do Estado e de todas as associações e instituições. Por estas razões, fica fácil entender que o diálogo racional em busca do bem comum é a ideia central da concepção política e jurídica da Igreja, do que se convencionou chamar de “filosofia cristã”, tal como de toda teologia.

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