O que é a Parusia, união do Céu com a Terra, novos Ceus e nova terra, plenitude

A parusia significa o auge da reconciliação entre o Céu e a terra, a reconciliação de Prometeu, como explicou Roberto Lyra Filho, um dos maiores juristas, que deixou textos sobre teologia da libertação. O Céu é o contrário do inferno (negação da natureza, isolamento, ódio ao próximo, ao outro). Trata-se, assim, da plenitude (da perfeição, da bondade, o aperfeiçoamento pela eternidade) da vida humana, da glorificação da criação, da obra do Criador. Por esta razão, Roberto Lyra Filho usou o título de “A reconciliação de Prometeu” para seu ensaio de teologia da libertação com direito alternativo. Em outros termos, o Céu é a libertação, a perfeição do ser humano e do universo, a ordenação racional da criação para o bem comum. A ampliação da presença divina na natureza, algo que é um processo pela eternidade, para adequar a criação ao atributo maior do Criador, que é a bondade (tornar tudo regrado pelo bem comum, ampliando o bem a cada momento).

O ideal da parusia, do Reino dos Céus, é baseado na autodeterminação (na libertação), no autogoverno pessoal e social, na autonomia, na autogestão pessoal e social, participativa, com planificação participativa, com comunhão de bens e de vida. Este é, também, nosso ideal político, jurídico, econômico e pedagógico: o máximo de autonomia pessoal e social, liberdade, autogestão, com planificação participativa, com comunhão. Nos termos de Dom Hélder, é um ideal do máximo de personalização com o máximo de socialização, numa boa síntese que retrata a plenitude da natureza pessoal e social do ser humano.

Clodovis Boff constatou também que a parte boa (o trigo) das idéias de Rousseau tem origem no jusnaturalismo, da Paidéia e do pensamento judaico-cristão. O jusnaturalismo ensina que o consenso racional e consciente (participação), em torno do bem comum, é a base natural e racional da legitimidade do poder. Esta parte boa das idéias de Rousseau já estava presente, em germe, nas mais antigas aldeias, cidades sumérias, cidades fenícias, nas cidades (nos ordenamentos jurídicos positivos) gregas e antigas (inclusive hebraicas), tal como nos parlamentos, cidades, universidades, ordens e congregações europeus. Exemplos disso são as estruturas das cidades-estados da Itália, a estrutura da Suiça, a Carta Magna de 1215, o parlamento da Islândia etc.