A relação intrínseca entre cristianismo e democracia popular

A relação profunda entre cristianismo e democracia popular foi visto por Marx e Engens, tal como por seus primeiros discípulos. Sobre estes pontos, há vários textos de Engels e Marx (vide carta a Domela, 1881, sendo Domela um ex-pastor). Também é importante a leitura dos textos sobre a Igreja e o socialismo, de autoria de Rosa de Luxemburgo, Karl Kautsky (“Origens do cristianismo”, 1908), Anatoli Lunatcharski (“Religião e socialismo”) e outros. Há, ainda, a abonação de Lenin, em sua obra principal, “O Estado e a revolução”, onde Lenin menciona o “espírito democrático” do cristianismo primitivo.

Auguste Bebel (1840-1913), tal como Kautsky, foi um dos marxistas a escrever sobre a relação do cristianismo com o socialismo. Bebel, no livro “Cristianismo e socialismo”, escreveu que “o socialismo é a doutrina” que “deseja, de verdade, aplicar à vida as leis morais que durante dezoito séculos utilizou a Igreja unicamente como rótulo”. Há basicamente a mesma conclusão no livro de Rosa de Luxemburgo. Idem, para Jules Guesde, em texto muitas citado pelos eurocomunistas italianos. 

Em outras palavras, o socialismo adotou, na visão de Bebel, a ética cristã, da Igreja. Além destes autores, também vale à pena a leitura de Ernest Troeltsch (1865-1923), “As doutrinas sociais das Igrejas cristãs” (1911), numa linha próxima, mostrando que as idéias cristãs contêm, implícitas, as idéias centrais de uma democracia social, cooperativista, popular.