Democracia popular participativa, eis o ideal político-histórico da Igreja, dos cristãos

Democracia Participativa ou Popular é uma democracia real. É um regime político e um sistema econômico (de economia mista, onde os grandes meios de produção são estatais, como ensinou Pio XI, na “Quadragesimo anno”, em 1931) onde o povo seja o senhor sobre si mesmo, regendo o Estado, a economia (as estruturas produtivas, os bens, o uso dos bens etc), a cultura etc. Este ponto foi bem demonstrado por Pio XII, nos seus magníficos discursos natalinos de 1942 a 1944, tal como por Jacques Maritain, Alceu Amoroso Lima, Dom Hélder e outros luminares da Igreja (Domingos Velasco, Francisco Mangabeira, João Mangabeira, Alceu, Pontes de Miranda, Barbosa Lima Sobrinho e os textos da CNBB).

A Igreja, no mundo todo, luta para que o povo autogoverne-se por meio de Assembléias (“Ekklesias”, pois “Igreja” significa Assembléia, em grego). O povo, no mundo todo, forma a base da Igreja invisível.

A Igreja invisível (especialmente em sua parte visível, a Igreja Católica) luta por uma democracia política, econômica, social, pedagógica, cultural, comunitária, campesina, cooperativa e eclesial. Este é o ideal natural do povo. É o regime que atende às expectativas, sonhos, aspirações, necessidades, reivindicações, idéias e os sentimentos do povo. É também o núcleo do que há de bom no ideário histórico do socialismo.

O ponto central é erradicar a alienação do povo, a miséria, a oligarquia, a tirania, males sempre criticados pela Igreja.

A miséria é um cativeiro, como bem explicou João Paulo II. A miséria é o cativeiro, a alienação, a reificação, a degradação, a redução da pessoa a mero objeto, a um pedaço de matéria sem consciência. É um cativeiro que reifica (coisifica) e destrói a vida do povo, corrompendo o corpo e a consciência das pessoas. Só haverá democracia real com a erradicação da miséria e da oligarquia.

A miséria deve ser erradicada, pois é uma forma cruel de escravidão, de escravidão, de degradação. A miséria é uma prisão, uma forma de escravidão, como foi explicado pelo Vaticano. O conjunto dos algozes dos miseráveis é chamado historicamente de “oligarquia”, termo clássico usado por Platão, Aristóteles, Políbio e pelos estóicos, tal como pelos Santos Padres.

A oligarquia é formada pelos latifundiários, os grandes capitalistas que detêm oligopólios (trustes e cartéis), as multinacionais e os milionários e bilionários. Para erradicar a miséria é preciso retirar o supérfluo da oligarquia. É preciso erradicar a oligarquia como tal, não as pessoas concretas dela, e sim o excesso de poder econômico e político que detêm. Uma boa sociedade é formada de ampla classe média (milhões de pequenos e médios produtores rurais e urbanos), de classe operária com estabilidade de emprego, participação nos lucros, na gestão, pequena jornada de trabalho, sem reificação), sem grandes proprietários particulares, sem miséria alguma. Santa mediania, como queriam Platão, Aristóteles, os estoicos e todos os textos bíblicos.

A Igreja sempre rejeitou a miséria, a tirania, a oligarquia, o capitalismo, o latifúndio, o imperialismo etc. Um bom católico abomina o capitalismo, o latifúndio, os monopólios privados (trustes e cartéis, especialmente multinacionais, pois os meios de produção pertencentes a estes devem ser do Estado, com cogestão dos trabalhadores), o imperialismo e outros males que destroem a democracia, consolidando o poder espúrio da oligarquia.

Conclusão: o ponto central do ideal humano e cristão de política é erradicar a oligarquia e a miséria, construindo o poder real do povo, o poder sujeito ao povo. O principal é dar o poder ao povo.

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